Dama Assassina

2 Assassinato errado


Notas iniciais
Um capítulo ainda sobre o passado, um dia depois do assassinato. Esperamos que gostem.

Depois do que ocorreu na noite passada, os noticiários não paravam de anunciar a morte de um dos filhos de August Hernandez. O filho mais velho, Wallace Hernandez, fora assassinato brutalmente.

A polícia preferia não dizer os suspeitos, ou algo que indicasse quem estava sendo procurado pela investigação. O Senhor Hernandez pediu sigilo total.

–Desculpa, eu deveria estar ao lado dele... Mas... — Lamentou Anthony, o irmão mais novo.

–Não se preocupe, filho. Cuidaremos de tudo. Iremos achar o culpado que fez--

–Culpada. — Interviu o delegado, que estava na mansão dos Hernandez.

Anthony e August olharam, incrédulos, para o delegado.

–Então... Foi uma mulher que matou meu filho? Como? Por quê? C'est... Impossible!

–Calmer père. Iremos capturar quem quer que tenha feito isso. Agora... — Anthony virou o rosto, estava a ponto de chorar — Agora eu vou falar com a ma mère. Ela precisa de consolo também.

Antes de Anthony sair, o delegado o chamou.

–Attendez! — Anthony apenas se virou, parando na divisão das duas salas, onde ele estava e onde sua mãe estava — Eu já conversei com vocês sobre o acontecido, não consegui muitas informações, porque vocês me disseram que Wallace não estava envolvido em nada perigoso, tive uma conversa com a família do amigo dele, mas também não souberam me dizer algo sobre esse assassinato. Eu me encontro cheio de perguntas e sem nenhuma resposta. Há mais alguém envolvido, pode ser um amigo bem íntimo que vivia com vocês, uma namorada, familiares que eu ainda não tive a oportunidade de falar?

–Thony, — August olhou para seu filho — Seu irmão estava namorando, não estava?

–Noivo. — Corrigiu Anthony.

–Onde ela está? — Interviu o delegado.

–Não sabemos, ela viajou para fazer a prova do vestido. Nem sabemos se ela sabe do acontecido. Foi ontem, então... Eu não sei dizer. — Anthony parecia não querer ficar mais ali. A perda do irmão foi algo horrível e o que ele mais queria era pedir socorro, mas não sabia para quem.

–Se tiverem algum contato para que possamos falar com a noiva de seu irmão, seria de grande ajuda. — O delegado pegou um pequeno bloco de seu bolso.

–Minha mulher tinha mais intimidade com a noiva, eu não era muito presente nas atitudes de Wallace. — O pai parecia se arrepender de suas palavras, suspirou e impediu que lágrimas corressem.

Anthony não esperou que o delegado questionasse algo e foi para a outra sala.

–Maman... — Ele se aproximou dela, lentamente.

–Tho... Thony... — Heloísa, mãe de Anthony e Wallace, estava aos prantos, sentada em uma cadeira acolchoada de veludo do imenso salão onde estava, as cortinas em tom carmesim impedia da luz do dia invadir o local.

–Iremos achar a culpada da morte de meu irmão. Je ne vais pas pardonner cette salope!

–Culpada? Então já se tem um suspeito, Thony? — Heloísa enxugou as lágrimas e olhou, esperançosa, para seu filho.

–Sim, uma mulher. O delegado não quis dar mais informações. — Anthony parecia sentir um pouco de raiva por não ter mais conhecimento do caso.

Um senhor, com cabelos grisalhos, entrou na sala onde Anthony e Heloísa se encontravam, levava uma bandeja de chá.

–Bonne journée. — Disse o senhor, não tão alegre como costumava ser.

Ambos presentes na sala não disseram nada. Por fim, o silêncio foi quebrado por Anthony, ao pegar uma xícara e colocar duas pedras de açúcar, fazendo um som da colisão entre o açúcar e o líquido do chá.

–Eu acabei de voltar da sala onde estão o delegado e o Monsieur August, eles estavam falando sobre uma tal de Dama Assassina. Não entendi muito bem.

Anthony encarou o senhor a sua frente.

–Como assim, Heitor? — Indagou Anthony.

–Eu não sei dizer, minha presença na outra sala foi passageira. — Respondeu o então denominado Heitor.

–Se eu soubesse mais sobre esse assassinato, o pior é que nem a família do amigo de Wallace sabe dizer algo.

–Pardon, — Disse Heitor, deixando a bandeja na mesinha de madeira no centro da sala — Mas acho que o senhor não deveria se intrometer nos assuntos da polícia.

–Heitor, não me chame de senhor, eu já lhe pedi isso. — Anthony parecia impaciente — E é claro que eu devo me intrometer, foi meu... — O rapaz passou a mão sobre os olhos, inundados — Meu irmão foi assassinado, eu devo e vou encontrar quem fez isso!

–Non! — Heloísa se levantou — Não quero mais nenhum filho meu em perigo. Você irá para sua casa, deixe que o delegado assuma a partir daqui, eu sei que a polícia irá resolver este caso, também quero que essa assassina seja presa o mais rápido possível.

Anthony viu que sua mãe chorava a cada palavra dita e a abraçou.

–Ficarei mais uns dias aqui com vocês, depois voltarei aos negócios. — Disse Anthony.

–Excusez-moi, agora irei me retirar, se quiserem alguma coisa...

Antes de Heitor sair, Anthony se aproximou do mesmo e o acompanhou em silêncio até a copa.

