D.N.A
4 Outros "Projetos"
Notas iniciais
Mas eu não vou abandonar. Acho que isso que importa.
Boa leitura.
Durante aquela noite, Alícia nem dormiu. Tudo que passou por sua mente foi uma confusão entre informações e crenças. O pouco tempo que conseguiu dormir foi inundado por sonhos confusos e sem sentido, não conseguiu descansar. Quando se cansava de rodar constantemente na cama, ouvia música. Mas nem isso acalmava sua mente. Somando isso ao fato de que ainda não se sentia em plena saúde, ficou exausta. A manhã chegou e ela desistiu, levantando-se e indo diretamente para o chuveiro. O banho quente foi, de certa forma, relaxante. Saiu e vestiu-se, ajeitando o cabelo com uma certa má vontade. Foi até a cozinha colocar algo no estômago, mesmo que não houvesse um traço sequer de fome.
Duda estava lá e as duas trocaram um “bom dia” desconfortável. O silêncio chegava a ser constrangedor. Alícia pegou um pouco do café que já estava na cafeteira – Duda deve ter feito – e colocou duas fatias de pão-de-forma na torradeira. Quando a torrada ficou pronta, pegou a manteiga e sentou-se na mesa, de frente para a irmã, mas sem encará-la.. o mesmo não podia ser dito sobre a outra. Duda analisava cada movimento da caçula com precisão, a medindo.
-Nós precisamos conversar. – Duda disse, a voz cansada. Não parecia ter dormido também. – Eu sei que as coisas não estão fáceis, que não estamos fazendo isso certo. E... bem, eu sei que era melhor quando papai e mamãe estavam aqui, e me desculpa se eu tenho errado, mas...
-Duda, para! – Alícia a cortou, ainda encarando as torradas. – Você não tem culpa de nada, tenha um pouco de alto-piedade. Não precisamos falar nada sobre isso. Mesmo.
-A gente deveria conversar mais.
-Não quando isso nunca dá certo. – Alícia deu uma última mordida na torrada e saiu, dirindo-se ao seu quarto novamente. Pegou o celular e buscou o papel com o telefone de Guilherme.
Encarou o papel, sem saber ao certo o que fazer com ele. Queria vê-los novamente, queria mais provas para acreditar naquilo. Não que quisesse ser algum tipo de aberração estranha, apenas queria acabar de vez com aquela dúvida.
Afinal de contas, Alícia sempre fora estranha.
Gravou o número no celular e ficou encarando-o por um tempo, sendo interrompida quando o celular começou a tocar. Era Rob.
-Oi. – Ela atendeu, não conseguindo, ou melhor, nem tentando parecer animada.
-Ali, tenho boas noticias. Uma lanchonete quer fazer um evento e quer que a gente toque. O cachê não é lá essas coisas, mas é dinheiro.
-Quando? – Isso era uma excelente notícia.
-Hoje, nove da noite.
-Estou dentro, nos encontramos na garagem e vamos direto de lá.
-Ótimo, então. – Ambos ficaram em silêncio por um tempo. – Você está bem? – Infelizmente, Rob a conhecia bem demais.
-Não, não estou. Mas não é nada demais, eu juro.
-Tem certeza? – Sua voz parecia preocupada do outro lado. Por que ele sempre tinha que bancar o irmão mais velho?
-Tenho. São só as mesmas coisas de sempre, Duda e tal.
-Ser quiser conversar, estou aqui, você sabe.
-Tudo bem, senhor psicólogo, eu te ligo se precisar. – Ela disse, revirando os olhos.
-Eu estou falando sério. – Ele disse, rindo.
-Eu sei que está, mas não precisa, mesmo.
-Você que sabe. Mais tarde, não esquece.
-Não vou. Até mais. – Despediu-se antes de desligar.
Levantou-se e foi até a janela, novamente, respirar um pouco de ar fresco. Lanchonete, ótimo. Uns dias antes eram abertura de show, agora estavam reduzidos a lanchonetes novamente. Se encontrasse com Abreu agora, jurava que poderia matá-lo. Logo agora que estavam conseguindo se destacar um pouco.
Alícia...
