Cygnus - Fallen

10 Natal e Pascal


Notas iniciais
Espero que gostem!!! Sério gente... Por favor, comentem mais! D= Minhas tardes são mais frias sem seus comentários lindos!!! Comentem e me façam feliz, ok? Bem... é isso. Partiu ler!

Natal

O natal seria novamente na Mansão Malfoy. Rose e Scorpius estavam namorando mesmo, mas ambos preferiram manter isso em segredo. Como tinha prometido, não comentei nada com meus pais – ou com os pais dela, é claro.

Antes de continuar a narrar sobre o que aconteceu naquele natal, deixe-me fazer uma pequena observação sobre meus avós. Eu praticamente não falei deles, mas isso não significa que eles não foram presentes.

Particularmente, eu nunca fui muito fã do meu avô Sirius. Toda vez ele errava meu nome e me chamava de Régulus. Odiava isso. Ele sempre tentava me agradar, mas nunca era muito bem sucedido. Quando eu tinha oito anos, ele me colocou na garupa da moto dele para me levar para passear, mas quando a moto começou a voar eu entrei em desespero e comecei a chorar desesperadamente – afinal eu tinha medo de altura. Outra vez, quando eu tinha uns cinco anos, ele se transformou num cachorro gigante. Eu quase morri de susto. Sem falar que nunca fui muito fã de animais...

Mas quando eu entrei na adolescência, acabei me aproximando mais dele, principalmente depois que Remo contou pra ele que eu era o garanhão da escola. Eu e meu avô passamos boa parte daquele natal trocando histórias. Céus, como aquele homem viveu.

Mas, certamente eu me dava melhor com meu avô Lúcio. Nos dávamos muito bem. Ele não gostava muito de Scorpius por causa do jeito... desgrenhado dele.

– Você devia ter nascido primeiro, Cygnus... – lamentava ele sempre que via Scorpius andar só de cuecas pela mansão, com os cabelos bagunçados e cara de sono. – Olho pro seu irmão e só vejo indisciplina...

Meu avô Lúcio nunca me viu como um garotinho inocente. Ele acreditava que eu tinha nascido para a grandeza.

– Eu olho pra você, rapaz, e sei que você vai ser capaz de mudar o mundo.

– Mudar o mundo... Mudar como? Mudar para que? Melhor? Pior?

– Do jeito que você quiser, Cygnus. Do jeito que você quiser.

Meu pai estava muito deprimido naquele natal e até então eu não sabia o porquê. Imaginei que era por conta de que os amigos da minha mãe viriam passar o natal com a gente novamente.

Eu estava no escritório dos retratos, quando ele entrou. Sempre sério, sempre distante.

– O que está fazendo aqui, Cygnus? – perguntou ele.

– Estudando. – respondi. Eu estava praticando um exercício de feitiços muito avançado.

– Estudando o que?

– Estou tentando fazer os quadros voltarem a falar. – respondi.

– Pra que?

– Para me testar. – respondi simplesmente.

Meu pai me olhou como se nunca tivesse me visto antes. Então sorriu. Ele caminhou olhando para os quadros e então segurou minha mão e me fez baixar a varinha.

– Eu acho melhor deixá-los em silêncio... – disse meu pai com um sorriso divertido. – Sente-se, Cygnus. Eu quero conversar com você.

– Só comigo?

– Sim. – respondeu meu pai.

Caminhei até o sofá e me sentei. Meu pai pegou a varinha e a brandiu invocando uma garrafa e dois copos. Meu pai tinha o copo dele de whisky, e ele não gostava que nem mesmo minha mãe o usasse. Aparentemente ele estava na família há muitos anos... Era tão antigo quanto a casa. Meu pai me serviu um copo e me ofereceu. Aceitei surpreso e meu pai se sentou ao meu lado e me estendeu sua varinha.

– Você sabia que foi essa varinha quem matou o Lorde das Trevas? – perguntou ele. Olhei para a varinha dele, surpreso.

– Mesmo? – perguntei – Por que Harry não usou a varinha dele?

– Acho que ela tinha quebrado, ou qualquer coisas assim... – murmurou meu pai. Ele levantou o copo para que brindasse com ele – A nossa família.

– A nossa família. – murmurei.

Meu pai deu um longo gole e eu o imitei. Gostei muito do sabor forte e da maneira como esquentava meu corpo.

– Tenho que te falar uma coisa, mas deve me prometer que não vai contar para o seu irmão. Nem pra ninguém. Nem mesmo sua mãe. Principalmente sua mãe.

