Cygnus - Fallen
6 Verão, Segredos e 4º Ano
Notas iniciais
Verão e Segredos
Claro que eu quis aproveitar o verão para testar minhas habilidades. Mas logo descobri que não teria sucesso com o meu pai. Ele era perito em Oclumência. Mas minha mãe era um livro aberto. Ficava indo atrás dela, tentando descobrir o que ela estava pensando. Mas depois de alguns minutos e flagrar uma troca de olhares dos meus pais, me arrependi amargamente. Meus pais mantinham o fogo da relação bem aceso e eu descobri mais do que desejava sobre eles. Nenhum filho merece ver o que eu vi...
Scorpius era um alvo mais seguro. E logo pareceu mais recompensador, pois acabei descobrindo um interesse da parte dele na afilhada da minha mãe. Nos encontros dos amigos do meu pai ou da minha mãe, eu sempre ficava quieto, em um canto, tentando penetrar na mente alheia. Tenho certeza de que meu pai sabia o que eu estava fazendo, pois ele sempre me olhava com os olhos astutos.
Tivemos apenas dois almoços durante o verão, com os amigos da minha mãe. A maior parte do tempo estávamos com meus avôs paternos, ou com os Goyle. Mas nada de interessante se passou com eles.
Não está realmente interligado com minha jornada como mago das trevas, mas gostaria de falar sobre os dois encontros – um na Toca, e o outro na casa dos Potter.
Eu adorava a Toca. Meus encontros com Dominique estavam cada vez mais quentes. Agora eu já tinha quatorze anos e meu corpo adolescente ficava louco pelo dela. Quando Scorpius, James e Remo quiseram espiá-la no banho, nem mesmo eu resisti à tentação. Não acho que ela descobriu – se tiver, era mesmo muito exibida. O corpo dela era muito bonito. A pele parecia porcelana, os cabelos apenas levemente alaranjados. Os olhos azuis, os seios fartos aos quais eu já estava familiarizado, apesar de nunca me cansar deles.
Eu me pergunto se deveria ter algum tipo de ciúmes dela. Se deveria ficar zangado por James, Remo e Scorpius estarem comigo, espiando. Mas não senti nada. Provavelmente por o que eu ter com ela ser simples e puramente físico.
Depois daquilo, fizemos uma fogueira, um pouco mais afastados, e eu fiquei a escutar as aventuras que cada um deles tinha. Logo descobri que o único que realmente tinha aprontado com uma garota era Remo. James e Scorpius sempre aumentavam a história. Adorava ser um legilimens. Adorava saber quando estavam mentindo. Me sentia tão superior...
Mas um hora me cansei daquele papo e me levantei para voltar para dentro. Foi quando encontrei Lily e Virgo conversando, animadamente. Mas assim que me viu, Virgo se levantou dizendo que iria pegar uma bebida e me pediu para fazer companhia para Lílian.
Me sentei no tronco, ao lado da ruiva e a espiei. Ela era bem parecida com a Sra. Potter. Mas não tinha tantas sardas.
— O que foi? – Perguntou ela.
— Você se parece com a sua mãe. – respondi. Ela sorriu.
— Então me acha bonita? – perguntou ela.
— Sempre achei. – respondi indiferente. Lílian abriu mais um sorriso enorme e eu a olhei desconfortável. A olhei nos olhos e entrei em sua mente. Vi seus desejos e sorri ao notar que ela pensava em mim. Mas não era simplesmente físico. Ela realmente gostava de mim.
Desviei o olhar do dela, achando aquilo simplesmente cômico. Por um momento quis até brincar com aquilo, mas me forcei a lembrar que ela era a filha do meu padrinho. Mas céus, era tão tentador.
— Do que está rindo?
— De você. – respondi. Lílian corou, fazendo com que suas sardas ficassem brancas.
— Por que?
— Não é nada. – disse – Quer dar uma volta?
— Quero! – Disse ela se levantando. Fiquei de pé e caminhamos juntos.
Perguntei sobre as aulas e as matérias dela. Ela agradeceu pelos cadernos.
— Se puder me emprestar de novo, eu fico feliz.
