Da Infância à Adolescência

7 Capítulo VII. O Sapo, a Gralha e o Ieti


Notas iniciais
Yo minna! Demorei, mas cheguei. E sim, o capítulo está menor... eu estou em profundo... cansaço. Eu tenho realmente muitas coisas para me preocupar e por isso os capítulos saem a cada 2 meses quase! Eu me odeio por isso. Porém, nunca desistirei. Sempre vou tentar postar o mais rápido possível. Só que né, agora eu comecei a namorar também. Mais um compromisso que me tira do computador. Aliás, eu estou acompanhando assiduamente o mangá e anime de Boku no Hero Academia e One Piece. Sem falta. Com afinco e amor. E planejo fics. Mas... por enquanto estou focando nesse remake de GC. Esperem por tretas e mais tretas~ Um abraço, boa leitura! (Créditos ao artista da Fanart)

...

Rey olhou desconfiada sobre a revista de moda a maneira que Elesis passava os dedos sobre o braço e a nuca constantemente. Aquilo já fazia um bom tempo desde que ela tinha chegado ao dormitório. Se não fosse uma mania então algo errado tinha aí, ela pensou.

Assistiam à televisão depois de terem terminado as atividades de matemática que a ruiva mais gostava.

—Encontrou alguém interessante na biblioteca? O que é um pouco difícil, aliás. – indagou a veterana com um olhar de descaso falso.

Elesis tirou os olhos da televisão sem esboçar expressão e deu de ombros.

—Nada interessante.

—Eli-chan... “alguém”. Seja mais específica, né?

Elesis bufou e virou-se novamente para a televisão, parando de mexer no braço e dobrando as pernas.

—Ninguém. Não tinha ninguém.

—E o bibliotecário? –Rey perguntou, fixando os olhos na reação da ruiva.

Elesis franziu o cenho. Ela não esperava por essa... Ela não podia contar que na verdade ela tinha tido um embate perigoso com aquele Allen alguma coisa e, pior, que Sieghart a viu.

—Não tinha ninguém porque eu não fui na biblioteca. –Elesis respondeu, tentando evitar falar ao máximo.

Rey se interessou ainda mais e abaixou a revista, apoiando o rosto na mão, com um sorrisinho.

—Ah é?

—É.

—Você trocou suas amigas para ir à biblioteca, mas você não foi à biblioteca?

Elesis suou frio e a olhou com raiva, por instinto.

—Eu não quero ficar andando com vocês o tempo todo, entendeu? Só quero ficar sozinha, tá’ legal? –Elesis disse, se levantando, desligando a televisão e deixando o local.

A de cabelos róseos ouviu a porta do quarto sendo fechada e depois disso silêncio completo.

—Ela deve ter colocado o fone de ouvido e ido cochilar. –disse Lire, entrando na sala após sair do banheiro.

—Ah, ela tem cara mesmo de quem age assim quando está chateada.

Lire deu um sorriso fraco.

—Não acho que seja chateação. Ela deve estar irritada porque muitas coisas estão acontecendo muito mais rápido do que deveriam.

—E por que você acha isso, Lire? – Rey perguntou, trocando as pernas. Ela estava curiosa agora.

—Bem... Ela é calculista. Eli-chan gosta das pessoas, mas se frustra porque as pessoas não estão dentro das expectativas dela e porque as pessoas têm expectativas dela que ela odeia. Ela é perfeccionista demais então tudo está incorreto e ao mesmo tempo ela não pode corrigi-las. Isso deve deixa-la muito triste e por isso ela se fecha, para não se decepcionar. Nesse momento ela não quer que saibamos de seus problemas e também quer corrigir essas coisas que estão acontecendo, provavelmente ficando em um dilema porque para isso ela precisa de ajuda.

Lire limpou os olhos, quase chorando.

Rey estava com os lábios entreabertos.

—De onde você tirou isso tudo, sua louca? Fica quieta, vai Lire. – Rey voltou à sua revista.