Ouviu o sussurro e se sobressaltou. Exatamente como tinha ocorrido no hospital, várias vozes combinadas. Sentou-se na cama e balançou a cabeça, tentando afastar aquilo. Por uns instantes, achou que havia conseguido.
Alícia... Venha, Alícia... Estamos te esperando... Venha...
Desesperou-se por uns instantes e buscou o celular, indo até o número de Guilherme e ligando. As vozes continuavam a repetir a mesma seqüência de palavras, sempre, dentro de sua mente.
-Alô? – Guilherme atendeu do outro lado e, com a sua voz, as outras vozes pareceram desaparecer.
-Guilherme! Sou eu, Alícia. – Só então ela se deu conta do quão afobada sua voz parecia.
-Alícia? Aconteceu alguma coisa? – Ele perguntou, notando que algo estava errado.
-Aconteceu de novo. As vozes voltaram.
Houve um silêncio do outro lado e ela pôde ouvir Guilherme murmurar algo, e outra voz responder, provavelmente Jonathan. Então Guilherme voltou ao telefone.
-Estou indo aí te buscar. Fique na frente do seu prédio daqui a meia hora.
-Ok. – Ela respondeu, desligando.
Respirou fundo e se controlou. A respiração, aos poucos, foi voltando ao normal, assim como os batimentos cardíacos. Não tinha palavras para descrever como odiava aquilo.
Saiu do quarto e foi até a sala, não queria ficar lá dentro. Duda já deveria ter ido para o trabalho e ela estava sozinha, novamente. Ficou encarando a televisão, sem realmente prestar atenção, até dar a hora de descer. Hora essa que parecia não chegar nunca. Ela precisava entender o que acontecia com ela antes que ficasse louca de vez.
Desceu as escadas o mais rápido que pôde, logo chegando ao térreo. Acenou rapidamente para o porteiro, que fez o mesmo. Alícia desconfiava de que ele não gostava muito dela. Ninguém no prédio gostava, de qualquer forma.
Chegou até a frente do prédio e ficou parada na calçada, aguardando, de braços cruzados. Batia o pé no chão repetidamente. Nem ela era capaz de entender porque estava tão nervosa, mas estava. Achava que, se acontecesse novamente, não seria afetada tão gravemente. Sentia-se fraca por ter ficado apavorada novamente e, por desespero, ter ligado para eles. Começava a se arrepender.
Não demorou muito para um carro entrar na rua. Não era um carro lá muito caro, mas também não era uma lata velha da vida. Parou na sua frente e Guilherme abaixou o vidro, com um semblante ligeiramente preocupado.
-Você está bem? – Perguntou, sério. Ela acenou que sim. – Entra, vou te levar para Jonathan.
Ela obedeceu, sentando no banco do carona e pondo o cinto de segurança. Guilherme fechou o vidro e deu partida no carro, manobrando para sair por onde entrou. Ela o olhou pelo canto do olho. Não, ele não tinha idade para ter tirado carteira.
-Quantos anos você tem? – Ela perguntou.
-No momento, dezoito.
-Eu estou falando sério. – Ela disse, revirando os olhos.
-Eu também! – Ele insistiu, virando na rua principal.
-E se a polícia te parar?
-Eu vou provar para eles que tenho dezoito anos. – Guilherme disse, dando de ombros.
-Vocês têm documentos falsos?
-É sério que essa é a sua maior preocupação no momento?
Alícia se calou. Perto daquilo tudo, os documentos falsos de Guilherme não eram nada. Não devia reclamar tanto, eles estavam a ajudando, não estavam?
O caminho foi silencioso. Ela não queria conversar com ele, não realmente. Queria chegar a Jonathan, ele tinha mais chances de resolver o problema. Se nada desse certo, pelo menos conheceria os outros.
A viagem durou, mais ou menos, uma hora. O trânsito estava especialmente bom naquele dia, então foi muito simples atravessar a cidade. Guilherme a levava para uma área menos favorecida, uma área gigantesca do município conhecida como Zona Oeste. Conhecido, especialmente, por ter os bairros mais quentes. Realengo, o bairro que entraram, era especialmente quente, perdendo apenas para Bangu, o bairro vizinho. Havia favelas, claro, mas no geral eram apenas casas aumentadas em um andar para que os filhos dos donos pudessem habitar. Eram, originalmente, casas bonitas e arrumadas, mas o acréscimo tornava o clima feio.
