Damnation

16 Chapter Fifteen: Hope and Wish


- Procuramos e procuramos pra não encontrar nada – falou Garcia, irritado.

- Eu não esperava encontrar alguma coisa mesmo – falava Dominique – Pelo estado dessa cidade ela foi abandonada há muito tempo.

Garcia nada falou. Foi então que Dominique percebeu...

- Me desculpe Garcia, não tive intenção de... Eu não quis dizer que os seus pais...

- Tudo bem, não precisa se preocupar. No fundo eu sabia que nunca os encontraria aqui, apenas quis... acreditar nisso.

- Sinto muito – disse Dominique.

A garota sentia pena pelo homem. Vir até aquela cidade para encontra-los e se deparar apenas com névoa e criaturas horrendas não era deveria ser fácil de lidar.

- E agora, o que faremos? – perguntou Dominique.

- Não faço a menor ideia. – respondeu Garcia.

”Será que devo perguntar a ele sobre aquele orfanato que eu li? Não custa tentar”

- Garcia... – a garota hesitou por alguns segundos.

- Sim?

- Você conhece um orfanato chamado Wish House?

A expressão de Garcia mudou completamente. Ficou séria, dura, algo que Dominique não havia visto no rosto do homem até aquele momento.

- Porque você me perguntou isso?

- Eu... bom... sabe lá nos hospital?

Garcia assentiu com a cabeça.

- Pois bem, eu li um relatório do nascimento do filho de Anna Halfax...

A expressão do mexicano enrijeceu ainda mais e agora ele estava visivelmente zangado.

- Essa mulher foi a única que saiu viva de Silent Hill e eu não sabia que ela tinha tido um filho.

Garcia respirava fortemente agora.

- E eu li que ela fugiu e o bebê foi levado para esse orfanato.

- E por que você quer ir lá? – seu tom parecia ameaçador

- Bom, eu achei muita coincidência ela ter tido um filho que largou aqui, depois retornou até a cidade e saiu viva. Eu fiquei pensando que talvez tudo estivesse, de alguma forma, interligado...

- Esqueça sobre isso. – interrompeu-a.

Dominique interrompeu sua fala, surpresa.

- Já temos problemas o suficiente, não precisamos nos meter em outro.

- Mas...

- ESQUEÇA! – ele berrou.

A garota arregalou os olhos. Nunca havia visto tanto ódio no olhar de uma pessoa.

- Me... me desculpe... – balbuciou a garota.

Garcia virou de costas para a garota, bufando.

- Vamos, temos que continuar andando e tentar achar um lugar para nos abrigar, logo irá escurecer.

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Estavam caminhando há algum tempo já. Garcia não havia falado nada desde sua explosão e Dominique não entendia o que havia acontecido.

Estavam na frente de um prédio com uma grande placa que se lia: Wood Side Apartments.

- Parece um bom lugar pra repousar por algumas horas. – falou Garcia.

Dominique se surpreendeu que o homem voltara a falar.

- Você acha que conseguimos entrar?

Ele tentou a porta dupla que dava entrada ao prédio: trancada.

- Bom – ele apontou a doze para a fechadura – Parece que faremos do jeito difícil.

Mas antes dele atirar, um barulho de uma explosão foi ouvido.

- O que foi isso? – perguntou Dominique, assustada.

Garcia correu para o meio da rua e olhou para o céu.

- Parece que é... Um tiro de um sinalizador.

- O quê? – e correu até onde o mexicano estava.

Mesmo estando nublado e com bastante névoa, a fumaça vermelha podia ser vista no céu. Foi então que Dominique se lembrou.

- É O BILL – berrou Dominique – ELE ESTÁ VIVO, ELE ESTÁ VIVO.

- Bill?

- O meu namorado, um dos que veio comigo pra cá... eu achei que ele poderia estar morto mas...

Um calor encheu o corpo inteiro de Dominique. Saber que Bill estava vivo parecia ter devolvido a ela sua alegria, sua esperança.

- Temos que ir até lá – falou ela, ansiosa.