Lire a olhou repreensiva.

—Rey, sua idiota! Eu não tô’ mentindo, eu realmente acho que é isso. – ela disse e se voltou para a cozinha, parando de falar com a colega mais velha.

Rey ainda olhou na direção da loura.

“Eu sei que não é mentira. Eu também acho isso na verdade.” Rey pensou, suspirando mentalmente. Ela estava bastante preocupada.

Dentro de sua revista havia o jornal da escola aberto numa matéria sobre fofocas. E nela, a notícia mais quente: uma crítica à mais nova aluna do colégio, quem havia esnobado o Rei.

No quarto...

Elesis conferiu mais uma vez por baixo de seus cabelos, no pescoço. Felizmente não havia ficado marcas da briga. Tinha colocado uma música para relaxar e parar de pensar tanto no estresse todo que vinha sentindo, principalmente para ela que era tão sensível.

Ela fechou os olhos enquanto cantarolava baixo, tentando esquecer o olhar de Sieghart quando a viu brigando. O rubor lhe subiu a face.

“Foi tudo tão rápido”. Pensou, mas balançou a cabeça e concentrou-se na letra da canção. Ela de pé, movimentou o quadril e soltou seus braços. Uma brisa entrava pela janela, movimentando as cortinas verde-claras. Ela soltou o ar e deu alguns passos, girando o corpo. Estava descalça e na ponta dos dedos sentia o gelado do chão de madeira.

As notas altas em seus ouvidos a tomaram, gerando calafrios e prazer, e por quatro minutos ela pode se esquecer dos problemas.

Depois disso, foi interrompida pelo toque do celular. Era seu pai.

“Não quero atender”. Mas não era a primeira vez que ela ignorava a chamada do pai desde que chegara ao colégio. Com relutância ela apertou o ícone verde.

—Alô? Oi pai... sim tudo bem... me desculpa, eu não queria te preocupar... sério? Coloca ele na linha então.

Ela esperou uns segundos e a voz quebrada da adolescência de Els soou pelo celular. Ela não soube, mas sorriu instantaneamente. Era incrível como seu pai a conhecia tão bem, colocando o irmão mais novo para conversar consigo.

—Oi pivete. – Elesis cumprimentou, passando a mão na cabeça, sentindo-se meio idiota por não ter ligado para o garoto antes. –Bem... eu não vou mentir, as coisas tão um pouco difíceis, digo, para eu me adaptar... Claro que sinto sua falta... O que? Por quê? ... tem certeza que você quer vir esse final de semana? Eu pensei em voltar para casa... hã... quer conhecer o colégio? ... Espera, você não tá falando sério em vir estudar aqui ano que vem! ... Ué, eu teria que olhar para a sua cara todo dia! ... haha... okay então, Els... te amo também, até sábado então. Beijo.

Ela permaneceu ainda uns segundos olhando a imagem de chamada encerrada antes de respirar fundo e se convencer a almoçar. Logo ela deveria ir ao grupo de estudos e ao treino de kendô. Afinal, ela estava num colégio para estudar, e ela tinha ótimos motivos para se concentrar apenas nisso.

XXX

Acompanhada de Rey, Elesis caminhava através do pátio. A tarde continuava quente e com vento fresco como todos os dias, perfeito para sentar-se com o companheiro e tomar um refresco. Ela balançou a cabeça, tentando afastar o pensamento. Mas foi exatamente o que lhe chamou a atenção.

Lire. Sentada sozinha, porém, com um sorriso tímido, sendo servida por aquele garçom ruivo. Ele esboçando um sorriso radiante, abestado, completamente ingênuo da própria situação. E ela tinha os olhos brilhando para ele.

Elesis não expressou em nenhum momento a inveja que sentiu naquele momento. Ela nem mesmo falou quando Rey deu um sorrisinho de quem já tinha entendido tudo e lhe deu uma cotovelada de leve, apontando os dois com os olhos.

