Damage
48 Bônus: Running
Notas iniciais
Sven pegou mais uma fatia do sanduíche e mordeu, mastigou lentamente e depois mordeu de novo enquanto meneava positivamente. Hans o tinha atraído para a cozinha com a promessa de sanduíches e se provou um homem de palavra, embora os sanduíches fossem parte de uma engenhosa armadilha para prender o enfermeiro ali enquanto o ruivo reclamava de tudo e de todos. Ele era bom nisso, em reclamar, e era muito atento à cada pequeno detalhe tanto na aparência quanto na personalidade de cada militar naquele quartel. Sven tinha certeza de que se ele usasse essa sua atenção e memória fotográfica para o bem certamente seria promovido e transferido para outro setor, não que estivesse mal ali na cozinha, Hans cozinhava muito bem e os sanduíches estavam deliciosos. Pensando nisso, Hans provavelmente seria desperdiçado se o mandassem para a administração e ele ficasse preso em um cubículo o dia todo assinando papéis. Mesmo Henry que sempre lhe pareceu uma criatura solitária não estava aproveitando tanto sua promoção. Hans certamente colocaria fogo em tudo com uma semana. Não. Hans era ao mesmo tempo uma criatura antissocial, porém extremamente social, não sobreviveria sem seres humanos ao seu redor para serem humilhados e maltratados, seu ego se alimentava disso e sem o sofrimento alheio o ruivo provavelmente definharia rapidamente e com facilidade.
– Mas então, o que aconteceu? – Sven perguntou interrompendo-o quando percebeu que já tinha comido a última fatia de sanduíche. – Você não me chamou aqui só para reclamar feito uma lavadeira que perdeu o sabão.
– Se você quer ir embora então pode ir. – cruzou os braços e franziu o cenho.
Sven suspirou, Hans era e sempre seria uma criança mimada, mal-educada e pirracenta. Ajeitou-se na cadeira e se inclinou sobre a mesa, estava em horário de serviço, não podia passar tanto tempo fora da enfermaria sem um bom motivo.
– Não vou poder te ajudar se você não cooperar. – arqueou uma sobrancelha. – É alguma coisa venérea?
– É. É AIDS e isso no seu sanduíche não era maionese. – respondeu imediatamente.
– Certo, então acho que estou voltando para a enfermaria. – suspirou brevemente e se levantou.
– Eu furei um piercing no pau.
– O que? – Hans, dentre todas as pessoas naquele quartel, era quem conseguia chocá-lo com mais facilidade.
Sentou-se na cadeira e levou as mãos até o rosto, sabia que era algo anormal – quando se tratava de Hans sempre era – só não esperava que fosse algo nesse nível. Olhou de soslaio para o ruivo, na verdade nem sabia porque estava tão surpreso, sempre se deve esperar o inesperado quando se trata de Hans.
– Como isso aconteceu?
– Bom, um gordo careca e todo tatuado colocou uma espécie de tesoura no meu pau e com uma agulha ele...
– Não, essa parte eu sei, quero...
– Como assim você sabe? – Hans o interrompeu e sorriu maliciosamente. – Não me diga que...
– Não, imbecil, é que os procedimentos para a perfuração são sempre muito parecidos. – explicou, mas o sorriso de Hans era uma viagem sem volta e ficou rapidamente corado. – Quero saber porque infernos você furou um piercing no pênis.
– Lembra daquela noite no cassino? – bufou. – É claro que você não lembra, estava tão bêbado que eu achei que ia finalmente te comer.
– O que?
– Nada, vamos prosseguir com o piercing. – desvencilhou-se do assunto, tinha levado um soco no plexo solar que o fez ver estrelas por alguns minutos. Apanhar de Heiner foi algo que jamais passou pela sua cabeça, mas o garoto ficou tão irado que se Krieg não o tivesse segurado a noite poderia ter ficado mais trágica. – Eu fiz uma aposta com Krieg e Astrophel, nossos times iam jogar e o perdedor deveria furar um piercing no pênis. Você está rindo?
– Não, claro que não. – mentiu e pigarreou. – Mas convenhamos, você é muito burro em apostar uma coisa dessas.
– Sven, o que aconteceu naquele campo foi um milagre, não tinha como ganharem, até que fizeram dois gols no começo do segundo tempo e empatamos. – gesticulou com indignação.
– Se vocês empataram porque você colocou o piercing?
– Exatamente! – bateu na mesa. – Porque quando voltamos crentes de que ninguém ia ter um buraco adicional no pau o Henry apareceu e nos mandou voltar pra dentro do carro que todo mundo ia furar o pau para que isso servisse de lição e ninguém apostasse mais essas coisas idiotas.
– E aí vocês obedeceram?
– Está dizendo dessa forma porque não o viu, ele estava puto da vida, parecia que seus olhos estavam pegando fogo. E ele tinha uma arma e... – suspirou. – ...Sven, agora você está rindo.
– Me desculpe, é que, nem sei o que te dizer, só que você é muito burro mesmo Hans e digo isso como seu amigo. – respondeu ainda se recuperando das risadas. – Contudo você deve ter um motivo para estar me contando isso, infeccionou?
– Não, não infeccionou. – falou. – Mas está doendo tanto que eu sinto que estou passando para um plano espiritual superior através do sofrimento.
– Bom, se você furou no domingo então isso foi há três dias e é normal ainda estar doendo um pouco, que tipo de piercing você furou?
– Frenum.
– Hans olha para a minha cara e me diz se eu pareço um versado em piercings penianos. Não tenho a mínima ideia do que é isso. – pegou uma caneta no bolso do jaleco e deu para ele junto com um guardanapo. – Aqui, desenhe.
