Da Infância à Adolescência

6 Capítulo VI. Teoria sobre Ataques a Ruivas II


Notas iniciais
Yo minna-san! Estou de volta o/. É que entrou período de recesso da faculdade então estou podendo escrever mais ;). Neste capítulo temos uma super briga e a apresentação de um novo personagem (vocês sabem quem é, mas vá lá). É isso, espero que curtam! Boa leitura!

...

A sensação de alivio após o banho a deixou com um humor melhor e até um pouco cantarolante.

Elesis saiu calmamente do banheiro e entrou no quarto para arrumar seus materiais quando ouviu um assovio familiar.

—Ué... – indagou ela, aproximando-se da janela. Naquela manhã e na tarde anterior ela também tinha ouvido esse passarinho cantar. E era tão bonito, mas tão característico que ela já não achava mais que era coincidência.

A ruiva afastou a cortina e tentou avistar no enorme jardim do Colégio de Vermécia o produtor daquele som peculiar.

—O que está fazendo? Tem algum gatinho rondando o dormitório feminino?

Elesis olhou por cima do ombro vendo a roxinha, Arme, quem tinha entrado no quarto sem mais nem menos e visto. Ela tinha na mão um livro e esperava a resposta com uma sobrancelha arqueada.

—Acho que é um pássaro, não um gato. – comentou a ruiva, saindo de perto da janela e calçando seu par de botas.

—Não... Eu não quis dizer um gato de verdade. Um “cara”, entende?

Elesis não deu bola para isso, pegando seu celular e olhando pela janela de novo.

Arme deixou o livro em cima da escrivaninha de Lire e coçou um pouco o queixo, parecendo pensar em algo.

—Na verdade eu acho que sei o que você está procurando. – disse a roxinha, abrindo um largo sorriso.

—Sabe? – Elesis indagou, parecendo interessada.

-Uhum!

Arme virou-se e foi saindo do quarto. Elesis foi atrás dela.

—É melhor você ver por si mesma. De qualquer forma, vai ser divertido, por isso vou com você. Está bem? – ela perguntou com um sinal positivo.

As duas saíram do dormitório e atravessaram a rua em direção ao grande jardim que se estendia à frente.

De perto as árvores pareciam ter o dobro do tamanho e o mato parecia ainda mais fechado, mas não deixava de ser extremamente bonito. Além disso, havia um caminho destacado que se assemelhava a uma trilha para os alunos não se perderem.

—Vamos. – Arme comandou, apontando o caminho.

Elesis andava ao lado da menina. Era estranho porque Arme conseguia parecer uma pirralha de dez anos e isso era incômodo, mas a ruiva se lembrava de como Arme também a tinha protegido no refeitório, mandando Sieghart e Allen sumirem. Aquilo mudou sua primeira impressão da garota.

—Então... – Elesis começou a puxar assunto.

—O quê? – Arme perguntou, olhando para ela.

—B-Bem, fale sobre você. Eu não sei praticamente nada de você e acho que eu deveria ficar mais informada sobre as pessoas. – Elesis explicou com um sorriso amarelo.

Arme pareceu confusa, mas contou mesmo assim.

—Como eu disse, eu me chamo Arme Glenstid. Eu estudei na Academia Violeta de Serdin e sou um prodígio dos estudos. Eu não precisava estudar mais, mas meu responsável me disse que eu só tenho 15 anos e devia conversar mais com pessoas do que com livros.

Elesis a fitou, chocada.

—Você não estava brincando quando disse que era um gênio?

—Não era brincadeira. – Arme riu, coçando a nuca. – Mas é bom deixar as pessoas pensarem que eu estava apenas sendo convencida.

Elesis deu de ombros.

—E o que você quis dizer com “responsável”?

—Ah, eu não tenho pais na verdade. Eu fui adotada pelo velho Mage. Ele é o diretor da Academia Violeta e me ensinou a maior parte do que sei.

A menina mais baixa deu um sorriso que parecia ter vindo do fundo do coração. Elesis acabou se lembrando de seu irmão.

—Ah, estamos chegando! – Arme exclamou, segurando-lhe a mão e a puxando.

