D.N.A Advance: Nova Ordem do Século
61 Meio-irmão
Notas iniciais
CAPÍTULO 158
─ Onde ele está?
─ Calma aí, pequenino. Eu que dito as regras aqui. A primeira regra é a mais simples de todas: saia apenas só. A segunda é: não tente gracinhas ou mato o Paulo agora mesmo. E por fim: não venha pelo ar, mas por terra. Quero vê-lo assim que chegar aqui. Ah, eu ia me esquecendo... fala com o seu filho aqui.
─ Pai, não venha. É uma armadilha!
─ Claro que essas palavras surtirão efeito contrário. Estou no campo de Shinjuku perto do templo. Há uma cabana pequena perto do lago. Estou esperando por você.
─ Cretino. Se você encostar um dedo nele... Alô? Alô!!!
Weiz desligou a ligação na cara do outro. Impmon quase teve um ataque de fúria, mas foi contido pelos outros. O digimon havia dito o nome do sequestrador e que ele queria que o digimon fosse só. Slash acalmou os ânimos de Márcia e prometeu que Paulo ficaria seguro pois o “parceiro” dele estava a caminho. Milagrosamente, a mulher ficou mais calma.
Slash encorajou Impmon a sair logo na frente.
─ Não devíamos tê-lo deixado sair daqui assim. Ele está transtornado ─ disse Lúcia. ─ O que faremos agora?
─ Eu tive uma ideia ─ Slash reuniu a todos. ─ Vamos seguir Impmon.
─ Esqueceu que ele disse que o Weiz falou para apenas o Impmon ir só? ─ questionou Aiko.
─ Eu disse que vamos seguir Impmon. Mas não como iremos seguir. Antes da ligação, eu previ que algo assim poderia acontecer, então eu cheguei perto do Impmon e grudei um localizador na ponta do lenço dele. Agora com a ajuda do meu digivice, eu posso localizá-lo.
Um holograma do mapa mostrava a posição exata do digimon. Ele estava em alta velocidade, com certeza já havia se transformado em Beelzebumon e sobrevoado.
─ A minha ideia é a seguinte: daremos cobertura para o Impmon. Vamos atrás dele, já que Blizzard é um ser imprevisível. Preciso que Aiko e Agumon venham comigo.
─ Por favor, Slash. Traga o meu filho de volta. Confio em você integralmente.
─ Não se preocupe, senhora Márcia. Eu trarei ele sã e salvo. Agora vamos.
Aiko, Agumon e Slash se prepararam para sair. O irmão de Ray questionou se eles iriam correr atrás ou pegariam algum transporte para irem ao bosque. O viajante do tempo sorriu e estendeu o braço. O anel materializou algo parecido com uma moto futurista, prateada e com turbo; até os capacetes foram projetados para três ocupantes.
─ É melhor subirem.
─ Nossa, eu preciso de um anel desse. Agumon, fica quieto aí atrás.
─ É que estou apertado para ir ao banheiro.
─ Arre! Vai lá mijar e depois volta.
Slash olhou as horas no seu digivice. Chegariam mais atrasados do que ele havia previsto.
Paulo continuou amarrado na cadeira. O jovem digiescolhido estava sem o digivice, por isso não podia ser localizado. Weiz não estava dentro da cabana, porém era impossível que ele tentasse se desamarrar, visto que Cyberdramon o vigiava. O humano mal conseguia olhar para o digimau, pois o achou terrível e forte.
─ Por que não olha pra mim? Eu fiz uma pergunta!!
─ Não preciso olhar para você. Por favor não dirija a palavra a mim.
─ Sua hora está chegando, garoto. Melhor começar a rezar logo.
─ Isso é o que pensam. Mas o meu pai e meu parceiro vai destruir todos vocês.
Cyberdramon ficou com raiva das palavras do menino. Weiz entrou na cabana e pediu para que o guarda saísse.
─ Juro que não queria ter que fazer isso, mas as circunstâncias me obrigam. Esperei séculos e séculos intermináveis sonhando com o dia que eu mataria o algoz da minha experiência.
─ Você é louco. Tentou matar uma criança inocente e agora tenta controlar o digimundo.
