Céu de Lítio
6 Capítulo 6
Notas iniciais
-Hi hi detenção! Quem diria hein, Gerard, você que sempre foi certinho! — Mikey acompanhou-o até a sala de detenções. -Então eu venho te buscar mais tarde, tá?
-Tá... — respondeu, num muxoxo. — Fazer o que?
-Tchau maninho!
Não foi surpresa encontrar Frank ali, afinal, ele mesmo dissera que detenções eram uma rotina quase diária. Gerard perguntava-se por que. Lá no fundo, sabia que não era má pessoa. Estava acostumado com os muros que muitos seres humanos criavam para proteger suas verdadeiras identidades. Mesmo que sua idade fosse tão tenra, as caracteristícas psicológicas eram seu domínio, sentia-se detentor de mistérios vários d\'alma e conhecia muito bem aquelas pessoas denominadas \"duas-caras\", indivíduos que sussurravam ao seu ouvido juras de amor enquanto te apunhalavam pelas costas. Infelizmente, percebia a que pé a humanidade chegara, uma situação onde o amor e todos os outros sentimentos bons estavam sepultados num mar negro de ódio, egoísmo e falsidades. Pressão...
-Seja bem-vindo senhor Way. — a professora saudou-o, enquanto ele sentava-se ao lado de Frank. — Vejo aqui os mesmos rostos de sempre, hein. Iero, Dylan... Tem um amiguinho novo pra vocês, agora.Sabem das regras, volto daqui à duas horas. — sua voz derramava uma ironia seca como o veneno de uma serpe maldosa.
-Por que você está aqui, Frank?
-Eu nem sei direito... É até legal, sabia, estar de detenção.
-Eu não vejo o motivo.
-Você viveu protegido por seus pais a vida inteira... Metade da escola considera vocês os meninos mais ricos e metidos que já se conheceu... Mas eu sei que é só aparência...
-Eu sei o que os outros pensam de mim. — soltou, sem querer.
-Sabe? — Frank arqueou uma sobrancelha.
-Não sou burro! — defendeu-se.
-O que você quer de mim, Gerard.
-O que? Você acha que tenho segundas intenções, que sou um falso?
-Não... — consertou. — É só que nós somos de mundos diferentes... Não é sadio para mim conhecer alguém como você.
-Por que?
-Você vai sumir logo, logo... Tenho certeza disso... E, no fim, só vai ter me usado como ombro amigo das horas de suplício.
-Te usar...? — Gerard derramou lágrimas cristalinas pela segunda vez, naquele dia. — Você acha que eu sou tão mimado assim... Acaba de desmentir o que disse antes... Veja através de minha aparência... Eu não quero nada além de ser seu amigo...
Frank suspirou, vencido.
-Então \"agente\" se conhce, se assim que você quer, só não chora de novo, por favor.
-Tá... — Enxugou as lágrimas com a manga da jaqueta.
-Gee... Você tá bem?
Fogo... Fumaça...
-Gerard fala comigo!
Água... Penas escuras dançando diante de seus olhos assustados.
-Ei! — Frank observou curvar-se, retorcendo espasmódicamente, sob o tampo de madeira da carteira. O sinal tocou alto e exigente. — Venha, você não está bem, vou te levar para a enfermaria.
-Não... — grunhiu. — Me leva até o estacionamento... O Micke tá lá me esperando, eu vou ficar bem.
Frank ajudou-o a levantar-se e fazer o trajeto longo para seu corpo debilitado, das salas até o estacionamento.
-Frank... Eu... Acho que...
O maior afastou-se a tempo, observando cheio de compaixão o menor dobrar-se ao meio e vomitar no asfalto, prostrando-se de joelhos e uma mão apoiada no chão, diante da poça de vômito.
-Ei... Você não pode ficar aí...
-Eu não consigo... Me ajude, Frank... Eu me odeio! Eu me odeio....
Notas finais
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