Damage

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Heey o/ Então, gostaria de agradecer ao povo que está acompanhando e tals, principalmente os que estão comentando, pqp, fiquei tão feliz quanto surpresa quando vi os comentários logo no primeiro capítulo já que costumo receber comentários só depois do terceiro, hue. -Q Enfim, boa leitura.

Que merda foi aquela?

A pergunta ficou ecoando por sua cabeça durante o dia todo. O que exatamente tinha acontecido ele não sabia, ou pelo menos não queria aceitar, estava fazendo flexões com Henry em suas costas o tratando como um animal – como sempre – e então de repente estava nu com o peito vermelho e dolorido por causa do chicote e com uma das mãos do capitão o masturbando. Mas que merda aconteceu comigo?

Deveria relatar alguma coisa. Não, provavelmente os outros oficiais iriam rir e dizer que ele estava inventando tudo para se livrar do capitão Wardraig. De qualquer forma, foi algum tipo de abuso, mas ele tinha gozado, embora fosse extremamente vergonhoso admitir que tinha ficado excitado com o capitão o tocando daquela forma. Ainda é abuso se a vítima ficar excitada? Lembrar-se-ia de fazer aquela pergunta quando conhecesse um advogado.

De qualquer forma, os dois iam acabar se fodendo se ele dissesse algo, porque não eram permitidos atos libidinosos dentro do quartel.

– Eu não aguento mais esse lugar. – comentou seu colega de quarto, Damien que tomava banho no chuveiro ao lado. – Wardraig vai para o inferno quando morrer.

– Se ele não for eu mesmo vou invadir o paraíso para tirá-lo de lá e jogá-lo no inferno. – complementou Heiner. – Quero vê-lo sendo fodido pelo satan.

Alguns homens riram depois do comentário e logo voltaram a se concentrar no curto tempo em que tinham para tomar banho, algo em torno de 5 minutos de água fria. Também não era exatamente agradável tomar banho ao lado de oito homens sem divisória alguma entre os chuveiros, de alguma forma estava grato por serem só 5 minutos. A princípio foi extremamente desconfortável, mas já havia se passado dois meses, a maioria dos homens estava tão cansada quando acordavam de manhã que sequer se preocupava com isso.

No começo o pelotão devia ter algo em torno de 50 recrutas, mas bastou duas semanas de treinamento com Wardraig e mais da metade tinha desistido ou trocado de pelotão, para um que tivesse um capitão menos... cruel. Devia haver agora talvez algo entre 16 e 20 recrutas, dentre eles Arthur Astrophel, Damien Saeger, Heiner Traenkner que podia se dizer eram os mais aplicados, ou seja, não tinham nenhuma outra opção e eram obrigados a permanecer no exército.

– Acabou o banho! – gritou o primeiro-tenente. – Andem logo ou não terão tempo para o café da manhã!

– Por que não vai arrumar uma bunda pra colocar esse pau murcho? – sussurrou Damien alto o bastante para que somente os recrutas ali dentro o escutassem.

– Hey, os boatos são verdadeiros? – perguntou Heiner. – Ele tem mesmo um problema?

– Ouvi dizer isso na cantina, que ofereceram uma prostituta no aniversário dele e ele não aceitou. – contou Damien enquanto pegava uma toalha enrolando-a na cintura.

– Deve ter algum problema mesmo, está sempre limpando a sujeira do Wardraig. – Arthur comentou fazendo o mesmo com a toalha enquanto saia junto com os outros.

– Ele não ter aceitado a puta não indica nada, talvez ele goste de algo mais... pontudo. – Heiner comentou e o restante dos recrutas riu mais alto.

Kazimir Krieg era o Primeiro-Tenente que estava sempre ao lado do capitão, uma espécie de auxiliar, o ajudava a manter os recrutas na linha e a dar incentivos verbais quando era necessário uma vez que Henry não costumava gritar. O capitão estava sempre sério e possuía olhar cheio de um vazio assustador, mas as sobrancelhas de Kazimir estavam sempre juntas e a testa franzida, os olhos carregados de uma fúria que só ele conseguia sentir. De algum modo eles se complementavam, enquanto Henry ficava com a parte disciplinar e teórica, Kazimir os colocava abaixo dos cães com palavras.

O louro vestiu a farda e amarrou bem os cadarços do coturno, tendo um leve vislumbre do de Henry quando estava manchado. Bufou e ajeitou os cabelos, levantando-se rapidamente e indo para o refeitório antes que mais alguma memória indesejável viesse a sua mente. Damien e Heiner o acompanharam enquanto esse segundo falava sobre os seios de uma garota que tinha conhecido em sua última folga, a que Arthur teve de ficar no quartel como punição por ter ido assistir a aula de Wardraig com o cadarço desamarrado.