─ O seu pai e eu tínhamos uma relação afetiva desde quando estudávamos na escola. O Shawn era o beta e eu o alfa... no século 22 beta significa pessoa menos evoluída na questão da inteligência e alfa, evoluída. Eu era o cabeça dos trabalhos em equipes e o Shawn sempre me ajudava a upar os trabalhos com as suas pesquisas. Houve um tempo em que fomos trabalhar nos laboratórios da Genetech, foi nesse tempo em que ele resolveu me trair.
─ Como conseguiu convencer digimons a seguirem você? Até mesmo os governadores são obedientes.
─ Aha! Sabia que perguntaria isso. Eles têm um chip que explode os dados deles, uma espécie de vírus-microbomba. Se eles tentarem me atacar, boom! Eu sou o rei da tecnologia e te garanto que ela já me ajudou muitas vezes e ainda me ajuda.
─ Senhor, o inimigo está vindo ─ disse Cyberdramon.
─ A festa vai começar.
Beelzebumon pousou no chão e caminhou na direção da cabana. Encontrou Nabucodonomon parado em frente a ele. O digimau começou a fazer gracinhas para ele. Como Wesley tinha um pavio curto mesmo correu pra briga. Pelo seu estado, mal conseguiu acertar o vilão que desviou facilmente e deu um golpe com o cotovelo na nuca dele.
─ Que decepção, está fraco hoje ─ tripudiou.
Beelzebumon ainda estava sentindo os efeitos da ressaca e a dor de cabeça. Seus reflexos e forças estavam reduzidos.
Weiz apareceu diante dele.
─ Há quanto tempo não nos vemos como velhos conhecidos?
─ Filho da puta, deixe o meu filho em paz e fique comigo.
─ Não vai ser tão fácil assim. Preciso acabar com o Paulo também.
─ Por quê?
─ Um segredinho que não será revelado agora ─ ele materializou um tipo de coleira eletrônica do digivice. ─ Não posso correr o risco de você me atacar, eu sou um mero humano. Tome isto.
Weiz atirou a coleira que logo ficou no pescoço de Wesley fazendo-o a voltar ser Impmon. Nabucodonomon segurou Impmon na mão e o levou para dentro da cabana.
─ Vigie.
Nabu ficou do lado de fora.
Cyberdramon, com a ajuda de Dracmon, amarrou Impmon numa outra cadeira ao lado de Paulo.
─ Antes de acabar com vocês dois, preciso que escutem o que tenho a dizer. A minha relação com o Wesley, ou Shawn, é muito mais do que a de simples colegas. Vai mais além a de amigos. O nosso sangue juntou a nós dois ─ os dois presos ficaram confusos. ─ Somos irmão, Shawn.
Paulo engasgou, Impmon quase surtou, Dracmon ficou com o queixo no chão e Cyberdramon foi pego de surpresa.
─ AHN?! QUER DIZER QUE VOCÊS DOIS SÃO IRMÃOS E VOCÊ É O MEU TIO? E AGORA QUER NOS MATAR? É BRINCADEIRA, A PIADA DO ANO!
─ Mentira. Você quis matar meus pais e me matar quando eu ainda era bebê. Se matasse a eles dois você nem nasceria.
─ Na prática só o nosso pai, já que somos meio irmãos por parte dele. Eu voltei ao meu passado a fim de matar a sua mãe e deixar o papai vivo. Sou o filho bastardo da empregada e sempre o invejei por ter ganho tudo de bom e do melhor. Aí, quando fui impedido por Slash, eu voltei 100 anos no tempo para esta época a fim de me vingar. Nunca mais voltei e durante algum tempo eu fiquei procurando por você. Nesse meio tempo recrutei alguns humanos do submundo para me ajudar, como Ivone ou Maria Aparecida, mãe de Leo. Ela foi incumbida a te pegar de jeito. Naquela noite que você foi pra cama com ela, a mesma deu-lhe um vírus digital que eu criei que fazia com que você fosse teletransportado para o digimundo. Eu conversei contigo naquele quarto, eu que tirei o freio do carro do seu amigo e no momento pouco antes do impacto você foi para o digimundo. Lá entrou num estado de coma por dias deitado na maca do meu laboratório com ilusões de que estava conversando com o Zhuqiaomon inexistente. Enquanto isso eu modifiquei o seu corpo até transformá-lo em digimon. Infelizmente você teve que se lembrar de tudo! Fiquei nos bastidores na época em que o Patamon das Trevas arquitetava os seus planos como a manipulação do ShadowLord, a criação dos Lordes das Trevas e afins. Quando eu fracassei, com as suas vitórias uma atrás da outra, eu dei minha atenção total para a Genetech. Para isso eu tive que recrutar o Barbamon para os meus planos. Ele foi ideia minha. Sério mesmo que aceitaram um digimon daqueles como amigo? hahahaha...