Hans suspirou e fez o desenho, se dedicou até mais do que deveria.
– Você é um artista. – Sven comentou enquanto pegava o guardanapo.
Era um piercing localizado na parte inferior, o furo passava através do freio que ligava a glande do pênis ao eixo e não era tão grande, um barbell. Olhou de soslaio para o ruivo.
– Foi perfurado em cima de um nervo muito importante, você nunca mais vai ter uma ereção, eu sinto muito.
– O que?! – gritou e se levantou empurrando a cadeira para trás enquanto Sven explodia em risadas.
– Estou brincando, não se exalte. – sinalizou para que ele se sentasse de novo, embora toda a cozinha já tivesse parado para fita-lo com certo espanto.
– Filho da Puta. – comentou.
Sven limpou as lágrimas e colocou o guardanapo sobre a mesa.
– Aqui, vai estar completamente cicatrizado dentro de três ou cinco semanas, não aconselho que o use antes disso. – falou. – O gordo careca e tatuado não te explicou isso?
– Eu não sei, mandei ele se foder e saí do estabelecimento.
– Você chorou? – indagou. – Seja sincero, você chorou?
– Sven, saia da porra da minha cozinha. – bateu a mão na mesa, estressado.
– Certo, certo. – pigarreou. – Como o Lieppert reagiu a isso?
– Ele ainda está lá em casa rolando no chão e rindo.
Sven bem que tentou, mas não conseguia se segurar quando imaginava a cena, Hans era escandaloso por natureza, deveria ter xingado mil palavrões e ficado vermelho feito um pimentão quando colocaram aquele piercing ali.
– Isso é um pênis? – ele perguntou fitando o desenho sobre a mesa, estava sério, como sempre.
Sven se levantou com certa agilidade enquanto Hans se demorou um pouco.
– Senhor eu posso... – começou.
– Pode calar a boca, Tenente. – Henry o interrompeu enquanto segurava o desenho. – Eu não tenho expectativas quanto à Bursliet, mas confesso que me decepcionei um pouco sobre você. Esperava mais.
– Eu posso explicar.
– Pode porra nenhuma. – rosnou Bursliet e Sven riu sem querer ao ver a expressão irritada dele.
– Me desculpe Major, eu não sei o que aconteceu. – disse. – Devo voltar ao meu posto imediatamente.
– Sim, é exatamente sobre isso que gostaria de falar. – ele dobrou o guardanapo e o guardou no bolso. – Eu estava no conforto da minha nova sala e um recruta veio me informar que a enfermaria estava vazia, espero que tenha um bom motivo e saiba que eu devo registrar isso.
Olhou para Hans com um pedido de desculpas nos olhos e o viu se contorcer com a traição.
– Eu estava verificando a saúde de Bursliet.
– Ele me parece muito bem. – retrucou. – Ao menos não reportou nada.
– Ele está sofrendo com uma condição muito específica. – olhou de soslaio para Hans, ele tentava cochichar alguma coisa. – Uma doença mexicana que ele contraiu nas férias, não sei pronunciar o nome.
Os olhos azuis de Henry foram imediatamente até o ruivo.
– Chama-se... – pensou por alguns minutos, não sabia muito sobre doenças, principalmente quais eram limitadas ao México. – ...enfermedad muy grave.
Por um momento houve um silêncio mortal entre os três, Hans apenas franziu o cenho e meneou positivamente para dar ênfase no que tinha dito. Henry balançou a cabeça positivamente logo em seguida e suspirou.
– Bursliet eu não sou idiota.
– Pois saiba que não estou mentindo, é uma doença tropical que ocorre muito no México. – falou imitando perfeita indignação, Hans era um artista.
Henry suspirou e um sorriso brotou no canto dos seus lábios, aquele sorriso de escárnio que vinha antes da humilhação e fazia qualquer um se arrepiar.
– E isso não tem nada a ver com aquele piercing? – disse.
– Que piercing? – arqueou as sobrancelhas.
– Aquele no seu pênis. – Henry respondeu.
– Piercing? – fingiu espanto. – Ah, sim, o piercing, você estava tão concentrado naquele boquete que achei que não ia perceber, mas fico feliz que tenha notado!
Henry riu primeiro, Hans o fez logo depois, com gargalhadas cheias de escárnio, mas Sven só o acompanhou porque o clima começava a ficar estranho e mesmo assim riu nervosamente. Entretanto, o major parou de repente e avançou sobre Hans, agarrando habilidosamente exatamente onde deveria estar sua glande. O cozinheiro empalideceu e soltou um gemido.
– Você é muito engraçado Van Bursliet, sabe o que é mais engraçado? – cochichou para ele, com o rosto bem próximo do seu. Por ventura, o ruivo estava ocupando demais lamentando para dar seu palpite. – Responda!
– Não sei, porra! – gritou ao sentir que perderia sua virilidade se Henry continuasse torturando-o.
– Um pênis esfolado. – respondeu. – Já viu um, Van Bursliet?
– Não senhor!
– Ah, mas é tão engraçado, você não quer ver?
– Não senhor!
– Tem certeza?
Hans, com o rosto vermelho, abriu um largo sorriso sarcástico e fitou o major.
– Você já ficou duro ou eu vou ter que gemer mais? – indagou, usando toda a coragem que nunca usara em sua vida.
Henry arqueou uma das sobrancelhas, muito surpreso com tal reação, mas não deixou isso transparecer em seu rosto. O major era sério, e de alguma forma, essa frieza tão rígida que sempre cobria seu semblante fazia a situação parecer ainda cruel. Hans soltou um grito alto de repente, um bem verdadeiro, que o fez engolir o sorriso e a coragem, que talvez não fosse coragem, mas sim burrice.
