Da amizade ao amor
12 "...in the moment we're lost and found, I just wanna be by your side..."
Notas iniciais
Cobra POV
Senti todo meu corpo tremer quando vi Karina ali, estirada no chão. Corri até ela, sentindo as lágrimas no meu rosto, mas eu não tava nem aí que me visse chorando, eu só queria salva – la.
– K... fala comigo... por favor! — Eu sussurrava desesperado quando me aproximei do seu corpo. Me sentei e a abracei, ela estava fria. – Por favor K... – Seu lábio estava branco, mas ela respirava. Vi o motoqueiro se aproximar. – Você viu o que você fez? – Perguntei furioso, berrando. O cara olhou para Karina e depois para mim.
– Desculpa cara, eu não vi... ela entrou na minha frente! – Disse ele. Ele parecia nervoso, começou a olhar para todos os lados. Um barulho de carro surgiu e o motoqueiro pareceu se apavorar. – Eu não posso ficar! Desculpa, mas eu preciso ir! – Ele subiu na moto e deu partida, me deixando ali, aflito.
– Cobra, o que aconteceu por aqui? – Ouvi uma voz e levantei meu rosto, olhando para Dr. Haideguer, o dono daquela voz. O que ele estava fazendo ali, naquela hora? Ignorei e continuei vendo se Karina tinha alguma reação.
– Ela foi atropelada... – falei, sentindo minha voz embargada.
– Cobra, a leva para o hospital que eu falo com o Gael. – Pediu ele, se aproximando de mim. Assenti e a peguei no colo, correndo até meu carro. Tirei os cabelos de seu rosto e a deitei com cuidado no banco de trás. Depois, comecei a dirigir com a maior rapidez.
Duca POV
Alan não me mandava nenhuma mensagem. Decidi ligar para ele.
– Irmão, eu fiz uma besteira! – Disse ele, nervoso.
– O que foi Alan? – Falei, enquanto ouvia a Galera da Ribalta tocar a última música da noite.
– Eu atropelei uma menina. – Ele disse e eu fiquei atônito.
Cobra POV
Não sei quanto tempo eu estava naquele hospital, mas para mim parecia uma eternidade. Logo que eu cheguei lá, levaram Karina para a emergência. Fui para o banheiro e limpei meu rosto, e depois me sentei, esperando notícias.
Eu estava vendo a novela que passava, quando chegou Gael, acompanhado por Bianca e Dr Haideguer.
– O que você fez com ela seu desgraçado? – Perguntou Gael, se aproximando de mim e empunhando um dedo na minha cara.
– Calma Gael, aqui é um hospital, por favor. – Pediu o Dr, e Gael ficou sem graça. – E o rapaz ajudou sua filha, ela foi atropelada e ele a trouxe para o hospital. – Gael parou de me olhar insanamente e se sentou.
– Tem alguma notícia? – Perguntou Bianca, que estava em pé, próxima do pai.
– Ainda ninguém falou nada. – Eu falei, e coloquei o polegar na cabeça, cansado.
Vi um médico se aproximar. Parecia ter cara de experiente. A aflição tomou conta de mim.
– Quem é o responsável por Karina Duarte? – Vi Gael se levantar, mas minha vontade era de dizer, eu! – Então, ela teve uma fratura no tornozelo, e terá que ficar de repouso por 1 mês. A sorte é que ela não teve nada mais grave. – Eu ouvia o médico atentamente.
– Mas e a queda Doutor? – Perguntei, e todos olharam para mim.
– Ela desmaiou pela queda, mas como foi trazida rapidamente para cá, ela não teve nenhuma seqüela. Agora, ela está sedada, mas amanhã deverá acordar sem problemas. – Ele disse e saiu. Respirei um pouco mais aliviado, mas ainda sentindo angústia por não vê – la bem.
– Pode ir embora agora Cobra. – Disse Bianca, com aquele arzinho de superioridade. Assenti apesar dessa não ser minha real vontade, eu não poderia ficar, senão Gael ia desconfiar. Me levantei, coloquei as mãos no bolso e saí.