— Ok. Não tem problemas.
Já estava escurecendo, e nos afastávamos cada vez mais da Toca, indo em direção ao lugar onde eu estrangulara o gnomo. Olhei ao redor, mas não viu o gnomo morto ali.
— Por que viemos pra cá? – perguntou ela. A olhei no fundo daqueles olhos castanhos.
Ainda lembro daquele momento com tanta clareza que assusta. Lembro de cada detalhe infantil de Lily. Desde sua bermudinha, que exibia seus joelhos ossudos, até a diadema cor de rosa em seus cabelos, afastando sua franja dos olhos.
— Porque quero matar você e não quero deixar testemunhas. – eu disse a empurrando contra a árvore.
— Está mentindo! – disse ela sem se abalar. Sorri para ela.
— Tem razão. Eu vim aqui pra te contar um segredo. Ninguém pode saber.
— A última vez que me pediu pra guardar segredo, foi quando disse que gostava das minhas sardas.
— É verdade... Mas agora é um segredo maior. – disse me curvando para que meu rosto ficasse próximo do dela. Lílian corou, é claro – Pode guardá-lo pra mim?
— Posso. – disse ela sem hesitar.
— Eu sei ler mentes.
— Mentiroso.
— Não é mentira.
— Prove. – disse ela.
— Você gosta de mim. – disse sem delongas. – Estava conversando com Virgo sobre mim. Você quer que eu te dê um beijo, não quer?
— Está apenas fazendo suposições.
Suspirei achando graça.
— Pense num número. – ela o fez – Quarenta e dois. – disse. Ela me olhou surpresa.
— Foi sorte!
— Pense de novo.
E depois de dez acertos, ela me olhou horrorizada.
— Como faz isso? É magia negra?
— A questão não é como eu faço isso, mas o que eu sei por conta disso. E eu sei que você quer um beijo meu. – ela me olhava assombrada – Escute. Eu não gosto de você desse jeito. Mas se você quiser, posso te beijar.
— Por que você me beijaria?
Sorri para ela.
— Porque você é minha garota favorita. – foi a primeira de muitas vezes que eu disse aquilo para uma garota.
— Está fazendo por maldade? — perguntou ela. A olhei travesso. Não era um rosto que eu fizesse muito, mas ela sorriu. – Ok. Se você quiser me beijar, pode me beijar. Eu deixo.
Eu não consegui deixar de rir. Ela fez parecer que era algo que eu queria. Mas a verdade era que eu realmente quis.
Não foi como um dos beijos que eu trocava com Dominique. Eu apenas a beijei nos lábios, enquanto colocava uma mecha de cabelos dela atrás da orelha. Senti o rosto dela esquentar, senti que ela prendera a respiração. O corpinho dela tremeu de animação e ela segurou minhas mãos carinhosamente.
Me afastei dela e a olhei. Ela estava com os olhos fechados, com o rosto corado e a boca semi aberta. Ela abriu os olhos lentamente e se apoiou contra a árvore para me encarar.
— Eu amo você.
Eu queria que ela não tivesse dito aquilo.
— Não deveria. – eu disse – Eu não amo ninguém e nem nunca vou amar.
— Por que?
— Porque eu não consigo. – eu disse a olhando nos olhos, me impressionando com a verdade e naturalidade com que aquelas palavras saíram – Eu não sou um cara legal, Lily. Eu não sou o que você merece. Não me ame nunca, para seu bem. Você é uma boa menina e eu não quero sacanear você, mas se insistir em ser tolinha, é o que vai acontecer.
— Do que está falando?
— Quando crescer, vai entender. – eu disse a beijando no pulso – Você é legal, Lily. Vai achar um bom bruxo que goste muito de você.
— Você é um bom bruxo e gosta muito de mim. – disse ela.
— Metida. – brinquei. Mas ela não achou graça.
— Por que você diz que não pode amar?
— Eu sei que não. – eu disse. – Até mais, ruivinha.
Me afastei dela e saí andando de volta para a Toca. Lily correu e me alcançou. Ela estava muito vermelha ainda. Dei um sorrisinho desdenhoso e juntos voltamos para a Toca.