Pararam na frente de uma casa. Era uma rua típica de subúrbio, alguns muros com cores chamativas, outros apenas no chapisco, alguns ostentando uma pichação. Algumas crianças soltavam pipa no meio da rua, os olhos atentos na batalha que acontecia no céu todos os dias.
Pela fachada, não podia se dizer muito da casa. Era pintada em um verde claro e suave, um pouco desbotado. Guilherme abriu o portão de alumínio, dando espaço para que ela passassem. Fechou o portão e o guiou por um corredor lateral, muito comum naquele tipo de casa. Atrás da pequena casa que podíamos ver na rua havia uma casa muito maior, que fora construída em mais de um terreno. Se você não passasse pela casa da frente, que provavelmente estava lá para disfarçar, jamais saberia.
Guilherme bateu na porta e logo foi respondido. Jonathan estava do outro lado com certo ar de ansiedade.
-Alícia! Que bom que nos ligou, estávamos esperando. – Ele disse, convidando-a para entrar. Ela o fez, Guilherme logo atrás dela.
O primeiro cômodo era uma sala com uma aparência bem confortável. Dois sofás grandes, uma sala projetada, uma televisão relativamente grande, um tapete bonito e uma elegante mesa de centro. Não havia ninguém lá e Jonathan passou direto, indo para outro lugar qualquer. Alícia o seguiu de perto.
-Os outros dois estão lá atrás, jogando. Estamos fazendo o possível para vencer Victor. – Ele disse, e deu uma risada de uma piada interna qualquer. Seja lá quem fosse Victor.
Deram em uma espécie de varanda, com uma bela vista para o muro dos fundos. Havia duas pessoas em uma mesa de seis lugares, um de frente para o outro. Um era um rapaz, parecia ter uns dezoito anos, pele cor de chocolate e um cabelo negro, cortado rente. Uns óculos marrons e proporcionais emolduravam seu rosto. Estava concentrado no jogo.
A outra era uma garota que não devia ser mais velha do que Alícia. Era, inegavelmente, muito bonita. Possuía uma pele perfeitamente clara, sem marcas, sem defeitos. Os cabelos eram de um loiro reluzente e natural, como se fosse ouro. O rosto era simétrico e anguloso. Quando ela notou a chegada dos três, olhou-a de cima abaixo com seus olhos verde esmeralda.
-Meninos, esta é Alícia. – Jonathan disse e eles trocaram um aceno tímido, Victor sorrindo. Então Jonathan virou-se para Alícia. – Esses são Victor e Renata.
-Então, vocês também... – Ela não soube completar a frase.
-Sim. – Victor respondeu, simpático. – Nós também somos descolados.
-Victor usa mais partes do cérebro do que nós. Resolve, em minutos, contas que Einstein demoraria dias. Todos os seus boletins, desde que começou a fazer provas, vieram com todas as médias dez. Todas, sem exceção. – Guilherme explicou, suspirando ao final. – A vida escolar dele deve ter sido muito, muito chata.
-E eu nunca estudei para uma prova sequer! – Comentou, convencido.
-Você é o sonho de consumo da minha irmã. – Alícia comentou, achando graça.
-Eu sou o sonho de consumo de qualquer pessoa. – Victor disse, dando a Alícia uma piscadela.
-Menos, Victor, por favor. – Guilherme disse, revirando os olhos, e Victor deu uma risada, voltando sua atenção ao tabuleiro. – E tem a Renata. Bem, ela é... bem, digamos que ela é bem convincente.
-Como assim? – Alícia perguntou, confusa.
-Querida, você poderia, por favor, plantar bananeira? É bem rápido, se não for incômodo. – Renata disse, sua voz era perfeitamente afinada. Alícia deu de ombros.
-Ah, tudo bem... – Então Jonathan a segurou pelo ombro, a impedindo de se mover.
-Pensa no que você está fazendo. – Ele disse e ela o olhou, ainda confusa. Então as coisas começaram a se encaixar na sua mente.
