Notas iniciais
Voltamos!!! E pretendemos escrever essa fanfic até o fim o quanto antes possível ^-^' Chegamos com um capítulo repleto de emoções *u* Esperamos que gostem. Donc... Bonne lecture!!!

Anthony e Heitor pegaram um táxi e foram para o Hotel já reservado. Por mais que Gustav, filho do Empresário amigo de August Hernandez e amigo de Anthony, tenha insistido para se hospedar em sua mansão, o rapaz recusou e preferiu não incomodar.

–Eu queria muito esquecer o que aconteceu hoje. — Disse Anthony, enquanto saía do elevador para o corredor de seu quarto.

Heitor entendera exatamente o que seu patrão queria. Anthony adentrou o quarto do apartamento 308 e uma folha amarelada de papel caiu diante seus olhos. Parecia que estava presa na parte de cima da porta, no pequeno vão entre a madeira e o concreto.

–Qu'est-ce que...? — Anthony se abaixou para pegar o papel.

–Qu'est ce que c'est, monsieur?

–Esse papel. — O rapaz se virou para Heitor e lhe mostrou o papel amarelado, a parte de trás que estava em branco. Anthony passou os olhos nas palavras escritas e deu um passo para trás, sua respiração pausou por um instante e seu rosto ficou pálido.

–Senhor, o que houve? — Heitor entrou no quarto e segurou o braço de Anthony — O senhor está pálido e frio, Qu'est-ce que ce rôle?

–Heitor... — Anthony não conseguia falar direito. As palavras pareciam ter fugido com o medo que sentiu ao ler o que estava escrito no pedacinho de papel.

Heitor chamou pelo rapaz, que não sabia fazer outra coisa a não ser olhar para o papelzinho.

–Senhor! — Exclamou o mais velho, tentando despertá-lo daquele momento. Heitor, então, puxou Anthony para que ele se sentasse numa poltrona próxima a eles.

–Je vais... Je vais... — Heitor não conseguiu completar sua frase, estava atordoado com a reação de seu patrão. Foi até a cozinha, pegou um copo de água que estava em cima de uma bancada e levou até a porta da geladeira, estilo Refrigerador Side by Side, e voltou as pressas para onde Anthony estava.

–Calmez-vous, s'il vous plaît. — Pediu Heitor, lhe entregando o copo — Beba isso e me diz o que está acontecendo.

Anthony amassou o papel e deu um gole na água. Fechou os olhos e respirou fundo. Uma gota de suor, por conta de seu nervosismo repentino, escorreu ao lado de seu rosto.

–Não se preocupe... C'est bien. — Levantou-se e foi para a varanda, que estava aberta. Olhou para o céu azul de Bordeaux, que, mesmo estando numa semana fria, o dia estava ensolarado e ameno.

–Como o senhor diz que ficará tudo bem depois do que aconteceu agora?

–Caro Heitor... — Anthony virou o rosto acima do ombro — Está tudo bem.

Heitor foi balbuciar alguma coisa, talvez reclamar do "Caro" na frente de seu nome, mas se calou quando um dos carregadores de bagagens bateu com dois dedos na porta já aberta.

–Excusez-moi. — Chamou um dos meninos, ainda bem jovem, de cabelo louro preso num rabo-de-cavalo, usando seu uniforme já gastado um pouco maior que ele mesmo. — Eu vim trazer a bagagem de vocês.

Heitor abanou as mãos no ar, como se chamasse os meninos para adentrarem o local e instalassem as malas em qualquer lugar.

O mais velho, um moreno magro e com cabelo aparentemente cortado, com os olhos negros e cansados, fundos pela olheira presente em sua face, passou a frente do mais noivo, carregando as supostas malas de Anthony, pois eram maiores e bem pesadas, vistas pelo esforço que ele fazia e as veias que pulsavam em seu braço. Este, por sua vez, não tirava os olhos do mais novo, como se algo estivesse errado com ele. Olhava-o desconfiado.

O moreno colocou as malas perto da estante de Homer Theater Coliseu Laminatto preto e se afastou, para que o mais novo fizesse o mesmo. Os dois saíram. O mais novo bateu as palmas das mãos na calça, como se estivesse se limpando. Heitor fechou a porta e ficou em silêncio, por um instante.

O moreno e o louro caminharam até chegarem a frente do elevador. O mais novo apertou o botão.

–O que pensou estar fazendo? Por que colocou aquele papel na mala do Monsieur Hernandez?! — O moreno segurou o mais novo pelo braço, antes de adentrarem o elevador, que estava parado e com as portas abertas.

O louro viu seu reflexo no espelho que compunha o elevador.

–Se te incomodou, então por que permitiu que eu fizesse, hein? — O loiro se soltou e continuou andando.