─ Você não tem perdão ─ disse Paulo.
─ O fracasso que tive quando libertei o Apocalymon e a derrota dos Mestres das Trevas, além da derrota dos Lordes não podia ter agora com os governadores. Eu tive que dar tudo de mim até fazê-los mais fortes. Para isso o Barbamon tinha que chamar a atenção e destruir as pedras sagradas e mudar o tempo do digimundo. Foi um golpe de sorte minha quando eu soube que o Astamon manipulou aquele barbudo. Caiu como uma luva pra mim! Com o tempo mais rápido por lá, eu tive tempo de sobra. Sabe como é fantástico ter sido que agir nos bastidores e mexer as peças enquanto vocês se matam? Eu dou muito trabalho aos digiescolhidos que surgiram por causa da minha interferência. Enfim, já falei demais, já disse que sou o seu irmão e os meus planos de governar os dois mundos. Agora chegou a hora do fim. Quais são as suas palavras?
─ Quando eu te pegar, vai se arrepender de tudo ─ disse Impmon.
─ Cyberdramon, acabe com o garoto. É a sua vez.
─ Esperei por esse momento há anos.
Cyberdramon se aproximou de Paulo e preparou a sua garra. Impmon fazia força para se soltar, contudo era em vão. Paulo fechou os olhos. O digimau preparou a sua garra para atacar o pescoço do jovem, porém parou bem na hora. Ao mesmo tempo que tinha vontade de matar o digiescolhido, ele não teve a coragem para fazê-lo. Isso aborreceu Weiz.
─ Seu idiota maricas! Não tem a coragem de fazer uma simples tarefa. Depois eu me entendo contigo.
Weiz materializou uma arma de plasma elétrica. Apontou para Paulo. A arma carregou em cinco segundos para poder disparar. Contudo, antes de disparar, uma explosão aconteceu do lado de fora.
Slash chegou com a sua moto. O veículo possuía munição como mini-mísseis e metralhadoras. Ele começou a atirar na direção de Nabucodonomon.
─ Agumon, agora ─ disse Aiko.
D.I.G.I.E.V.O.L.U.T.I.O.N
─ Agumon digievolve para... GeoGreymon! Bola de Fogo!
Nabucodonomon foi acertado em cheio pelo fogo, mas não teve muito dano. Voou, preparou a sua arma giratória e começou a atirar.
─ Você não é o único com truques. Digievolução da Alma!
Justimon foi de encontro com Nabucodonom e, com apenas um golpe, fez o digimau cair no lago.
Dracmon ficou desesperado quando viu os digiescolhidos. GeoGreymon cuspiu fogo perto dele fazendo-o correr para longe. Weiz e Cyberdramon apareceram diante deles. Justimon atirou com a sua arma na direção do líder dos vilões, mas o homem se teletransportou rapidamente e Cyberdramon foi quem pegou todo o poder.
─ Paulo, Impmon, vocês estão bem?
─ Sim, Aiko. Que bom que vocês chegaram. Eu quase fui morto.
─ Descobrimos que Dracmon trabalhava para Weiz ─ disse Impmon.
─ Vocês deviam ter cuidado com estranhos. Eu fiquei impressionado com aquele digimon lá em casa ─ Aiko falava enquanto desamarrava os dois.
Dracmon colocou o bumbum na água quando se assustou com Nabucodonomon surgindo das águas enfurecido. O demônio usou o seu poder máximo. A sua metralhadora giratória girou mais do que o normal e começou a brilhar. Um raio vermelho foi na direção de Justimon. Este criou um escudo com o seu próprio braço e foi arremessado longe.
