Damage

10 Capítulo 10


Henry não o impediu e deixou-se ser levado pelo beijo indelicado e as mãos que passeavam por seu corpo procurando por calor. Dessa vez foi o próprio louro quem se separou dele, quando sentiu que não havia mais fôlego por ambas as partes, mas cada segundo que manteve sua língua dentro da boca dele foi procurando insaciavelmente por sentir mais e mais do calor dele.

– Se continuar desse jeito vai gozar antes de tirar a roupa. – o capitão comentou com escárnio.

Arthur sorriu com o mesmo escárnio e levou a mão até a camisa para tirá-la, nesse curto período Henry tomou liberdade para levantar-se de novo e sair do colo dele, seu animalzinho de estimação não sabia se controlar e precisava de disciplina. Foi até sua mesa e abriu a última gaveta, a que continha coisas divertidas, pegou um chicote e o tubo plástico de tampa laranjada. Quando voltou ao sofá percebeu que Arthur se mostrava bastante eficiente em despir-se.

– Se fosse rápido desse jeito para concluir as atividades não teria que correr o pátio seminu tantas vezes.

– Eu gosto de correr o pátio seminu. – ele respondeu.

– Eu desconfiava. – Henry respondeu jogando o tubo de lubrificante no canto do sofá.

Também pensou em tirar a camisa branca logo de uma vez, mas isso seria dar felicidade demais a Arthur e ele ainda se mantinha firme na afirmação eu não quero vê-lo feliz. Sentou-se no sofá, ao lado do louro e cruzou as pernas, impedindo qualquer aproximação por parte dele. Arthur o fitou sem entender muita coisa e o capitão sorriu.

– Fique de quatro. – ele ordenou.

Arthur não contestou, apenas obedeceu, não valia a pena bater boca com o capitão, ele sempre vencia. Desceu do sofá e ficou na posição pedida de frente para ele. Sentiu algo tocando suas costas e logo deduziu que provavelmente era um chicote e diferente do que Henry costumava segurar, aquele tinha três tiras na ponta que fizeram seus pelos se arrepiar por onde passaram.

– Recruta, que tal conversarmos sobre aquele dia em que você estava só de cueca com seus amiguinhos? – perguntou. – Vocês fizeram alguma coisa?

– O que? Eu não fiz nada n... – Arthur começou a dizer quando Henry o atingiu nas costas e o louro acabou embolando as palavras em um gemido.

– Sim ou não? – rosnou.

– Não senhor. – respondeu.

Henry não mudou de expressão, embora Arthur pudesse dizer que tinha visto um sorriso no canto dos seus lábios. O louro se perguntou por alguns segundos se ele realmente tinha ficado com ciúmes naquele dia.

– Está mentindo para mim?

– Não senhor. – repetiu.

– Engraçado, lembro-me de estarem se divertindo bastante. – disse. – Por acaso estava se divertindo enquanto deveria estar cumprindo uma ordem?

Pensou um pouco sobre aquilo, é claro que não estava se divertindo, mas sambar com Damien nas costas só de cueca não estava entre as ordens que Kazimir havia dado.

– Sim senhor. – sussurrou com alguma hesitação.

– Fale mais alto.

– Sim senhor, eu não estava cumprindo a ordem apropriadamente. – apertou os olhos ao dizer aquilo, esperando alguma dor.

– Que bom que reconhece que fez algo errado, mas acha que precisa ser punido por isso? – ele arqueou uma sobrancelha.

– Eu... – o louro mordeu o lábio inferior, Henry o estava provocando, se era aquilo que o deixava excitado então Arthur não hesitaria em fazer. –... sim senhor, eu mereço ser punido por isso, capitão.

O capitão ergueu as sobrancelhas, um pouco surpreso, mas mesmo assim não hesitou em atender ao pedido dele, acertou suas costas com o chicote em locais variados traçando retas vermelhas na pele clara de Arthur. O louro apertou os dentes enquanto sentia as tiras de couro acertando sua pele com certa maestria e por um momento se perguntou se as pessoas costumavam espancar seus cachorros daquela forma e concluiu que aquilo era exclusividade sua.

Percebeu que tinha deixado algumas gotas de saliva escorrer dos lábios até o coturno do capitão e por sinal logo não foi o único a perceber.

– Recruta, olha o que você fez. – o capitão disse e moveu o chicote apontando para o coturno. – Lamba.

