Damage
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Quando saiu da cozinha não conseguiu ver Hans nos corredores, talvez tivesse ficado mais tempo olhando para o chão do que pensava, ou o ruivo tivesse ficado tão irritado que andou mais rápido que o normal seja lá para onde ele tivesse ido. Na verdade não havia muitos lugares para onde um homem molhado pudesse ter ido, primeiramente Samuel pensou na enfermaria por causa do fato da água estar quente quando caiu na barriga do cozinheiro-chefe, mas Hans era orgulhoso demais e estava muito irritado, logo o outro único lugar que restava era o vestiário dos oficiais, ele deveria ter ido para lá trocar de roupa agora que as suas estavam ensopadas.
Começou a andar nessa direção acreditando estar certo sobre o ruivo, Samuel não o conhecia a muito tempo e certamente não sabia tudo sobre ele, mas conhecia sua personalidade e seu modo de reagir às situações, mas o fato dele ter ficado tão irado com algo que Samuel não tinha tido a intenção de fazer o magoou um pouco. O garoto já o tinha visto bravo, mas nunca o tinha visto bravo daquele jeito e apesar de todas as ofensas e baixarias que o recruta tinha sido obrigado a escutar por parte do cozinheiro-chefe nada nunca o tinha atingido de verdade do jeito que a forma como o ruivo gritou atingiu.
Parou de caminhar por um instante, Samuel sabia que gostava de Hans, mas não sabia nada sobre os sentimentos dele a seu respeito, nunca o tinha ouvido gritar daquela forma do mesmo jeito que nunca havia escutado nada sobre amor vindo dele.
– Isso é ridículo. – comentou para si mesmo e continuou andando.
Avistou a porta do vestiário a alguns metros e então apertou o passo, mas parou de prosseguir novamente quando ficou de pé em frente a ela. Era ridículo ficar moendo aquelas coisas e ficar se lembrando de repente sobre todas as suas dúvidas a respeito dos dois só porque Hans tinha ficado irritado com ele. É incrível como a nossa consciência subitamente traz inúmeras dúvidas a respeito dos nossos sentimentos toda vez que algo ruim acontece. Não, Samuel era velho demais para se sentar e começar a chorar enquanto cria mais e mais perguntas sem resposta em sua mente.
Era verdade que Hans só tinha se envolvido com ele por causa da sua aparência e todo esse tempo todas as suas reais demonstrações de carinho tivessem sido depois de tortura-lo, embora as torturas do ruivo envolvessem mais prazer do que sofrimento em si. Contudo, se ele precisava de uma resposta era melhor perguntar diretamente a ele do que ficar formulando estas com base em sua insegurança.
Girou a maçaneta até que a porta se abrisse e hesitou um pouco antes de entrar, mas logo o fez. Era a primeira vez que Samuel entrava no vestiário dos oficiais por motivos mais que óbvios e por um momento ele agradeceu ao acaso por não haver ninguém além de Hans ali dentro ou isso lhe traria problemas, ficou com tanta pressa e preocupação que se sequer pensou nisso quando entrou. Em comparação ao vestiário dos recrutas aquele era um pouco menor, mas evidentemente mais organizado, embora o ruivo tivesse tido o trabalho de jogar suas roupas molhadas em cima do banco de madeira que ficava entre os armários de metal em ambas as paredes.
O armário dele também estava aberto, escancarado na verdade e o garoto não pôde deixar de dar uma espiada ali, mas logo se incomodou pelo fato de não conseguir ver o ruivo ali dentro, apesar dele obviamente dever estar.
Avistou com o canto dos olhos uma porta e logo se lembrou de que também havia chuveiros ali e Hans deveria estar lá. Quer dizer, não havia outro lugar para o cozinheiro-chefe estar, mas mesmo assim o garoto achou importante ir conferir e se esgueirou na porta para só então perceber que os chuveiros dos oficiais tinham separações entre eles com portas, o que não ocorria com os recrutas que eram obrigados a ficar vendo uns aos outros nus. Um dos chuveiros estava ligado e o barulho da água escorrendo só tornava isso mais evidente, mas não havia nenhum vapor no local, apenas o leve cheiro de umidade que se estabelece em banheiros e locais com água frequente. O chuveiro estava ligado na água fria, provavelmente Hans tinha entrado embaixo dela para aliviar alguma queimadura que a água pudesse ter causado.
Samuel se retirou e sentou-se no banco de madeira, ao lado do dólmã branco amassado e molhado que tinha sido jogado de qualquer jeito ali, sentindo-se um pouco culpado pelo que tinha acontecido, obviamente não fora sua culpa nem intenção, mas não se deve assustar pessoas que estão no fogão dessa forma, foi imprudência sua. Bufou e puxou a peça de roupa segurando-a nos ombros. O branco tinha se tornado levemente mais escuro onde estava encharcado, mas o que chamou a atenção de Samuel no momento em que estendeu o dólmã a sua frente foi que era bem maior do que ele mesmo costumava vestir. Se colocasse seu corpo dentro das roupas do ruivo todas ficariam frouxas e as calças até cairiam sem um cinto.
