DBZ - Saga de Crater - Capítulo #1
1 A invasão
Notas iniciais
A invasão
O mundo retomou forma e Goku afastou os dedos da testa, compreendendo o novo cenário. O saiyajin havia se materializado em meio a uma extensa planície, mais precisamente sobre uma larga vala com meio metro de profundidade. Curiosamente, o local lhe despertou certa nostalgia. Sua mente cruzou informações para descobrir porque aquele descampado repleto de lascas de pedra e grama chamuscada era tão familiar. Antes que pudesse chegar a uma conclusão, seus pensamentos se dispersaram, pois notou uma presença também familiar metros atrás de si. Goku apareceu naquele lugar se concentrando num ki conhecido, pois esse era o pré-requisito para executar seu teletransporte. Só então percebeu que havia se concentrado no ki daquele indivíduo, mas não sabia exatamente de quem se tratava. A energia lembrava alguém, mas possuía certas nuances que não pertenciam a nenhum de seus aliados. Era como encontrar um amigo após tanto tempo que não podia mais reconhecê-lo. Quando o saiyajin estava prestes a se virar, uma voz o abordou:
– Lembra-se desse lugar, senhor Goku? — A energia que emanava do indivíduo confundia o guerreiro, mas sua voz não. O ki não revelava apenas a presença e o poder de luta dos seres vivos, mas também sua identidade, alinhamento moral e traços de personalidade. O ki do indivíduo tinha mudado sob muitos aspectos, mas sua voz era inconfundível:
– Claro que me lembro, Supremo Kaioshin. Esse foi o lugar que a Genkidama resvalou logo antes de atingir Majin Boo. — o saiyajin enfim se virou e viu a pele roxa da entidade vestida num tecido rijo, um tipo de casaco sem mangas e com apenas um botão perto do ombro direito. Uma assimetria compensada pelo próprio tecido, que se alargava confortavelmente, cobrindo dois terços do peito e prendendo-se ao botão com facilidade. O traje azul-escuro de contornos dourados se alongava um pouco além da cintura, onde um pano laranja amarrado recaía entre os joelhos. Os brincos Potara se destacavam nas orelhas pontudas por conta dos cabelos brancos amarrados, e seu rosto guardava uma expressão austera, porém, simpática ao convidado. O guerreiro sorriu de leve e continuou:
– Me lembro daquele dia como se fosse hoje. — Goku apontou para a esquerda, onde uma montanha se erguia ao longe. Nela, uma grande fenda se destacava.
– Meu corpo perfurou aquela rocha após ser arremessado por Majin Boo. Tentei me recuperar, mas atravessei o solo e fui parar numa caverna.
– Impressionante, nem parece que já se foram cinco anos desde o embate. — e, por alguns momentos, o saiyajin ficou absorto naquelas lembranças. Tais recordações despertaram emoções agradáveis, algo que o saiyajin não havia experimentado nos últimos meses. Tudo por conta de um mau pressentimento, um tipo de perturbação que permeava seus pensamentos e trazia a tona uma emoção contrária a sua natureza. Pela primeira vez em muito tempo, Goku sentia medo, mas ainda não sabia o que temer. Esperava que aquele encontro sanasse a dúvida.
– Fico satisfeito com sua presença, senhor Goku. Por acaso interrompi seu treino com o Kaio do Norte? — Goku voltou sua atenção ao anfitrião e disse:
– O treinamento acabou... aprendi o Toque do Dragão. — O Kaioshin observou por alguns segundos uma expressão séria, incomum ao saiyajin. Depois, falou:
– Deve ter muitas perguntas, senhor Goku.
– Na verdade, o fim do treinamento já explicou muita coisa. Da ultima vez que aprendi um golpe como o Toque do Dragão, os saiyajins vinham pra terra, então não precisa muita imaginação pra saber o que está havendo. Além disso, o senhor Kaio fez mistério sobre o efeito da técnica até o momento que a dominei completamente. Quando finalmente me contou, tive certeza que tinha algo grave acontecendo.
– Correto, senhor Goku. O Kaio do Norte omitiu a informação devido a natureza drástica da técnica. De outro modo, não sabíamos se aceitaria o treinamento. Pra dizer a verdade, nem sabemos se usará o golpe caso necessário.
– Garanto que, em último caso, vou usá-lo. Só que às vezes... — e Goku fechou o punho mais forte do que gostaria — penso que mesmo a nova técnica pode não ser suficiente. Só tenho uma pergunta: essa nova ameaça é tão destrutiva quanto o Toque do Dragão? — O Kaioshin ponderou. Após uma longa pausa, respondeu:
– Fique tranquilo, se o Toque do Dragão encontra o alvo, está acabado. Mas, verdade seja dita: a ameaça é digna do mau pressentimento que o perturba. — O guerreiro arregalou os olhos, dizendo:
– C-Como você sabe sobr…
– O senhor não foi o único a sentir. Seres que viajam entre planos ficam bastante suscetíveis a esse tipo de abalo. A sensação é péssima, não?