—Vamos, deixa os dois em paz. – Elesis comentou, tentando não dar na vista.

—Ai, Eli, como você é chata!

—Vamos logo!

A ruiva ficou pensativa depois disso. Sem uma palavra elas continuaram seu caminho para o refeitório.

—Ah, acho melhor eu passar no armário antes que eu tenho que pegar minha roupa. – Elesis avisou Rey, indicando para que ela seguisse sozinha. A amiga hesitou, mas foi mesmo assim.

Em parte, Elesis desejou ficar sozinha. Se tinha algo que a incomodava, era quando ela estava um caos por dentro e tinha pessoas em volta. Sentia um profundo medo de que as pessoas vissem como certas coisas podiam deixa-la desconcertada.

“Lire...” Ela pensou, confusa. Ver aquela apreciação toda no olhar, ela não compreendia. Não era parte de sua família, não era sequer alguém que notava sua existência. Como podia existir tanta admiração por alguém que você mal conhece? Elesis na verdade não sabia nada sobre os dois, mas ainda assim acreditava piamente que todos têm seus lados obscuros. Como que alguém podia se iludir de forma tão ingênua?

Ela continuou caminhando, sem saber o que a rondava.

Em contrapartida, ela sentia inveja daquele sentimento. Era bonito. Dava vontade de saber como era sentir aquilo. Elesis pode provar o olhar bondoso de Lire, que a abraçou sem nem a conhecer, e isso era um pedacinho dos sentimentos que a garota direcionava a Ryan. Não, aquilo que havia visto no pátio da lanchonete era outra coisa, muito mais além do que ela conseguia imaginar. E era frustrante sim, tudo o que ela podia fazer agora era se conformar com seu desejo e sua inveja.

—Ai!

Elesis piscou, esquecendo de tudo e olhando para a pessoa ao lado, que havia batido fortemente em seu ombro. Como era alta!

—EI, não olha por onde anda, branquela?! – a garota alta gritou num golpe de fúria, virando os olhos para Elesis.

Não havia tempo de pensar qualquer coisa daquela monstra. Elesis só viu quando a mão empurrou seu ombro com força mais do que necessária e a mandou diretamente para o chão. Como se não bastasse a briga anterior com Allen.

—Tá’ louca?! – Elesis levantou com sangue nos olhos, fincando o pé no chão e pagando na mesma moeda. – Você que é cega e atropela os outros!

A garota além de alta aparentava ser extremamente forte. Tinha uma feição arredondada, lábios grandes, olhos pequenos e azuis. Os cabelos tingidos de branco com luzes azuis presos num rabo de cavalo. Era sim, bonita, mas parecia extremamente bruta. Ela tinha os caninos brancos de baixo muito mais protuberantes do que o restante dos dentes, dando ar de selvagem.

Bom, a ruga que se formou na testa da monstrona foi ainda mais intimidador.

E antes que ela fosse para cima da ruiva, como se houvesse uma antipatia natural entre quente e frio ali, uma menina menor se interpôs entre elas.

Elesis ficou estacada. Ela era provavelmente incapaz de conter com seu pequeno corpo qualquer uma das duas, imagine ambas! Mas o que chamava a atenção realmente era a faixa brilhante, vermelha e dourada no braço esquerdo.

—Podem parar agora. O colégio não é lugar para brigas, muito menos essas atitudes brutas bem no meio do corredor. Se tem algo a discutir, façam fora daqui, mas não se digam alunas do Colégio Real de Vermécia! – ela pronunciou num estrondo, com voz alta, clara e objetiva.

Ela usava uma boina com pena, tinha cabelos longos azuis presos em longas maria-chiquinhas. E quando se virou, Elesis viu olhos vermelhos tão fortes que ela até sentiu um estremecimento.

Ela era minúscula. Um toco. Fofa. Mas seu rosto expressava seriedade e inteligência.