Por que diabos ela iria plantar bananeira aleatoriamente, se ela nem fazia isso direito?
-Como isso aconteceu? – Alícia perguntou, pasma.
-Ninguém sabe como acontece. – Victor respondeu. – Ela simplesmente pede alguma coisa com um pouco mais de jeito e somos tomados por um desejo incessante de obedecer, sem parar para pensar. É irritante, se você quer saber.
-Pelo menos eu não passei o Ensino Médio inteiro sendo zoada na escola, nerd. – Ela se defendeu, emburrada. Nem assim ficava menos bonita.
-Renata, Renata... Não se iluda, eu sei que mesmo assim você me ama. – Ele respondeu e ela revirou os olhos, dando-se por vencida.
-Cala a boca e joga.
-Pra que? Acabei de fazer um xeque mate. – Ele cruzou os braços e se recostou na cadeira, convencido.
-Em excelente hora. Precisamos de você aqui. – Jonathan disse. – Não sabemos ainda o que acontece com Alícia, você sabe.
-Ótimo, vamos logo. – Ele levantou-se e começaram a andar de volta para a casa.
Entraram em uma porta de madeira simples e ela se surpreendeu ao ver o que havia por trás. Era um cômodo relativamente grande, transformado em um laboratório improvisado. De certa forma, também lembrava uma enfermaria. Havia uma maca, alguns computadores, e coisas que ela só encontrava no laboratório de química da escola. Nada realmente tecnológico. Era o pior lugar o possível para entrar com pessoas desconhecidas, mas era aí que Alícia entrava em conflito consigo mesma. Havia acabado de conhecer Victor e Renata, não sabia absolutamente nada sobre eles, mas ainda assim, era como se os conhecesse pela vida inteira. Era como se houvesse convivido com eles em um passado há muito tempo esquecido.
Victor pediu para que ela se sentasse na cama. Ele agora havia adquirido uma postura séria. Podia, facilmente, ser comparado com um médico pronto para uma consulta importante. O fato dele mal parecer ter chegado à maior idade tornava a cena um pouco engraçada.
-Muito bem, pelo que eu sei Guilherme conseguiu projetar pensamentos para a sua mente. – Ele conferiu e ela confirmou com um aceno de cabeça. – Certo. Antes disso, você tinha ouvido a mente de mais alguém?
-Não, nunca.
-Não... – Ele estava pensativo, andando de um lado para o outro. – E tem também umas vozes que você ouve?
-Sim, aconteceu duas vezes já. – Ela disse, estremecendo ao lembrar-se delas. Ninguém pareceu notar.
-E o que elas dizem?
-Meu nome, e dizem para eu ir até elas. Mas não dizem quem são, nem onde eu tenho que ir.
-Quantas pessoas são, mais ou menos?
-Não tenho certeza. Mas, pelo menos, um homem e uma mulher.
Victor e Jonathan trocaram um olhar automático. Haviam chegado a um ponto importante. O rapaz não disse nada, apenas se aproximou do computador mais próximo e o ligou, pensativo. Alícia aguardou, quase congelada, esperando o que iria acontecer. Ele começou a abrir algumas pastas e abriu uma imagem. Então virou o monitor para ela e não houve outra reação a não ser arregalar os olhos.
Os dois gêmeos que ela via regularmente em seus sonhos, os ruivos, estavam lado a lado sorrindo, posando para a foto abraçados.
-Você já os conhece, não é? – Victor perguntou, quase que uma afirmação.
-Não pessoalmente. – Ela disse. – Eu já sonhei com eles mais de uma vez.
-Sonhou? – Victor perguntou, mas foi uma pergunta retórica. – E o que acontecia nesses sonhos?
-Sempre a mesma coisa. Eu andava sozinha em uma trilha, parecia a Floresta da Tijuca. Então eles apareciam me chamavam para ir com eles e iam andando pela trilha, cada vez mais fundo. Então eu acordava, depois de andar muito tempo.
Victor começou a andar de um lado para o outro. Quase que dava para ouvir sua mente trabalhando, chegando a uma conclusão. Então ele parou, encarando-a.
-Eu não acho que você leia mentes. Ler mentes não explica você sonhar com alguém que nunca viu anteriormente.