– Nem quando lutei com Freeza me senti assim. Pensei que depois do treinamento voltaria ao normal, mas só fiquei ainda mais inquieto. Se eu pelo menos conhecesse o inimigo, teria a real noção do perigo.
– O chamei aqui por dois motivos, senhor Goku. Um deles é que vai me ajudar a achar a fonte dessa perturbação e, assim, vamos descobrir quem é esse inimigo. Mas antes, devo deixá-lo a par de acontecimentos tão relevantes quanto a iminente ameaça que pressentimos. Venha comigo e explicarei melhor.
Rente ao solo, O Kaioshin flutuou e, após alguns segundos atônito, Goku o seguiu. Flutuavam lado a lado enquanto um céu púrpura os cobria, repleto das várias luas que nele pairavam. O saiyajin enxergava o ambiente com clareza, apesar de não haver sol iluminando o Planeta Sagrado. A explicação lhe ocorreu a seguir: as dezenas de minguantes e crescentes agiam como holofotes naturais, distinguindo o caminho com perfeição. Moveram-se por alguns metros de planície e logo a entidade achou um ponto de partida para seu discurso:
– Após minha participação risível no incidente com Majin Boo, entendi que para um Supremo Kaioshin, minhas habilidades estavam longe do ideal. Desde então, viajei pelo universo buscando a experiência e conhecimento necessários para melhor desempenhar minhas funções. Em uma de minhas viagens, conheci um grupo de indivíduos organizados em torno de um peculiar ideal, e me juntei a eles em sua empreitada. Denominam-se A Aliança, e aqui as coisas se tornam realmente interessantes: seu nome se refere a grande união de civilizações que visava deter Freeza e seu império em expansão. Aparentemente, antes de terem a oportunidade, um certo guerreiro de cabelos dourados deu cabo do malfeitor. — e o Kaioshin jogou um olhar de soslaio para Goku — Depois disso, suas tropas debandaram e, com o desaparecimento do Rei Cold, viraram um alvo fácil. Hoje, a Aliança se dedica a evitar que um novo ditador oprima a galáxia, além de caçar algum regimento ou soldado desgarrado do exército de Freeza. — o Kaioshin e seu convidado entravam numa alameda e, só então, Goku percebeu uma cicatriz na testa do Kaioshin, bem acima da sobrancelha esquerda. A entidade ainda falava:
– Em paralelo, a Aliança também torna planetas habitáveis e explora novas galáxias, graças aos recursos praticamente ilimitados de que dispõem, tanto em termos tecnológicos quanto bélicos. O que não lhes falta são soldados se alistando para engrossar fileiras que nunca estão espessas o suficiente para as demandas do universo. — Goku apenas ouvia com atenção, esperando a próxima palavra com curiosidade — Obviamente, tive de lhes contar minha história também, e parte dela envolve os Guerreiros Z. Ficaram impressionados em saber que eu conhecia o homem que derrotou Freeza, e lhes mostrei algumas de suas lutas através da bola de cristal. Isso nos traz ao primeiro motivo de sua visita, senhor Goku. Ao assistirem seu embate com Majin Boo, viram que as esferas do dragão foram usadas para a reconstrução da Terra. Isso trouxe a tona uma antiga discussão. O fato é que, numa distante galáxia, existe uma estrela com indícios de que entrará em supernova e destruirá as milhares de civilizações ao seu redor. Após uma turbulenta votação, o veredito foi a favor dessas civilizações. A Aliança precisa das esferas para evitar a explosão estelar e irá a Terra buscá-las.- Goku e seu anfitrião venceram a alameda e já percebiam um objeto cinzento ao longe quando o Kaioshin finalizou:
– O que peço, senhor Goku, é que não resista as exigências da Aliança. Eles possuem um forte senso de justiça, são extremamente poderosos e não querem lutar, mas não pensarão duas vezes em revidar caso sejam atacados. Tenha isso em mente: não há possibilidade de vitória contra a Aliança. — Aquela última frase foi uma estocada no orgulho do saiyajin, mas Goku estava mais interessado do que nunca em conhecer indivíduos que impressionaram tanto o Supremo Kaioshin:
– Se eles são bonzinhos como diz, não vamos ter problemas! E se precisam das esferas, é claro que vamos dar a eles. Posso até reuni-las, se quiser.
– Agradeço, mas não será necessário. O melhor é que use os próximos dez dias para pensar na proposta que lhe farão. — o guerreiro ficou confuso diante da afirmação. O Kaioshin logo esclareceu:
– Há boatos de que vão convidá-lo para se juntar as tropas da Aliança. Devido a sua reputação, o querem em uma facção de elite do exército. O senhor poderá lutar contra os mais fortes pelo resto de sua vida. Deve ser o sonho para um saiyajin. — Goku estava perplexo no primeiro momento. Aos poucos foi inundado por aquela ideia, e sua consciência imersa em empolgação. Empolgação seria eufemismo para definir seu estado de espírito. Sua natureza clamava por batalhas e a vontade de ser mais forte o consumia como nunca. Era a oportunidade de unir o útil ao agradável.