Elesis mal teve tempo de pensar enquanto elas saiam da trilha e passavam por um grande cedro e passavam umas moitas muito altas.

—Por que estamos aqui? – perguntou Elesis, olhando em volta. As copas das árvores naquela parte começavam a ficar mais juntas e deixavam a área toda escura e meio fria. Alguns insetos faziam sons e as folhas balançavam com o vento.

Arme sorriu para ela de um jeito enigmático.

—N-Não tem fantasmas aqui né? – Elesis indagou no mesmo instante, ouvindo um assovio baixo. Seu corpo arrepiou todo e ela olhou desesperada para a roxinha.

—Fantasmas? Que fantasmas? Você tem medo? – Arme a olhava incrédula.

—N-Não é isso...

Tudo bem, ela era orgulhosa e não dependia de outras pessoas. Mas fantasmas não podiam ser socados! Ela não era uma mediadora¹!

—Por essa não esperava hein. Relaxa ai, estamos de dia ainda e é ali na frente o lugar.

—Arme...

—Calma, Eli-chan, nem parece você! Pronto, agora você pode relaxar.

Quando a ruiva esqueceu um pouco seu medo, as duas estavam na beira de um pequeno lago. Havia pétalas de flores e folhas boiando na superfície escura e varias aves pequenas se acomodavam em volta deles, ou nadavam ou se divertiam pelos arredores.

Era um tipo de vale minúsculo, escondido dos olhos de quem passasse.

—Oh, meu Deus! Arme, que lugar legal!

—Hehe. Não é todo mundo que sabe daqui... Os estudantes de hoje em dia são muito preguiçosos para se aventurar num lugar desses. Provavelmente todo mundo pensa que aqui não tem nada de interessante além de um monte de mato, mas acho que entendi porque eles fizeram esse jardim tão grande para uma escola.

Elesis sentou-se na grama fofa e ficou olhando as flores pequenininhas de verão.

—Eu pensei que vindo para Czara nunca mais ia ver a natureza de novo. Quer dizer... Canaban tem mais planícies do que florestas e as montanhas ficam do outro lado do grande Vale então o tipo de vegetação é diferente.

Arme riu consigo mesma e foi caminhando em direção a uma arvore no outro extremo.

—Ei! – ela gritou, pondo as mãos em concha do lado da boca.

Elesis se aproximou dela e ficou tentando enxergar quem ela estava chamando.

—Um fantasma?! – Elesis disse por reflexo, escondendo-se atrás da roxinha.

—Não é um fantasma. – Arme respondeu, girando os olhos.

Elas estavam falando de um vulto, muito pálido com cabelos brancos, sentado confortavelmente em um galho da arvore, encostado ao tronco e segurando um amontoado de folhas brancas.

O vulto olhou para baixo e Elesis viu um par de olhos azul-marinho muito expressivo.

—Desça aqui. – Arme disse para ele.

Elesis e Arme piscaram e levaram um susto. O vulto tinha pousado bem na frente de seus olhos, como um ninja, e as encarou sem cerimônia. Ele vestia o uniforme do colégio e tirando os olhos, ele parecia todo branco.

—Esquisito. – Elesis comentou, olhando-o destravessado.

—Eu ouço muito isso. Mas você parece esquisita também, com esse cabelo e olhos vermelhos.

Elesis corou, sentindo que a voz fria do rapaz estava atravessando seu coração.

—Desculpe. – ela resmungou de mau-humor.

—Tudo bem. Apesar de esquisita, você tem seu charme.

—O que disse?! – Elesis virou-se para ele e só então, olhando-o atentamente que ela se lembrou. – Você não é o orador desse ano? Aquele cara... O sobrinho da diretora?!

O rapaz piscou lentamente. Ele tinha um ar tranquilo, mas não parecia lerdo também. Na verdade ele parecia uma pessoa bem afiada.

—Sim, meu nome é Lass Isolet. E você?

—Elesis Elsteiner. – ela disse apenas, colocando as mãos no paletó. Pensava se ele sabia quem ela era... A pessoa ridicularizada no inicio da cerimônia de abertura.