– Cobra, quero falar com você! – Ouvi uma voz autoritária me chamar e vi que era Gael. Eu já estava no estacionamento. Parei e fiquei lhe encarando. – Eu queria lhe agradecer por ter salvo minha filha, ela sempre confiou em você, e hoje você provou que merece essa confiança dela, obrigado. – Ele ergueu a mão e eu a apertei, me sentindo bem por aquilo. Sorri e saí, esperando que o dia seguinte chegasse logo.
Karina POV
Eu morri? Acho que eu morri, porque aqui tudo é branco. E que luz horrível. Senti meu olho arder. O abri novamente e vi um homem, de jaleco, me encarando.
– Oi, como está se sentindo? – Perguntou ele, anotando algumas coisas em uma prancheta. Olhei em volta, e então eu percebi que estava em um hospital. Tentei falar, mas minha voz não saiu. Comecei a ficar nervosa. – Calma, calma. – Pediu ele, ao ver meu estado. Eu não conseguia falar nada, e aquela sensação era horrível. Comecei a me desesperar.
Gael POV
Cheguei cedo no hospital para ver como minha filha estava. Fiquei intrigado com aquela preocupação do Cobra. Eu até poderia deixar a Karina ser amiga dele, mas nada mais que isso. Vi o médico se aproximar de mim com a cara nada boa.
– Sr Gael? – Disse ele, e eu assenti. – Ontem falei com o senhor que sua filha não havia tido nenhuma seqüela da pancada, mas isso só nos fica realmente claro quando ela acorda. – Comecei a me sentir tenso. – A Karina, ela teve um trauma, talvez ela quisesse gritar na hora do acidente, e por isso, ela perdeu temporariamente a voz. – Comecei a me sentir mal e a respirar com dificuldade. – Calma, o senhor não pode se desestabilizar agora. – Disse ele, e eu me sentei. – Ela irá recupera – la, já tivemos casos assim. Ela precisa de uma fonoaudióloga.
– E quando ela receberá alta? – Perguntei, ainda me sentindo mal. Como minha filha ia fazer, sem falar?
– Daqui há 3 dias. É comum em alguns casos esses tipos de trauma. Com o tempo ela irá recuperar a voz, no máximo 1 mês. – 1 mês sem falar e sem lutar, o que Karina ia fazer?
– Eu posso vê – la? – Perguntei, me levantando.
– Claro, me acompanhe. – Ele disse e eu o segui. Assim que entramos no quarto, eu vi Karina chorando e corri para abraça – la.
– Oh minha filha. – Eu disse e tentei esconder minhas lágrimas teimosas. Nos soltamos e eu me afastei um pouco dela. Ela pegou um papel e escreveu
Quero logo sair daqui!
Seria difícil ver Karina assim.
Cobra POV
Eu não sabia notícias de Karina, também não queria ir ao hospital, vai que alguém da família dela esteja lá? Fiquei no QG, até que vi Duca passar e decidi que precisava perguntar da loirinha, senão iria explodir.
– Duca? – Chamei da porta do QG e ele se virou, me encarando. Andei até ele. – Você tem notícias da K? – Perguntei meio sem jeito. Na verdade, eu não gostava nem de falar com o preferidinho, mas eu tinha que dar meu braço a torcer pela K, e o Duca sabia do nosso lance.
– Ei Cobra. Fiquei sabendo que foi você que salvou a Karina né. – Disse ele sério. – Ela vai receber alta amanhã, mas uma coisa aconteceu. – Fiquei preocupado e continuei o encarando, querendo saber. – Eu nem sei se deveria te contar, mas a K, ela sofreu um trauma, e perdeu temporariamente a voz. – Fiquei estático ao escutar aquilo. A K sem voz? Ela devia estar arrasada.
– Como ela ta? – Perguntei.