Só nos vimos de novo na casa dela, onde ela fez questão de não me ignorar. Estava sempre conversando comigo, rindo, apertando minhas bochechas, ou me abraçando. Era esquisito. Olhava para os irmãos dela, querendo que eles a colocassem numa jaula ou qualquer coisa assim, mas James apenas ria e Albus fingia que nada estava acontecendo.
Até que James ameaçou nos prender no porão como fizera anos atrás.
— Já brincou de Sete minutos no paraíso, James? – perguntei para ele com indiferença. James me olhou sem acreditar que eu teria coragem, mas não tentou me colocar no porão novamente junto de Lily.
Quando anoiteceu e meus pais discutiram por um querer ir embora e o outro não, meu pai voltou para a Mansão e minha mãe ficou com a gente. Mas eu estava farto da atenção de Lily. Então assim que tive oportunidade, escapei para fora de casa.
Caminhei solitário pela rua, admirando a cidade. Era um lugar bem bonito, Godric’s Hollow. Caminhei até achar um cemitério. Entrei lá e fiquei a procurar nomes de famílias trouxas. Foi quando ouvi o grito. Me virei, sacando a varinha e vi um homem puxando a bolsa de uma mulher. Ela gritou chamando-o de ladrão.
Então o homem puxou alguma coisa. Não soube identificar o que era, apenas que era de metal. Um som de trovão ecoou e os gritos da mulher foram silenciados. Ela caiu no chão com o sangue saindo de seu peito. O homem ainda se abaixou para pegar o colar que ela usava e depois ele correu, desaparecendo em um beco qualquer.
Caminhei até a mulher, sentindo o corpo tremer. Não tinha medo. Estava extremamente curioso. Me abaixei ao lado dela e ela me olhou com medo. O sangue escorria do peito dela. Aquele homem era um bruxo? Aquilo era resultado de alguma magia negra? Ela sangrava tanto. Uma bolha de sangue escapou da boca dela quando ela tentou falar. Lágrimas se juntavam nos olhos dela.
Os curiosos começaram a se juntar ao nosso redor.
— Me... me... ajude... – murmurou ela. Eu apenas a olhei com interesse. Bem nos olhos.
Eu queria ver. Queria deslumbrar o momento em que o brilho nos olhos dela se apagariam. Ela segurou minha mão com força. Aquela coisa dentro de mim sentiu repulsa e eu me desvencilhei. Uma trouxa. Ela era só uma trouxa. Eu era um puro sangue. Um bruxo de nascimento extremamente nobre. Não queria que ela me tocasse.
As pessoas perguntavam o que tinha acontecido. Ela seguia me olhando, com o sangue jorrando e as lágrimas caindo. Ela tirou uma caixa do bolso e me entregou.
— Eu... eu caso. – murmurou ela. A olhei com desgosto e então aconteceu.
Aquele momento sublime e único quando a luz dela se apagou. Quando ela ficou assustadoramente quieta e silenciosa. Escutei alguém fungar, enquanto outros pediam ajuda. Me levantei e sai dali antes que me metesse em problemas.
— O que aconteceu, garoto? – perguntou um homem, com um olhar severo.
— Alguém roubou a bolsa dela e então fez isso. – respondi indiferente.
O homem não me segurou e eu fui embora. Quando já estava chegando em casa, abri a caixinha azul que ela tinha me entregado. Tinha um bonito par de anéis, feitos de ouro. Alianças. As coloquei no bolso das vestes, sentindo aquela sensação errada de prazer. De deleite. Tinha visto uma mulher morrer... E tinha gostado disso...
Hogwarts – ano 4
Assim que consegui uma chance, fugi para a torre onde costumava encontrar Helena. Fingi desespero, medo e não me envergonhei de chamá-la. Mas ela não apareceu. Me sentei nos degraus da escada, fazendo-me de desesperado. Levou quase meia hora e eu estava para ir embora quando escutei o fantasma.
— Cygnus. Você deveria estar no seu dormitório! – ralhou ela. A olhei tentando chorar, mas isso eu não consegui fazer.