– Puta merda Henry, vai matar o coitado. – Krieg comentou ao finalmente conseguir se pronunciar, tinha ouvido gritos e como vinham de Bursliet rapidamente se interessou, embora aquilo não fosse o que ele tinha imaginado, nem dava para fazer piada com aquilo, Hans já parecia torturado o suficiente.
O major soltou o cozinheiro e ele soltou um suspiro bem alto antes de cair de joelhos com as mãos apertando a região entre as pernas e olhos paralisados.
– Está questionando minhas medidas disciplinares agora, Primeiro-Tenente? – perguntou enquanto caminhava na direção dele.
– Não. – pensou. – Na verdade sim, isso não é algum tipo de assédio?
– Vou te mostrar o assédio... – levou as mãos até o primeiro-tenente e o teria agarrado com igual êxito se este não tivesse reagido mais depressa, segurando perigosamente sua mão.
– Henry, você está forçando nossa amizade.
– Talvez sentir alguma dor ajude a estimulá-lo, ele não tinha parado de funcionar?
– Ele está funcionando. – afirmou.
– Tem certeza?
– Sim, eu tenho.
– Acho que eu preciso confirmar.
– Major, com toda sinceridade, acredito que a funcionalidade do membro viril do Primeiro-Tenente Krieg não é de importância vital para esse quartel. – Sven interviu, mas soluçou quando Henry se virou para trás, lentamente. – Com todo o respeito, senhor.
Henry mordeu o lábio inferior, sentindo-se um pouco derrotado, desvencilhou-se da mão de Krieg e recuou com um longo suspiro.
– Nikolaevich. – começou. – Interrompa-me de novo e nós vamos testar a funcionalidade do seu membro viril em um moedor de carne.
O enfermeiro engoliu seco.
– Eu acho que vou voltar para a enfermaria.
– E porque infernos não voltou até agora?
– Krieg está bloqueando a saída.
– Krieg, saia da frente. – Henry disse.
– E como vou saber que você não vai me agarrar no momento que eu me mexer?
– Vai ter que confiar em mim.
Krieg ponderou, conhecia Henry desde que eram crianças, viveu ao seu lado durante toda a vida, confiança era o mínimo que Henry podia pedir. Soltou-o e se afastou para dar passagem à Sven, mas antes mesmo do enfermeiro chegar até ali a mão de Henry já tinha fisgado algo interessante.
– Grande erro Kazimir. – sussurrou, com certo suspense. – Só os tolos confiam.
O Primeiro-Tenente segurou o máximo que pôde e embora Sven não tenha ficado para ver, ouviu o grito estrondoso dele quando atravessava o corredor à passos rápidos, completamente assustado. Sabia que Henry jamais fora uma pessoa agradável, mas nunca o tinha visto agredir alguém em plena luz do dia. Levou a mão até o peito e suspirou, de repente uma injeção de adrenalina circulava em seu corpo, fruto do medo de ser atacado também.
– Isso não foi o Krieg? – Arthur perguntou logo depois do grito.
Uma risada alta e maníaca ecoou pelos corredores.
– Isso eu tenho certeza que foi o Wardraig. – Samuel respondeu.
Os dois, que carregavam caixas, jogaram tudo para cima e correram na direção da confusão. Apenas Heiner ficou ali parado com uma expressão confusa. Olhou de soslaio para Sven e suspirou com certo desdém.
– Você está ridículo. – fez uma breve observação sobre a palidez do enfermeiro.
– Você não tem ideia do quanto o major é insano. – respondeu, indignado. – Você não tem...
– Tenho sim. – cortou-o. – Agora, se me dá licença, tenho de levar essas caixas à nova Sala de Arquivos.
– Não, não dou não. – respondeu quando o garoto ameaçou sair andando.
Heiner suspirou.
– E o que você quer, Tenente? – indagou, com sarcasmo, porque havia muito tempo que tinha parado de enxergar Nikolaevich como um oficial de verdade, desde que ele não se portava como tal. – Transar comigo na enfermaria? Isso é uma infração grave da lei você sabia?
– Eu tenho certeza que você já fez coisa pior. – ele já tinha feito mesmo. – E não, não era isso o que eu queria.
Ele deu de ombros e voltou a caminhar.
Henry podia ser rígido e assustador, mas Heiner era especialmente cruel. Sven nunca tinha esperado que ele se transformasse em um ursinho de pelúcia ao qual poderia se agarrar o tempo todo, mas Heiner o tinha decepcionado se mostrando ser um ouriço raivoso que mordia e espetava ao menor sinal de afeto. Um ouriço cheio de orgulho, por sinal. Sven não podia tocá-lo em público, mesmo que isso significasse só segurar sua mão, tinha de fingir que não havia nada entre eles e trata-lo como desconhecido no quartel. O tinha convidado para morar consigo, mas ele rejeitou a oferta, disse que seria estranho demais. Visitas eram raras, mais raras do que Sven gostaria que fossem.
– Tudo bem, eu planejava comer alguma coisa hoje, mas parece que eu vou ter que chamar o Hans, ele sempre aceita. – disse, descontraidamente.
É verdade, Heiner tornava muito difícil a tarefa de ser amado, na verdade qualquer um já teria desistido, mas Sven era insistente e depois de algum tempo havia aprendido seus próprios truques para trazer o garoto para si. Um deles se chamava “Hans”. Heiner costumava estremecer somente por ouvir aquele tão infame nome.
– Eu vou. – disse e se virou para trás para ter certeza de que Sven havia ouvido.
– Tem certeza? – indagou. – É tão chato sair comigo, eu sou meloso demais e fico agindo como um idiota. Eu não me importo se não for, o Hans não se importa com nada disso.
– Sven, não me irrite. – deu seu ultimato. – Já disse que vou.