Sorriu, era quase essa a sensação de quando Hans o abraçava, era como se tivesse sido envolvido em um casulo, como se fosse só uma criança sendo protegida por alguém e era bom se sentir assim, mas não há nada mais agoniante do que viver uma paixão platônica ou uma ilusão sobre os sentimentos alheios. Samuel podia conseguir imaginar o que Hans faria por causa da sua personalidade que o garoto conhecia bastante, mas nunca conseguiu dizer o que se passava na cabeça dele, sobre o que estava pensando ou sobre como realmente se sentia a respeito de alguma coisa. Os sentimentos do ruivo se resumiam o seu escárnio e ironia que ele usava perfeitamente para não deixar que ninguém percebesse nada além do seu exterior. Isso irritava o recruta profundamente, porque Samuel sempre foi previsível e suas expressões faciais nunca deixaram de delatar seu estado emocional fielmente à seus sentimentos e no momento o que ele sentia era agonia, culpa, um pouco de raiva e frustração.
Soltou um longo suspiro e olhou para o teto por alguns minutos, sem pensar em nada mas ao mesmo tempo pensando em tudo o que não havia solução na sua vida, várias questões e nenhuma resposta. Isso até que sua atenção foi atraída pelos passos de Hans que finalmente saiu da água gelada e caminhou até a porta segurando a toalha em uma das mãos e vestindo uma cueca box preta, provavelmente ele não quis correr o risco de encontrar algum outro oficial, não que isso fosse o problema, mas Hans tinha problemas com muitos dos seus colegas de trabalho e se sentiria mal em ficar nu na frente de pessoas que odeia.
– Sam? – ele não pareceu totalmente surpreso, não esperava que Samuel fosse ficar parado olhando para a água no chão até o ruivo retornar. – Hey, me desculpe por gritar com você, não foi minha intenção, é que você me assustou mesmo e bem, a água estava morna demais.
– Está doendo? – o garoto indagou antes de responder a qualquer uma das perguntas de Hans.
– Não. – o cozinheiro-chefe respondeu embora ainda estivesse um pouco dolorido, a maior parte da água foi absorvida pelas suas roupas e havia somente uma vermelhidão e leve inchaço onde o líquido tocou, mas no momento sua atenção foi desviada com mais intensidade pela expressão no rosto de Samuel, ou pela falta dela na voz do garoto. – Você está bem?
– Sim.
O ruivo arqueou uma sobrancelha pela falta de explicação na frase dele e se dirigiu até o menor, estava com frio e sua pele estava gelada devido a água, mas tinha certeza que as mãos de Samuel estavam geladas quando tocou uma delas. Entreabriu os lábios para fazer a mesma pergunta de novo, dessa vez com mais ênfase, mas Samuel deve ter percebido isso pois não o deixou falar, levantando-se subitamente e ficando em pé à sua frente.
– Pode me beijar de novo?
– Beijar você...? – surpreendeu-se pensando ter ouvido errado, mas o garoto balançou a cabeça positivamente afirmando o que queria.
O cozinheiro sussurrou um breve “Claro” e abaixou seu rosto até o dele, só tinha uma das mãos livre e optou por não entrelaça-la ao redor de Samuel, o garoto estava triste por algum motivo que o ruivo desconhecia e achou melhor não arriscar. Tocou os lábios dele de leve e dessa vez quem iniciou o beijo foi o garoto, sem a timidez que costumava ter e com mais iniciativa do que Hans pensou que pudesse existir dentro de Samuel. O recruta colocou as mãos em seu peito, molhando-as nas gotas de água que ainda restavam do banho gelado e quando ele fez isso todo o seu calor pareceu ser transmitido para a pele do ruivo que logo tomou sua temperatura normal, talvez até um pouco mais.
Samuel o manteve preso a si, um pouco relutante, mas completamente decidido do que fazia, como se segurasse Hans em um penhasco e não quisesse deixa-lo cair de maneira alguma embora soubesse que cairia com o ruivo se permanecesse com ele. O modo como suas línguas se tocavam era tão íntimo como se fizessem parte de um único corpo e não dois e quando se separaram foi como se algo tivesse de repente ficado realmente errado com o corpo de ambos.
Hans revogou sua decisão e nesse momento entrelaçou a mão livre ao redor dele, puxando-o para perto até que o rosto dele estivesse em seu peito e não fez menção alguma de soltar o recruta, porque só quando suas bocas se separaram que o ruivo percebeu o quão intenso tinha sido aquele beijo, como se fosse o último, e não iria mesmo soltar Samuel. Não queria um último beijo dele, nem um último abraço ou sorriso, o queria para sempre.
– Hans, você gosta de mim? – perguntou finalmente após alguns segundos apenas tomando o cheiro dele para si.
– O que? – o ruivo riu como se tivesse sido feito de idiota. – Você não presta Samuel, você só perguntou isso depois de me beijar.