Esticando o braço para frente, num gesto introdutório, a entidade falou:
– E chegamos ao segundo motivo de sua visita. — o Kaioshin apontava para uma pedra de granito triangular cravada no solo. Em cima dela, um diminuto objeto vermelho repousava.
– Em dez dias, representantes da Aliança irão a Terra, mas tal decisão não foi unânime. — o Kaioshin caminhava sozinho até a mesa de pedra enquanto dizia:
– Eu era contra, assim como alguns outros membros do conselho. A reação ao nosso posicionamento veio alguns dias antes da votação, quando o comboio em que viajávamos sofreu um trágico ataque. Certos membros do conselho foram mortos naquele dia, mas, comigo, as coisas foram diferentes. Fui atacado por um poderoso telepata, um criminoso com quem já tinha cruzado antes. Ele me rendeu com a única armadilha na qual eu poderia cair e, sem perder tempo, executou sua missão. Extraiu algumas de minhas memórias e depositou nesta joia — O Kaioshin pegou o objeto de aspecto vítreo e mostrou a Goku:
– Esse é um amuleto Yani, tão raro e antigo quanto o povo que o forjou. Possuía formato arredondado antes de ser partido ao meio e, mesmo nessas condições, possui propriedades místicas únicas. Ele aumenta o poder mental do usuário e também é capaz de armazenar lembranças em seu interior. O problema é que o indivíduo que roubou minhas memórias impregnou o artefato com um tipo de essência escura que não me permite reavê-las. — Goku percebeu um tipo de negrume cristalizado na joia que destoava de sua cor vermelha.
– Cada tipo de essência escura exige uma técnica para ser retirada. Extrair a essência sem conhecer sua origem pode danificar a joia e comprometer as memórias armazenadas. Infelizmente, apenas o telepata que enxertou a substancia sabe o que ela é, nos impedindo de extraí-la. Mas extrair é apenas a solução padrão. Existe outra forma de separar a substância das memórias sem causar danos ao artefato. Por isso o trouxe aqui, senhor Goku.
– Eu? — o Kaioshin apenas assentiu e explicou:
– Podemos queimar a essência com uma intensa carga de energia limpa, algo que apenas sua transformação de super saiyajin pode proporcionar. Acredito que roubaram a memoria que nos motivou a lhe ensinar o Toque do Dragão. Essa lembrança se relaciona com nosso mau pressentimento, logo, com a identidade de nosso inimigo. O Kaio do Norte me disse que o senhor já pode se tornar-se super saiyajin 3 instantaneamente, uma clara demonstração de domínio sobre a transformação de maneira geral. Só preciso saber se está disposto a fazê-lo. — Goku levou só um segundo para responder:
– Eu faço. Se isso vai nos dar vantagem contra o inimigo, só precisa dizer quando. — o Kaioshin sorriu de satisfação:
– Ótimo! Vou chamar meus assistentes, a essa altura, devem estar prontos. — o Kaioshin fechou os olhos por um instante. Ao abrí-los, falou:
– Está feito, estarão aqui em breve. São telepatas melhores do que eu e poderiam vasculhar uma mente destreinada sem serem notados. — a entidade devolveu o amuleto para a mesa de granito.
– Queimar a essência se trata de um improviso, e também tem seus riscos. O calor gerado traz certas restrições pois jóia e essência se expandem com a alta temperatura, mas se retraem em velocidades diferentes. O artefato vai se retrair mais rápido, de forma que os resquícios fumegantes da essência vão causar danos a joia. Quando começarmos a extração temos que ir até o fim, pois será nossa única chance. O artefato também absorve calor rapidamente e, com a temperatura alta demais, as memórias podem se dissipar. Por isso, meus assistentes vão usar telecinese para canalizar toda a energia possível para o centro do amuleto, de forma que a essência atraia grande parte do calor para si. — mas Goku não queria saber como o artefato funcionava, sua curiosidade era outra:
– Como recuperou essa joia, Kaioshin? Pelo que entendi, seu adversário tinha te dominado e deveria estar muito poderoso usando o tal amuleto.
– Vê essa cicatriz? — e o Kaioshin apontou para a marca na testa — Alguns anos atrás, o mesmo telepata a fez. Digamos que lhe devolvi uma cicatriz bem maior em troca da joia. Quem sabe um dia conto essa história. — Quando o Kaioshin fechou a boca, uma dupla de humanoides aterrissou ao lado da mesa de granito. Se vestiam muito parecido com o Kaioshin, mas o primeiro ostentava a cor vermelha e o outro, um tom azul-claro. Partilhavam a pele pálida, mas não o cabelo laranja e moicano do de vermelho, até porque, o outro era careca. Ambos eram grandes, fortes e carrancudos.
– Estes são Green e Geller, meus assistentes. — após um aceno de parte a parte, o Kaioshin continuou:
– Posicionem-se, é hora de entendermos o que está acontecendo. — Green e Geller puseram-se um frente ao outro, com a mesa onde a joia repousava entre eles. O Kaioshin ficou a uma distância razoável do local e sinalizou para que Goku ficasse a apenas alguns metros da joia.
– No início, precisamos apenas das duas primeiras transformações, senhor Goku. Quando chegarmos a porção mais sedimentada da substância, lhe direi para se transformar em super saiyajin 3. — Goku assentiu e todos aguardaram.