—Ah, eu sei quem é você. – Lass falou, fazendo um gesto de que se recordou de algo. – Eu te vi no dia da prova! Você sentou na minha frente.

Elesis olhou inexpressiva para Arme. A roxinha balançou a mão como quem diz “Ele é sem noção assim mesmo. Não liga não”.

—Desculpe, eu não me lembrei de você imediatamente. Mas que seja. Eu não gosto de me envolver demais com as pessoas e por isso não me lembro de seus rostos facilmente.

Ele deu um sorriso pequeno e seus olhos amigáveis pareceram convincentes.

—Bem, Eli-chan. Eu só te apresentei ele porque descobri há poucos dias que era ele quem assoviava daquele jeito. Mas ele não parece uma pessoa muito honesta. – Arme comentou, olhando com indiferença para o rapaz do primeiro ano.

—Ah, sei. – Elesis o olhou novamente e analisou-o uns segundos. – Para estar aqui sozinho parece que você realmente gosta de se isolar. Então provavelmente não deve ter gostado de nós duas chegarmos assim de repente e te tirar do... do que seja lá o que estiver fazendo.

O rapaz continuava sorrindo e isso pareceu que ele estava concordando.

Elesis deu de ombros e olhou para Arme.

—Vamos, Arme-? AH!!! – Elesis exclamou, parecendo se recordar de algo importante e virou-se para ele novamente. – Então, você é o cara que tinha levado beijinho para comer durante a prova!

Arme bateu a mão no rosto.

Lass desfez o sorriso e a olhou surpreso.

—Bem... Eu não achei que alguém ia perceber...

—É verdade, mas o cheiro era um pouco forte. Você me distraiu bastante, sabia?! Que tal se desculpar?!

Elesis franziu as sobrancelhas para ele.

—Eu tive que me concentrar o triplo com aquele cheiro! E se eu não tivesse conseguido?!

Lass arregalou os olhos e foi se afastando dela enquanto ela se aproximava dele.

—A-Ah, calma...

—Eu quase cedi e virei para te dar uns bons xingos, mas eu não pude!

—Mas você conseguiu passar não é? Me desculpa? – Lass pediu, parecendo muito assustado com a raiva da menina e balançando as mãos em frente ao corpo.

Elesis parou de avançar e se acalmou um pouco.

—Hm... Tudo bem. Aliás, eles pareciam muito gostosos. Eu fiquei com muita vontade na verdade.

Arme bufou com a cena.

—Enfim. Não vamos mais te incomodar Lass... Que tal irmos, Eli-chan? Já descobriu o seu pássaro.

A ruiva trocou olhares com o rapaz albino e fez um aceno leve, indo acompanhar a roxinha de volta.

—Arme, lembre-se de não contar a mais ninguém sobre esse lugar, ouviu? – Lass ainda disse, voltando a subir na mesma árvore.

—Tá bem! Tá bem! – Arme respondeu, atravessando a folhagem com Elesis em seu encalço.

XXX

O resto da tarde passou num piscar de olhos e logo já era o horário do jantar.

—Não vou comer com vocês.

—Mas por que, Eli-chan?! – Amy gritou, agarrando suas mãos num surto de quase choro e começou uma ladainha sobre as amigas precisarem se unir e comer juntas em todas as refeições, mas Elesis apenas a ignorou.

—Eu preciso ir à biblioteca hoje ainda. Vou comer algo por aqui e depois vou ficar até o último horário estudando. – explicou a ruiva, sendo encarada por Lire e Arme com desconfiança.

—Você não se sente melhor não é? Não quer ir ao refeitório para não encontrar aqueles dois de novo. – Lire disse assertiva.

—Esse é um dos motivos. Eu tenho realmente algo a fazer, então vocês podem ir. Não se preocupem. – Elesis insistiu, tentando sorrir, mas não convencia.

—Buhh, está sendo antissocial! Isso é feio, Eli-chan. – Amy reclamou, abraçando-a pelo pescoço.

Elesis sentiu uma veia saltar em sua testa de irritação. As meninas ficaram caladas e a rosada se separou da ruiva num instante, fingindo inocência.