–Porque ele é leal à mim e ficou de olho para saber se você faria o serviço certo... — A voz feminina assustou o menino e o fez parar antes de entrar no elevador. Por causa da demora, a porta se fechou e o menino se virou.

Viu que o moreno estava com os braços cruzados e com um sorriso debochado no rosto.

–Qu'est-ce? Vous... — O menino ficou incrédulo, não acreditava no que via. Pensou que era o único contratado pela Dama Assassina. — O que ele está fazendo aqui?

–Eu trabalho para ela, idiot.

–Então por que me questionou por ter colocado o papel na mala?

–Apenas observando... — Respondeu o moreno, como se testasse o que o mais novo estava fazendo.

–Você é jovem demais, mon amour, para entender o que se passo a sua volta. Très naïf... — A Dama se aproximou, fazendo o típico barulho de salto alto no piso liso do corredor — Eu não te tirei da rua e te paguei para você cometer erros...

–Mas eu não errei em nada! Fiz o que a senhora pediu!

–Shiiii... — A Dama ficou de frente para ele, colocando seu indicador nos lábios do menino.

O mais novo desvencilhou os olhos esbugalhados da Dama para o moreno.

–Eu... Eu não fiz nada de errado, não é? – Indagou gaguejando de desespero.

–Não, mon amour, você é um jeune bem esperto. Conhecê-lo naquela noite foi a melhor coisa que poderia me acontecer, Lucca.

O mais novo assentiu num movimento de cabeça, não entendendo muito até onde aquela conversa fluiria.

–Eu quero que preste bastante atenção. – A Dama escorreu seu indicador dos lábios do menino até seu peito e ficou apontando, cravando sua unha vermelha na roupa gastada do mesmo, como se tentasse perfurar. Ela começou a andar para frente, movimentando também o rapaz com a força que fazia no dedo, fazendo-o andar para trás. Este a todo instante revezava em olhar para a Dama, com seu rosto angelical, pálido, com os lábios vermelhos como sangue, para o moreno que continuava com os braços cruzados e olhando para alguns ângulos do corredor, ângulos formados pelo teto e a parede, talvez estivesse procurando por câmeras. – Você não poderá fugir de mim, Lucca. – Eles pararam. Ela de frente para o rapaz; ele, de costas para a entrada do elevador. Com um vazio enorme atrás de si. O elevador tinha subido e a porta ficou aberta, deixando o vácuo como a única visão.

Lucca caiu de joelhos no chão, chorando.

–S'il vous plaît...Não me mate. Je vous prie! Eu... Eu suplico... – Pediu soluçando em meio ao choro.

–Não suplique, mon amour... – A Dama abriu seu sobretudo e retirou uma faca prata com a inicial “A” no cabo – Não será doloroso.

Lucca a olhou, com o rosto molhado e as lágrimas escorrendo. Tremia de medo e nervoso, pois estava confuso com tudo.

–O que eu fiz de errado? – Insistiu ele.

–Rien... – A Dama se agachou – Nada... Eu que estou errando em ainda deixa-lo vivo.

Lucca engoliu em seco. Olhou para trás, por cima do ombro e viu o enorme vazio que o esperava.

–Je le promets! – Gritou ele – Eu prometo que não contarei sua identidade para ninguém. Eu prometo que farei tudo o que pedir e estarei ao seu lado quando precisar... – Lucca enxugou o rosto e se levantou, fazendo a Dama levantar junto – Você teve piété de mim e eu tenho uma dívida eterna com você. Deu-me o que comer naquela noite... S'il vous plaît, deixe-me ficar ao seu lado, não irei te trair... Mesmo que faça isso comigo.

As palavras de Lucca fizeram a Dama recuar um pouco. Ela juntou a mão que estava com a faca ao corpo. Seus olhos brilharam, pois lágrimas começavam a brotar junto com as lembranças.

“Maman! Maman! Não me deixe! Dieu, ne me quitte pas! Ne laissez pas ma mère...”

–Dama? – Chamou o moreno, vendo que a mesma havia se perdido por um momento em seus devaneios.

–Sim, Louis? – Ela o olhou e depois voltou para Lucca – Mate o segurança que cuida das câmeras e destruas todas as provas.

–Mas é o horário de almoço dele, não tem ninguém vigiando.

–Não interessa, se quer ficar ao meu lado, terá que perceber que até os inocentes têm culpa. Na vida nada é exato, só a morte.

Lucca sorriu um pouco torto, colocou a mão no joelho e abaixou o rosto.

–Merci. Você me deu a chance de viver mais uma vez. – Lucca levantou a face, ao olhar para frente, a mulher não estava mais ali, nem em ambos os lados do corredor – Para onde...?

Louis sorriu de canto e começou a andar até outro elevador.

–Não esqueça a sua arma. – Avisou o moreno.