Weiz subiu numa árvore depois do ataque. O seu celular começou a tocar no meio da confusão.
─ Alô? Chefe?... Mas agora?... Tudo bem. Estamos voltando agora.
Weiz informou aos outros três que teriam que voltar à Genetech. Eles tiveram que obedecer e foram embora.
Slash ajudou Impmon a retirar a coleira.
─ Como soube que estaríamos aqui? ─ perguntou ele.
─ Eu te hackeei com isto ─ entregou o broche ao digimon. ─ Sou um soldado e estou preparado para esse tipo de coisa.
─ Muito obrigado, Slash.
─ De nada. Pronto, retirei essa maldita coleira. Daregon usa muito esta coisa para forçar digimons que não gostam dele.
─ A polícia está vindo, melhor voltarmos para casa ─ avisou Aiko.
Momentos depois, eles retornam para casa. Márcia abraçou o seu filho a ponto de deixá-lo sem fôlego. Impmon apenas via a cena com satisfação e agradeceu mais uma vez a Slash.
─ Não precisa agradecer. É a minha obrigação.
─ Por que obrigação?
─ Por nada. Só achei que deveria ajudar mesmo.
Slash sorriu ao ver a família reunida novamente. Sentiu uma pontinha de inveja, pois não tinha mais família.
Enquanto isso na Genetech Labs...
─ O que foi que eu disse para não causar um confronto direto com os digiescolhidos? ─ disse um homem num jaleco branco.
─ Eu tive motivos para fazer o que fiz.
─ Não fale bobagens! Se o viajante do tempo convencer os digiescolhidos a vir para a Genetech não dará tempo de eu concluir os meus planos. Eu já fui tão longe quando inventei a minha própria morte e criar uma identidade falsa. Não será por sua causa que eu morrerei na praia depois de tanto nadar o oceano. Pode se retirar.
─ Sim, senhor ─ disse Weiz se retirando.
O homem que Weiz tanto falava era Ryuu Matsunaga sob a identidade falsa de Kelson Fukushima. A sua aparência estava mudada. Resolveu raspar o cabelo e a barba e agora usava óculos. Estava perfeitamente saudável sem o uso da bengala.
...
Os pais tanto de Kari quanto de TK foram para a delegacia verem seus filhos. Depois de tanto tempo depondo, eles puderam ganhar forças para denunciar a Genetech. Além disso, um dos criminosos confessou que foi contratado pelo atual representante da família, e apontou Ako Matsunaga como a mandante do crime.
EMPRESA GENETECH
Os carros da polícia pararam na porta da empresa. Ken Ichijouji e mais outros policiais mostraram aos seguranças o distintivo e o subiram ao vigésimo andar. A secretária da presidência se assustou quando viu aquela romaria ali.
─ A senhora Ako está em reunião.
─ Por favor, chame-a agora mesmo. Temos um mandado ─ respondeu Ken.
─ Licença.
A secretária chamou a empresária. Ela teve que encerrar a reunião mais cedo e saiu da sala. Ela viu os agentes, mas ficou tranquila.
─ Sejam breves, senhores. Não tenho muito tempo.
─ Na verdade eu preciso de poucos segundos para levá-la presa daqui ─ disse Ken.
─ Oi? Eu ouvi direito?
─ Senhora Kenyako Matsunaga, a senhora está presa por mandar matar Hikari Yagami e Takeru Takaishi. Aqui está o mandado de prisão contra a senhora. Algeme-a.
─ Espere um pouco, quanta insolência. Não podem fazer isso comigo. Secretária, avise ao meu advogado. Esperem!
Ako saiu algemada e presa da própria empresa. Ela foi levada escoltada para a delegacia. Logo os jornalistas fizeram campana na porta da delegacia para tirar a melhor foto.
Kari viu a empresária passar por ela e logo começou a se manifestar, dizendo que a mulher fora em sua casa. Yuuko logo reconheceu a tia de Naomi desde o dia em que foi visitada por ela meses antes de dar à luz a Naomi.
Continua...

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