– O que houve? – perguntei curioso. Sempre tive a impressão que meu pai dividia tudo com ela.

– Eu estava conversando com o Ministro semana passada – Sim, meu pai era um bom amigo do Ministro da Magia. – E ele deixou escapar que no próximo ano vai acontecer um evento em Hogwarts.

– O que?

– O Torneio Tribruxo. – respondeu meu pai.

Não consegui não me levantar.

– Está falando sério? – perguntei com expectativa. Meu pai sorriu pra mim e concordou.

– Você vai poder participar, já que vai estar no último ano...

– Oh! Finalmente! – ri contente e animado – Algum desafio de verdade, só pra variar. – ri satisfeito.

– Sim, fiquei sabendo do seu talento no clube de duelos. – riu meu pai. – Em todo caso, eu comentei com a sua mãe, mas ela não gostou muito. Digamos que... Ela teve uma experiência nada agradável no último torneio Tribruxo... Você sabe o que aconteceu com Potter.

– Sei... – murmurei não gostando do rumo da conversa.

– Por isso, sua mãe vai proibir você e seu irmão de participarem do torneio. – Todos os livros voaram da estante. Eu fiquei realmente frustrado com aquilo.

– Eu já vou ser maior de idade.

– Vai desobedecer a sua mãe? – perguntou meu pai sem ligar para a bagunça. Oh... como eu fiquei furioso. Desviei o olhar, zangado por ser o filho obediente – Eu quero que você participe, independentemente do que sua mãe disser. – disse meu pai. O olhei surpreso – Se a casa Malfoy tem chances de ganhar essa honraria que é o Troféu Tribruxo, é com você competindo, Cyg. Você é um prodígio. Potter conseguiu chegar na final sendo meramente sortudo. Você pode vencer sem deixar dúvidas quanto ao seu talento. Por isso, mesmo que sua mãe lhe proíba, eu quero que você participe. Eu duvido que você não vá ser o campeão de Hogwarts.

Sorri para meu pai e ele me olhou desconfiado.

– O que foi?

– Acho que um truque com a luz. Não foi nada. – Disse ele dando de ombros. Meus olhos provavelmente tinham faiscados, vermelhos... – Agora arrume essa bagunça.

Peguei a varinha e com um simples aceno, todos os livros foram dançando de volta a seus respectivos lugares.

– Pronto.

– Fiquei sabendo que você consegue fazer um patrono. – murmurou meu pai.

– Sei.

– Me mostre.

Aquilo era bem comum. Meu pai sempre pedia demonstrações para mim, meu irmão e Virgo sobre o que tínhamos aprendido durante o ano. Mas normalmente era sempre no verão. Mas não liguei. Pensei nas minhas noitadas na escola e murmurei.

– Expecto Patronum.

Mas nada aconteceu. Pisquei confuso e tentei de novo e de novo.

– E então? – perguntou meu pai, com um sorriso divertido – Será que finalmente achei um que você não consegue fazer.

– Não estou entendendo. Eu sei fazer. É um cisne. – murmurei completamente perplexo.

– Não deve estar pensando em algo feliz o suficiente.

Suspirei e então pensei em Lily. Sempre que conjurei o meu patrono era pensando nela, mas nem assim saiu.

– O que raios...? – perguntei olhando para minha varinha.

– Eu também não consigo usar esse feitiço com muita frequência... – meu pai deu mais um gole em sua bebida – O meu era um dragão... Pena que não consiga fazer sempre que desejo... Nem a sua mãe, diga-se de passagem... O dela era uma fênix.

– Por que não consigo fazer? Eu sempre fiz! Desde os doze anos!

– Doze? – perguntou meu pai, surpreso. – Bem... Pergunte a Potter mais tarde. Ele é especialista em patronos. Já tem cinco anos que ele é convidado a ir em Hogwarts ensinar aos veteranos esse feitiço. – Meu pai suspirou e então sorriu novamente – Virgo comentou que você virou um... – ele deu uma risadinha – Completo babaca obcecado por... partes íntimas femininas.

– Eu sei que não era isso que você ia dizer. – ri para ele, esquecendo-me por um instante daquele momento irritante em que eu não consegui fazer o patrono.

– Eu ia falar boceta mesmo. – riu meu pai – Mas então. É verdade?

– Eu sou um Malfoy. – respondi dando de ombros.

– Antes tarde do que nunca. – riu meu pai – Aproveite bem essa fase. Porque ela não dura pra sempre.

– Sempre vou ser um Malfoy podre de rico. – devolvi.

