Da Infância à Adolescência

17 Capítulo XVII. O Stalker


Notas iniciais
Aí está o capítulo agendadinho para eu não esquecer rsrsrs! Boa leitura! XD

— Veja bem, Srta. Glenstid, nós trabalhamos essencialmente com serviço freelancer e eles geralmente utilizam e-mail profissional. Além disso, temos a política da empre-...

— Empresa?! — Arme gritou, batendo na mesa em frente uma jovem de óculos redondos e longas tranças brancas. — Isso aqui é um jornal de escola, queridinha! Não me enrola, não!

— Desculpe, mas é a verdade. Você só conseguiria descobrir quem escreveu se conseguir rastrear o IP e eu não sou a mais indicada pra isso. — a menina respondeu sem nenhuma emoção visível. Ela alcançou um pequeno pacote dentro de sua gaveta e abriu lentamente um chiclete azul.

— Tch! Você devia saber com quem está mexendo. — a roxinha apontou para Amy e Rey atrás de si. — Não vamos deixar por isso mesmo, tá ouvindo?

A garota deu de ombros.

— Só achamos interessante esquentar as coisas. Todo mundo sabe que se trata de uma montagem.

Amy tomou a frente, segurando para que Arme não explodisse em cima da presidente do clube.

— Não são as fotos que nos preocupam e sim a matéria. — Amy explicou, cruzando os braços. — Eu não quero ver meu término sendo descrito dessa forma.

A menina encarou a rosada e se reposicionou na poltrona, parecendo interessada.

— O colégio inteiro viu a maneira que você tratava o Kaien. A senhorita foi tão delicada. — disse a garota, fria como gelo. — Imagino que seu término foi tão agradável quanto o cheiro do clube de beisebol após uma partida.

Amy rangeu os dentes, pega de surpresa. Claramente, não ia ter negócio com aquela cobra. A garota tinha o mesmo olhar de uma apostadora frenética.

— Por quanto você tiraria a matéria do site? — Rey finalmente disse, encarando a adversária na mesma intensidade. — A gente só quer ela fora do ar.

As sobrancelhas brancas arquearam-se levemente.

— Vocês estão dispostas a colocar dinheiro nisso? Tem algo sério rolando aqui mesmo. — ela sorriu apenas por um segundo e voltou à seriedade, se esparramando na poltrona. Ela demorou uns instantes pensando. — Beleza eu topo. Mas eu prefiro que vocês me devam um favor.

— O quê? — Arme indagou. — Você não quer dinheiro?

A garota afastou uma trança e brincou com a franja, enigmática. Ela levantou o indicador para as três visitantes.

— Eu sou do clube do jornal, Srta. Glenstid. Se tem algo que eu amo é informação. Eu amo tanto que venderia minha saliva para conseguir o que quero.

Rey fez uma careta.

— Isso é estranhamente desnecessário e específico.

— E nojento. — Arme completou, franzindo a testa.

A garota deu de ombros e fingiu que não ouviu, continuando a falar.

— A sorte de vocês é que a página de publicação só pode ser vista quando é curtida pelos internautas. Ela não fica aberta e nem é tão conhecida assim. Eu posso apagar em um segundo desde que vocês cumpram o favor que eu pedir e também que a Srta. Plie me conte o motivo de fazer tudo isso.

As meninas se entreolharam. Amy assentiu com a cabeça.

— Você não vai expor a minha história não é? Você tem que jurar. — Amy perguntou, desconfiada.

— É claro. Tudo o que me interessa é a verdade. Isso já basta. Talvez eu até faça uma matéria colocando você nas graças do colégio outra vez, assim você não pareceria mais uma bruxa.

— Eu não preciso disso. — respondeu a rosada com um bico.

— Claro. — a presidente levantou as mãos, parecendo entediada. — Mais alguma coisa?

— Qual o favor que você precisa? Eu preciso saber antes. — Rey perguntou, sem parecer amigável ou aliviada por um segundo.