Os punhos se fecharam e seus pés se separaram para dar uma forte base ao corpo. Com os músculos tensionados, veias se evidenciavam nos braços e na testa enquanto o poder de Goku aumentava. Pedrinhas se soltavam do solo, ignorando a gravidade, e eletricidade já começava a circundar o saiyajin. De repente, suas mexas esvoaçaram douradas e seus olhos se abriram azuis. Tamanho esforço logo achou escape:
– aaaaaaaAAAAAAAAAAAHHHHHHH!!! — a monumental liberação de ki causou um deslocamento de ar, e energia espalhou-se ao redor de Goku, com um raio de alcance que tocava o artefato Yani. Green e Geller começaram seu trabalho, canalizando o máximo de ki para o centro do amuleto. A joia levitava centímetros acima da pedra e a energia de Goku já começava a consumir a essência escura. Poeira negra saía em espiral, envolta por filetes de energia que a conduziam para o alto.
Estamos indo bem. Agora preciso que atinja o nível dois, senhor Goku – Orientou telepaticamente o Kaioshin. Goku gritou mais alto e o chão ao seu redor começou a rachar quando a transformação ocorreu. A energia triplicou, e a dupla de paranormais não poupava esforços para cumprir sua missão. Eles usavam ki para potencializar seus poderes mentais, gastando grande quantidade da própria energia para manipular a de Goku. O guerreiro ainda elevava seu poder de luta, causando uma fissura no terreno que correu até a mesa de granito, afundando parte dela no solo. Apesar da energia maciça, a queima da essência praticamente estagnara, tornando o processo ainda mais lento e arriscado. O Kaioshin percebeu isso quando viu Green sangrar pelo nariz com o esforço de manipular a energia do super saiyajin 2. A essência estava resistindo tempo demais e era hora de acabar com aquilo:
Senhor Goku, preciso que faça a transformação final e que vá ao limite de seus poderes. — O queixo de Goku pingava de suor quando respondeu:
Entendido! Espero que isso funcione!– segundos depois, um clarão surgiu e o chão em volta de Goku se desfez.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH!!! — mas o que veio a seguir afundou o plano original. Geller desfaleceu, e a energia que ele segurava se espalhou. Os ouvidos de Green imitaram seu nariz, sangrando copiosamente. A joia não suportaria tanto calor, mas Goku já havia perdido as sobrancelhas e seu cabelo beirava a cintura. Parar a transformação arruinaria tudo. O Kaioshin pensou em tirar a jóia do alcance daquela energia, mas, se o fizesse, perderia a oportunidade de recuperar suas memórias. Isto posto, a decisão estava tomada: Teleportou-se bem acima da joia, seus olhos totalmente preenchidos por um azul brilhante e seus braços abertos. De súbito, entrelaçou as mãos e seu gesto fez a energia espalhada se espremer num funil telecinético, que tinha a parte mais afilada cravada no centro do amuleto. A essência queimou com rapidez, mas daquele ângulo, não sabia se a substancia já tinha se consumido por completo. A entidade tentava se teletransportar para perto da joia, mas tanta concentração e energia eram focadas em reter o ki de Goku, que só conseguia fazê-lo por cerca dois metros e numa direção aleatória. Não havia mais poeira negra saindo do artefato. Praticamente sem ki, a entidade mal podia manter a consciência, e com o queixo pingando em vermelho, pediu:
PARE, SENHOR GOKU!– O saiyajin sentiu alívio por escutar aquele pensamento. O deslocamento de ar cessou quando Goku tombou para trás, atingindo o solo com cabelos negros e peito ofegante. O Kaioshin também caiu de uma altura razoável, causando grande impacto visual e uma nuvem de poeira, mas nada além disso. Green estava sentado no chão, o rosto pálido, sujo de sangue, e Geller ainda estava inconsciente, na beirada do buraco cavado pelo ki de Goku.
O Kaioshin havia caído longe da joia devido a suas tentativas frustadas de teleporte. Apesar da queda equivalente a alguns andares, logo se levantou. Atravessou a poeira fina e enxugou a boca com as costas da mão, tingindo-a de vermelho:
– Estão todos bem? — a entidade apontou para o corpo estendido de Geller, e Green o compreendeu. Rapidamente, o telepata levou dois dedos de uma mão a própria têmpora, fechou os olhos e, instantes depois, Geller recobrou a consciência. Goku se levantava, mas não prestava atenção na pergunta do Kaioshin, e sim no amuleto vermelho-rubi que ainda levitava acima da mesa de pedra partida.
– Acha que funcionou, Kaioshin? — e, aproximando-se do artefato, a entidade concluiu:
– Não apresenta rachaduras, mas o calor pode ter dissipado as memórias. Pelo menos agora podemos descobrir. Não se impressionem demais, ouvi dizer que recuperar memórias não é exatamente agradável. — sem adiar aquele gesto, o Kaioshin fechou a mão sobre a joia.