— Helena. Oh, Helena. – disse coçando os olhos, como se estivesse tentando disfarçar alguma lágrima.
— O que houve, Cygnus? – perguntou o fantasma, antes chocado do que preocupado.
— Eu preciso falar com alguém, ou vou enlouquecer! – menti. Helena flutuou mais para perto – Nessas férias, fomos visitar os Potter. Eu queria olhar a vila, mas minha mãe não quis deixar eu ir sozinho. Mas ninguém quis ir comigo, então eu fugi... – disse tremendo as mãos. Como se tivesse me importado em pedir para dar uma volta... – Eu não deveria ter feito isso... mas estava tão curioso... A cidade era tão incrível... Godric’s Hollow... que bruxo da minha época não iria querer conhecer a cidade? – perguntei, como se quisesse me justificar. Helena me olhava atentamente – Então... Eu estava perto do lugar onde Voldemort matou os pais do meu padrinho quando o homem apareceu... Quis roubar uma mulher e então ela gritou... Eu não sei o que aconteceu. Foi um barulho tão alto. E a mulher parou de gritar... Caiu no chão... E tinha sangue se espalhando pelo corpo dela... – Helena me olhou chocada – Eu tive medo. Não estava com minha varinha. Minha mãe não me deixa ficar com a varinha durante o verão... Mas o homem correu e eu fui até a mulher... – cobri o rosto com as mãos – Tinha tanto sangue, Helena. Eu segurei a mão dela e ela pediu ajuda... Mas não tinha nada que eu pudesse fazer... e então... então... Ela morreu.
— Minha pobre criança... – lamentou a fantasma tentando me tocar a cabeça, mas apenas me fez sentir aquele frio terrível. – Desculpe...
— Não consigo dormir direito... Não consigo me concentrar... Ela morreu na minha frente e eu não fiz nada...
— Não havia nada que você pudesse fazer, Cyg.
— Eu nunca deveria ter desobedecido a minha mãe... – murmurei com o máximo de emoção que consegui – Nunca.
Um silêncio cheio de expectativa se prolongou entre nós. Quase não consegui manter minha máscara de garotinho desamparado.
— Eu sei como se sente, Cyg... Eu desobedeci minha mãe e foi por isso que eu morri. Eu roubei a diadema dela... Queria ser mais inteligente que ela... Mas então ela enviou o Barão Sangrento para que ele viesse me buscar... Acho que já te contei que foi ele quem me matou...
Funguei ainda coçando os olhos, fingindo disfarçar um choro inexistente.
— Por que? Por que ele fez isso?
— Porque eu não quis voltar com ele... Ele me amava... Ou melhor... Me desejava... Quem ama não faria o que ele fez... – suspirou ela tristemente. – Teve inveja da minha liberdade, eu acho... Por isso me matou.
— Ele não era livre? — perguntei sem entender.
— Não... – respondeu Helena parecendo muito tocada com tudo aquilo – Ele era um escravo da minha mãe... Depois que Salazar caiu, ele foi entregue a minha família, juntamente com muito ouro e material mágico... Como o preço da vida de toda família Slytherin... Para ensiná-los a ter humildade, minha mãe dizia... O que eles queriam fazer... – a voz dela foi morrendo. Entendi de imediato que ela estava para se arrepender de ter falado aquilo. Precisava fazê-la achar que não ligava para aquela parte em específico.
— Eu nunca mataria alguém que amo. Tem razão... O que ele sentia não era amor. – murmurei me abraçando, sentindo o frio que ela emanava grudar em meus ossos. – Se eu fosse vivo naquela época, protegeria você, Helena.
— Tenho certeza que sim. Meu galante Sonserino. – Riu Helena. Estremeci quando ela me deu um beijo na bochecha. Pior sensação de toda minha vida. – Acho melhor voltar para seu salão comunal, Cygnus...
Suspirei como se fosse a última coisa que desejasse.
— Posso ficar só mais uns minutos, Helena? – murmurei. Ela sorriu pra mim de um jeito que me lembrou minha mãe.
— Está bem. – ela disse.
Estava louco de vontade para perguntar mais sobre Salazar Slytherin.
