Dama da Noite
4 Capitulo 4 - Lobos
Notas iniciais
Estávamos pela primeira vez na neve, depois de muito tempo. Observei que estávamos em uma montanha, olhei para baixo, nela não se via o seu fim, ao que parecia estávamos a vários pés de altura, juntos seguimos caminhando pela neve, descemos a montanha adentrando em uma floresta cheia de arvores em forma de cone.
Avançamos lentamente, a cada passo que dávamos nossas pernas afundavam na neve e assim ela nós encobria ate o joelho. Estava anoitecendo quando decidimos parar, encontramos uma caverna, as quais nós decidimos nos estabelecer, ela nos protegeria do vento, quando entramos no local havia uma alcatéia, tinham cinco no total, dois filhotes com pelos brancos como leite e olhos vermelhos, um macho totalmente preto com os olhos cor do céu durante a madrugada escura, duas fêmeas, uma tão branca quanto os filhotes com olhos cor de mel e outra cinza com os olhos pretos que me levaram a delírio.
Preparei-me para uma luta, desembainhando uma faca que tinha pegado de um dos instrutores, o macho levantou, ficou em posição de ataque, ele iria defender seu bando e eu o meu, ia atacar o animal quando Thomas se colocou em minha frente com um movimento rápido, mas não brusco, calmamente ele se aproximou do lobo, o animal ficou sereno, recuou e sentou-se, Thomas chegou ainda mais perto do animal e passou a mão entre as orelhas do lobo, como se ele fosse um cãozinho de estimação que esteve consigo a vida toda.
Sem se virar para nós ele falou “Os animais são como nós, estão apenas em busca de proteção, eles não vão nos perturbar, deixem eles em paz”
“Okay” respondi mesmo achando seu comportamento um pouco estranho, me virei de comecei a dar ordens “Busquem lenha, precisamos de fogo para nos manter aquecidos, Davi venha comigo vamos caçar um animal, precisamos de alimento”.
Sai da caverna, agucei meus sentidos e ouvi uns passos ao norte, eles eram rápidos e leves, segui naquela direção com Davi em minha cola, com passos silenciosos e ligeiros chegamos onde a presa se encontrava, era um veado, ele estava sozinho, olhei para Davi não precisei dizer nada, logo ele se afastou, ele cercou o animal e o assustou fazendo- o disparar em minha direção, pulei em cima do bicho e cortei sua garganta de fora a fora fazendo sangue jorrar na neve branca , soltei o animal e limpei a faca suja de sangue em minha blusa, com um movimento de mãos Davi fez o animal flutuar atrás de nós , seguimos em direção a caverna , quando entramos lá havia lenha mas não fogo.
“Por que não acenderam o fogo?” perguntei com curiosidade.
“Ninguém conseguiu” respondeu Lucas.
A lenha estava toda junta em um canto da caverna, avistei e mandei uma chama para ela fazendo com que ela se acendesse deixando todos surpresos.
“Pronto, agora esta acessa, Sabrina prepare a nossa comida, Lucas a ajude” disse e me virei para Davi.
“Vamos lá fora, preciso falar com você” disse seguindo para fora da caverna.
“O que é Lily?” perguntou-me.
“Estou com medo Davi, medo disso tudo. E se não conseguirmos? E falharmos? Se eu falhar? Todos eles morreram em vão por nós, se ao menos eles estiveram aqui”.
“Lily você esta fazendo as perguntas erradas” disse ele a mim. “Temos que nos perguntar quando acabaremos com tudo isso? E quando conseguirmos cumprir essa missão, o que faremos?” ele levantou as sobrancelhas e com um sorriso zombeteiro disse “ Que tal férias? Preciso de um descanso depois de tudo isso”
Eu sorri por sua visão positiva e o seu jeito zombeteiro.
“ Humm... tudo bem, mas depois disso temos que tomar um decisão importante. Qual lugar?” assim passamos a noite conversando ate Sabrina nos chamar para dentro para degustar o veado capturado.
Depois de comermos a carne suculenta e dar os restos para nossos companheiros de caverna que comeram tudo vorazmente e ainda estavam se deliciando com os ossos, nos amontoamos em volta da fogueira, todos juntos, para diminuir o frio incessante que nos atingiria durante a madrugada, eu ouvi passos se aproximando de nós durante à hora zero então abri os olhos, não me movi, esperava ver algo de diferente, mas apenas vi os lobos se aproximando e deitando-se conosco, nos aquecendo, voltei a dormir me sentindo protegida pela primeira vez desde que deixara os braços de meus pais.
Fale com o autor