Uma profusão de imagens pôs o Kaioshin de joelhos. Fragmentos de emoções e informações se encaixavam, respondendo várias perguntas de uma só vez. Eram respostas terríveis, de fato, mas justificavam o mau pressentimento experienciado por Goku e por ele próprio. Mal pôde ouvir os gritos que emitia ao cair de costas com as mãos pressionando o crânio. O rosto se contorcia enquanto imagens em sequencia e a voz de Goku se misturavam às lembranças recuperadas. Aquela experiência lamentável durou meio minuto, e com a mesma rispidez que as memórias o assaltaram, também se aquietaram. De repente, estava ciente de tudo e já voltava a perceber o mundo material com coerência, tanto em imagens quanto em sons:
– Está bem, Supremo Kaioshin? — Green ou Geller tinha lhe perguntado, mas ele não sabia dizer quem. Os três estavam curvados na direção do Kaioshin, tentando entender o que acontecia. Mas foi Goku que perguntou:
– O que descobriu, Kaioshin? — Aquela pergunta trouxe a mente da entidade sua prioridade número um e, prontamente, ergueu o dedo para cima:
– Caímos numa armadilha. — Goku e os outros se entreolharam por um breve momento. Em seguida, os olhos semicerrados que compunham a expressão do saiyajin se arregalaram. Quilômetros acima, uma massa de nuvens negras girava com correntes elétricas percorrendo seu interior. Aquela escuridão contornava o próprio eixo, sombreando o local em que o Kaioshin era erguido por seus assistentes.
– Malditos… — falou a entidade, quase de pé — O que estava cristalizado na joia era a essência de um portal. Um portal é composto por essência e energia. Quando usamos energia para desprender joia e essência, reativamos o portal.
– É uma essência extremamente densa, como conseguiram enxertá-la no artefato? — perguntou Green.
– Não importa, o fato é que conseguiram. Me preocuparia mais com o que vai sair dali. — disse Geller, olhando a espiral negra.
De repente, todos notaram que algo surgia em meio ao vórtice. Estava cada vez mais perto e também mais similar a uma revoada de insetos. Metal negro em formato semi-humano moldava àqueles indivíduos e seus olhos vermelhos denotavam hostilidade.
– O que são eles? — Goku perguntou.
– Devem ser robôs. Os únicos seres que entram nesta dimensão são meus convidados ou seres com ascendência divina e aqueles indivíduos não possuem traços de energia sagrada. — disse o Kaioshin.
O poder de luta deles não era ameaçador, mesmo com Goku e os outros muito cansados. O mesmo não se podia dizer do ki indecifrável que atravessou o portal, transmitindo uma aura de pavor que afetou a todos:
– Inacreditável, ele de novo. — com os dentes trincados, o Kaioshin observou o humanoide grande e vestido numa armadura negra surgir pelo vórtice. Goku percebia a força do invasor, mesmo sem sentir seu ki com precisão. Naquele estado, não venceriam um combate e a solução que encontrou foi por dois dedos na testa:
– NÃO FAÇA ISSO, SENHOR GOKU! — Bradou o Kaioshin, assustando a todos. — Sua técnica de teletransporte exige que sinta um ki no lugar que pretende se materializar. Se for a Terra buscar Vegeta e Gohan, não conseguirá voltar, pois estamos quase sem ki. E minha técnica de teleporte exige certa quantidade de energia que não possuo. — Goku abaixou a mão, tomando consciência de que estavam por conta própria.
– Nós dois podemos segurar aquele mascarado, senhor Goku. Precisamos arrebentar sua armadura, pois ela é capaz de camuflar tanto o rosto quanto o ki do usuário. Ele não quer ser descoberto e vamos usar isso contra ele. Aquele portal vai se fechar em breve e ele ficará preso aqui, só então, quero que nos teletransporte para fora dessa dimensão. — Goku assentiu. — Quanto a vocês dois, quero que combatam os robôs que tentarem nos atrapalhar. Mesmo com pouco ki, podem vence-los facilmente.
– Com certeza, entortar metal é nossa especialidade. — Geller falou quando os robôs já estavam a cerca de quinhentos metros de distância. O Kaioshin materializou um cordão onde prendeu a joia e a colocou em volta do pescoço enquanto Goku e os outros assumiam posição de combate. Os robôs vinham em alta velocidade e a trinta metros do impacto quando um barulho de metal retumbou.