A presidente juntou os dedos e ficou olhando para elas em suspense.

— Eu quero o Sieghart. Nosso amável rei. Eu quero que vocês o convençam a concorrer para Presidente do Conselho Estudantil.

As meninas pararam por um instante, meio sem entender. Rey arregalou os olhos e cruzou os braços, depois de pescar uma memória distante.

— NÃO.

— Uhmmm? Por quê?

— Eu não vou fazer isso. Me desculpa, Amy. — Rey disse, olhando feio para a menina.

— Se não vai fazer isso, nada de matéria fora do site.

Rey mordeu o lábio.

— Rey! — Amy exclamou, buscando explicações.

— Não é não. Amy, se você quiser tentar fique à vontade, mas eu não vou poder ajudar. Pode até me chamar de má amiga, mas eu não posso fazer isso.

A rosada ficou estática. Arme estava no mínimo assustada com a diferença do clima, como se Rey nem fosse a mesma pessoa, sempre calma e destemida.

— Eu... Você não pode pedir outra coisa então? — Amy indagou para a presidente do jornal.

— Ai, como vocês são complicadas... Eu sou bem fácil de negociar, então agradeçam. Basta pedir pra ele vir aqui me visitar, então. — ela disse, começando a mexer no computador em sua mesa. — Pronto já apaguei. Felizes?

Arme sorriu largamente enquanto Amy suspirava. Rey fez um aceno com a cabeça e elas saíram da sala.

XXX

A shinai atravessou o ar fazendo barulho e a gota de suor atingiu o chão seguido de aplausos. Elesis respirou fundo e posicionou-se, finalizando a demonstração. Ela ainda capturou o olhar orgulhoso do capitão, que a fez desviar os olhos e sentir o peito quente.

Quando estavam afastados, ela estava secando o rosto e ajustando o hakama.

— Você não cansa de me impressionar.

A voz gentil de Ronan a deixou meio mole, mas ela estava começando a se acostumar com essa nova sensação.

— Hoje eu não estou no meu melhor, Capitão. — ela respondeu num meio sorriso.

Ele se encostou na parede sorrindo.

— Você é sempre tão séria. Quase me deixa triste.

— Uhm... Enquanto não estivermos fora do clube eu não posso agir como se fosse especial. — ela disse, desviando o olhar. Provavelmente estava deixando muito óbvios seus sentimentos.

Ele arregalou os olhos e coçou a bochecha.

— Então fora do clube acho que você pode compensar? — ele disse, rindo envergonhado. Até mesmo ele ficava vermelho às vezes.

Elesis sentiu um arrepio atravessando sua espinha e seu estômago revirar. Ela quase riu de vergonha, mas foi forte! Ela controlou seu rosto e mudou de assunto.

— S-Sobre aquela matéria do jornal...

Ronan fez uma cara de interrogação e pareceu se lembrar.

— Aquilo? Nossa, aquilo é um trabalho terrível não é? Hahah! — ele riu. — Você ficou muito chateada?

Ela fez uma cara de desgosto.

— Não é legal contar mentiras. — ela disse, movendo-se para lavar as mãos outra vez.

— Eu conheço o Jin e vi o relacionamento por muito tempo, tem isso também. – ele falou enquanto caminhava para o lado da ruiva. Elesis encolheu-se um pouco, notando a diferença de alturas e o cheiro de suor do mais velho.

— Eu fico preocupada pela Amy.

— E por você, não? Você não gosta de mentiras, não é?

Ela deu de ombros.

— Parece que as pessoas odeiam mesmo os canabanos por aqui. — ela murmurou. — Acho que estou me acostumando.

Ronan parou um instante e segurou a mão de Elesis, fazendo-a quase saltar.

— Elesis, você sabe que isso não é verdade. — ele disse, seus lábios estranhamente atraentes.