– Eu não podia escutar um “não” sem ao menos ganhar um último beijo.
– Isso não foi um “não”. – retrucou. – Eu gosto de você, babaca, eu gosto muito de você.
Samuel levantou o olhos até o semblante de Hans, seus olhos sempre brilharam mais que o restante para o cozinheiro, mas naquele momento a luz batia em suas orbes molhadas e refletia o brilho com tanta intensidade quanto eles estavam cheios.
– Não, não, que droga Sam, eu não vou conseguir me segurar se você começar a chorar. – disse colocando a mão no rosto do recruta, tampando seus olhos e o garoto sorriu. – É, eu prefiro esse sorriso, vou ficar com ele.
Mal terminou de contar qual seria sua ação seguinte e o beijou de novo, soltou a tolha e dirigiu suas duas mãos até o recruta puxando-o para o mais próximo que podia do seu corpo. As mãos de Samuel hesitaram por um instante quando Hans o puxou daquele jeito, mas concentrou-se tanto no que fazia com a língua que acabou se esquecendo delas e quando percebeu seus dedos passeavam pelas costelas nuas do ruivo, saltitando lentamente até sua cintura. Recuou suas mãos imediatamente, surpreso com a própria indecência, suas bochechas coraram e ele evitou o olhar cinzento de Hans por alguns segundos, que riu dele pela vergonha desnecessária.
– E-Eu tenho que voltar, Heiner vai ficar muito puto se eu demorar demais e... – começou a dizer quando o ruivo levou as mãos até sua calça e a desabotoou.
– Estou pouco me fodendo para o humor do Heiner. – retrucou antes do garoto terminar de falar e se abaixou puxando a calça juntamente com as roupas de baixo dele. – Além disso, se ele reclamar manda ele pra cozinha que eu estupro ele também.
– Hans!
O ruivo deu uma risadinha de novo com a indignação dele, mas continuou despindo-o até jogar sua camiseta em meio às suas próprias roupas em cima do banco, Samuel conseguia parecer ainda menor sem suas roupas, porque todo volume desnecessário sumia e tudo o que restava era um garoto com expressão contrariada, bochechas levemente avermelhadas e pele tão branca que mais o fazia parecer ser feito totalmente de chantilly, ou só de açúcar mesmo. Qualquer um dos dois ingredientes lembravam fortemente o recruta ao cozinheiro.
– Olha só, quando eu disse que você é meu, eu quis dizer que posso fazer o que quiser e quando quiser com tudo isso. – apontou para ele, nu, e o garoto colocou as mãos nas partes íntimas tampando-as. – Heiner não tem direitos com a sua pessoa.
– Não... – Samuel começou a dizer quando Hans enfiou o dedo indicador e médio dentro da sua boca paralisando sua língua. Muito sútil e romântico.
– Eu não pretendia te amordaçar dessa vez, mas se você não calar a boca e começar a fazer o que eu mando eu juro que vou. – ameaçou movendo os dedos dentro da boca dele. – Entendeu?
Samuel fez uma careta e balançou a cabeça positivamente. O cozinheiro-chefe suspirou e retirou os dedos da boca dele se sentando no banco ao seu lado. Samuel olhou para ele com o canto dos olhos sem conseguir acreditar que o ruivo realmente não o ia deixar ir cumprir sua outra punição. Esperou por alguma ordem e Hans apontou para ele e depois para sua cueca, sorrindo de leve como se tivesse pedido para o garoto fazer algo simples e rápido como regar aas plantas, por exemplo.
– Hans, eu realmente tenh... – começou a dizer quando percebeu as mãos do ruivo correndo entre as roupas dele até encontrar o cinto. – Tudo bem.
Ajoelhou-se entre as pernas dele e o cozinheiro levou a mão até sua cabeça, acariciando-o de leve entre os cabelos enquanto dizia o que queria que ele fizesse, em alto e bom tom, sem ter a decência de usar eufemismos ou poupar Samuel da linguagem obscena. O garoto balançou a cabeça positivamente e aproximou seu rosto do abdômen dele, mordiscou de leve a pele ali e desceu aos poucos com a língua até que sua boca entrasse em contato com o pano da cueca dele e consequentemente com a semi-ereção do cozinheiro. Contornou a área com a língua e os próprios lábios até perceber que o pano começava a ficar justo demais, então subiu a boca até a região onde estava a glande do ruivo e a mordeu de leve por cima do pano. Levantou uma das mãos e puxou a cueca dele para baixo aos poucos, era bom ter uma mão para fazer aquilo, era mais fácil quando as suas não estavam amarradas.
Primeiro introduziu somente a ponta da ereção dentro da boca e usou somente a língua para contornar e estimular a região, mas colocou o que pôde dentro dela quando percebeu que Hans começava a ficar angustiado pela falta de um movimento completo. Era um pouco mais difícil do que parecia ser, principalmente a parte de ter que tomar cuidado para não encostar os dentes, o que fez Samuel imaginar se não tinha feito isso por acidente da primeira vez que fizera aquilo no ruivo e ele fingiu não ter percebido. Levantou a mão de novo em certo momento para masturbar a base e acabou por força do hábito levando a outra até seu próprio membro para fazer o mesmo consigo, já que há alguns minutos tinha percebido que seu corpo começara a tomar uma temperatura mais alta e mais energia parecia acumulada, esperando para sair.