–Hã? – Lucca não entendeu.

–No chão.

Quando o menino olhou, perto da porta do quarto 812, tinha uma arma pequena. Ele foi até ela e a pegou. Apertou o pequeno objeto contra o peito e balbuciou algo. Voltou a olhar para o moreno e viu que este entrava no elevador. Lucca correu para alcança-lo. Ele precisava provar que poderia permanecer vivo.

Sentado em uma cadeira, com o antebraço apoiado na mesa redonda com as bases em "X", um rapaz louro com o cabelo ainda molhado e penteado para trás parecia esperar impacientemente por uma pessoa novamente.

–Où est-elle? — Perguntou para si mesmo, num murmuro.

Levou o copo de pastis até a boca e tomou um gole.

–Odeio essa bebida... Prefiro uma tequila.

A voz feminina e bem sedutora, quente como o sol que tilintava no céu azul de Bordeaux. O rapaz louro se virou e viu que era a pessoa que esperava.

–Seja pontual, por favor.

–Pedindo delicadamente... — A mulher se aproximou, inclinou seu corpo até seu rosto ficar próximo da nuca do rapaz — Eu faço qualquer coisa que pedir.

–Faz... Mas faz errado. — Ele se levantou e a mulher se afastou.

–Seu cavalheirismo dura segundos. — Ela deu a volta e se sentou na cadeira de frente de onde o rapaz estava sentado.

–Se você merecesse, eu seria um completo nobre na sua presença, mas é uma imbecil que não merece nem estar num lugar como este. — O rapaz sorriu cinicamente e voltou a se sentar.

–Diga logo o que você quer de mim. — Disse a mulher impaciente.

–Vendo le soleil briller sur votre visage... Parece que você é realmente une dame, Alex.

A então dominada Alex soltou um breve riso e inclinou a cadeira para trás, equilibrando-se com os pés no chão

–Vai ficar enrolando ou vai me dizer logo o que quer, Seigneur Lousseau? — Insistiu Alex, dessa vez mais educada e voltando a sentar direito na cadeira. Ela olhou para trás e depois focou nos olhos verdes do rapaz a sua frente.

–Calme... Não precisamos de pressa. Você já assustou o Thony, já deixou bem claro que está por perto.

–Como você mesmo pediu...

–Muito bem, está ficando mais... Efficace.

–Eu sempre fui eficaz. — Retrucou Alex.

–Tão eficaz que cometeu um assassinato errado, non?

Alex abaixou o rosto e deu um suspiro pesado.

–Não me diga que a Dama Assassina havia se apaixonado pelo Wallace? — Perguntou Lousseau, com um tom debochado — Non! Impossible! — E caiu na gargalhada, chamando atenção de algumas pessoas que estavam no bar L' Apollo — Admiro você ter se apaixonado, logo você.

–Pourquoi? — Alex levantou o rosto, agora, vermelho — Não posso amar também?

–Ah... Então admite que estava gostando do Wallace? — E riu novamente; porém, baixo.

–Isso não vem ao caso.

–É bom mesmo seus sentimentos femininos não atrapalhar meu plano novamente. — A voz do senhor Lousseau já não era mais humorada, estava séria.

–Isso não acontecerá de novo.

–Quero só ver... — Desafiou — E, antes que eu vá — Ele pegou um documento em sua pasta, que estava apoiada nos pés da cadeira — não o mate até que assine estes papéis. — Colocou-os sobre a mesa.

–O que são?

–É muito complexo para a sua capacidade mental.

Alex cerrou a mão e respirou fundo.

–Você não tem medo de mim?! — Ela também se manteve ríspida em suas palavras.

–Non. — O rapaz louro se levantou e retirou do bolso uma quantia de dinheiro para pagar a bebida que tomou — Nem os seus... — Ele olhou para frente e apontou com o queixo — amiguinhos me dão medo.

O senhor Lousseau jogou as notas na mesa e se virou e, antes de sair, disse:

–Não cometa mais erros, porque não serei bom o bastante para deixar, a única pessoa que você realmente ama, vivo. — E prosseguiu sua caminhada, até desaparecer da visão de Alex ao virar a esquina.

Alex ficou olhando para um ponto qualquer, quando um garçom do bar foi até sua mesa.

–Lady? — Chamou o garçom — Posso retirar o copo?

–Oiu. — Alex pegou os papéis que estavam na mesa, próximos ao copo de pastis e dobrou, colocando em seu sobretudo. Tirando-o logo em seguida, pois estava calor demais para usa-lo, dobrando-o e colocando em seu braço.

Ela se levantou e andou na direção oposta do rapaz com quem acabara de ter a conversa. Dois rapazes foram em sua direção, um moreno e um louro com o rabo-de-cabalo.