–Eu... — Anthony respirou fundo, fazendo Heitor parar e olha-lo — Eu queria pedir para que você viesse comigo para meu apartamento. Agora que o delegado tem suspeitas, queria muito que alguém que tem o maior contato aqui em casa, me informasse de tudo. Você não precisa ficar dias lá em casa, apenas me faça visitas e me conte tudo.

–O senhor quer mesmo encontrar a suspeita da morte de seu irmão, não é? — Indagou Heitor, já sabendo a resposta.

–Antes de morrer, eu encontrarei essa... — Anthony engoliu a palavra que pronunciaria — Então... Aceita passar um tempo comigo, Heitor?

–Mas se eu for para a sua casa, perderei contato aqui.

–Você e meus pais vivem conversando. Como eu trabalho a maior parte do dia no escritório, você pode ficar aqui na casa dos meus pais. Comprendre?

–Oui. — Respondeu Heitor — Irei falar com seus pais que passarei tempos em seu apartamento, te ajudando no que for preciso e tempos aqui, para ajuda-los como sempre fiz.

–Eu irei pegar essa assassina... Ah se irei!

–Não fique com o espírito vingativo, senhor. A polícia irá encontrar. — Heitor encerrou a conversa e se retirou.

Anthony foi para o seu quarto, precisa pensar em tudo o que acontecera na noite passada.

–Infelizmente Pierre está viajando... Preciso tanto falar com um amigo. — Lamentou Anthony, abrindo a porta de seu quarto e deparando-se com um retrato seu e de seu irmão, numa noite de inverno em Paris.

Foi inevitável não chorar.

Em um bar qualquer, um jovem loiro parecia esperar, impacientemente, por alguém. Mexia no celular toda hora. Balançava as pernas irritado com a demora da pessoa.

–Os homens sempre esperam por mim. — Disse uma voz feminina que se aproximava do rapaz.

–Finalmente você chegou. Pensei que não viria mais.

–Também senti sua falta. — A mulher puxou a cadeira e se sentou de frente para o rapaz.

–Não precisa ser irônica, odeio isso. — Disse ele, querendo encerrar logo aquele diálogo.

–Eh bien... Por que me chamou? — Indagou a jovem.

–Por que a imbécile sentada a minha frente, matou a pessoa errada! — O rapaz loiro levantou-se enfurecido, chamando atenção do dono do bar, que ficou o olhando e vendo se ele reagiria contra a jovem que estava o acompanhando.

–Você me disse para matar um dos filhos do Empresário Hernandez, não me deu mais nenhuma informação. Eu me tornei noiva dele, você sabia disso?

–Wow! Você é bem esperta, se infiltrou na casa dos Hernandez... Mas como foi burra em matar o errado?

A jovem também se levantou.

–Você não me disse nada que diferenciasse os dois irmãos Hernandez. Você disse que o que eu deveria matar tinha um sinal no pescoço. Wallace tinha esse sinal.

–Dessa eu não sabia... Pensei que só Thony tinha esse sinal. Eu soube que Wallace também tinha um cordão com a sua foto.

–Essa foto não existe mais... Pode ficar despreocupado. Eu só irei aparecer na casa deles para chorar pela morte de meu noivo e desaparecei da vida deles. — A jovem se virou, mas o rapaz segurou seu braço.

–Aonde pensa que vai? — Ela o olhou — Você precisa matar o Anthony, dê seu jeito! Eu o quero morto, Dama Assassina!

–Não me chame assim na rua!

–Ah não? Erre mais uma vez comigo e você será conhecida por todos.

–Se me entregar, eu contarei quem foi o mandante dos meus assassinatos.

–E quem disse que te entregarei viva? — O rapaz envolveu sua mão na nuca da jovem e a puxou para perto de seu rosto, sussurrando em seu ouvido — É bom não decepcionar desta vez, mate o Anthony, nem que seja preciso dormir com ele. Você teve sorte de ele não ter conhecido a noiva de Wallace, logo, ele nem sabe da sua existência.

A jovem conseguiu se soltar e encarou o rapaz loiro a sua frente.

–Tout va bien? — Perguntou o dono do bar, saindo de seu estabelecimento e indo até a mesa do rapaz loiro.

–Esta tudo bem. — Respondeu a jovem, ajeitando sua roupa.

–Seja cautelosa, não se aproxime de Anthony quando os pais estiverem perto.

–Eu sei fazer meu serviço!

–Eu espero que saiba mesmo. — O rapaz se retirou e deixou uma quantia de dinheiro na mesa.

–Ele sempre me paga a metade, que droga! — Resmungou a jovem, pegando o dinheiro e o contando. Deixando uns trocados pelo café que o rapaz havia tomado.

A jovem se retirou, mas algo a perturbava, seus olhos pareciam tristes. Ela levou a mão até seu pescoço, segurou o cordão que parecia ser de ouro, com um pingente com duas aberturas. De um lado, a foto de uma mulher; do outro, a de um rapaz.

–Wallace... Maman... — Sussurrou a jovem, que usava uma roupa preta em plena luz do dia.

Notas finais
Acho que agora o mistério começou e o capítulo ficou bem mais esclarecido.
Tradução de algumas palavras/frases:
>C'est... Impossible! - Isso é... Impossível!

>calmer père - calma, pai.

>ma mère - minha mãe

>Attendez! - Espere!

>Je ne vais pas pardonner cette salope! - Não irei perdoar essa vadia!

>Bonne journée. - Bom dia.

>Monsieur - Senhor

>Excusez-moi - Com licença

>comprendre? - Entende?

>Tout va bien? - Está tudo bem?

Qualquer dúvida, é só perguntar.