O rosto da garota começou a pegar fogo. Ela soltou as mãos e começou a se afastar. Antes de sair para os chuveiros ela voltou-se para o rapaz.

— Ronan. — chamou.

Quando o azulado a encarou, surpreso ela perguntou:

— Podemos fazer aquele treino assim que acabar as provas?

— Mas é claro! Estou animado por isso!

Ela acenou e saiu, sabendo que tinha dado um dos maiores passos de sua vida.

XXX

Não muito tempo depois após o treino, Elesis estava no vestiário tomando um banho. Várias vezes ela se encontrava com as meninas do clube de tênis, que eram bem na delas e até conversavam um pouco com ela se achavam um assunto. Hoje elas não apareceram então a ruiva decidiu se demorar bem mais que o normal.

Elesis sentiu uma leve pontada no cotovelo durante a ducha quente. O ferimento da briga com o fã-clube já tinha quase desaparecido, mas aquela dorzinha chata voltava sempre para lembrar como ela tinha perdido o controle. Aquela raiva que ela guardava... Aquilo não era normal.

“Talvez eu precise buscar ajuda.” Pensou enquanto lavava os cabelos, que felizmente estavam crescendo rápido. Parece que no fim cortar não foi tão péssimo como ela havia imaginado.

Houve um som de “clack” que Elesis reconheceu como sendo da porta do armário.

“Alguém de outro clube veio até aqui para tomar ducha?” Elesis pensava sem se importar demais. Quando terminou, ela se enrolou na toalha e recolheu os produtos, voltando para a ala dos armários.

— Ué? — ela indagou vendo que não havia ninguém ali. Ela também não tinha ouvido a menina ir tomar banho. — Vai ver esqueceu algo aqui...

Ela abriu seu armário para pegar seu uniforme e voilá: um envelope. O coração da ruiva disparou e no mesmo instante ela se agarrou à toalha e caminhou por todo o vestiário apenas para conferir se o responsável não estava mais ali.

“Será que ele estava me espiando? Ele deve estar me seguindo pela escola, esse maluco!” Elesis gritava em sua mente, se trocando rapidamente.

Ela nem secou o cabelo e começou a abrir o envelope, sem entender o que estava acontecendo. Dentro havia uma foto que o fã-clube havia usado para suborna-la. Elesis suou frio.

“Lass tinha dito que as fotos tinham sido apagadas!”

— Como ele conseguiu? E o que ele quer com isso? — ela disse Elesis nervosa.

Não demorou muito mais que alguns segundos uma nova mensagem chegou em seu celular:

“Gostou do presente? Espero que com isso você se convença que nós dois estamos destinados a ficar juntos. Estou ansioso para te rever. ­– Seu admirador secreto.”

— Então eu conheço esse cara? — ela se perguntou, tentando conectar os pontos.

Agora Elesis entendia do que se tratavam os presentes. Provavelmente eram coisas relacionadas à sua briga com o fã-clube e que o remetente da carta de alguma forma tinha tido acesso.

— Só tem uma coisa que está sem explicação: quem pegou minha carta? Será que eu só perdi por aí?

Aquela história estava tão estranha que ela nem sabia mais o que pensar. Tudo o que ela conseguia imaginar era que havia altas chances do admirador secreto estar envolvido com as montagens e isso era o principal problema no momento.

— Eu preciso resolver esse assunto o mais rápido possível. Está na hora de investigar!

Elesis terminou de juntar suas coisas e saiu correndo com a bolsa e as vestes nas mãos. Seu objetivo era chegar ao dormitório e abrir o jogo com as amigas quando ela virou um corredor na pressa e avistou encostado num beiral a pessoa que ela menos esperava.

— Zero! — ela exclamou e se aproximou dele. Ela estava meio ofegante da corrida.

Ele a notou, pois mexeu na franja sob os óculos escuros e virou-se para ela.

— Você apareceu. — ele disse, naquele tom baixo e monótono que dava arrepios.