Pelo menos vinte robôs se chocaram contra uma parede invisível produzida pelo Kaioshin, de forma que alguns explodiram e outros foram desviados para o solo ao largo do grupo. A cúpula psíquica se desmanchou e Green e Geller partiram para cima dos robôs, permitindo a Goku explorar o buraco no centro da revoada. Atravessando a fumaça da explosão, Goku viu a massa de nuvens negras ao fundo e uma nova leva de hostis à duzentos metros. Olhando para a esquerda, o saiyajin viu que o mascarado voava ao largo, com um grupo de robôs em sua retaguarda. Goku partiu na rota mais curta para interceptar o invasor. Dezenas de autômatos o perseguiram e foram despedaçados facilmente. Os últimos que desafiaram o guerreiro eram os robôs de escolta do mascarado, que se desviaram na sua direção. Goku arremessou uma só bola de energia que ziguezagueou entre eles, atravessando cada um e desligando-os no ato. Nada mais impedia o guerreiro de alcançar seu inimigo. No momento do choque, manobrou o corpo paralelo ao do alvo e girou 180 graus numa cotovelada de cima para baixo. Uma mão do mascarado parou seu cotovelo e a outra agarrou seu antebraço. As duas mãos do invasor dominavam o braço do guerreiro, o que facilitou seu arremesso. Goku foi jogado contra o joelho do invasor e a mão livre do saiyajin se pôs no caminho, evitando o impacto com seu rosto. Em seguida, a mesma perna metálica se flexionou para trás, mas Goku nem se defendeu: vendo que o invasor ainda segurava seu antebraço, o puxou para si e aparou a máscara de metal com o punho fechado, num soco violento que repeliu o inimigo. O indivíduo girou algumas vezes no ar antes de ganhar estabilidade e, uma vez no controle, ignorou Goku, seguindo na direção que rumava antes de ser atacado. O guerreiro não desistiu, voou em parábola até estar bem acima do inimigo e uniu os pés para descer brutalmente na nuca do invasor. Encontrou o nada, pois o alvo usou super velocidade para escapar no último instante. Goku parou no ar abruptamente, tentando sentir o ki maligno, mas os braços do mascarado já estavam sobre sua cabeça, as mãos entrelaçadas, prontas para a agressão. Seus braços desciam quando um impacto fez o invasor voar por cinquenta metros, destruindo uma rocha. O chute do Kaioshin havia sido certeiro e seus dois pés ainda estavam na horizontal quando Goku o viu.
– Belo salvamento, Kaioshin — a entidade assentiu de leve. Goku observou Green e Geller lutando contra os robôs a trezentos metros dali. Estavam se saindo bem, o que daria a oportunidade para Goku e o Kaioshin se concentrarem no invasor.
– Vamos atrás dele. — Ambos voaram rumo aos pedregulhos provenientes do golpe e lá aterrissaram. O mascarado se erguia um pouco distante do local do impacto, próximo a outra rocha. Em parte, sua armadura High-Tech parecia a versão metálica de um humanoide forte. Enquanto antebraços, peitoral e tórax eram claramente artificiais, os bíceps, pescoço e pernas eram confeccionados com placas menores, que se uniam para dar contorno humano ao corpo e boa mobilidade aos membros. No centro do peito, um circulo vítreo se destacava, assim como pequenas luzes de cor âmbar embutidas na parte externa das juntas e também na área dos olhos. Aparentemente, havia desistido de fugir.
– Vocês não vão me deixar em paz, não é? – disse uma voz artificial que vinha da armadura. O Kaioshin vislumbrou a alta montanha que se erguia detrás do inimigo. Nela, repousava a Espada Z.
– Ainda não sei quem é você, mas já que se esconde atrás de uma máscara, devo conhecê-lo. — a entidade afirmou.
– Perspicaz, embora apenas parcialmente correto. A persona que você conhece é tão artificial quanto essa armadura. Mas se quer tanto saber quem sou, lhe digo: Me chamo Crater, líder da Coalizão. Me perdoe se não acho prudente mostrar meu rosto. Sobretudo, depois do incidente com o comboio da Aliança… ah Kaioshin, os livros que me emprestou naquele dia são fascinantes. Gosto especialmente do que fala da iminente batalha de deuses que destruirá o universo.
– Se o seu livro fala de uma batalha que destruirá o universo, o meu fala da batalha que o salvará. Pelo que parece, estamos em lados opostos de uma guerra que está pra estourar. E a julgar pelo lugar em que pisamos, você também possui sangue de deuses. O que acha de darmos o pontapé inicial nesta batalha divina de uma vez?
– Acho que já fez isso quando enfiou os dois pés no peito dele, Kaioshin. — Goku falou, ingenuamente.
– De fato saiyajin, essa batalha já começou. E agora é minha vez de atacar.
A frase se seguiu da super velocidade do invasor, que resultou no Kaioshin voando rente a solo após levar um potente chute, ao mesmo tempo que Goku era soterrado por uma leva de robos. Super velocidade consumia muito ki, de modo que o Kaioshin evitava seu uso para salvar a pouca energia que lhe restava. Goku ainda possuía energia para gastar, mas não podia usar a técnica com frequência pois preferia guardar ki para uma transformação ou um disparo de energia. Crater, por outro lado, era limitado pela armadura, que se abastecia muito lentamente da energia necessária para ativar a super velocidade.