– Hey, quem disse que pode fazer isso? – Hans indagou levando o pé até a mão do garoto.
Samuel inclinou o rosto para trás a fim de olhar para ele e tirou a mão da própria ereção, indignado por não poder dar prazer a si mesmo, mas o obedeceu. Hans continuou com o pé ali, no entanto começou a movê-lo em cima da região excitada como se não fizesse nada de mais e por instinto sua mão relutou em aproximar-se de novo.
– Eu não acredito que ficou excitado assim só por me chupar. – comentou com um meio-sorriso. – Mas se você quer se tocar, vou deixa-lo fazer isso.
O ruivo levou a mão até o ombro do garoto e o empurrou de leve para que parasse o que fazia e se levantou indo em direção ao armário aberto, fuçou por alguns segundos e pegou um tubo branco de tampa roxa, aproximou-se do garoto e se abaixou ao seu lado.
– Sua mão. – pediu e o recruta estendeu uma delas, Hans derramou um pouco do líquido transparente e gelado nela e Samuel o fitou com certa curiosidade, imaginando quando ele tinha colocado aquilo dentro do armário, porque aparentemente não era a primeira vez que o ruivo o usava ali. – Agora continue.
O garoto levou a mão até a própria ereção e continuou, mesmo que com um pouco de dúvida. Mal sabia o pobre recruta que Hans tinha deixado aquilo ali porque ainda tinha esperanças de que algum dia Sven fosse ceder ou Henry fosse decidir que somente Arthur não era o suficiente, mas acabou usando com outras pessoas e nenhuma vez com esses dois. Arqueou uma sobrancelha, estava sendo bonzinho demais com aquele pequeno pervertido. Aproximou-se mais de Samuel e o pegou nos braços para colocá-lo na posição que desejava, encostou-o de cabeça para baixo no banco, de modo que sua cabeça e ombros ficavam apoiados no chão enquanto o final das suas costas ficava apoiado no banco e o obrigava consequentemente a olhar de perto para a própria ereção. Quer dizer, isso até o cozinheiro virar seu rosto e preencher sua boca novamente ordenando que ele continuasse se masturbando.
Hans também fez questão de molhar o dedo indicador e médio na mesma substância que entregou a Samuel e correu os dois até encontrar entre as nádegas do menor a entrada que procurava. O recruta soltou um gemido e quis protestar quando o ruivo ameaçou penetrá-lo, mas antes que afastasse sua boca Hans segurou a cabeça dele com a outra mão impedindo que os lábios dele ficassem à toa um segundo sequer. Mesmo assim Samuel soltou um gemido baixo quando o ruivo o adentrou com o indicador logo depois com o segundo dedo, ele fez aquela expressão de vítima e sofrimento, se soubesse o quanto Hans ficava excitado quando ele ficava daquele jeito provavelmente nunca faria aquele tipo de expressão de novo. Ele adorava aqueles gemidinhos e o modo como as sobrancelhas dele se apertavam quando sentia dor e seus olhos brilhavam semicerrados, se Samuel era parecido com chantilly e açúcar, toda vez que ele ficava com aquela expressão de dor no rosto Hans tinha vontade de infringir somente mais e mais dor na pele macia e delicada que mais parecia uma rica renda tecida especialmente para o ruivo rasgar com gosto.
Não conseguiu se conter da primeira vez que o despiu, queria devorá-lo por completo daquela vez, mordê-lo até que visse lágrimas, porque tinha certeza que teria gozado só com isso, mas os poucos percebeu que havia algo que ele desejava mais do que o prazer que podia tirar do sofrimento do menor, ele queria aquele sorriso bobo e inocente que o fazia parecer uma criança ingênua e submissa. Embora os gemidos de Samuel lhe dessem sim um tipo exorbitante de excitação, o sorriso e a risada daquele idiota faziam seu coração bater mais depressa e o fazia doer sem nenhum motivo físico toda vez que cogitava não pode vê-lo de novo.
A mão do garoto começou a se mover um pouco mais depressa e ele fechou os olhos quando o líquido pré-ejaculatório começou a pingar da sua glande até a bochecha. Hans retirou a ereção molhada de saliva de dentro da boca do recruta e concentrou sua atenção nos dois dedos que possuía rodeados pelo calor de Samuel. Colocou-os um pouco mais fundo e movimentou a ponta na direção que sabia ser onde estava a próstata e Samuel soltou um suspiro mais audível.
– Abra a boca. – mandou.
– M-Mas se eu fizer iss...
– Não era você quem queria se tocar? É isso o que acontece. Lide com as consequências. – retrucou.