—Vocês estão convidadas a escrever uma carta de desculpas à comissão do conselho estudantil e comparecer juntamente ao final do período, às 18h, para repassar as regras de nossa instituição.

Ela se demorou um segundo, olhando seriamente para a outra menina, com as mãos juntas em frente ao corpo, altura do estômago, como uma lady.

—Srta. Wendy Pole. – disse, e virou para a ruiva. – E Srta. Elesis Elsteiner.

A garota Wendy, que era quase albina, agora Elesis podia perceber. Soltou um som de profunda decepção e jogou o cabelo de lado, virando-se com rudeza.

Elesis bufou internamente, mas encarou a garota, percebendo de quem se tratava. Nada menos do que a Presidente do Conselho Estudantil em pessoa.

—Sinto muito, Presidente. – Elesis desculpou-se, ainda que em seu tom não houvesse nenhum arrependimento.

A garota a olhou apática alguns segundos.

—Estou informada de tudo o que acontece nesse colégio, Srta. Elesis. E eu não ouço coisas boas sobre a senhorita desde que o período começou essa semana. Portanto, a aconselho a não ficar no caminho dos outros alunos se tem algum problema com eles. E saiba que para estudantes assim em breve chega a expulsão e consequentemente o fracasso. É só isso.

A garota, em toda sua pose, deu um sorriso perturbador e deu as costas para Elesis e continuou sua ronda em seus sapatinhos de boneca. E Elesis, além do ódio natural, recebeu um golpe ao olhar seu armário, de onde escorria uma poça de um líquido vermelho.

XXX

Completamente rasgados. Alguns livros até molhados ainda. E seus papeis rabiscados com tinta vermelha e mensagens constrangedoras. Um pote de tinta inteiro parecia ter pintado todo seu armário por dentro até escorrer.

Sua roupa do kendô, toda manchada, até mesmo o hakama, que já era vermelho.

Aquilo era tão grotesco. Parecia sangue, parecia podre, e morto.

Estacada no lugar, Elesis puxava o ar para dentro do ar com tão lentidão que parecia ter perdido a habilidade de respirar, atraindo todos os olhares. Parecia até mesmo que havia a espera de que ela explodisse a qualquer segundo. Mas ela o fez?

Dessa vez não. A ruiva levantou o queixo, piscou demoradamente e fechou o armário. Afastou-se, deixando a pilha de seu material maculado no chão do corredor enquanto o corredor começava a tumultuar depois dos grupos de estudos. Enquanto ela se afastava dali, paravam vários alunos vendo o lixão na frente de seu armário. E todos olharam para ela e começaram a tirar fotos. Entre eles, todos os seus colegas mais próximos. Elesis foi para o lado oposto e o primeiro a alcança-la foi Jin.

—O que houve, Eli? – perguntou num afobamento visível. Ele a tocou no ombro, que ela desviou. – O que é aquilo? Quem fez isso?!

—Eu tô’ bem. – afirmou ela consistente. – Eu não sei, me deixa em paz.

O outro ruivo não conseguia esconder sua preocupação, fazendo com que Elesis o rejeitasse por todo o caminho. Porém, foi tempo ganho o suficiente para Lire e Arme chegarem esbaforidas e sem fôlego para acompanharem a amiga.

Enquanto isso, parados no meio das pessoas e lendo os escritos de “aberração”...

—Não esperava que isso acontecesse tão cedo.

O comentário veio de Dio, o conhecido namorado de Rey, quem chegou à espreita. Por sua vez, Sieghart encolheu os ombros ao ouvir a voz do amigo.

Ele não disse nada, tendo já compreendido a mensagem. Ele tinha uma boa dica do que estava acontecendo ali... e ele sabia que precisava fazer algo a respeito em breve.

Continua

Notas finais
Muuuito obrigada por ler este capítulo! Sua opinião é muito importante, então deixe seu comentário e me deixe feliz!!! Lembrando, essa história é um remake~