— Helena... Salazar era mau? – perguntei cabisbaixo.
Ela demorou para responder e por um momento achei que ela tinha ficado zangada.
— Ele era extremamente poderoso, habilidoso e inteligente... Mas tinha um modo muito peculiar de ver o mundo... – ela respondeu – Hoje ele seria considerado mau... Mas na época, ele tinha o pensamento da grande maioria dos bruxos.
— Entendo. – murmurei me abraçando mais um pouco.
— Você já ouviu falar nas quatro relíquias dos Fundadores? — perguntou Helena.
A encarei ávido por aquilo. Quatro anos de enrolação. Quatro longos anos.
— Uma coisa ou outra... – disse não querendo me fazer de sonso – Meu avô me contava a respeito quando eu era bem pequeno.
— Sim... Algumas famílias de sangue puro ainda passam essa história para frente... Mas não é apenas uma lenda... Uma historinha de dormir... É real.
A olhei desejando que ela finalmente fosse a tagarela de sempre.
— Sua mãe fez a diadema, a tiara... não foi? A que você pegou escondido?
— Peguei escondido? Que belo eufemismo para falar que eu roubei... – riu Helena.
— Pegou escondido sem pedir... Mas com total intenção de devolver... Quando já não precisasse mais dela, não é? – perguntei tentando sorrir, mas ainda tentando me passar por abalado.
— É um modo positivo de ver a situação... Sim. A diadema era a relíquia de Ravenclaw...
— A espada de Godric Griffyndor é a que fica na sala da diretora, não é? – perguntei tentando soar inocente. Helena concordou em silêncio.
— Soube que a Incubadora de Helga quebrou centenas de anos atrás. Caiu nas mãos de bruxos das trevas, que a usaram para criar toda o tipo de aberração... – disse ela – Mas algumas coisas boas vieram dela... Já viu a estátua de dragão e da fênix do Salão Principal?
— Sim... Eles pertenceram aos meus pais. – respondi louco para que ela passasse para a última relíquia.
— Eles foram criados pela incubadora... Era uma relíquia muito poderosa, essa Incubadora... – murmurou Helena. Ficamos em silêncio novamente e quase morri de aflição, achando que ela não falaria da Relíquia de Slytherin. – E é claro... Teve o cajado. Aquela arma vil e perigosa... Cruel... Parecia viva. Inteligente...
— Você chegou a ver? – perguntei bebendo cada palavra que ela dizia.
— Sim... Quando minha mãe e os outros fundadores a recuperaram. Salazar teve cinco filhos e duas filhas. Todos cruéis como ele. O mais velho era ainda pior que o pai. – explicou a fantasma – Mas a caçula não era assim... Ela era muito legal... – Helena parou de falar e adquiriu um ar tristonho – Ela era minha melhor amiga... Caitelyn. Ela roubou o cajado e o entregou a Godric Griffyndor... E morreu.
— Morreu? Por que?
— O cajado a matou. Foi o minha mãe disse... – Helena fez outra pausa – Salazar a odiava, assim como os outros irmãos. Ela não era tratada como se fosse filha dele... Era tratada como criada, como escrava. – ela fez outra pausa, como se estivesse respirando fundo. A olhei com atenção – Ela era um aborto...
— Oh... Por isso o Cajado a matou? – perguntei.
— Acho que sim... Quando ela o pegou a magia dela apareceu. Era com se ela sempre tivesse tido um dom. Como se sempre tivesse sido um prodígio. O pouco tempo que ela ficou com o cajado foi o suficiente para destruí-la. Assim que Godric pegou o Cajado ele soube o quão perigoso era. Por isso o colocou numa caixa anti-magia, para que não pudesse ser rastreado. Mas os Herdeiros de Salazar o acusaram de roubar a relíquia... Salazar Slytherin tinha muitos seguidores... foi uma batalha sangrenta...
— Nunca li isso nos livros... – confessei surpreso. Uma guerra entre os fundadores? Tudo o que havia escutado era que Slytherin tinha deixado a escola e então morrido ao fazer sua relíquia. Depois Ravenclaw a tinha escondido. Por que não havia nenhuma menção a guerra? Por que no diário do neto de Salazar não tinha nada daquilo?