– Tudo bem então. – respondeu como quem não queria nada e deu de costas, voltando a caminhar na direção da enfermaria.
Heiner ficou ali olhando o enfermeiro se distanciar despreocupadamente e rangeu os dentes. Porque ele faz isso? Perguntou para si mesmo enquanto voltava a caminhar. Sven devia ter plena consciência do quanto Heiner repudiava o cozinheiro, isso porque o ruivo dava descaradamente em cima do enfermeiro. Descaradamente. Apertou as mãos ao redor da caixa, Heiner se lembrava perfeitamente da noite em que Sven havia se embebedado e permitido inconscientemente que Hans avançasse em suas investidas. O soco que havia dado no cozinheiro foi o mais bonito que já tinha dado em toda sua vida, e Heiner não teria parado por ali caso Krieg não o tivesse parado.
Heiner amava Sven, disso sabia perfeitamente embora nunca dissesse ou confirmasse quando este lhe perguntava, sabia que aquele homem o havia tirado de um abismo profundo no qual estivera caindo e caindo por anos e anos, não podia se imaginar sem ele ali lhe segurando para que não caísse de novo. Contudo, seu coração batia depressa, as mãos suavam e seu estômago se revirava quando as pessoas olhavam para eles, sentia que seria atacado mesmo sabendo que gente civilizada não costuma mais fazer isso. E Sven adorava, e como adorava, apertar a sua mão e sorrir. Ele tinha o sorriso mais lindo que Heiner já havia visto. Não podia perde-lo, sabia que estaria sozinho no escuro de novo se ele se fosse, mas se sentia a beira do precipício quando imaginava o que as pessoas pensavam.
Sabia que não devia se preocupar com isso, já tinha tido longas conversas sobre com Arthur que se mostrou um tanto sério sobre o assunto, o louro insistia em lhe dizer mil vezes que a última coisa na qual deveria pensar deveria ser o que as malditas pessoas pensavam. Não conseguia evitar, sempre que via as dezenas de olhos rapidamente se afastava de Sven e percebia como isso o feria. Vinha tentando reduzir essa sua reação instintiva, mas não estava conseguindo muito efeito. Não queria perder seu enfermeiro. Acima de tudo não queria perde-lo para Hans, certamente de uma estranha forma perder Sven para Hans soava muito mais humilhante do que admitir que era gay para deus e o mundo.
Estalou a língua e empurrou a porta da sala com o pé, estava escuro lá dentro e Heiner sabia que ou Samuel ou Arthur estavam escondidos em algum lugar ali dentro esperando para dar-lhe um susto. Havia um tipo de crueldade que só seus amigos mais íntimos – os que conheciam seu pavor pelo escuro e todas as criaturas que vivem nele – conseguem executar com esplêndida performance.
– Se eu derrubar essas caixas vocês vão arrumar a bagunça, já vou avisando. – rosnou assim que colocou os pés dentro da sala escura, embora não tenha feito diferença.
Arthur e Samuel avançaram gritando juntos e mesmo que Heiner esperasse por aquilo não conseguia evitar a reação instintiva. As caixas voaram pelos ares e as centenas de papéis velhos, fedorentos e amarelados dentro delas se esparramaram pelo chão. Os dois imediatamente mergulharam em gargalhadas altas, profundas e irritantes. Heiner murmurou alguns palavrões e apontou para a sujeira.
– Se virem com isso. – disparou e deu de costas para voltar.
– Ah, Heiner, não sabe brincar! – Arthur falou. – Volte aqui e nos ajude!
– Se eu tiver que voltar aí vai ser para fazer você dois engolirem esses papéis. – deu de ombros e continuou caminhando corredor afora.
Sobre suas fobias, medos e tudo mais; Heiner tinha superado bastante. Não sabia se acordava durante a noite com terrores noturnos, porque morava sozinho, mas estava convencido de que já teria recebido a visita de policiais caso começasse a gritar durante a noite, as paredes do seu apartamento eram vagabundas a ponto de ouvir perfeitamente as brigas do casal que morava logo ao lado. De toda forma, era visível o bem que Sven fazia para o soldado. Até a comida excessivamente apimentada de Hans parecia um pouco mais saborosa desde que Heiner tinha beijado Sven. Ele parecia deixar tudo tão bom com gestos tão insignificantes. Bufou e entrou na sala, cujas luzes estavam acesas e não havia nem sinal de algum babaca escondido para assustá-lo de novo.
A antiga Sala de Arquivos tinha sofrido bastante com uma terrível infiltração durante o inverno e o cheiro de mofo ali dentro era terrível, sem contar na camada de vários milímetros de poeira que cobria o chão. Uma vergonha, pensou consigo mesmo, estou surpreso que Krieg ainda não tenha enviado ninguém para lamber tudo isso. Suspirou e pegou mais um punhado de caixas, tinham sido designados pelo mesmo para fazer a mudança de uma sala para outra. Damien provavelmente estaria ajudando, se não tivesse abandonado o exército, Krieg de certa forma adorava vê-lo contrariado e reclamando. Heiner não o via mais, estava sempre muito ocupado e só queria dormir nos finais de semana, embora o tivesse visto naquele final de semana em especial. O tinha visto por acaso também em uma manhã meses atrás em uma fila na padaria, usando um moletom com o nome da universidade na qual passava seu tempo agora. Estava fazendo enfermagem. Seria um bom profissional, embora Heiner não conseguisse evitar de imaginá-lo em um hospital com uma xícara de café na mão e alguns colegas em volta dizendo coisas do tipo “Dr. Fulano é ridículo, foi totalmente grosso comigo só porque eu esqueci de dar aquela dose no paciente com AVC. Um absurdo”.