—Bem. Entenderam? – Elesis perguntou novamente, sorrindo de um modo meio assustador.

As amigas assentiram e deixaram-na, a contragosto, mas não tiveram escolha dessa vez. Elesis precisava de um tempinho daquele refeitório.

Elesis também não demorou muito para sair do quarto e começar a se dirigir ao prédio principal. Ela estava um pouco cansada depois do treino, mas ficar parada não ia ajudar seu corpo a melhorar, por isso colocou seu uniforme e por causa do calor dispensou a meia calça, prendendo o cabelo no alto na cabeça.

Descia as escadas do dormitório quando passou por uma dupla peculiar.

A da esquerda era alta, mas não tão alta quanto Elesis. Tinha cabelos azulados muito claros e olhos da mesma cor, com ar de desinteressada. Ela parecia uma mulher de gelo. Seu cabelo era longo e a franja cobria um olho. A da direita tinha cabelos mais longos ainda, mas eram presos em chiquinhas e seus olhos eram vermelho sangue-de-boi. Esta era tão baixa que parecia uma menina do fundamental, por volta dos 12 anos, e exalava um ar intenso com o sorriso prepotente que mantinha enquanto ambas andavam conversando.

Elesis passou perto delas, mas não deu importância, visto que elas mal perceberam sua passagem. Assim ela seguiu em frente.

Diferente do que imaginava, a biblioteca não era muito frequentada naquele colégio. Era um pouco estranho pensar nisso, já que se tratava do maior colégio do país, mas ninguém normalmente ficaria pensando demais nisso enquanto se está querendo ficar sozinho por um tempo. Sem falar que Elesis já tinha o hábito de não se importar com nada além de si mesma.

Chegando no terceiro andar Elesis percebeu que não havia sacadas como nos andares mais baixos, de onde os alunos se apoiavam e podiam ficar olhando o movimento no pátio, fazendo o local parecer mais fechado e escuro. Como ali era o andar onde ficavam os estudantes universitários, também havia um ar de seriedade.

A biblioteca ficava no fim do corredor.

“Acho que vou passar um tempo estudando literatura... Não sou muito boa nessa matéria.” Ela pensou consigo mesma, indo para abrir a porta. No entanto, a porta foi aberta antes que ela pudesse fazê-lo.

—Ora, ora... –a pessoa sorriu largamente ao vê-la.

Elesis afastou-se um passo, fechando a cara para tal indesejável pessoa. Depois de pensar ingenuamente que ia evitar esses encontros, Allen acabou aparecendo justamente naquela hora. Elesis não podia ficar menos zangada por isso.

Allen fechou a porta atrás de si e sutilmente olhou para os lados, como se procurasse alguma alma viva. Elesis firmou o punho, pronta para a briga, mas disposta a evitar discussões.

—Quero ir na biblioteca, com licença. –ela disse, mais cuspindo as palavras do que pedindo com educação.

Allen continuou com seu sorrisinho de escárnio e só foi se aproximando mais dela.

—Para que? Você ao menos sabe ler?

Os olhos da ruiva brilharam mortais.

—Claro. Como acha que eu entrei nesse colégio em primeiro lugar? Está me incomodando porque está com inveja?

O louro rangeu os dentes e levantou a mão, empurrando-lhe o ombro. Sem dúvida ele era do tipo intelectual agressivo, impulsivo, e incapaz de admitir uma derrota.

—Você é só uma garota. –ele disse com ar de nojo.

O rapaz andou para cima dela e de repente pegou o cabelo de Elesis, a empurrando para a parede com a outra mão.

—AI! –Elesis fechou os olhos, surpresa. Ela acreditava que ele faria de tudo, menos agarrar seu cabelo como outra menina faria. Ela abriu os olhos e no instante seguinte fechou de novo. A dor era diferente do que ela estava acostumada... Ele puxava com força seu cabelo, na parte da nuca, impedindo-a de mover a cabeça, e fazia arder, mas não o suficiente para arrancar.

Elesis no reflexo tentou dar uma joelhada, mas Allen encostou seu corpo entre as pernas dela, parando seus movimentos.