Elesis arqueou a sobrancelha, não esperando que o rapaz fosse realmente abrir o jogo com ela.

— Eu demorei um pouco para fazer isso, mas é porque você está acompanhada o tempo inteiro. — ele continuou, tirando um pequeno envelope do bolso. — Imaginei que você queria lidar com isso sem causar escândalos.

Elesis franziu a testa, se pondo numa posição defensiva.

— O que é isso? — ela perguntou, sentindo sua pulsação aumentar, já pegando o objeto. Sem rodeios ela abriu, olhando do conteúdo para o rapaz. Zero não parecia sentir-se culpado e nem feliz pelo que estava fazendo.

— Você... Seu filho da -...

— São todas as fotos que o fã-clube tirou. Eu consegui resgatá-las.

Elesis calou-se, não sabendo o que dizer, só olhando o rapaz calmamente pondo as mãos nos bolsos. Ela já devia saber que o responsável era aquele esquisitão. Não dava pra acreditar que alguém tinha esse nervo de falar a verdade assim na cara dura e nem ter vergonha.

Mordendo-se de raiva, mas disposta a não causar mais problemas, ela perguntou:

— E o que pretende fazer com isso?

Elesis o viu arquear a sobrancelha como se surpreso.

— Acredito que dar pra você.

— Você vai me dar? — ela indagou, desconfiada. O cara era um enigma, não dava para saber o que ele queria só de olhar, ainda mais com aqueles óculos.

— Em troca eu queria pedir uma coisa para você.

A ruiva franziu o cenho. Ele queria ficar com ela não é? Isso era o que a mensagem dizia.

— Eu não vou sair com você.

O rapaz abriu a boca e fechou, coçando a bochecha. Elesis cruzou os braços.

— Eu soube que você precisa de ajuda para estudar química. — ele disse, com a voz mais baixa.

— Quê? E como você sabe disso? — Elesis indagou, só confirmando ainda mais o quão stalker o cara era.

O mais velho deu de ombros.

— Eu só ouvi alguém dizer que você estava procurando ajuda.

A ruiva bufou, claramente não comprando a ideia. O estranho era se ela realmente conseguisse resolver tudo isso apenas recebendo ajuda de um esquisitão que só queria ajuda-la com os estudos. Dois coelhos numa cajadada só. Porém, isso era tudo muito suspeito.

— Você vai realmente só me ajudar com os estudos?

Ele assentiu com a cabeça e ela insistiu:

— Isso é realmente tudo o que você quer?

— Sim. Talvez eu possa te convencer se passarmos um tempo juntos.

Elesis parou um pouco para pensar. Afinal, o que ele poderia fazer de ruim? Se ele tentasse alguma coisa, ela poderia apenas meter a bifa na fuça dele. Então, ela estendeu a mão para ele.

— Okay. É um acordo então. Eu quero me livrar dessas fotos e você não pode contar para ninguém sobre isso.

O rapaz de cabelo cinza apenas confirmou com a cabeça e apontou para as escadas.

— Tem algumas salas de estudos no 2º andar. Nós podemos usar uma delas se você quiser. — ele disse num meio sorriso.

Para Elesis, ele devia estar feliz em ter conseguido o que queria: um tempo a sós com ela.

— Tudo bem, Zero. Só por uma hora, combinado?

— Sim.

Enquanto caminhavam, felizmente com Zero respeitando a distância entre ambos, Elesis pegou seu celular e escreveu para Lass:

“Achei o culpado, Lass. É o Zero. Estou entrando num acordo com ele em troca de um encontro idiota”.

Continua

Notas finais
E ae meninus? Como estão as coisas? Exagerado demais? Várias coisas acontecendo ao mesmo tempo pode ser meio confuso porém to achando meio emocionante tb XD! Enfim obrigada por ler até aqui genti. Abração e até o proximo! (Vou tentar não demorar muito) Flww~