Talvez fosse melhor começar a comer aqueles vegetais que Sven recomendava, não queria correr o risco de ter de recorrer à algum hospital e acabar nas mãos de Damien.
Levou as caixas para a outra sala e voltou para pegar mais. Repetiu esse tedioso trajeto até que o dia tivesse acabado e ainda restassem alguns arquivos para serem organizados, Heiner achava aquilo uma perda de tempo, poderiam simplesmente digitalizar tudo aquilo, mas não ousava opinar, não queria correr o risco de ser o escolhido para a tarefa. Digitalizar tudo aquilo devia ser ainda mais chato que carregar. Assim que seu horário no quartel chegou ao fim ele se dirigiu para o estacionamento evitando todos os corredores mais movimentados, seu maior medo era topar com algum superior que precisasse de um favorzinho, talvez temesse mais isso do que o bode no teto do seu apartamento.
– O que está fazendo? – Sven perguntou quando o viu encostado ao seu carro no estacionamento, de braços cruzados e a usual carranca no rosto.
– Decidi que vou deixar você cozinhar para mim. – disse.
– Ah, decidiu? – Sven sorriu. – Eu te convidei para comer fora e você já se acha no direito de se convidar para comer no meu apartamento?
– Abra logo o carro, carreguei caixas o dia todo, estou cansado. – falou.
Sven murmurou alguma coisa, com aquele seu típico olhar presunçoso, de quem parecia saber de tudo, embora Heiner sempre o surpreendesse de alguma forma, como naquele exato momento. É claro que Sven imaginou consigo mesmo se aquilo não era uma brincadeira ou algo do tipo, entretanto apenas atendeu ao pedido de Heiner, sem pestanejar.
Ele abriu a porta do carro e entrou, sem mais nenhuma palavra e assim permaneceu por vários e longos minutos enquanto Sven manobrava seu carro para tirá-lo do estacionamento, um pouco ansioso, não costumava ter Heiner no seu carro e muito menos no seu apartamento. É claro que ele já tinha estado lá algumas vezes, mas foram apenas visitas e todas tão frias e formais que Sven podia dizer que até se sentiu desconfortável em algumas delas. Mentalmente fez uma lista dos ingredientes que precisaria para cozinhar, sabia fazer uma infinidade de pratos, só não conseguia decidir no momento qual deles faria, pois por mais vergonhoso que fosse ainda não sabia muito sobre os gostos culinários de Heiner, ele não lhe dava brechas para perguntar e bom, Sven não podia deduzir só olhando para o contorno das sobrancelhas dele.
Instintivamente, sem perceber, olhou de soslaio para as sobrancelhas dele e ficou maravilhado com a própria idiotice. Não precisava adivinhar ou deduzir.
– O que você gosta de comer? – tão simples.
Heiner pensou por um instante no leque de possibilidades que se abriu de repente. Vinha comendo apenas miojo e ovo frito ultimamente, não podia desperdiçar a oportunidade, contudo, também não queria aparentar alguém que vinha comendo apenas miojo ultimamente.
– Nada em especial. – disse, amargamente.
– Como assim, nada em especial? – semicerrou os olhos. – Vou te dar uma tigela de uvas passas para comer então.
– Eu odeio uvas passas.
– O que mais você não come?
– Peixe. – disse. – Eu odeio peixe. Completamente.
– É uma pena, tenho umas receitas interessantes do Hans.
– Não o chame pelo primeiro nome, dá a impressão de que são próximos.
– Mas nós somos. – deu de ombros. – Você gostando dele ou não.
– Quando você coloca dessa forma é impossível gostar dele. – pensou melhor. – Na verdade é impossível gostar dele de qualquer forma.
Sven se divertia com os ciúmes de Heiner, realmente se divertia. Um pequeno sorriso brotou no canto dos seus lábios e ele dirigiu o carro para dentro do estacionamento do prédio. Ainda não havia decidido o que cozinharia, esperava que tivesse todos os ingredientes em casa.
Caminharam pelos carros do estacionamento, a maioria eram carros grandes e comuns, a maioria dos habitantes do prédio eram famílias tradicionais sem peculiaridades maiores que pais com amantes e mães cheias de hipocrisia. Sven tinha se mudado para aquele prédio logo que se formou e gostava bastante da vizinhança, raramente havia uma grande surpresa e ela era um tanto calma se os almoços em família dos finais de semana não fossem considerados. Sven tinha tido sua cota de bagunça na faculdade e mesmo que ainda não fosse tão velho adorava o silêncio propiciado pela vizinhança daquele lugar. É claro que também se divertia ao explicar sua sexualidade para as velhotas do prédio que viviam lhe perguntando quando ele iria se casar e ter um monte de crianças barulhentas para animar o lugar. As que não ficavam horrorizadas empalideciam imediatamente diante da verdade que Sven não tinha vergonha de contar a quem perguntasse a respeito.
Entraram no elevador, o enfermeiro pressionou o botão e as portas logo se fecharam dando início à música monótona e pobre. Estavam sozinhos.
– Sabe, Heiner, eu estava pensando.
– Hum. – foi sua única reação e indicava que Sven prosseguisse.
– Você quis vir para o meu apartamento porque não quer que te vejam comigo?
Heiner piscou algumas vezes, sem alterar sua expressão. Olhou de soslaio para o homem logo ao lado e este também parecia exatamente como antes, como se já fosse algo a que ele houvesse se habituado. Contudo, Heiner notou a forma como seus olhos haviam adquirido de repente um brilho diferente.
– Eu não acredito que pensa isso de mim.
– Eu não quero brincar de namorado secreto mais, Heiner. – não olhou para ele, sabia que seria pior se olhasse nos olhos dele. – Não adianta fingir que não sabe do que eu estou falando. Não vou mais fazer isso.