— Foi excluído da história e proibido que se falasse a respeito. Até os filhos dele foram enfeitiçados, para que não pudessem falar a respeito. – explicou Helena – De todos os filhos de Salazar, apenas dois sobreviveram. Um homem e uma mulher... Eles se renderam e retiraram seus exércitos. Minha mãe exigiu um tributo da parte deles... Assim diminuiria ainda mais o poder deles, entende? Seria mais fácil mantê-los sob controle... Foi assim que o Barão Sangrento passou a ser nosso servo. Foi nos dado para pagar a dívida de sangue... – Eu poderia tê-la beijado... – Ele quem melhor conhecia os Slytherin. Então minha mãe o usou para selar o Cajado em um lugar onde ninguém jamais o encontraria.
— Por que confiar no Barão? – perguntei – Ele não os trairia?
— Eu não sei o porquê de minha mãe ter confiado nele... – murmurou o Fantasma da Corvinal – Eu não teria.
Suspirei satisfeito. Tinha descoberto muita coisa. Muito mais do que ousaria imaginar.
— Não acha que irá conseguir perdoá-lo um dia? – perguntei colocando a próxima etapa do meu plano em ação. – Ele parece bem arrependido por tudo.
— É difícil de explicar, Cyg... Ele me matou... Me matou por inveja e por egoísmo... Eu era jovem, tinha toda minha vida pela frente... Eu amava outro homem... Mas ele me tirou tudo. Tudo...
— Aaaaah... Amava outro é? E quem era? Eu posso saber? – perguntei me fazendo de ciumento – Ele é outro fantasma?
Helena não conseguiu evitar de sorrir.
— Está com ciúmes de um fantasma, Cygnus!
— Claro. – respondi sorrindo – Você é minha garota favorita aqui em Hogwarts.
— Garota? Eu era mais velha do que você quando morri, ok? Já tinha dezenove. – ela riu parecendo feliz.
— Não mude de assunto. Quem era esse cara de quem você nunca me contou? – perguntei.
Helena ficou daquele jeito opaco, que significava que estava envergonhada.
— Era Abraxas Slytherin... O filho caçula de Salazar... – respondeu ela – Ele parecia com você... Os mesmos olhos cinzas, os cabelos escuros, o rosto fino... Inteligente e galante.
— Pensei que você tinha dito que todos eles eram maus! — disse a olhando desconfiado.
— Ele era. Mas eu gostava do jeito dele. Todo debochado. Era tão inteligente, elegante... E realmente sabia como lidar com uma mulher.
— Ok. Chega. Estou com ciúmes. – disse fingindo-me de enciumado. Helena riu novamente – O que aconteceu com ele?
— Eu o procurei depois de morta, para me declarar... Quando ele me viu, chorou. Disse que me amava mais do que a si mesmo e amaldiçoou o Barão por ter me tirado a vida.
— Você o fez chorar? – perguntei – Ele não era tão malvado assim, então!
— Não quando estava comigo. – confessou ela – Comigo ele era sempre um doce. Sempre gentil. Costumava dizer isso que você disse... Que eu era a garota favorita dele. Disse que se casaria comigo se ele não tivesse as mãos tão sujas de sangue...
— Sério?
— Sim... Ele me amava perdidamente e eu a ele. Provavelmente fui a única pessoa que ele amou. Ele disse que se mataria para se unir a mim, mas eu não permiti. Eu queria que ele vivesse por mim e por ele... Então ele se casou com uma outra mulher, teve filhos e viveu infeliz até que um dia... Desapareceu.
— Ele morreu?
— Eu não sei o que aconteceu. Era doloroso demais vê-lo. Nunca nos víamos. Mas eu soube do desaparecimento dele. O procurei por toda a terra, mas nunca o encontrei... então acho que ele atravessou o véu. Talvez ele tenha matado gente demais para que o deixassem ficar aqui... Algumas pessoas dizem que ele se meteu tanto com as Artes das Trevas, que se tornou o primeiro Dementador... Ouvi tantas histórias... Cada uma mais absurda que a outra. Mas às vezes eu me convenço que ele realmente morreu...