Em alguns minutos tinha tomado café da manhã e feito todo o restante das outras tarefas e estava novamente sentado na sala de aula enquanto Henry escrevia alguma coisa com o pincel preto no quadro. O queixo de Arthur estava preguiçosamente encostado a uma das mãos cujo cotovelo apoiava-se na mesa. Estava copiando o que o capitão passava no quadro, mas as letras no caderno eram somente o resultado do movimento de seus dedos e nenhuma parte de seu cérebro estava envolvida naquilo. Resumindo, estava copiando, mas não tinha nem noção do que escrevia. Parou de escrever e olhou para a janela, procurando algo divertido lá fora, algo que chamasse mais a sua atenção do que guerras de séculos atrás e tratados que nem serviam mais para nada além de enfeitar livros de história.

O mesmo senhor do primeiro dia estava lá, varrendo. Arthur concluiu depois de alguns dias que aquele velho tinha muito tempo sobrando, pois demorava metade do dia para varrer uma parte do pátio e quando terminava de varrer tudo o vento já o tinha sujado de novo com folhas e ciscos.

– Astrophel, se não parar de olhar para a janela e se concentrar no que eu estou escrevendo eu vou educadamente pedir para o 1° Tenente Krieg jogá-lo por ela. – disse o capitão.

Arthur virou o rosto para frente de novo e voltou a copiar, Henry sequer tinha virado para trás, mas não era a primeira vez que ele deduzia o que o louro estava fazendo sem precisar olhar para ele.

O recruta suspirou. Como o capitão conseguia agir tão normalmente quando na noite anterior tinha feito todas aquelas coisas com ele? Suspirou de novo, talvez não fosse anormal para ele despir e abusar dos seus recrutas, Arthur sempre achou que ele era um homem estranho e assustador, só não imaginava que fosse a esse ponto. Suspirou.

– Astrophel, saia da sala. – ordenou o capitão.

– O que? – disse indignado. – O que foi que eu fiz dessa vez?

Damien que estava na carteira ao lado engoliu seco e se ajeitou melhor na cadeira ajustando perfeitamente a postura assim como todos os outros da sala. Henry fechou o livro que segurava e colocou o pincel sobre a mesa, posicionou as mãos nas costas e caminhou até Arthur que permaneceu exatamente como estava antes: com o queixo apoiado a mão e as costas curvadas sobre a mesa.

– Recruta, pode colocar seu cotovelo um pouco para trás? – o capitão perguntou, o que de inicio já era estranho porque ele costumava ordenar e não pedir.

Arthur não entendeu, mas o fez depois de alguns segundos hesitando e fitando os olhos safira de Henry.

– Assim? – perguntou posicionando o cotovelo alguns centímetros para trás.

O capitão balançou a cabeça positivamente e colocou uma das mãos sobre o ombro dele, então afastou a mão lentamente e bateu com força sobre o ombro do louro que soltou um grito quando as ligações do seu braço bateram contra a borda da mesa e fizeram uma sensação de choque correr por seu corpo.

– O que eu mandei você fazer? – murmurou.

– Me desculpe senhor, já estou me retirando. – ele disse enquanto esfregava o cotovelo com a intenção de aliviar a breve dor.

Arthur levantou-se e percebeu Damien cobrindo a boca para esconder os risinhos de escárnio que provavelmente estavam sendo produzidos por sua mente malévola.

– Saeger, você também. – apontou o capitão.

– Eu? – questionou em mesmo tom que Arthur anteriormente, mas Henry lhe lançou um olhar assombroso e ele rapidamente corrigiu seu erro. – Sim senhor, já estou saindo senhor.

Os dois se levantaram e foram em direção à porta sem olhar um para o outro, mas ambos com olhares vitoriosos fitando o chão a sua frente, estavam sendo expulsos, mas não tinham recebido nenhuma punição. Henry pigarreou.

– Primeiro-Tenente, dê uma punição adequada aos dois.

O homem respondeu afirmativamente e colocou as mãos nas costas deles empurrando-os para fora do mesmo jeito que os açougueiros tratam os cachorros de rua. Os recrutas o seguiram até a área esportiva, passando pelas piscinas e campos de variados esportes, Kazimir parou em frente a uma área que ficava consideravelmente longe dos prédios, estava coberto de mata e não tinha nada além de pássaros e insetos.

– Abram dez valas com no máximo 30 centímetros de profundidade e 65 de largura e dez metros de extensão cada uma, deixem 40 centímetros entre uma vala e outra com grama. – ele jogou duas enxadas para eles. – Quando terminarem peguem o arame farpado no depósito e cubram as valas. Entenderam?

– Sim senhor. – os dois responderam em uníssono.

O primeiro-tenente meneou a cabeça e começou a caminhar de volta a civilização, se é que aqueles militares podiam ser chamados de civilização. Arthur empunhou a enxada e a levantou sobre a cabeça, começando a arrancar os tufos de grama a sua frente, provavelmente levaria três ou dois dias para fazer tudo àquilo que o 1° tenente tinha pedido, isso tudo por suspirar dentro da sala. Eu não acredito que estou sendo punido por respirar.

– Arthur, quais eram as medidas? – perguntou Damien que ainda não tinha começado.

–40 de profundidade, 30 de largura e 65 entre uma vala e outra. – respondeu. – Não, espera. – parou de capinar e fitou o colega de quarto. – 40 de profundidade, 65 de largura e 30 de uma vala até a outra.