Samuel relutou em obedecê-lo, mas não esperou outra ordem e acabou separando os lábios só para soltar um gemido mais alto pois exatamente quando fez isso Hans levou um terceiro dedo a se juntar aos outros dois e de alguma forma ao sentir seu interior sendo desbravado daquela forma foi quando Samuel sentiu o calor no seu abdômen ficando mais intenso e mais intenso até que se dissipou por todo o corpo lhe causando aquela sensação de êxtase, aquele resultado de várias reações químicas orgânicas que mais parecia ser efeito de drogas. As gotas quentes pingaram em sua boca e escorreram entre sua língua, mas outras caíram em sua bochecha, queixo e até mesmo no pescoço.
Deixou a mão cair inerte no piso do vestiário e fechou a boca, mas antes que tivesse a oportunidade de engolir Hans se abaixou até o seu pescoço e resgatou ali parte do ápice do recruta, subindo com a língua aos poucos e pegando o restante que havia caído fora da boca de Samuel. Lambeu seus lábios fechados de leve e o beijou misturando não só sua saliva à dele quanto o sêmen dentro da boca de ambos e quando terminou de fazer mordeu o lábio inferior do garoto de leve e o fitou por alguns segundos. Levou o braço até as costas dele e o deitou no chão de forma que ficasse entre as pernas do garoto, Samuel o fitou com o canto dos olhos, porque sabia o que ele obviamente faria e estava com um pouco de medo, mas tinha conhecimento de que aquilo era algo que algum dia os dois teriam de fazer e não adiantaria ficar sempre pedindo para que ele esperasse. Desde a primeira vez que Hans o havia tocado ele sabia que as chances dele ser quem ficava por cima eram nulas e desde então meio que se preparava psicologicamente para isso.
Hans molhou a ereção com lubrificante e aproximou-se mais de Samuel separando as coxas dele com as suas próprias. Por um momento pareceu errado fazer aquilo com ele, porque o garoto parecia tão pequeno e quebradiço deitado daquele jeito que Hans sentiu que ia machuca-lo amargamente, mas concluiu que talvez estivesse um pouco nervoso também.
– Não faça essa cara, não dói tanto quanto dizem. – falou tentando acalmá-lo.
– Você já foi passivo alguma vez?
– Não. – respondeu sem conseguir mentir.
Samuel olhou para ele com uma sobrancelha levantada que indicava que queria dizer algo como “Então não tem como você saber, idiota”, mas acabou não dizendo nada. Hans mordeu o lábio inferior sentindo a dura sinceridade do seu parceiro lhe atingir e se inclinou sobre ele apoiando uma das mãos ao lado do ombro dele enquanto a outra ainda permanecia em sua ereção, para guiá-la corretamente.
– Se você me pedir para parar eu vou obedecer, ok? – basicamente informou-o que não seria tão inflexível e dominador quanto costumava ser.
O recruta balançou a cabeça positivamente e relaxou a expressão, seus olhos permaneceram fitando a nuvem cinzenta nas orbes de Hans, as luz batia com pouca intensidade nas íris dele, o que as deixava com cor escura o suficiente para ser confundida com um céu tempestuoso. Sentiu a ereção de Hans o roçando de leve e percebeu que ele parecia hesitar, eram realmente raras as vezes em que ele hesitava em ser impulsivo e fazer e dizer o que viesse a sua mente, por isso Samuel não conseguiu deixar de lhe mostrar um pequeno sorriso e em seguida beijou-o de leve no canto dos lábios, como forma de encorajá-lo.
Hans entendeu aquilo como um “Continue” e empurrou seu membro com um pouco mais de força para dentro do garoto até conseguir fazer com que sua glande entrasse, Samuel fez uma careta, mas não o interrompeu e nem disse nada. O interior do recruta era tão quente e aconchegante quanto apertado e provavelmente Samuel não fazia nem ideia de que o estava apertando tanto e muito menos da intensidade com que lutava para garantir que o ruivo permanecesse de fora. Ele definitivamente não estava nem um pouco calmo.
Abaixou o rosto até o lóbulo da orelha dele e o mordeu de leve ali, beijando-o um pouco abaixo da orelha e seguindo pelo pescoço enquanto dava leves mordiscadas e beijos na pele macia e doce do garoto. Não costumava tocar ninguém daquela forma, quando seus lábios tocavam a pele do alguém era geralmente para lhe morder e deixar marcas, mas Samuel não precisava se sentir mais desconfortável naquele momento. Alcançou o peito do garoto e sorriu de leve depois de dar um beijo mais demorado em cima do “H” que ele mesmo tinha feito ali e que vinha causando transtornos nos banhos de Samuel desde então. Desceu até o mamilo dele e o chupou de leve, sentindo uma leve brecha naquele momento que usou para se empurrar um pouco mais para dentro arrancando um gemido um pouco mais alto que os anteriores por parte do recruta, mas nenhuma repreensão.