— Por que?
Helena me olhou no fundo dos olhos. Ela nunca antes me pareceu tão viva.
— Não sabemos se depois que se atravessa o véu é possível voltar para esse plano... Mas de tempos em tempos, eu vejo meu amado Abraxas, sentado na mesa da Sonserina. No começo solitário, depois cercado de pessoas que reconhecem sua grandeza. Ele sempre cresce, se torna um bruxo poderoso e então morre... Nunca ligou para mim. Nunca pareceu me reconhecer... Mas as duas últimas vezes que eu o vi, ele veio até mim. Décadas atrás ele me usou para conseguir o diadema de minha mãe... Me pergunto o que ele deseja de mim agora...
Ela falava de mim.
— Acha que eu sou Abraxas Slytherin?
— Acho.
Então fiz algo idiota. Tentei abraçá-la, puxá-la, como se fosse beijá-la. Mas meus braços a atravessaram. Fiquei ainda mais gelado do que antes, como se minha roupa estivesse encharcada. Respirei fundo e então a olhei fingindo tristeza. Ela me olhava emocionada. Voltei meus olhos para o chão, me fazendo de envergonhado.
— Então... Er... Desculpe. Acho que...
— Ah, Cygnus... Meu doce Cygnus. – riu ela amavelmente. A olhei novamente – Vamos. Foi muita coisa para uma noite só... deixarei você na torre da Sonserina.
—--
Sem importância
Ao contrário do meu primeiro dia em Hogwarts, o meu quarto ano não teve muito a acrescentar.
Eu me tornei mais poderoso e tentei descobrir mais sobre a vida de Abraxas Slytherin, mas não descobri nada de relevante. Continuava visitando a Dama Cinzenta, flertando com ela às vezes, sabendo o quão errado era isso. Ela estava morta, afinal de contas. Mas ela era meu boneco de treino. Ela me ajudou muito a desenvolver minhas habilidades sociais. Minha lábia e poder de manipulação. As meninas do meu ano e as mais novas sempre ficavam dando suspiros por mim.
Nem mesmo Dominique conseguia se manter no controle. Cada vez mais nossos beijos escondidos eram mais quentes. Cada vez mais eu explorava aquele corpo com minhas mãos. Já o tinha decorado. Mas ela não era a única. Freya e eu também estávamos tendo nossos casos, cada vez mais fortes. Nem se comparava com Dominique, é verdade. Dominique era mais velha e não se importava nem um pouco com tradições bruxas.
Mas Freya sim. Era a única que sim, aparentemente.
No final do quarto ano eu já era um excelente legilimens. Podia ler a mente de qualquer um. Até conseguia sugerir ideias mentalmente para os mais jovens. Conseguia manipulá-los assim. Era simplesmente hilário.
Pascal estava ficando muito bom também, mas é claro, não chegava aos meus pés. Eu e Pascal ficamos mais próximos nesse ano. Mais do que imaginei que ficaria um dia. Também notei que ele falava muito na minha irmã, mas logo deixei claro que ela era terreno proibido, ou ele se veria comigo.
Sei que você acha que eu me contradisse agora. Eu sei que já falei que um Sonserino gosta do que é proibido. Mas ali era diferente. Eu e Pascal éramos próximos. Ele me considerava um amigo. Eu acreditava piamente que ele não cruzaria a linha com Virgo.
Deixe-me ver... O que mais me aconteceu nesse ano...?
Hum?
O que disse?
Lily?
Oh... Bem... Ela me mandou um cartão no dia dos namorados, dizendo que eu só poderia namorar alguém que ela aprovasse... Lily estava mais preocupada com a vida dela e eu com a minha. E o fato dela e minha irmã serem muito competitivas, a rivalidade entre as duas começou a afastá-las, então meu tempo com Lily diminuiu ainda mais...
E por último, o Barão...
Ele seguia desconfiado de mim. Sempre me evitando, fugindo pelas paredes sempre que eu me aproximava. Meu quarto ano foi um total zero de aproximação daquele fantasma. Mas eu estava prestes a mudar isso no meu quinto ano.
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