– 40 centímetros de profundidade não são meio fundos demais? – indagou. – Não faz sentido.

– Se você parar de perguntar os números e começar a trabalhar logo vai fazer mais sentido. – apontou para a enxada inutilizada debaixo do braço do colega.

O homem deu de ombros e começou a capinar junto com o louro. Damien tinha a mesma estatura que Arthur, no entanto tinha menos músculos que ele e seus cabelos eram castanhos e levemente mais compridos que os do louro, eram um pouco ondulados e por isso Damien sempre os penteava para trás com a ajuda de um pouco de gel. O recruta também tinha olhos castanhos, mas de um tom bem mais claro que o comum, eram quase dourados.

–x-

Estavam ambos exaustos. O sol do meio dia acima deles brilhava sem nenhuma nuvem para apaziguar os raios violentos que faziam Arthur e Damien suar como leitões, como o próprio capitão diria. O louro parou ofegante e fitou o companheiro que estava tão suado quanto ele, ambas as camisas estavam molhadas formando um V na gola e os lábios ressecados clamando por água.

– Isso é culpa sua. – murmurou Damien.

– Culpa minha o caralho, você riu porque quis. – Arthur franziu a testa e abriu os braços mostrando o que já tinham feito. – Ria agora, desgraçado.

Damien engoliu alguma saliva que estava na boca e jogou os fios de cabelo que caiam desobedientes em seu rosto para trás, fitou Arthur e abriu os braços do mesmo modo que ele e deu uma alta risada forçada enquanto olhava para cima.

– Eu acho que o calor está fritando seu cérebro. – Arthur apontou para ele enquanto cambaleava. – Você está sujo como um mendigo, puta que pariu Damien, minha cadela cheirava melhor que você.

– Não pense que você está como uma donzela, porque não está. – rosnou de volta o seu companheiro.

Damien pegou a enxada de novo e voltou a capinar sua vala, tendo a leve impressão de que deveria fazer aquilo melhor porque talvez servisse como cova também. Arrancou um pedaço grande de terra sem querer e viu alguma coisa se mexendo lá dentro, aproximou-se mais um pouco e fitou o buraco.

– Você viu isso?

– O que? – o louro se aproximou também, mas não viu nada, cutucou a terra com a ponta do coturno e algumas formigas começaram a subir por ele. – São só formigas, princesa.

Damien deu de ombros e voltou a capinar quando arrancou outro pedaço de terra e dessa vez acertou o ninho e uma enchente de formigas começou a subir por suas pernas. Ele começou a bater a mão rapidamente nas calças para afastá-las, mas logo elas começaram a lhe picar simultaneamente e o recruta começou a gritar e correr de um lado para o outro quando percebeu que só estava piorando a situação. Correu até Arthur e saltou sobre suas costas se prendendo ao pescoço do louro.

– Damien! Está me enforcando! – Arthur gritou enquanto o colega continuava grudado em suas costas com as pernas enroladas na sua cintura e gritando alguma coisa que ele não conseguia compreender. – Damien!

Arthur continuou gritando o nome do seu companheiro à medida que ele puxava suas orelhas mandando-o sair dali e esperneando nas suas costas, acabou sem querer colocando as mãos sujas de terra nos olhos do louro que começou a gritar também que os olhos estavam queimando e a cambalear de um lado para o outro ameaçando cair.

– Mas que droga é essa? – perguntou Heiner olhando a cena com espanto.

Arthur e Damien começaram a gritar coisas simultaneamente enquanto continuavam cambaleando.

– A enxada atingiu o olho de Arthur que é um ninho de formigas e está comendo Damien? – o recruta perguntou confuso ao juntar as palavras que tinha conseguido entender. – Mas isso aqui está cheio de... formigas!

Ele começou a bater nas calças também e logo estava pulando e esperneando tanto quanto os outros dois que continuavam gritando palavrões e coisas desconexas.

– As roupas! As roupas! – Damien se lembrou. – Arthur, tire as roupas!

– Tire os dedos daí! Está ardendo! – o louro gritou de volta. – E saia de cima de mim, caralho!

Damien soltou o pescoço de Arthur e começou a tirar as roupas enquanto dava pulos para que as formigas parassem de subir por suas pernas, os outros dois homens repetiram o mesmo até ficaram os três só de cueca gritando palavrões e mais palavras desconexas um para o outro.

– Damien! Essa coisa nas suas costas! – Heiner gritou apontando para a aranha que subia nas costas dele.

– Tira! Tira! Tira! – ele começou a gritar desesperadamente.

Quando Henry chegou ao local, a primeira coisa que viu foi Arthur e Heiner batendo com suas roupas em Damien que gritava para que ambos coisas como “batam mais forte”, “tirem essa coisa daí” e “isso vai ficar inchado depois”. Todos estavam nus. O capitão ergueu uma sobrancelha e fitou por alguns minutos a cena até que Arthur o percebeu ali e corou violentamente gaguejando vários pedidos de desculpas enquanto tentava explicar o que estava acontecendo.