Os robôs se autodestruíram para machucar Goku, e uma nuvem de fumaça cinza se formou. Crater voou em velocidade para a nuvem e quem saiu do outro lado foi o saiyajin, expulso para o ar devido a enérgica pancada. Crater voou e ultrapassou Goku para dar um chute giratório com o peito do pé. Mirou no saiyajin indefeso, mas, ao fim do giro, encontrou um super-saiyajin que parou a ofensiva com o joelho esquerdo e revidou amassando a máscara com a outra perna. O Kaioshin plantou os pés no chão, se recuperando do chute e já voou rumo o rival desestabilizado. A divindade acertou dois socos nas costas de Crater que foram absorvidos pela armadura. O inimigo girou contra-golpeando o rosto da entidade com as costas da mão. O Kaioshin foi jogado longe, e, em seu voo descontrolado, viu de relance a Espada Z. Ela seria de grande ajuda, mas não tinha energia para saca-la e só podia observá-la, impotente. Com o Kaioshin repelido, o mascarado se virou, arremessou uma bola de energia e Goku a explodiu com um disparo idêntico. O invasor esperou o guerreiro surgir pela fumaça para ataca-lo, mas o saiyajin usou super velocidade, aparecendo frente ao alvo. Chutou e o braço ágil do mascarado protegeu seu rosto, mas a luz âmbar de seu cotovelo metálico se apagou. Um segundo chute foi desferido, mas a velocidade do invasor o levou para longe. Aquele braço era inútil agora, pois caso concentrasse energia com ele, revelaria sua identidade. Crater arrancou o antebraço de metal, mostrando uma malha negra envolvendo seu braço verdadeiro. Enquanto isso, Green e Geller voavam de um lado para o outro, barrando o máximo de robôs que podiam, mas começavam a ficar cansados e feridos demais para segurar todos.
A chuva de murros e chutes recomeçou. Crater percebeu que os golpes do saiyajin causavam dano severo a sua armadura e precisavam ser esquivados. Por outro lado, o invasor precisava contra atacar e, com os dois lutando juntos, seria difícil. Por isso, ordenou que uma nova revoada de robôs arrastasse Goku dali e, ao tirar o saiyajin do caminho, o invasor agiu. Voando, socou o Kaioshin que chutou o punho agressor para se defender. A entidade revidou com um soco e sua mão foi segurada pelo rival. Uma risada vitoriosa e artificial foi ouvida, mas o Kaioshin só a compreendeu ao perceber um robô preparando uma bola de energia logo atrás de Crater. O Kaioshin levou um soco no estômago e foi arremessado para trás no momento que a bola de energia foi desferida, chocando-se com ela em pleno ar. Atordoado, viu o planeta se aproximar após um forte impacto na cabeça. O Kaioshin girou desnorteado, mas não chegou a bater no chão, pois o joelho de Crater amparou suas costas cruelmente, fazendo-o gritar e, em seguida, desmaiar. Os olhos totalmente brancos do Kaioshin não viram o brilho da bola de energia que o mascarado lhe apontava. Mas Goku sim:
– Kaaaaa...meeeee…- Começou o saiyajin de rosto sujo, cabelos dourados e cercado pelas carcaças dos trezentos robôs que destroçou. Aquilo chamou a atenção do inimigo, que deixou o Kaioshin de lado para aceitar o desafio. O círculo de vidro em seu peito começou a ganhar cor âmbar rapidamente, cada vez mais brilhante e concentrada de ki.
– Haaaaaaaaaaa...meeeeeeeeeee… — A armadura fazia barulho de tanta energia reunida no centro do peito. Crater fechou o punhos, posicionou os braços ao lado do corpo e os flexionou.
– HAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!! — Os disparos foram sincronizados e o raio dourado de Goku mediu forças com o do inimigo. O raio de Crater possuía calibre maior, mas Goku resistia. Inicialmente, os raios empataram, mas o jogo não tardou a virar. A energia disponível não conseguia abastecer a forma de super saiyajin e o Kamehameha ao mesmo tempo. Por um instante, a fadiga abateu Goku que perdeu a transformação de super saiyajin e, com ela, a disputa de energia. O raio âmbar engoliu o Kamehameha de uma só vez, e a explosão resultante formou um cogumelo de fumaça.
– Aonde estávamos? – Crater falou jocosamente, se virando para o Kaioshin. A entidade havia recuperado a consciência, mas mal podia se mover.
– Eu poderia perguntar quais são suas últimas palavras, mas além de cliché, seria ignorar o encantamento que vai ressuscita-lo. Mas lembre-se: Da próxima vez que nos encontrarmos, tal encantamento não existirá mais e vou mata-lo definitivamente. – A mão do mascarado brilhou novamente, apontada para o adversário caído. Ele respondeu:
– Não creio precisar disso hoje. — E com um movimento brusco, o Kaioshin traçou a mão no ar, horizontalmente. Crater não entendeu de início, mas ao sentir o descomunal deslocamento de ar, saltou para trás, deixando a lâmina da espada Z passar raspando seu corpo. Porém, naquela velocidade, o raspão fez seu abdômen soltar pequenas correntes elétricas de dentro do talho feito pela arma lendária. O amuleto Yani brilhava no peito do Kaioshin, que materializou a Espada Z em sua mão direita, apoiando sua ponta no solo para se levantar.