Sven era paciente, se há algum deus em algum lugar ele sabe o quanto o enfermeiro tentou e tentou. Vinha insistindo por pouco mais de um ano e a cada dia que se passava ele estava mais exausto e menos feliz. Como um animal ferido Heiner o machucava cada vez que o enfermeiro tentava ajuda-lo.
– E saiba que... – Sven começou a dizer quando o outro levou a mão até seu ombro e o empurrou contra a parede do elevador, com força o suficiente para que suas costas estalassem contra o metal. – Ficou maluco?
– Fiquei.
Heiner afundou seus lábios nos dele repentinamente, beijou-o calorosamente enquanto usando uma das mãos apertava seu ombro para mantê-lo no lugar. Apesar de estarem tecnicamente juntos Sven não recebia muitos beijos, na verdade podia contar nos dedos quantos beijos dava em um mês e na grande parte das vezes esses beijos eram roubados de Heiner, contra a vontade do mesmo que costumava resmungar e ficar vermelho como um pimentão. Toques intensos e de boa vontade como aquele eram raros e surpreendiam Sven imensamente toda vez que aconteciam.
Heiner findou o beijo afastando-se brevemente com as bochechas levemente avermelhadas como sempre ficava quando tinha algum contato físico com o Tenente.
– Me desculpe. – disse, sem se afastar, seus olhos castanho-esverdeados brilhavam com um incomum remorso. – Eu prometo que não vou mais fazer isso.
Ele parecia sério, Sven sabia que ele falava sério, porque Heiner não costumava quebrar suas promessas e o beijo repentino cheio de calor era como um selo, uma prova de que não queria mais morar sozinho, ou viver sozinho, ou fingir que Sven não era uma parte tão importante da sua vida. O enfermeiro o abraçou e foi correspondido, as mãos do soldado correram pelas suas costas e apertaram-no contra seu próprio corpo.
As portas do elevador se abriram revelando um calmo corredor vazio que os dois percorreram se arrastando contra as paredes, Sven apertando Heiner calorosamente, arrancando o ar dos seus pulmões com beijos e carícias que delineavam o contorno do corpo pelo qual ele ansiava ter sempre ao seu lado, mas era permitido tocar somente tão poucas vezes que mesmo estando juntos por tanto tempo Sven podia contar nos dedos quantas vezes dividiram aquele tipo de contato. Quando se separaram, tornou-se evidente pelo rosto vermelho de Heiner o quanto ele ainda se surpreendia pelo que ele mesmo podia sentir pelo enfermeiro. Desviou o olhar e cerrou as sobrancelhas como se isso fosse fazer seu rosto ficar menos vermelho.
Sven abriu a porta do seu apartamento, onde o parceiro já tinha estado tão poucas vezes que o ambiente quase não lhe parecia familiar, o que o motivou a deixar que o enfermeiro o guiasse, segurando sua mão com uma incomum satisfação que por um instante fez o soldado se lembrar de todos os momentos em que o impediu de segurar sua mão. Ficou com um pouco mais de remorso do que já estava.
O Tenente o beijou de novo quando chegaram ao seu quarto, empurrou-o lentamente até que a parte de trás dos seus joelhos batessem contra a cama e ele caísse deitado sobre ela. Sven se apoiou nas mãos e o fitou por um instante, os olhos castanho-esverdeados mais brilhantes que o usual, os lábios mais vermelhos por causa dos beijos, a barba perfeitamente feita, embora isso nunca o tenha feito parecer menos masculino, ou zangado como sempre aparentava estar.
– Eu não tenho que fazer isso todas as vezes, você quer trocar de lugar?
– Trocar de lugar...? – Heiner pensou por um instante, a expressão no rosto de Sven foi o suficiente para fazê-lo raciocinar. – Oh.
Heiner não costumava pensar muito sobre aquilo, sobre todo o ato no geral, e ele ainda não tinha refletido sobre a possibilidade de troca de papéis. Nenhum dos dois era uma mulher, não havia um lugar definido para nenhum deles, apesar de Sven ter comandado tudo até então por ter certa experiência e saber como fazer dar certo, entretanto agora o enfermeiro achava que Heiner já tinha visto a coisa acontecer vezes o suficiente para ter noção do que fazer.
– Tudo bem. – respondeu, após um minuto de hesitação, colocou as mãos nos ombros do Tenente e o empurrou para o lado, de forma que dessa forma ficasse por cima dele. – Acho que eu posso fazer isso.
Sven sorriu, Heiner estava visivelmente nervoso, embora bastante otimista e animado com a ideia de não ter de ficar com a bunda dolorida no dia seguinte, porque o soldado jamais se acostumou com aquilo e todas as vezes eram quase tão sofríveis quanto a primeira. Depois daquela primeira vez na enfermaria ele não deixou Sven nem chegar perto de fazer algo nas duas semanas seguintes alegando que nunca mais ia fazer aquilo de novo por causa do dor. Pensou naquilo por um instante, talvez fosse causar a mesma dor no parceiro e não conseguia imaginar a si mesmo machucando a sua única família naquele mundo cruel, embora também não fosse voltar atrás na sua decisão, já estava bastante excitado com a ideia e abandoná-la causaria certa frustração na sua pessoa de baixo.
Depositou um selinho nos seus lábios e afundou o rosto no seu pescoço enquanto as mãos iam habilidosamente até o botão da calça. Roçou seus lábios à pele dele, sentindo a superfície quente e eriçada pelo contato repentino enquanto Heiner enfiava os dedos por dentro da cueca, procurando por algo mais interessante ali dentro que logo tocou com a ponta dos dedos. Sentiu um espasmo correndo por Sven abaixo de si quando o tocou e a pele embaixo dos seus lábios ficou mais quente, abandonou seu pescoço depois de um instante e sem rodeios se ajoelhou ao chão, entre as pernas abertas de Sven que escorriam pela beirada da cama com os pés tocando o chão.