—Como será que vão tratar uma novata que já arranjou brigas com as pessoas mais importantes do colégio e que anda com chupões por aí? –ele sussurrou maldosamente para ela, encostando a boca em seu ouvido.

O desespero bateu pela primeira vez. Elesis tentou pensar com clareza, mas no instante seguinte o agressor estava mordendo a sua orelha, esfregando o corpo no seu.

—PARA!

Ela gritou, levantando o braço e empurrando a cabeça dele para longe, mas ele a segurou firme na parede, sem parar o que fazia.

—Isso é a maior humilhação para uma garota, não é? –ele sussurrou rindo enquanto Elesis não parava de espernear, determinada a não ceder. –Haha, você é só uma qualquer, uma pobretona, um buraco.

—Seu filho da puta! –Elesis rugiu, metendo a cabeça na testa dele.

Allen foi para trás no ato. Ele soltou a mão de seu cabelo e aproveitando a brecha, Elesis lhe deu um soco no queixo.

O louro caiu de costas, mordendo a língua.

Elesis percebeu que sua respiração estava difícil e suas pernas tremiam um pouco. Ele se recuperou rápido, olhando-a com uma expressão lunática.

—SUA PUTA NOJENTA! VOCÊ VAI PAGAR POR ISSO!

Assim que ele se levantou e veio na adrenalina, Elesis ouviu o elevador ao fim do corredor chegar. Aquilo a distraiu um segundo. Allen cobriu a distância e a pegou pelo rosto, batendo a parte de trás de sua cabeça na parede.

Elesis sentiu tudo girar e depois as mãos abrindo sua camisa com violência. Ela esperneou e segurou o rosto dele com a mão esquerda e com a direita segurou uma mão dele.

—VAI SE FODER, SEU DESGRAÇADO! ME SOLTA!

Elesis nem percebeu que ele havia rasgado uma parte de sua saia e que ela agora estava seminua, mas ela não deixou por isso mesmo, arranhando o rosto dele e socando quando podia.

—UGH!

—MEU DEUS, O QUE É ISSO?! –uma terceira voz gritou, voz de menina, estridente.

Allen virou-se distraído para olhar e Elesis decidiu que acabaria agora. Ela conseguiu soltar as mãos dele com um movimento de mãos de baixo para cima, na área dos pulsos dele, e no momento em que ele se afastou involuntariamente, Elesis preencheu um chute certeiro no meio das pernas dele.

O louro tombou no chão, com lágrimas nos olhos, xingando com todas as forças.

Elesis andou para longe dele, respirando alto, envolvida pela adrenalina. Ela olhou para quem havia gritado e para sua surpresa havia um quarteto ali: três meninas que ela nunca havia visto na vida e quem ela menos queria ver agora... Sieghart.

—Elesis?! –ele estava paralisado, com cara de preocupação.

“Por quê?!” Ela xingou mentalmente. Sua expressão era de choque. Ela corou até as orelhas e rapidamente foi fechando as roupas.

Elesis foi dar um passo para sumir e quando o fez, sentiu pressão no tornozelo e caiu inevitavelmente.

Ela olhou por cima do corpo e viu o louro, com o nariz roxo e a cara amassada vindo para cima de si, com um olhar desvairado. Ele rangia os dentes e estava subindo de quatro por cima de seu corpo, agarrando-lhe os pulsos.

Sieghart reagiu nesse instante.

—O QUE ESTÁ FAZENDO! –ele começou a correr para os dois, mas algo clicou na mente de Elesis.

—NÃO SE META NISSO!

E o aviso o fez para instantaneamente. Pareceu que os dois estavam na mesma frequência. Sieghart estava suando frio. Elesis não via, porém, não o queria envolvido em nada relacionado a ela.

—PUTA! PUTA! –Allen gritava, agarrando-lhe o cabelo. –SAI DO MEU COLÉGIO!

Elesis o empurrou com as duas mãos, jogando-o um pouco para trás e bateu novamente em seu nariz já ferido. Allen gemeu de dor insuportável. Elesis conseguiu se levantar e ele também, apesar de segurar o nariz com força. Um filete de sangue escorria, pingando no chão.