O louro realmente hesitou antes de fazê-lo, mas não teve muita escolha quando Henry moveu o chicote até a sua bochecha e o mandou andar logo, apesar de tudo Arthur realmente não queria ser atingido no rosto. Colocou a língua para fora em um gesto lento e tocou o couro do coturno sentindo o gosto característico do material, passou lentamente a língua pelas gotas de saliva que tinha deixado escapar. Quando Henry o acertou de novo o gemido acabou saindo mais alto pelo fato de sua boca estar levemente aberta, mesmo tentando se conter acabou não conseguindo e abaixando o rosto quando o capitão o acertou com mais força algumas vezes soltando um “ai” ao invés de gemido.

– Ajoelhe-se. – ordenou.

Arthur obedeceu, sem saber se deveria ficar aliviado ou não.

– Mais perto.

O louro aproximou-se mais dele, sem olhar diretamente para seus olhos, embora ele parecesse bastante sério.

– Desabotoe a minha calça. – mandou, descruzando as pernas.

Dessa vez ele não hesitou, finalmente uma ordem que o agradasse também. Levou as mãos até o cinto negro que envolvia a cintura do capitão e o tirou colocando-o em algum canto do sofá, depois desabotoou o único botão da calça e admirou por alguns instantes a saliência sobre o tecido verde da cueca boxer.

– Coloque na boca, tudo.

Arthur levantou os olhos para as íris azuis do capitão por alguns instantes, ele nunca tinha tocado outro homem daquela forma, mas para tudo havia uma primeira vez e sendo um homem Arthur sabia exatamente onde deveria tocar, só não sabia se conseguiria executar com tanta maestria quanto uma mulher. Estava realmente hesitante quanto a aquilo, mas Henry não o apressou, o que poderia indicar que ele estava sendo paciente a respeito dessa questão.

Por fim, inclinou a cabeça sobre o colo dele e abaixou sua cueca. Introduziu a ereção dele na boca, sem pensar muito, se o fizesse então acabaria desistindo e no momento estava realmente motivado a dar algum prazer real a Henry. Era uma sensação diferente, mas não era ruim, movimentou a língua ao redor do calor dentro da sua boca e quando teve certeza de que já o tinha estimulado bastante daquela forma fez alguns lentos e demorados movimentos de vai e vem. Não sabia se estava fazendo direito, mas não escutou nenhuma reclamação então concluiu que era bom naquilo. Levantou os olhos por um momento para apreciar a expressão de Henry e notou que o rosto dele não estava sério como antes, embora ele se recusasse a deixar algum som soltar-se da garganta era visível pelos lábios entreabertos que Arthur tinha entendido a ciência do ato.

O louro colocou as mãos em torno das coxas do capitão e não pôde evitar apertá-las quando sentiu a mão de Henry envolvendo seus cabelos novamente, segurando sua cabeça enquanto obrigava-o a se movimentar mais rápido, mas a cada minuto sentia que estava sendo recompensado quando Henry deixava alguns suspiros ecoar por seus lábios.

O capitão soltou seus cabelos de repente, deixando-o livre para fazer como bem entendia e ele realmente fez, porque tendo sua língua livre daquela forma pôde fazer algumas voltas em torno da glande dele a tempo de ouvir Henry dizendo alguma coisa, mas Arthur não deu muita atenção, achou que fosse somente mais alguma ofensa nova.

De repente sentiu sua boca sendo preenchida com um líquido quente e presumiu logo que teria de engolir, afastou os lábios do membro dele para que tivesse a liberdade de mover a língua para empurrar o ápice do capitão pela garganta.

– Você engoliu?

– Sim, eu... – começou a dizer quando notou a expressão surpresa no rosto de Henry. – Não devia engolir?

– Eu não ia obrigá-lo a engolir logo na primeira vez, não me ouviu pedindo para parar? – Arthur balançou a cabeça negativamente. – Bem, de qualquer forma, fico feliz que tenha feito.

O capitão levou a mão até a cabeça do louro, mas não para puxá-lo, dessa vez apenas enterrou seus dedos entre as mexas louras e o acariciou do mesmo modo que se acaricia um cãozinho entre as orelhas e se Arthur tivesse uma cauda então ele a teria abanado naquele momento. O recruta ficou feliz por ter tomado aquela decisão, porque pela primeira vez desde que seus pés tinham tocado aquele lugar ele sentiu que estava sendo elogiado de alguma forma, mesmo que sempre tivesse imaginado que seria elogiado por algo mais comum.

– Sente-se. – ele apontou para o espaço ao seu lado de novo.

O louro meneou a cabeça e o obedeceu, soltando um suspiro de alívio ao sentar-se em algo macio de novo. Henry se levantou para começar a se despir finalmente, o que foi um deleite para os olhos verdes do recruta que manteve sua visão focada na imagem do capitão tirando as próprias roupas.

