Damn Eyes(reescrita)
2 A Tempestade
30 anos depois...
Acordei com uma voz familiar me chamando.
-Senhor Zero. Precisamos nos apressar. Acabei de ouvir da boca de um fazendeiro que uma tempestade fortíssima está vindo para a cidade!
-E como ele sabe disso? – perguntei sonolento – Ah, deve ser um Cursers do clima. Eles são bem úteis...
-Senhor Zero, são pessoas. Não podemos falar delas como objetos! – gritou o jovem.
Levantei-me e abri bem meu olho esquerdo.
-Você acha que isso é o que? Um enfeite? É uma porcaria de um Damn Eye, Steve! Você acha que essa coisa tem sentimentos? Foi feito pra ser usado e não para admirar! – retruquei.
-Está bem, está bem. O Curser aqui é o senhor... – falou Steve.
Eu ri levemente e então sacudi a cabeça.
-Você não muda meu caro amigo. – falei – Agora, me diga, o que sabe sobre essa tempestade?
-Bem... – falou Steve com a mão no cabelo – O fazendeiro disse que ela já passou por mais 3 cidades antes dessa e que causou muita destruição nelas.
-3 cidades antes dessa hein... – falei – Steve, por acaso não foram as cidades por onde passamos?
Ele pensou por um minuto e então seus olhos se arregalaram.
-Caramba! Foram sim. – disse ele – Litus, Armani e Dragórgia!
-Ok. Isso significa que estão atrás de mim. – falei.
-De nós, Sr. Zero. – disse Steve.
-Não, não. Você apenas está comigo. O procurado sou eu. – falei.
Ele assentiu relutante, e saímos do quarto. Pagamos a estadia e Steve me perguntou aonde íamos.
-Para a entrada da cidade. Se quiser ficar, sinta-se a vontade. Pode ser perigoso. Essas pessoas, que me... nos perseguem, são Spark Cursers e Wind Cursers. Controlam os raios e o vento. Por isso a tempestade. – falei.
Ele pensou por um minuto e então me seguiu.
-Senhor Zero, quantos acha que são? – perguntou Steve.
-Não sei. Talvez uns cinco, pelo grau da destruição que causaram.
Seguimos o caminho todo em silêncio. As pessoas corriam de um lado a outro para fechar suas tendas, tirar sua roupa do varal e se esconder nos porões. A tempestade poderia destruir por completo uma cidade pequena como aquela. Felizmente, se eu saísse dali e levasse os Cursers comigo para longe, o vilarejo estaria fora de perigo.
-Senhor Zero. – chamou Steve.
-Sim?
-Como aquilo aconteceu? – perguntou ele.
Eu sabia do que ele estava falando.
-Se sobrevivermos a isso eu prometo te contar. – retruquei.
-Então trate de não morrer. – respondeu.
Rimos. A alegria acabou quando avistamos a nuvem negra que chegava ao portão. Paramos do lado de fora dele.
-Eu estou aqui – gritei – Sei que me querem. Não façamos dessa cidade nosso campo de batalha pessoal. Vamos para os campos, lá poderemos lutar sem perturbar a paz.
-Senhor... – disse Steve com a mão em meu ombro.
Assenti.
-Não se preocupe. – falei – Vai ficar tudo bem.
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