—Vou te matar, vadia... –ele murmurava, chorando, em ódio puro.

Elesis estreitava os olhos, sua testa franzida.

—Seu psicopata! –ela disse, mais indignada do que furiosa.

Assim que Allen veio para cima novamente, tirando as mãos para soca-la, Elesis desviou e, com o que podia, desferiu um gancho ardente no queixo do louro.

As meninas atrás deram gritinhos de pavor enquanto Sieghart não sabia o que fazer.

Allen espatifou, mole no chão.

Elesis ficou olhando se ele não levantava mais, respirando pela boca. Ela estava uma bagunça completa e Allen tinha realmente desmaiado ali.

Sieghart levantou a mão e foi em direção a ela, deixando o trio de meninas atrás de si.

—Você está bem? –ele indagou, se aproximando.

Elesis recuperou-se num instante. Não ia mostrar fraqueza, não para ele. Ela o empurrou com o braço e começou a caminhar para o corredor, ainda cansada, mas ereta, composta e cheia de si.

—Não tem porque se preocupar comigo. Se quer ajudar, ajude esse lixo no chão... Ele precisa ir para a enfermaria. –Elesis passou pelas meninas, que olhavam para ela morrendo de medo.

Sieghart ficou sério e meio ofendido.

—Você também precisa ir para a enfermaria.

—Me deixa em paz! –Elesis virou-se para ele, seus olhos brilhando de fúria. –Eu posso me virar sozinha! Eu não preciso da sua ajuda!

Ela se virou, indo rapidamente para o elevador e sumindo de vista.

Sieghart ficou ali imóvel, surpreendido pelo que havia visto.

—Que ridícula! Ela negou a ajuda do Rei! –retrucou uma das meninas, suando frio, mas atrevida o suficiente para falar pelas costas.

As outras concordaram.

—Como ela pode fazer isso? Ela podia ter deixado o Sieghart cuidar de tudo. Quem em sã consciência não iria querer ser salva por ele? –indagou a outra.

—É uma machona mesmo. Achando que pode fazer tudo sozinha. –reafirmou a terceira.

Sieghart as encarou, fazendo-as se calar.

—Não falem mais dela dessa forma. Não há nenhum problema em poder resolver os próprios problemas sozinho. –ele disse, cada palavra saindo com ressentimento, porém, força.

—M-Mas, Sieghart...

—Calem a boca. –ele mandou, abaixando-se para pegar Allen e coloca-lo nas costas. – E parem de me seguir... Eu já disse que não quero ninguém andando atrás de mim como cachorro.

Elas viraram pedra, ruborizando por terem sido tratadas daquela forma.

Sieghart também saiu dali, levando o rapaz para a enfermaria, como Elesis havia sugerido.

Continua

Notas finais
¹Mediadora: é uma referência à série de livros da Meg Cabot, A Mediadora, em que a protagonista pode ver fantasmas (mediadores) e a única que pode tocá-los. Mas ela é tão foda que para exorcizar os espíritos ela bate neles rsrsrs. Ui. Me pergunto se ficou bom... Eu acabei de escrever e já postei, então não quis olhar como estava. Escrevi na adrenalina também hahaha!~ Eu acho que agora estou começando a fazer umas lutas decentes porque já faz mais de um ano que estou fazendo Kung Fu, então tenho uma noção melhor das coisas. Também a relação entre os personagens está se desenvolvendo melhor, tipo a Arme e a Elesis. Elas não são compatíveis, na realidade, mas elas se gostam e na verdade tiveram más primeiras impressões, além de as atitudes uma da outra serem o que realmente causam as brigas entre elas. No fim elas passam a se dar bem, mas vão continuar discutindo. E Sieghart vai percebendo aos poucos como Elesis é diferente de tudo o que ele conhece nesse ambiente, além de passar a admirá-la e tomar a defesa dela, como vocês viram aí no final do capítulo. É isso~ Um abração, obrigada por ler e até o próximo se possível! E adoraria uns comentários ;D! o/