–Dama, eu fiz o que me pediu. — Avisou Lucca.

–Onde deixou o corpo? — Indagou, sem para de andar e atravessando a rua.

–Não se preocupe... — Lucca abaixou a cabeça, lembrava-se do que havia feito, do tiro demorado sobre o segurança. O corpo ficou por conta de Louis, que deu um sumiço sem deixar vestígios.

–Não se arrependa de ter feito isso. Foi por uma boa causa.

–Ce n'était pas... — Respondeu Lucca.

Assim que chegaram ao outro lado da calçada, Alex segurou no braço de Lucca.

–Se não quer estar ao meu lado, diga logo!

–Não é isso... É que...

–Cala boca, idiot. — Aconselhou Louis.

–Eu não pedi que viesse comigo, você implorou, mas... — Alex deu o sobretudo para Louis — Se não aguenta isso, saia agora da minha frente, antes que eu me arrependa de tê-lo poupado a vida.

–Eu ficarei ao seu lado! — Exclamou Lucca, engolindo a saliva que se formou junto com suas palavras — Je viens... Eu só... Queria te entender melhor...

–O melhor mesmo é você não saber nada sobre mim. — Alex suspirou e continuou andando — Não quero mais que toque neste assunto de matar ou morrer. C'est ennuyeux. E de irritante já basta você.

Louis começou a seguir Alex e rui do que a mesma disse.

–Allons-y. — Chamou Louis e Lucca também acompanhou os dois, com Alex mais a frente — Você tem muita sorte por estar vivo, não desperdice esta chance, pois não terá outra. — Aconselhou o moreno, o mais jovem apenas assentiu, arrependido por ter começado aquela pequena discussão desnecessária, talvez.

Em frente ao Hotel Burdigala, uma jovem ruiva, de pele pálida e olhos que disputavam o azul mais belo entre eles e o céu, estava esperando por alguém e, quando avistou a pessoa, acenou e gritou eu nome.

–Rachel! Ici! — Sorriu de forma meiga e satisfeita.

A outra jovem, uma loura, que estava com os cabelos soltos que se movimentavam no ritmo do vendo pouco frio, já que o dia estava quente na cidade de Bordeaux, se aproximou da ruiva, também com um sorriso brincando nos lábios.

–Não encontrou um lugar que vende chinelos por aqui? — Perguntou a ruiva, assim que Rachel chegou ao seu lado.

–Non, Anne. — Respondeu, um pouco ofegante — Acho que ficarei com essa sapatilha mesmo, até a hora da festa.

–Nada disso, depois iremos procurar juntas, tudo bem?

–Sim. — Rachel deu uma pausa — Vamos ver nossas reservas no hotel?

–Oiu, vamos.

Anne e Rachel adentraram o Hotel e foram para o balcão em que uma recepcionista de cabelos negros e pele parda, esperava com um sorriso gentil e cansado.

–Nós temos uma reserva aqui... — Começou Rachel, colocando a bolsa que estava sem seu ombro para frente e abrindo-a, retirando alguns documentos e colocando no balcão. Anne fez o mesmo — Um quarto para a Mlle Anne Marie Chevalier e Rachel Hernanes.

–Hernandez? — Perguntou a recepcionista — Parente do Monsieur Anthony Hernandez?

–Non. Hernanes. Rachel Hernanes. — Corrigiu.

–Oui... — A recepcionista escreveu algo no computador a sua frente.

–Je ne le crois pas! — Exclamou Anne Marie, sorrindo feito boba e com as mãos sobre os lábios.

–O que foi? — Indagou sua amiga, sem saber o que se passava.

–Acho que aquele rapaz com quem esbarrei no trem está hospedado aqui! — Respondeu Anne e se virou para a recepcionista — Pode me dar uma informação? — Antes que a menina lhe respondesse, ela perguntou: — Anthony Hernandez está hospedado aqui neste Hotel?

Notas finais
O capítulo foi revisado, mas se algum erro passou despercebido podem falar ^-^ Como será a próxima aparição da Dama? *u* Beijos!!! Tradução de expressões: *Avis - Aviso *Qu'est ce que c'est - O que é isto? *Qu'est-ce que ce rôle? - O que é este papel? *Je vais - Eu vou *Calmez-vous, s'il vous plaît. - Acalme-se, por favor. *jaune - jovem *Je vous prie!- Eu imploro! *Dieu, ne me quitte pas! Ne laissez pas ma mère... - Deus, não me deixe! Não deixe que a minha mãe... *Où est-elle? - Onde ela está? *Très naïf - Muito ingênuo *le soleil briller sur votre visage - o brilho do sol em seu rosto. *Seigneur - Senhor *Ce n'était pas - Não foi. *C'est ennuyeux - É chato. *Allons-y - Vamos *Ici! - Aqui!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.