Continuou com os lábios tecendo carícias sobre a pele e de vez em quando sobre a boca dele, aquilo aparentemente o deixou um pouco mais confortável, mas logo que o ruivo tentou empurrar um pouco mais sua ereção ele levou as mãos até as costas do cozinheiro, agarrando-o.
– Você está bem? – indagou, não era a primeira vez que tirava a virgindade de outro cara e no começo costumava ser um pouco dolorido, mas a intensidade e duração da dor variavam bastante de pessoa para pessoa e Hans nunca esperou que fosse ser só prazer para Samuel, principalmente porque ele não costumava estimular aquela área como a maioria dos gays costumavam.
– S-Sim. – ele respondeu no ouvido do cozinheiro-chefe. – P-Pode continuar.
Hans temeu um pouco que ele estivesse dizendo aquilo só por ter algum receio de decepciona-lo, mas fez o que ele pediu e continuou entrando dentro do garoto, embora nesse trajeto tenha perdido todo o resultado dos beijos. Samuel arranhou as costas do ruivo, sem perceber que tentava reproduzir o que sentia, seu interior gritava e queimava, como se estivesse sendo aberto com uma faca ao invés de qualquer outra coisa, apesar de sentir que Hans estava claramente tentando ser o mais carinhoso que podia. O cozinheiro-chefe continuou enfiando-se naquele local tão estreito enquanto seus ouvidos eram banhados com os gemidos de Samuel, nem quando Hans o bateu com seu cinto ele pareceu tão sincero a respeito dos seus sentimentos e mesmo que suas costas não estivessem sendo dilaceradas pelas unhas do menor o ruivo provavelmente sentiria a dor dele somente pela voz.
Quando achou que Samuel gritaria mandando-o parar o cozinheiro finalmente terminou, ainda faltava um pouco perto da base mas julgou que o garoto já tinha o suficiente para aguentar dentro de si.
– Você está muito tenso. – comentou abraçando-o e deixando suas mãos correrem pelas costas pequenas e delicadas do recruta que pareceu tão indefeso que Hans quase desistiu do que fazia. – Eu posso parar.
– N-Não! – respondeu imediatamente. – P-Por favor, c-continue.
O cozinheiro-chefe beijou de novo seu pescoço e o manteve preso naquele abraço, já que o próprio Samuel se recusou a soltá-lo por um só segundo, a presença de Hans dentro de si trazia consigo um pouco de dor, mas toda vez que Samuel entreabria os olhos e via o quanto os dois estavam próximos tinha a sensação que ia doer mais se estivessem separados um do outro. Deixou alguns gemidos escaparem quando o ruivo se movimentou de leve dentro de si, mas tentou ficar mais calmo como o próprio Hans tinha aconselhado, ele dizia de uma forma que até parecia fácil manter a calma em um momento daqueles. Abraçou-o com mais força, era tão bom tê-lo daquele forma, o calor de seus corpos se misturando e os batimentos cardíacos juntos como se estivessem seguindo uma música específica que somente ambos conheciam. Samuel tentou se concentrar mais nessa sensação, no sentimento de aconchego e segurança que os braços do seu superior lhe proporcionavam com tanta facilidade, Hans podia ser sádico e um completo babaca, mas conseguia fazer Samuel se sentir inalcançável. Beijá-lo era como ganhar um par de asas ou repelir a gravidade.
Quando Samuel percebeu que a movimentação incomum em seu interior começava a parecer menos dolorosa resolveu libertar o ruivo do seu abraço, mas acabou ficando um pouco vermelho quando seus olhos se encontraram de novo. Hans sorriu ao vê-lo constrangido daquela forma enquanto lhe proporcionava sons tão agradáveis e levou uma das mãos até a coxa do garoto enquanto apoiava o peso do seu corpo no outro braço ao lado do pescoço dele. Deixou que a mão na coxa do recruta escorresse furtivamente até a ereção do garoto que parecia enrijecer cada vez mais de acordo com as estocadas do ruivo que percebeu a ligeira folga nos músculos do menor que o permitiram se movimentar com mais velocidade, o que deu um novo tom aos gemidos de Samuel.
Era quase um pecado olhar para o pequeno rosto dele daquela forma, suas bochechas estavam rosadas e os olhos fortemente cerrados, um pouco molhados por lágrimas contidas com certo esforço, o recruta mordia o lábio inferior na uma tentativa de manter a boca fechada e os sons eróticos dentro de si.
– Não contenha seus gemidos, eu quero ouvi-los. – murmurou para o menor que entreabriu os olhos e relutou.
– A-Alguém vai ouvi-los. – advertiu, seria realmente um problema se a situação dos dois fosse exposta ao público.
– Se ouvirem vão fingir que não escutaram. – respondeu e de certa forma tinha razão.
Deixou os lábios se separarem aos poucos e junto com os gemidos mais audíveis Samuel percebeu que já não sentia quase nenhuma dor dentro de si, principalmente quando Hans começou a masturbá-lo por inteiro, aquele calor inexplicável começava a crescer dentro do seu abdômen de novo, mas de uma forma diferente. Era completamente diferente a sensação de ter alguém dentro de si e a de simplesmente se masturbar, cada vez que o ruivo entrava e saía de dentro do seu corpo ele sentia a próstata sendo estimulada e tocada de uma forma que nunca fora antes, de uma forma que parecia toda a dor que tinha sentido antes parecer apenas um mero detalhe.