Como havia previsto, ele não tinha nenhuma barriga macia de sargento ocioso, seu corpo era desenvolvido apesar de não ter músculos muito salientes, eles eram mais suaves e contornavam sua pele carinhosamente. Henry tinha várias cicatrizes no peito e no abdômen, não só de cortes, mas também de queimaduras e arranhões, todas pareciam antigas apesar de tudo e algumas eram até bastante profundas e provavelmente tinham necessitado de linha e agulha. Aquilo tudo só confirmava o que Krieg tinha dito, mas a resposta do louro continuava a mesma, não ia desistir de Henry só porque ele tinha algumas dúzias de cicatriz a mais que ele próprio.

Arqueou uma sobrancelha e deu duas batidas de leve nas próprias coxas, o capitão sorriu com o canto dos lábios e sussurrou um “Não me diga o que fazer, idiota”, mas acabou se sentando sobre as coxas dele. Arthur sentiu um espasmo correndo pelo corpo e arrepiando os pelos da nuca ao sentir sua pele tocando a de Henry, sentir as pernas dele flexionadas ao lado de suas coxas e seu próprio membro roçando o dele sem querer.

– Eu vou ficar muito puto se você gozar antes. – não hesitou em ameaçar quando notou que o louro tinha fica extasiado somente com aquilo. – Você não me quer ver puto.

– Não senhor. – o louro respondeu imediatamente.

– Ótimo, então peque o tubo de lubrificante.

Arthur obedeceu, esticou a mão até o tubo jogado no canto do sofá e o trouxe para mais perto.

– Sabe como fazer? – ele perguntou, não parecia muito preocupado, se Arthur tivesse que dizer ele era o único nervoso e inexperiente ali.

– N-Não. – era melhor dizer logo a verdade.

– Tubo bem, me dê a sua mão. – o louro estendeu a mão e Henry derramou um pouco do líquido transparente sobre ela. – Primeiro você tem que molhar a entrada e depois usar o indicador, quando achar que conseguiu espaço o suficiente então coloque um segundo dedo. Basicamente é isso, entendeu?

– Sim. – ele tinha escutado, só não compreendido muita coisa, não podia ter muito segredo em um ato tão simples.

– Devagar. – lembrou-o. – Não está empalando um porco.

Arthur meneou a cabeça positivamente se sentindo um pouco ofendido com o comentário. Levou a mão livre até a cintura de Henry e o puxou para mais perto, colocando o rosto dele sobre seu ombro. Fez exatamente como tinha escutado, primeiro molhou a entrada do capitão e o dedo indicador entrou até com mais facilidade do que Arthur imaginou que seria, houve a relutância natural do ato, entretanto o louro tinha acabado de descobrir o quão quente e aconchegante era estar no corpo de outro homem. Esperou alguns instantes até que conseguisse o espaço necessário e colocou o segundo dedo também, só então sendo contemplado por um suspiro no lóbulo da orelha. Conseguiu mover ambos os dedos com mais liberdade procurando algum ponto mais sensível, quer dizer deveria ter algum ali.

– Já ch... – o capitão começou a dizer quando de repente sentiu um tremor involuntário correndo por seu corpo e soltou um baixo gemido. – Astrophel, j-já chega.

O louro sorriu vitorioso por finalmente ter escutado um som mais erótico vindo do capitão, mas amaldiçoou-se por sentir um pré-orgasmo escorrendo por seu membro, não podia ter a ousadia de gozar sem nem ao menos estar dentro de Henry uma única vez.

O capitão molhou a ereção dele com um pouco mais de lubrificante e posicionou-se sobre ela, roçando a glande do recruta à sua entrada e surpreendendo-se um pouco ao notar que o louro estava um pouco trêmulo, realmente devia estar se segurando. Bem, não se importou muito, lentamente sentou-se sobre o membro dele, deixando-se penetrar aos poucos até que o louro estivesse totalmente dentro de si. O volume o incomodou a princípio, mas assim que se acostumou entrelaçou os braços ao redor do pescoço de Arthur e começou a se mover por conta própria.

Wow, o louro realmente estava se esforçando, mas nunca tinha experimentado aquela sensação antes e não precisou de mais que um segundo para ter certeza de que era uma das melhores da sua vida. O interior do capitão era macio e quente, tão convidativo e aconchegante que a cada estocada ele queria poder permanecer ali por mais e mais tempo, no entanto sentia-se chegando ao ápice rapidamente. Por favor, só mais um pouco.

Fitou o rosto do capitão, só para se deliciar com a expressão que repousava no rosto dele, seus lábios estavam entreabertos deixando pequenos suspiros escaparem e os olhos azuis pareciam estar transbordando erotismo enquanto vidravam as íris verdes de Arthur. Ele abaixou a cabeça lentamente, sem deixar de se mover e beijou o recruta novamente deixando-o guia-lo dessa vez naquela dança vulgar de pura luxúria que ele chamava de beijo. Interrompeu o beijo ao sentir a ereção de Arthur o tocando em um ponto favorável e deixou um gemido escapar dos lábios, passou a se mover em prol de encontrar novamente aquele ponto mais sensível dentro de si mesmo. Jamais imaginou que fosse ser tão prazeroso ter aquele bastardo inconsequente dentro de si.

