Céu e Inferno
1 ''A Sala de Recepção''
Notas iniciais
Você como a maioria das pessoas, deve acreditar em Céu e Inferno, porém, não da maneira correta. Normalmente, as pessoas, acham que o Céu fica em cima, que é branco e azul, com ruas e casas de ouro, onde todas as pessoas usam branco e tem aquela aureola em cima da cabeça, onde só vão os bonzinhos e puros de coração, e que lá fica Deus e os anjos e arcanjos, que são doces e que tem asinhas feitas de penas de cisnes, e que o Inferno fica em baixo, é preto e vermelho, com ruas feitas de brasa, onde as pessoa más vão e são condenadas pela eternidade a queimar e empurrar pedras, e que o Diabo fica lá, espetando as suas bundas, junto com seus demônios. Mas na realidade não é muito assim, por que já morei no Inferno, e agora, estou no Céu.
Vou contar tudo, desde o começo, pra você entender.
Eu sempre tivera uma vida normal. Escola, amigos, namoradinhos, intrigas e tudo mais. Meus pais eram separados, a única coisa ruim, até agora. Minha vida não era daquelas, uma maravilha e blá blá blá, mas eu também nunca achei que pudesse piorar.
Ano passado, quando eu tinha 13 anos, eu fui a um parque de diversões, o Saekodive. Aquele parque era enorme, e tinha mais de 50 atrações e brinquedos. Minha mãe permitiu que eu fosse a qualquer brinquedo com exceção de um, a roda gigante, eu a desobedeci e fui, se arrependimento matasse eu já estaria morta pela segunda vez. Acabei por cair da roda gigante, o banco onde eu fiquei estava com defeito, estava solto, despenquei de uma altura de quase 10 metros, e não sei como, após o impacto não morri na hora. Eu sentia minha aura esvaindo-se, assim, me deixando um alvo fácil para a morte, certa. A dor que eu sentia era descomunal e eu sabia que se eu saísse viva dali, o que seria quase impossível, não poderia mais andar, pois eu consegui sentir, na hora da queda, que a minha colona havia se partido ao meio.
Minha mãe chegou ao local da minha queda, e correu em minha direção, ao chegar a mim já não pode conter as lágrimas, e eu muito menos. Faltando pouco para a minha vida extinguir-se por completo, minha mãe olhou nos meus olhos me disse:
– Eu te amo, querida. — mas já era tarde demais para que eu pudesse responder, então apenas comprimi os lábios e tentei dar o meu melhor sorriso, ela acariciou meus cabelos e sorriu de volta, foi quando minha vida se foi por completo. Eu morri.
Após o ocorrido, eu, simplesmente apareci em outro lugar. O lugar era enorme, impossível de ao menos ter uma noção do tamanho. As paredes, se é que se pode chamar aquilo de paredes, eram um laranja rosado, como o do pôr do sol, e apesar de não ter nenhuma lâmpada era iluminado, muito iluminado. Haviam homens, mulheres, e espectros passeando por esse lugar, e haviam vários ''portais'' como o de que eu vim, como uma sala de recepção. E a sala estava cheia de espelhos espalhados pra tudo quanto é lado. Neles viam-se pessoas, andando normalmente como se não soubessem que estavam sendo vigiadas. Foi quando percebi que logo a minha frente havia uma placa onde estava escrito:
Homens: fila da esquerda
Mulheres: fila da direita
Então, obviamente, peguei a fila da direita.
Na minha frente tinha uma garota. Ela era ruiva, porém um ruivo de tom escuro, seus olhos eram verdes, como esmeraldas. Ela tinha covinhas e usava aparelho, ela devia ter por volta de 1,63 de altura, e suas orelhas pareciam de fadas. Ela aparentava ter a minha idade. Ela só notou minha presenta alguns segundos depois e olhou para trás.
– Olá — ela disse acenando. — Qual o seu nome?
– Ah, olá. — acenei de volta — Sou Ana, Ana Beil, e você?
– Mai, Mai Diaz. — ela começou a dizer algo, mas hesitou por um momento — Como foi?
– Hã? Como foi o...? Ah, cai de uma roda gigante, e você?
– Tiro na garganta. — ela fez uma careta e depois soltou deu um sorriso. Gostei dela, parecia ser gente boa.
– Mas então... Onde estamos exatamente? — disse olhando em volta.
– Bom eu não sei ao certo, mas, um ''Gasparzinho'' passou falando que esse lugar está exatamente posicionado no meio entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Lá na frente tem uma mulher chamada Miut, e pelo que eu entendi, ela escolhe quem vai pro mundo dos vivos e quem vai pro mundo dos mortos, porém, se formos pro mundo dos vivos nós seremos apenas um espirito vagando por ele, sem poder falar com ninguém, ou interagir.
– Mas tipo, tem mesmo esse negócio de Céu e Inferno? E se nós formos pra lá?
– Bom, tem, mas de uma forma diferente. Eu não sei o que vai acontecer, esse ''Gasparzinho'' não disse.
– Tá, mas como assim de uma forma diferente?- perguntei curiosa
– Bem, ele disse que, as pessoas não vão conforme seus pecados, ou a gravidade deles, mas sim conforme sua natureza, por exemplo, havia um assassino em serie na fila e ele foi pro Céu, pois, a sua natureza era ser fraco, ou seja, pela lógica os fortes vão pro Inferno e os fracos para o Céu, mas eu não entendi isso muito bem, talvez a tal de Miut nos explique lá na frente. — a fila andou, logo a frente havia uma mulher sentada atrás de uma mesa, deduzi que era Miut, devia ter umas dez pessoas à minha frente, mas mesmo assim, subiu um arrepio pela minha espinha. Ela era pequena, mas percebi que era musculosa, seus olhos, apesar de serem castanhos, eram lindos e amedrontadores, seus lábios eram grossos e rosados e seu nariz pequeno e empinado dava-lhe um ar de arrogância, apesar de sempre estar sorrindo. A fila andou mais rápido, e logo havia apenas duas pessoas entre eu e Miut, Mai e outra mulher que devia ter uns 37 anos, de cabelos castanhos e olhos claros. Ela conversou um tempo com Miut e logo se direcionou às duas portas que estavam atrás dela, uma era preta e outra branca, na frente de cada uma tinha um guarda. Sem que eu percebesse chegou à vez de Mai, antes dela ir até Miut ela se virou e disse pra mim:
– Espero que nos encontremos ou no Céu ou no Inferno — ela abriu um sorriso e me abraçou como se fossemos velhas amigas.
– Também espero — disse retribuindo o sorriso.
Ela se sentou e começou a conversar com Miut, não consegui ouvir nada, apesar de aguçar os ouvidos. Após um tempo ela se levantou e se direcionou até as portas, como fez a outra mulher. O guarda disse algo a ela, ela pensa um pouco, e quando decide o guarda sai de frente da porta e ela entra hesitante, mas, não sei por que, eu não consigo definir qual. É quando reparo que a minha vez, chegou. Aproximo-me de Miut e sento-me na cadeira, ela sorri pra mim, e eu respiro fundo.
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