O garoto nem percebeu que chamou pelo nome do ruivo e fez aquilo de novo e de novo, arqueando as costas e desejando por mais dele, mesmo não tendo muito tempo que tinha chegado ao seu ápice sentiu que logo estaria lá de novo, pois a cada estocada parecia que o cozinheiro estava empurrando carinhosamente e encorajando aquele calor a sair.
Hans aproximou a boca da orelha de Samuel, mordeu seu lóbulo de leve e sussurrou um breve “Você é meu” cuja intensidade e sinceridade fizeram o garoto soltar um soluço baixo e requisitar pelos lábios dele nos seus, jamais se cansaria de beijar o ruivo, de tê-lo explorando sua boca gentilmente e roubando todo seu fôlego. O ritmo dos impulsos aumentaram subitamente e a necessidade por uma respiração mais rápida e completa obrigou ambos a abandonarem o beijo que fez o trabalho de conter a voz de Samuel por um breve instante, mas que logo se juntou com um pouco mais de persistência e intensidade aos suspiros de Hans. A expressão no rosto do ruivo conseguia fazer o garoto sentir seu peito sendo preenchido com a alegria de tê-lo só para si daquele jeito, de ter seus sentimentos, mas também o fez sentir um breve aperto no coração e a necessidade de dizer algo que ainda não tinha dito.
Entreabriu os lábios para falar, mas sua boca foi tomada por um gemido mais alto quando sentiu-se sendo tocado mais fundo que antes ao ter o ruivo por completo dentro de si e todo o calor que tinha acumulado naquela região foi empurrado para fora com força extasiando todo o corpo de Samuel, obrigando-o a ficar à mercê dos movimentos rápidos que o ruivo fazia em sua ereção. Hans retirou-se de dentro do recruta e movimentou a mão em seu próprio membro cerrando os olhos ao perceber que alcançava seu ápice e talvez tenha soltado alguns suspiros mais altos do que deveria, mas sua única preocupação no momento foi a sensação plena de prazer que percorreu seu corpo como uma injeção de adrenalina e logo depois fez seus músculos parecerem cansados.
Abriu os olhos aos poucos e se deparou com a expressão chorosa no rosto de Samuel que o fez parecer por um instante com uma criança mimada.
– Eu... – começou a dizer quando uma lágrima fina rolou pela sua bochecha. – ...amo você, tá bom?
Mesmo cansado aquilo fez um sorriso tão bobo aparecer no rosto de Hans que mais parecia um dos sorrisos que Samuel daria e não um daqueles pervertidos que costumavam estar no rosto do ruivo. O cozinheiro-chefe beijou os lábios dele de leve para matar aquela lágrima que escorreu de repente pelo rosto do recruta que fez o coração de Hans bater tão rápido que pareceu ameaçar parar por exaustão a qualquer momento. Quis apertá-lo tão forte naquele momento, quis acorrenta-lo a si para que nunca ameaçasse ir embora, pois de repente percebeu que se Samuel fosse embora ele levaria toda aquela felicidade junto com ele e deixaria seu coração vazio de novo.
– Eu também. – respondeu. – Eu também amo você, idiota.
–x-
Samuel estava tão cansado quanto alguém poderia estar, queria dormir ali mesmo, com a cabeça encostada ao peito de Hans e tendo como cobertor apenas as roupas dos dois jogadas em cima de ambos os corpos, pois daquela forma mesmo que não fosse eficientemente quente era de uma forma incrível confortável e aconchegante. Aquela bagunça de corpos exaustos e peles se tocando em meio a pedaços de pano revirados nunca poderia ser reproduzida com tanto êxito assim como a sensação que preenchia todo o corpo de Samuel naquele instante, porque ele sabia que tinha Hans somente para si.
– Quantas horas? – perguntou imaginando o humor de Heiner naquele momento.
Hans esticou a mão até sua calça e pegou o celular que estava dentro do bolso.
– Um pouco mais de uma hora. – respondeu, eles estavam ali há um bom tempo.
– Alguém já não deveria ter vindo procurar você? – indagou, Hans era o cozinheiro-chefe e tinha abandonado a cozinha bem antes do almoço e além disso era um oficial, alguém já deveria ter requisitado a sua presença.
– Não, um dos meus assistentes sabe que estou com você. – respondeu. – Lembra daquela vez que eu apertei sua bochecha e depois cochichei algo para um cara?
– Sim. – tinha ficado puto o suficiente para não se esquecer daquilo.
– Eu disse “Se eu sumir é porque estou transando com ele”. – deu um meio sorriso ao se lembrar que essa era sua vontade desde que colocou os olhos naquele recruta.