- O quê? – surpreendeu-se Garcia – Pela distância do tiro vamos demorar horas pra chegar lá, e nem teremos certeza que ele vai continuar no mesmo lugar...

- Garcia, por favor...

- É loucura atravessar a cidade por que simplesmente você acha que o seu namorado disparou um tiro com o sinalizador...

- Eu não acho, EU SEI – falou Dominique, irritada.

- Mesmo assim, seria imprudente de nossa parte. Vamos simplesmente entrar nesse prédio e descansar por algumas horas.

- Olha Garcia, quer saber? Se você não quer ir, eu vou sozinha.

- Como é que é? – perguntou Garcia, levantando a sobrancelha.

- Eu não entendi por que você não quis ir ao orfanato antes, e muito menos o motivo de você ficar todo nervoso. Porém, eu fiquei na minha e continuei a seguir pelo nada. Agora, que o meu namorado dá um sinal de vida, você não quer ir por que não acha prudente. Bom, eu agradeço você ter salvado a minha vida duas vezes, eu posso estar sendo ingrata, mas eu vou até o Bill com você ou sem.

Garcia nada falou. Dominique se virou e estava fazendo o caminho reverso por onde haviam vindo, mas, algo estava parado no meio da rua.

O menino mais uma vez estava na sua frente.

- Você outra vez. – disse Dominique.

O menino fechou os olhos e ergueu os braços. A rua onde estava desapareceu e uma cena se formou na frente da garota.

Dois homens conversavam de costas para a garota. Um deles era o mesmo que ela havia alucinado e visto na visão que teve do orfanato. O outro era desconhecido. Dominique não sabia se podia ser ouvida ou vista por eles. Com medo, a garota se aproximou dos dois. Eles não perceberam a aproximação, o que aliviou a garota.

- Eles estão chegando, mestre – disse o homem desconhecido.

- Eu sei, posso sentir.

- O que pretende fazer com eles quando chegarem aqui?

- Minha única preocupação é com Dominique, não me importo com os outros, a não ser claro com ele, você já o disse o que fazer quando chegar aqui?

- Sim, já o dei minhas ordens.

- Perfeito. De Dominique, cuidarei eu. Os outros dois deixarei com você, faça o que quiser.

- Obrigado, mestre. Mas, o que pretende fazer com Dominique?

O homem de avental negro riu.

- Irei lhe mostrar. – e então alteou a voz – Entre!

Uma porta atrás de Dominique se abriu, ela se virou pra ver. Dentro da sala, um homem adentrava, era Garcia.

”O Que?”

Dominique ficou em choque.

- Ah meu senhor – o homem desconhecido abriu um sorriso doentio – Agora entendo. Você fez um belo trabalho nele, não é mesmo?

- Sim. Você sabe que tudo que faço, sai perfeito.

- Sim meu mestre. O seu plano, como sempre, é uma obra prima.

O homem de avental negro começou a gargalhar.

A cena desapareceu e Dominique estava de volta no meio da rua. O menino também havia desaparecido.

- Dominique – Garcia estava ao seu lado – Você está bem?

Ela o olhou no fundo dos olhos. Não sabia no que acreditar.

”A visão parecia ter acontecido, parecia ter sido real, mas Garcia me salvou duas vezes da morte, não pode ser apenas uma criatura da cidade. Talvez aquele garoto seja um fantasma dessa cidade que está tentando me confundir, mas ele também me salvou naquele labirinto. Em que devo acredito?”

- Dominique? – Garcia a chamou mais uma vez, agora passando a mão pela frente dos olhos da garoto.

- O-oi – ela disse – Desculpe, eu acabei de ter uma terrível dor de cabeça. Acho que é enxaqueca.

- Você precisa descansar por algumas horas. Dentro desse prédio deve haver alguns quartos com camas pra você dormir um pouco.

- Mas... Bill...

- Olhe – Garcia suspirou – eu juro que, se você dormir por algumas horas, irei junto com você procurar seu namorado.

- Certo então.

Ela continuava desconfiada, tentava raciocinar todos os fatos, mas sua cabeça estava muito confusa, realmente precisava descansar por algumas horas.