– Heiner, você não preci... – começou a dizer, um tanto surpreso.
– Eu quero. – o interrompeu, em um tom de quem não queria mais ser perturbado.
Sven apenas meneou positivamente e desviou o olhar, já que este parecia deixar Heiner mais desconfortável, embora ele parecesse bem à vontade com o que estava prestes a fazer. O soldado aproximou o rosto do abdômen do seu superior e o tocou com a língua por um instante, enquanto uma das suas mãos puxava a cueca para baixo e lhe dava passagem para prosseguir até o que realmente era de seu interesse. Tentou não pensar muito no que estava fazendo, ou se iria fazer certo, porque sabia que ia acabar fazendo algo errado se pensasse demais. Tocou primeiro a glande com os lábios, depois aos poucos colocou o que podia dentro da boca, tentando afastar seus dentes e evitar uma possível catástrofe, o ato se mostrou mais complicado do que parecia quando quem o estava executando era Sven. O enfermeiro tinha consideravelmente mais prática, Heiner não podia se comparar a ele, concluiu consigo mesmo.
Movimentou a boca lentamente, a saliva nunca parecia ser o suficiente, tinha certeza que estava errado. Embaixo da sua mão Sven estremeceu, o soldado ergueu os olhos até ele, algo no que fazia devia estar extremamente certo, porque o Tenente mordia o lábio inferior, mergulhado na sensação de ter a si mesmo dentro da boca quente e molhada de Heiner. Sven tinha certeza que iria morrer antes que o parceiro se oferecesse para lhe fazer um boquete e apesar de ainda ter que praticar, a simples sensação de saber que ele estava se dispondo a fazer aquilo de boa vontade e se esforçando já eram motivos mais que o suficiente para que o enfermeiro se alegrasse a ponto de ignorar qualquer esbarrão em um dente.
Heiner, por outro lado, uma vez que colocou os olhos no semblante do parceiro não conseguiu colocar sua atenção em outro ponto, ele parecia extasiado, apertava os punhos com força até os nós dos dedos ficarem brancos e prendia a respiração por longos instantes. O soldado adorou aquilo, deliciou-se com cada reação no parceiro conforme movimentava os lábios agora com mais confiança e talvez até mais vontade. Afinal, não era tão ruim, na verdade, pegou-se até mesmo gostando do que fazia, de ter a boca preenchida por Sven como um beijo mais intenso e sem fim. Imaginava o ato como algo completamente diferente, onde não ganharia nada, entretanto aquela expressão em Sven parecia um prêmio mais do que decente aos seus olhos.
Apertou a coxa do enfermeiro, o tecido da calça dele se enrugou embaixo dos seus dedos e a pele se contraiu. A outra mão, sem que Heiner tivesse conhecimento imediato, escorreu até sua própria calça e se enfiou dentro da cueca onde uma ereção esperava ansiosamente por contato. Movimentou a língua com mais intensidade enquanto envolvia a si mesmo com os dedos, lembrando-se por um instante cada pedacinho mais sensível onde valia mais a pena tocar com a língua. Sentiu-o mais quente, seus gemidos aumentavam, a carne se enrijecia. Afastou os lábios e uma gota de saliva escorreu por eles até o queixo, Heiner limpou-a rapidamente na manga da camiseta e quando olhou para Sven de novo suas bochechas não ficaram vermelhas.
– No criado, a primeira gaveta. – Sven o informou.
O soldado se levantou e foi até o local indicado enquanto o Tenente se ajeitava em cima da cama, tirando os calçados com os próprios pés e colocando a cabeça confortavelmente em cima dos travesseiros. Heiner logo voltou com o lubrificante em mãos, jogou-o sobre a cama e retirou sua própria camiseta, arremessou-a em algum canto e agarrou as bordas das calças do parceiro para arrancá-las fora também, junto com cueca e tudo. A camiseta Sven tirou sozinho, sem querer dar a ele o trabalho.
O soldado se ajoelhou entre as pernas do enfermeiro e se inclinou sobre ele depois de colocar na mão o que achou que fosse o suficiente do líquido transparente. Sven o analisava com os lábios entreabertos, recuou brevemente ao sentir a solução gelada tocando sua pele junto dos dedos de Heiner que umedeceu todo o lugar apropriadamente antes de apertar o indicador contra sua entrada.
Empurrou o dedo devagar, talvez até demais, mas o âmago do seu ser sabia como aquilo podia ser um inferno se fosse feito rápido demais, mesmo que Sven não reclamasse como o soldado, na verdade ele parecia até mesmo confortável. Bom, Heiner não era a primeira pessoa com ele fazia aquilo e o enfermeiro já deveria saber como acolher alguém adequadamente sem se machucar, o que não o tornava menos apertado ou difícil de se preparar. Heiner moveu o dedo até sentir certa liberdade e o retirou para voltar com dois dessa vez, encontrando mais resistência e até certa dificuldade no ato. Sven soltou um gemido e colocou os braços ao redor do pescoço de Heiner, como se sentir o calor dele ou o peito nu do parceiro contra o seu fosse tornar o ato menos doloroso. Heiner o beijou, por cortesia, enquanto empurrava os dedos para dentro dele. Os braços do parceiro o apertaram e ele puxou seus lábios para soltar outro gemido.
– Me desculpe. – pediu, ao perceber que talvez o tivesse feito rápido demais.