– Babaca. – Samuel o cutucou com o cotovelo cerrando as sobrancelhas por um minuto. – Todo mundo sabe que você faz isso com homens?
– Não, nem todos, mas a maioria. – esclareceu. – Quando eu era recruta meu capitão me encheu muito a paciência e eu disse com todas as letras que adorava transar com homens e consequentemente todos que foram do meu batalhão sabem e mais alguns que ficaram sabendo depois também.
– Quando você fala assim até parece que foi extremamente fácil admitir isso. – bufou, mal se imaginava dizendo para as pessoas que namorava um cara, mesmo que ele fosse o Hans, que significava ser um ruivo alto e de sorriso atraente.
– Não foi, metade das punições que paguei enquanto recruta foram porque eu durmo com homens, e esse também é o motivo de eu estar na cozinha, meu capitão fez questão de que eu não conseguisse entrar na artilharia ou algo do tipo. Sem contar que todos os meus colegas passaram a me evitar, mas nunca me importei realmente com isso. – toda vez que se lembrava do rosto enrugado e do bigode mal feito cerrava os dentes. – Mas você não precisa contar isso para as pessoas agora, se é com isso que está preocupado.
– Não estou preocupado, eu acho que as pessoas perceberam isso antes de mim. – revirou os olhos ao se lembrar de que Heiner era sempre o primeiro a insinuar que Samuel era gay e Damien também nunca cogitou que ele não fosse. – Não me importo com as pessoas, mas não queria que a minha família me rejeitasse ou algo do tipo, porque eu tenho certeza que vão.
– Por que? – Hans costumava ouvir muito esse tipo de história, mas nunca teve problemas com isso por parte da sua família.
– Porque meus pais são judeus.
– Sério? – o ruivo indagou depois de um minuto de silencio assustador.
– Jura que não notou que eu sou circuncisado? – semicerrou os olhos.
– É óbvio que percebi, mas não é como se eu fosse parar um boquete e dizer “Porra, Sam, cadê seu prepúcio?” – retrucou. – Além disso, esse é um procedimento comum, não dava para adivinhar que você é judeu.
– Eu não sou judeu. – parou um minuto para pensar. – Quero dizer, eu sou de alguma forma porque nasci em uma família assim, mas não acredito na existência de um ser superior.
– Eu sou seu ser superior. – sorriu.
Samuel arqueou os olhos até ele imaginando se Hans não tinha mesmo notado isso, “Samuel” é um nome hebraico e não é tão comum na Alemanha, provavelmente ele só não se importava mesmo, despreocupado do jeito que era. Esse provavelmente também foi um dos motivos pelos quais o recruta se interessou tanto pela Segunda Guerra, já que era só sobre isso que seu avô falava com tanto afinco.
– Você nunca teve uma religião? – perguntou.
– Ah, não. – pensou um pouco sobre o assunto. – Minha mãe era ligada em umas paradas da natureza e meu pai é ateu, então nunca fui batizado ou cortaram meu pênis. – arqueou a sobrancelha com certa ênfase no último e o recruta fez uma careta. – Mas eu conheci umas religiões legais no México que envolviam cachaça e sangue de bode.
Samuel riu um pouco junto com ele daquilo, realmente não dava para imaginá-lo frequentando uma igreja ou matando galinha preta por aí. Ajeitou-se melhor no peito dele, estava deitado em cima do braço do cozinheiro e a mão dele acariciava seus cabelos como se o garoto fosse um cachorrinho ao pé da mesa. O abdômen dele ainda estava avermelhado, deveria estar dolorido ao toque e Samuel nem conseguia imaginar em como ele tinha feito tudo aquilo com a queimadura ali tão exposta.
– No que você estava pensando, quando eu entrei na cozinha e te assustei? – obviamente estava curioso sobre o porquê daquilo tudo.
– Eu estava pensando que... – parou por um segundo e o fitou como se procurasse algo em seu rosto. – ...eu não tenho certeza sobre a cor dos seus olhos.
– Meus olhos? – aquilo era algo bobo para o garoto, mas ele não demorou para perceber que o ruivo falava sério. – Como assim?
– Eu sou daltônico, não enxergo cores na faixa azul-amarelo.
Essa foi a vez de outro silêncio assustador, porque Samuel realmente não imaginava isso.
– Azul. – sorriu de leve. – Meus olhos são azuis.
– Ah. – ele bufou. – É uma das cores que eu não vejo, é um pouco decepcionante saber que eu nunca vou ver seus olhos de verdade.
– Você está vendo meus olhos, só não está enxergando a mesma cor que todo mundo, isso não deveria ser algo bom?
– Ver diferente?
– É. – confirmou. – Significa que você é a única pessoa que pode me ver desse jeito.
Hans riu e o apertou, puxando-o para mais perto de si. Samuel tinha aquele dom de sempre fazer com que as coisas parecessem menos ruins do que realmente eram, ele tinha o dom de adoçar sua vida com aquele sorriso bobo e a voz macia de chantilly. Sem aquele garoto sua vida seria tediosa e sem sabor.
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