Pegou uma das mãos dele e a colocou sobre a sua nova ereção que havia aflorado depois das estocadas mais profundas. O louro não hesitou em envolver sua mão no membro dele e começar a masturbá-lo com a mesma vontade com a qual o capitão se movia sobre seu sexo.

– Arthur... – sussurrou, sempre quis dizer o nome dele daquela forma tão erótica e provocativa.

Os olhos verdes dele se arregalaram para captar o máximo daquela cena que podiam, jamais tinha visto o capitão tão absorto daquela forma, tão carregado de pecado e... woah, naquele momento Arthur podia afirmar que seu capitão era realmente a encarnação daquele pecado tão prazeroso e hipnotizante. Encararia qualquer inferno para sofrer daquele pecado todas as noites.

– Capitão, eu vou... – tentou avisá-lo, mas já tinha segurado por tanto tempo que acabou fugindo do seu controle.

Henry sentiu seu interior sendo preenchido pelo clímax do companheiro e soltou um gemido mais alto afundando o rosto na curva do pescoço dele. Um espasmo correu por seu corpo junto com uma onda de prazer súbita e ele cravou as unhas nas costas já feridas de Arthur que teve as mãos molhadas com o segundo ápice de Henry.

O recruta encostou sua testa a dele e o fitou por alguns minutos de silêncio, com um leve sorriso da mais pura felicidade, como se ambos fossem cúmplices de um roubo ao banco e fossem bilionários. Desde a primeira vez que tinha colocado os olhos naquele homem de estatura abaixo da média, Arthur soube que havia algo especial nele, algo que não conseguia explicar e algo pelo qual talvez o destino estivesse reservando para ele até aquele momento. Naquela sórdida noite em que Henry o tinha tocado tão intimamente sem o seu próprio consentimento ele soube que precisaria de mais e muito mais do que qualquer simples pessoa para satisfazê-lo, teve certeza de que se queria realmente experimentar do mais puro e nobre sentimento de amor então teria de ser apenas e exclusivamente com seu capitão.

Ele queria e desejava profundamente ter aquele homem somente para si, desejava escutar seu nome daquela forma todas as noites até o final da sua vida, desejava escutar a voz arrogante dele atravessando seus ouvidos como adagas e desejava seus beijos quase tanto quanto desejava respirar.

Lentamente passou suas mãos pelas costas torneadas do seu superior e desceu-as com movimentos nada sutis até as nádegas dele. Um sorriso digno do próprio capitão apareceu em seus lábios momentos antes do louro afundá-los por completo nos de Henry.

– Cap... – começou a dizer, mas logo se interrompeu. – Henry... eu quero você de novo e de novo... na verdade eu o quero até estar completamente exausto.

Henry sentiu um calafrio correndo pelo corpo ao escutar seu nome acompanhado daquelas ameaças tão presunçosas por parte do louro. Levou a boca até o pescoço dele e subiu dando leves mordiscadas até encontrar o lóbulo da orelha dele e lhe dar uma mordida.

– Idiota. – murmurou com sarcasmo. – Está esperando o que? Um convite por escrito?

Arthur sorriu e voltou a envolver a cintura dele com as suas mãos e não foi difícil perceber o cansaço no seu companheiro, ele já tinha chegado duas vezes ao clímax enquanto que Arthur só havia atingido-o uma vez. Retirou-se lentamente de dentro dele e o deitou de barriga para cima no sofá, ficando pela primeira vez sobre o capitão e deixando-se ser levado por aquele novo sentimento que o inundava como a torneira de uma banheira que foi esquecida aberta. Se dependesse do louro, então aquela torneira jamais seria fechada até a banheira estivesse transbordando cada vez mais daquele sentimento novo e inédito para ele.

Posicionou as pernas do capitão ao seu lado e preencheu-o completamente com toda a sua ereção logo na primeira estocada, sendo agraciado com alguns gemidos mais indecentes e arranhões nas costas.

Uma parte de Arthur estava hesitante, porque sabia que a partir daquela noite o seu capitão pegaria o dobro no seu pé e seus dias seriam semelhantes ao oitavo circulo do inferno, mas com certeza a maior parte dele ansiava pelas noites carregadas de pecado que viriam depois daquela. Sussurrou o nome do capitão novamente no ouvido dele e depositou um beijo sincero sobre sua testa, como o selo de uma promessa.