– Ela está arrasada, tenta forçar a voz, mas tudo que sai são sons, bem baixos. – Ele disse, e eu me senti mal. – Bom, vou pra academia. – Ele saiu e eu fui para o QG preocupado com aquela marrenta que não saía da minha cabeça.
Dois dias depois, vi Karina voltar para casa com seu pai e Bianca. Ela usava uma bota ortopédica e estava com a carinha de cansada. Decidi deixar meu orgulho de lado, precisava vê – la.
– O que você está fazendo por aqui? – Perguntou Gael quando abriu a porta.
– Posso ver a K? – Perguntei.
– Ok, pode, mas seja rápido, ela está sonolenta. – Disse ele a contragosto. Nem acreditei que ele me deixou entrar, já estava pronto para ser enxotado. Entrei no quarto das meninas, e Bianca estava lendo um livro, enquanto K ouvia música no celular. Bati na porta e elas me olharam.
– Posso entrar? – Perguntei. Bianca ficou me encarando como se tivesse visto um fantasma.
– Quem deixou você vir aqui? – Perguntou ela.
– Seu pai. – Eu disse, ironicamente. Não agüentava aquele jeitinho besta dela. – Posso falar com a K? – Perguntei e Karina a olhou, como se a pedisse.
– Ok, mas por favor, não demora Cobra. – Pediu ela, e saiu
– Oi. – Eu disse, a encarando, sorrindo triste. Ela me olhava e sibilou um “oi”. – Eu fiquei tão preocupado com você K. – Disse e a abracei. Ela retribuiu e suas lágrimas molharam minha camisa. – Eu não ia agüentar se algo te acontecesse. – Essa era minha forma de dizer que eu me importava. Nos separamos e eu limpei as lágrimas que ainda teimavam a cair dos seus lindos olhos cor de céu.
Ela pegou um papel e escreveu:
Vai continuar sendo meu amigo, mesmo eu sendo muda?
Ri daquilo. Então éramos amigos? Bom, a priore sim né. A encarei.
– Claro K, pra sempre! – Eu disse e ela sorriu de lado. Ela deu um espaço na cama e eu me sentei do seu lado e nós ficamos ouvindo música juntos.
Karina POV
Duas semanas se passaram depois do meu acidente. Eu estava fazendo fono, mas nenhuma palavra saía descentemente. Eu já estava ficando com raiva de mim mesma. Não era possível! Minha perna tinha melhorado com a bota, mas eu não podia treinar. Meu pai liberou a entrada do Cobra lá em casa, e ele ficava contando sobre seu dia, enquanto eu escrevia para ele sobre o meu dia.
Um dia estávamos sentados na minha cama, quando ele disse:
– K, eu nunca achei que eu ia me importar tanto com alguém, quanto me importo com você. – Disse ele meio sem jeito. Sorri e segurei sua mão. – Você entrou na minha vida quando eu mais precisava, e me estendeu a mão de uma forma muito especial e particular. Obrigado. – Ele disse e pegou minha mão, a beijando. – K, vou embora agora, porque daqui a pouco você tem a fono. – Ele beijou meu rosto e saiu. Cobra tinha se mostrado uma pessoa melhor do que eu tinha imaginado. Essas duas últimas semanas tinham sido muito importantes pra mim, e ele nem imaginava o quanto tinha me feito bem.
Meu pai me levou na fonoaudióloga e ela fazia exercícios comigo. Até que eu senti aos poucos algo dentro de mim surgindo, ou melhor, ressurgindo. Algo tão forte e avassalador...
– A... – Eu balbuciei, mas não era como das outras vezes, dessa vez era diferente.
– Karina, calma... – disse a fonoaudióloga, sabendo que eu estava nervosa para conseguir falar e eu ia conseguir. – Respira. – Ela disse. Respirei e expirei, me acalmando, ficar nervosa, nessa hora não adiantaria nada. – O que você quer falar Karina? O que você está sentindo? – Perguntou ela.
– Amor...
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