Céu de Lítio
23 Capítulo 23
A conversa foi interrompida por passos que vinham o corredor. O medo tomou conta de Gerard. E agora, o que seria? Já estava cansado das provações vividas em três dias, entretanto sabia que logo seria muito pior. E se separassem os dois? Não queria nem pensar nisso. Seu estômago roncou de fome, lembrando-lhe da fragilidade humana por vezes esquecida. Agora sentia-se um tanto quanto fraco. Um homem abriu aporta da cela escura, o sol que penetrou no ambiente cegou-os, momentaneamente.
-Olá, vocês dois. — o homem, talvez em torno dos 35 anos, aproximou-se de Gerard. Ele assemelhava-se um pouco com os dois, cabelo escuro, olhos verdes, pequeno (baixinho mesmo, a raça do Fran num tá extinta). — Vejo que acordou, senhor Way... Muito bom. Eu conversei com seu amigo, nos últimos dias, ele já sabe as regras do lugar, é só seguí-lo.
-Quem é você?
-Billie... Lembre-se, é só andar na linha e logo poderão voltar para suas casas. Preciso fazer uma coisa...
Billie pegou o pulso de Gerard e envolveu-o com uma pulseira metálica grossa. Eletrochoque. Após essa primeira precaução, soltou as algemas que o agrilhoavam. Gerard tentou invadir sua mente, mas percebeu o inevitável. Ele sabia de seu dom, escondia sua vida em um único pensamento. Chamas.
-O que vai fazer conosco?
-Seu amigo ali pode explicar tudo, tive uma conversa com ele. Agora pode soltá-lo. — Billie jogou-lhe um par de chaves e saiu, sem mais explicações, deixando a porta aberta.
-Me explica, Fran... O que é que vai acontecer agora. — Gerard passou a destrancar as algemas de Frank.
-É hora do desjejum, vamos pro refeitório, junto com os outros...
-Outros...?
-Outros mutantes... Fazemos a refeições juntos, onde passamos a maior parte do dia, sentados nas mesinhas. Somos presos só de noite.
-Tanta confiança...
-Essas pulseiras nos dão choque, se usarmos nossos poderes, e tem guardas pra todo lado, no pátio.
-Ah...
Frank saiu e Gerard seguiu. O sol era forte, mesmo que filtrado pelas grossas barras de ferro, nas janelas. O local assemelhava-se a uma escola, salas, corredor e o pátio externo, coberto. Muitas pessoas, sentadas em mesinhas, ocupavam o local. Frank sentou-se ao lado de dois rapazes ruivos, muito parecidos um com o outro.
-Você é Gerard Way? — perguntou um, com uma voz suave e infantil.
-Sim...- respondeu Gerard. — E você?
-Jack... Esse é meu amigo, Jason.
-Amigo? Não são irmãos?
-Não...
-Por que estão aqui?
-Por um motivo óbvio, né? Eu sou técnopata.
-E eu gênio da informática e ciências gerais. — completou Jason.
-Não usam pulseiras?
-Somos ajudantes do Doutor Vladic. Mesmo que presos nessa lugar. Não fazemos muito contra esses guardas, tecnopatia não pode dar em nada, se o que de tecnologia que há mais próximo são essas pulseiras... Eu me sinto meio cego, não há nada do meu meio por aqui.
-Entendo...
-Você é o número 714, né? Quem todos nós esperávamos?
-Eu...? Só quero ir embora daqui...
-Todos nós queremos. — suspirou Jason, abraçando Jack pela cintura, com um braço.
Foi então que Gerard percebeu. Eles deviam estar tão desesperados quanto ele. Mais até, conforme o que vira na mente dos dois, etavam presos há dois meses, já. Tomou-se de compaixão por eles. Tinham de fazer algo, mas o que...?
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