– Quase posso ver sua cara de curiosidade detrás dessa máscara, desgraçado. — começou o Kaioshin, quase de pé. — eu não tinha ki suficiente para tirar a espada da pedra por mim mesmo, mas estar quase morto me concedeu um arroubo de criatividade. Graças a essa jóia, saquei a Espada Z com minha mente. E agora vou usá-la para despedaçar você! — O Kaioshin voou com a ponta da espada faiscando no chão pedregoso e saltou sobre o inimigo com uma estocada. Crater pulou para o lado e chutou a entidade, que pôs a lamina paralela a si, bloqueando metal com metal. A espada desceu rumo a mascara do invasor que, por reflexo usou as mãos, prendendo a lamina entre as palmas. O Kaioshin largou o cabo da arma, uniu os braços atrás da cabeça e materializou a espada nas mãos, para desferir um novo ataque. Surpreso, o invasor ainda desviou e salvou a mascara do dano, mas seu ombro foi dilacerado. Agora, a ombreira não passava de metal inútil fazendo peso. Como se Crater não tivesse problemas o suficiente, um soco lhe atingiu o peito da armadura, e o vidro circular ganhou várias fissuras brancas do centro as bordas.
Era o punho de Goku. Sua blusa azul esburacada o cobria, já que a de cor laranja fora queimada na explosão. Estava como super saiyajin e devido a energia escassa, não tinha tempo a perder: socou e chutou o invasor enquanto o Kaioshin brandia a espada para ajuda-lo. Crater tinha que decidir que golpes ia aparar e quais esquivaria, mas tanto fazia a escolha: Goku avariou o outro antebraço, a cintura e a luva da mão esquerda, enquanto Kaioshin tinha despedaçado as pernas e os ombros. Os robôs que chegavam eram fatiados pela entidade que após explodir uma leva deles, arremessou a espada contra Crater. A recente disputa de energia contra Goku tinha consumido muito ki e a armadura precisava de tempo para reabastecer, logo, Crater não podia usar sua super velocidade. Desalinhou o corpo do trajeto da espada como pôde e acabou se pondo no caminho do chute de Goku, que não só atingiu sua máscara, como apagou a luz âmbar de seu olho direito. A malha escura cobria boa parte do corpo, mas este ainda vestia máscara, torso, botas e uma luva na mão direita. O invasor estava no solo, prestes a ser flanqueado e a espiral negra no céu estava muito menor que quando fora aberta. Os aliados partiram para o inimigo, mas ele não se moveu. Quando estava próximo de ser atingido, se virou para o Kaioshin e com o olho que ainda brilhava, jogou um flash de luz forte, cegando a entidade. O invasor se abaixou e o soco de Goku explodiu na face do Kaioshin. Ainda abaixado, Crater se virou num disparo de energia, atingindo o abdômen de Goku a queima roupa. Com os dois inimigos fora do caminho, o invasor voou velozmente rumo ao portal que se fechava. Cobriu meio caminho usando toda a energia acumulada nas botas, mas o saiyajin não permitiria sua fuga. Prontamente, Goku se recuperou, voou e emparelhou com o inimigo. Crater percebeu o saiyajin logo acima e se virou para ver o punho do guerreiro se armar para trás. Sem opção o invasor agiu desesperadamente. O peito vítreo fez um disparo de energia, mas estava tão danificado que também explodiu por dentro. Goku foi jogado muito longe, enquanto Crater ficou apenas de botas e máscara, com as costelas ensanguentadas devido a explosão e, principalmente, por conta do grande caco de vidro que se projetava de seu peito. Se encontrava a metros do portal, mas estava inconsciente, indefeso e caindo do céu. O Kaioshin, mesmo com a vista embaçada, ainda viu Goku bater no solo dez metros a frente. O saiyajin caiu com mãos e joelhos no chão e se virou buscando o inimigo. Mas não encontrou o invasor em queda livre pois uma revoada de robôs o amparou e sumiu com ele através do vórtice. Os robôs restantes se desligaram de imediato e, enfim, o combate acabou.
– Desculpe Kaioshin, por pouco não pego ele. — lamentou Goku já com o cabelo preto.
– Não se preocupe, temo que esse não foi nosso último encontro com Crater. Até porque, acredito que fugiu antes de conseguir o que queria, seja lá o que fosse. — o Kaioshin respondeu, observando o dissipar das últimas nuvens negras no céu. Goku não fez rodeios, e voltou ao assunto que o interessava:
– É ele o inimigo que pressentimos?
– Não, senhor Goku. Ele é apenas uma mosca comparado ao perigo real. E, agora que recuperei minhas memórias, sei que o Toque do Dragão lhe foi ensinado para combater um indivíduo infinitamente mais poderoso.
– Que bom, o Kaioshin se lembrou! Como é esse inimigo, afinal? — Goku indagou, aflito. O Kaioshin voltou o rosto para ele e respondeu:
– Eu poderia contar agora, mas seria um desperdício. Em vez disso, faremos o seguinte: se correr tudo bem na visita da Aliança a Terra, prometo lhe contar tudo.
– Por que??? Mas isso é só daqui a dez dias! Vai me fazer esperar até lá?
– Lamento, senhor Goku, mas é necessário.
– Não! eu preciso sab-
– Até logo, senhor Goku. — e o Kaioshin estalou os dedos, fazendo Goku ejetar daquela dimensão tão confuso quanto havia chegado.
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