-Então o que seria? – Jonathan perguntou, obviamente curioso.
-Eu acho que Alícia tenha uma conexão mental com os outros projetos. – Ele disse, então virou-se para ela. – Projetos somos nós, modificados. Eu acho que seu cérebro, de alguma forma, se comunica com o dos outros. Por isso que nunca aconteceu de você ouvir a mente de uma pessoa normal por acidente. Só a de Guilherme.
-E por que eu não ouvi a mente de vocês novamente?
-Bem, não é uma habilidade física como a de Guilherme ou de Renata. É algo que precisa ser controlado. Você vai ter que aprender a lidar com isso.
-Eu não faço a menor ideia de como fazer isso. – Alícia admitiu, sincera. Quarenta e oito horas antes ela nem podia imaginar que estaria metida em algo assim.
-Nós vamos te ajudar, te testar, e aos poucos vamos descobrir como fazer. – Jonathan assegurou. Era estranho, mas ele passava um sentimento de segurança.
-Se quiser, podemos começar hoje mesmo. – Victor sugeriu, animado.
Alícia olhou no relógio. Não ia dar tempo, em algum tempo teria que ir para o show na lanchonete e tinha que se preparar antes. Inclusive, se demorasse muito para sair iria se atrasar. Não podia faltar aquele compromisso e, no fundo, não queria. Precisava da sua guitarra nos braços e do som dos instrumentos entrando ao mesmo tempo na música, precisava botar as letras das músicas para fora. Precisava botar tudo aquilo para fora.
-Não vai dar gente. Hoje eu tenho show. – Disse, se levantando. – Eu tenho que ir me preparar.
-Tudo bem, eu te levo. – Guilherme se ofereceu. Ela deu de ombros, alguém teria que levar de qualquer jeito, e ele não era má companhia, no final das contas.
Ela acenou e se despediu de todos, agradecendo pela atenção. Prometeu que voltaria para os testes sempre que precisasse e saiu com Guilherme pela porta da frente, voltando ao carro.
Quando chegaram na saída do bairro, ele resolveu puxar conversa.
-Então, você toca? – Perguntou, aleatoriamente.
-Sim, guitarra. Eu também canto.
-Canta bem?
-Bem, se eu sou a vocalista... – Ela respondeu, meio que rindo.
-Ok, admito, foi uma pergunta idiota. Que tipo de música?
-Que tipo de música você acha que eu toco? – Ela perguntou, encarando a pulseira com o símbolo do Metallica.
-Ah, não sei... Pagode? – Ele teve a intenção de perguntar sério, mas começou a rir quando viu a cara de desprezo que ela fez. – Brincadeira, calma.
-Gente assim morre cedo... – Ela murmurou e ele riu mais um pouco.
-Agora, sério. Qual o nome da banda?
-Rebel Riff.
Ele começou a rir, chegava a balançar o carro. Ela ficou o encarando, incrédula, sem entender.
-Qual a graça?
-Quem criou esse nome? – Ele tentou se controlar, quase não conseguindo.
-Meu amigo Rob. – Ela respondeu, mal humorada.
-Ele é o mais criativo da banda? Vocês estão bem servidos, mesmo!
-Nossas músicas são muito boas, se você quer saber! – Ela discutiu, cruzando os braços.
-Claro, claro... – Ele respondeu, debochado.
-Se duvida tanto, por que não vem ao show?
-Só deve ir gente estranha nessas coisas, eu que não vou em um negócio assim.
-Eu acho que você está com medo de perder o argumento. – Ela o desafiou e ele ficou um tempo em silêncio.
-Isso é um desafio? – Ele perguntou, a voz quase sombria.
-Com certeza. – Ela respondeu, o tom de voz animado.
-Nos vemos lá. – Ele disse, sério, e ela sorriu, vitoriosa.
Conversaram mais coisas sem compromisso, e a viagem não passou. Logo Alícia estava entregue na frente de seu apartamento, e tinha feito questão de dar o endereço da lanchonete para ele, para não haver desculpa. Agora era questão de honra.
Então foi só entrar e começar a se preparar para uma volta aos “palcos’.
Fale com o autor