– Tudo bem. – murmurou para ele, com um pequeno sorriso acolhedor.
Heiner adorava aquelas feições, em especial quando ele sorria e com os olhos cheio de brilho daquela forma parecia que tinha acabado de encontrar um jeito de adorá-lo ainda mais. Retirou os dedos e os molhou de novo em mais daquele líquido que até então não havia tocado daquela forma, quando voltou a colocar-se dentro do enfermeiro parecia que havia ficado mais fácil. Moveu os dedos por alguns instantes, com Sven inquieto embaixo de si, apertando-o em seu abraço e abafando gemidos com a cabeça enfiada na curva do seu pescoço. Por fim, quando a opinião duvidosa de Heiner decidiu que já era o suficiente ele retirou seus dedos e derramou um pouco de lubrificante na própria ereção.
– Devagar. – Sven comentou assim que o viu com a mão em si mesmo, espalhando o líquido.
– Eu sei. – franziu o cenho como se indagasse a Sven se ele por acaso achava o contrário.
Seja como for, o enfermeiro não respondeu, pelo menos não naquele momento. Sentiu a ereção de Heiner sendo empurrada para dentro e soltou um grunhido mais alto quando a glande do parceiro se envolveu por completo, seus dedos se apertaram uns contra os outros na nuca do parceiro e os dedos do pé se contraíram.
Heiner mordeu o lábio inferior e teve de ter muito autocontrole para não se enfiar todo de uma vez como seu corpo tanto implorava. Havia algum tempo desde a última vez que tinha tido sua ereção em algum buraco úmido e apertado, na verdade havia algum tempo considerável e o soldado não acreditava que tinha passado tanto tempo sem fazer aquilo. Não tinha se relacionado com ninguém desde aquela sua primeira vez com Sven na enfermaria, até havia tentando um par de vezes, entretanto se pegou surpreso ao perceber que não gostava tanto de seios quanto achava e que sentia um remorso incrivelmente pesado toda vez que ameaçava trair Sven, mesmo que nunca tivesse admitido nenhum relacionamento para o mesmo.
Seu corpo estremeceu conforme adentrava mais e mais, Sven era muito mais apertado que qualquer garota com quem ele já tinha transado, seu calor o envolvia com muito mais força sem empurrá-lo para fora, como se apenas o abraçasse com força e carinhosamente. Desvencilhou-se das mãos dele ao redor do seu pescoço e se ergueu, podia ter uma visão melhor do parceiro daquela forma, assim como também podia se mover com mais facilidade. Os olhos de Sven se cerraram quando ele começou, os dedos agarraram o lençol e ele arqueou a cabeça, sem nenhum sinal de desaprovar o ato.
Eram os gemidos de Heiner que sempre inundavam o ambiente, contidos e tímidos, o soldado sempre achou que eram constrangedores, contudo agora que era ele quem tinha os ouvidos preenchidos com gemidos alheios ficava mais do que óbvio que não havia nada de constrangedor naquilo, na verdade sentia que podia muito bem terminar aquilo usando apenas uma das suas mãos e os gemidos do parceiro. Embora não dispensasse o que fazia de maneira alguma, pois havia acabado de descobrir que se tivesse sugerido aquela mudança vários meses atrás a vida sexual dos dois seria muito mais agitada.
Apertou as coxas dele com ambas as mãos, a pele clara do enfermeiro ficou vermelha embaixo dos seus dedos, embora isso não tenha feito Heiner soltá-lo, na verdade a sensação que sua expressão passava era a de que o soldado não ia soltá-lo nunca mais. Sven levou uma das mãos até a própria ereção para masturbar a si mesmo, o calor do ato inundava seu corpo de uma forma tão intensa e progressiva quanto a que seus gemidos preenchiam o quarto e deliciavam Heiner que a cada minuto estava mais disperso nos próprios movimentos em uma velocidade mediana. O soldado costumava se mover com certa selvageria, porém naquele momento com Sven não sentiu a necessidade de se mover depressa, pois parecia que isso seria até mesmo um insulto uma vez que acabaria ignorando todo o calor e carinho do ato.
– Heiner... – o enfermeiro murmurou, arqueando a cabeça para trás enquanto seus dedos se moviam com mais velocidade ao redor da própria ereção.
O soldado afastou a mão dele e enrolou seus dedos ao redor do enfermeiro, masturbou-o por curtos minutos enquanto este se tornava cada vez mais apertado à medida que se aproximava do ápice que quando surgiu derramou-se completamente em seu próprio peito. Sven bufava, gotas de suor escorriam sobre a sua pele traçando caminhos molhados conforme os movimentos de Heiner o empurravam e puxavam de volta, fazendo-o gemer mais alto agora que a sensibilidade do clímax o havia atingido em cheio. Em alguns minutos, líquidos esbranquiçados de origens diferentes se misturavam sobre o peito do enfermeiro.
– Eu não acredito que eu comi você. – Heiner comentou após longos minutos em que o ar foi invadido apenas por respirações pesadas.
– Eu também não. – Sven arqueou as sobrancelhas. – Minha vez agora.
– Não quero nem saber, você estava me iludindo, eu achei que ia sofrer nas suas mãos para sempre. – retrucou e se inclinou sobre Sven.
– E você vai mesmo. – respondeu e levantou o rosto para acertar os lábios do garoto com um beijo. – Para sempre. Ou pelo menos até o viagra começar a fazer mal para o seu coração.
– Que expectativa de futuro maravilhosa. – Heiner respondeu com escárnio e sorriu, um sorriso que Sven quase nunca via em uma expressão relaxada e olhos tão claros que quase se podia ver um coração quente pulsando lá dentro. Um coração cujo espaço era estritamente limitado e já estava ocupado para todos os efeitos.
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