– Eu sei que vai, mas se tiver sorte, não vai ser solteiro pra sempre. Logo vai escolher uma puro sangue para se casar.

– Eu não pretendo me casar. – murmurei. Meu pai me olhou surpreso.

– Por que não?

– E nem ter filhos. Essa obrigação é do Scorpius. – respondi.

– Por que não quer se casar? Precisa levar seu sobrenome pra frente também.

– Se Scorpius não conseguir ter filhos homens, eu caso... Mas não é algo que eu deseje.

– Espere só até se apaixonar.

– E se eu me casar, não vai ser por amor. – adicionei. Meu pai me olhou com as sobrancelhas arqueadas.

– Deixe-me te contar uma coisa sobre o amor, Cygnus. – disse o meu pai.

– O que você sabe sobre amor? – perguntei rindo – Nunca te vi falar pra minha mãe que você a ama. Nem pra mim, ou pra Scorpius. Nem mesmo para Virgo, que é a sua queridinha. Você ama o seu nome, o seu legado. Nada mais do que isso.

Meu pai deu uma risadinha e empurrou minha cabeça com o dedo indicador e o médio.

– Você é tão inteligente, Cyg... mas pra algumas coisas é tão cego. – ele sorriu novamente pra mim – É verdade que eu não saio despejando amor por ai, como alguns tolos gostam de fazer. Mas isso não significa que eu não ame. Quando eu tinha a sua idade, eu estava enfeitiçado por sua mãe. Você sabe disso. Eu já te contei a história.

– Sim.

– Mas quando Potter finalmente matou o Lorde das Trevas e eu me vi livre do encantamento e por fim pude entender o que é amar. O que é amar de verdade.

Sinceramente eu não me lembro de tudo o que meu pai me falou naquela noite... Mas ninguém mais conseguiu definir para mim o que é amar de verdade como ele fez pra mim, naquele dia... meu pai nunca tinha falado para mim ou para meus irmãos sobre amor... Aquela foi a primeira e única vez pra mim...

Depois de sair levemente bêbado do escritório dos retratos, meu pai me levou para a sala de visitas, onde as visitas já tinham chegado.

Meu pai encheu meu copo com mais Whisky e minha mãe brigou com ele, mas ele disse que não tinha problema e que eu era responsável.

– Você bebia comigo na escola quando era mais nova do que ele. Scorpius. Venha aqui. Vamos beber nós três. Eu e meus dois filhos. Vamos.

Scorpius faltou correr. Nossa mãe nos olhou com reprovação, mas eu tinha a autorização do meu pai e ela não arrumou encrenca.

Mas eu não era realmente muito forte com a bebida. Scorpius era. Ele e meu pai encheram a cara enquanto eu já estava completamente bêbado no terceiro copo. Meu rosto estava dormente e tudo parecia balançar, como se eu estivesse em um barco.

Hugo foi o primeiro a notar e rir de mim. Eu estava tão ruim, que nem notei a troca de olhares entre James e Remo.

– Cygnus. Vamos dar uma volta? – perguntou James. Eu simplesmente concordei.

Logo Hugo e Scorpius vieram atrás de nós, assim como Albus. Logo chegamos no quintal da mansão e eu precisei me sentar.

– Ei, Cygnus... Caraca, ele tá muito ruim. – riu James estalando os dedos. O olhei piscando.

– É agora que descobrimos como ele faz tanto sucesso com as garotas? – perguntou Hugo.

– Ele aprendeu comigo. – riu Remo.

– Ele superou você, quer dizer. – riu Scorpius.

– Como você faz, Cygnus? – perguntou Remo.

– Ei, Cyg. O que acha de um duelo? – perguntou James. Eu olhei e sorri.

– Vocês contra mim?

– Não. Só eu e você. – riu James.

– Ele não vai conseguir nem segurar a varinha. – riu Remo.

– Tudo bem... Eu não quero realmente duelar... – riu James. Ele ofereceu a mão e eu aceitei, ele me ajudou a levantar e então me socou com força na boca do estômago – Isso é por ter feito Lily de boba, seu babaca.

– James, pare com isso! – disse Albus.

Eu estava sem ar. Caí de joelhos, com as mãos na barriga. James me socou no rosto me derrubando no chão.

– E isso é por ter machucado meu irmão, aquele dia, no trem. – rosnou James.

– James, não! – Pediu Remo – Calma, cara. Ele não consegue nem se defender.

Mas James ainda não estava satisfeito. Eu estava zonzo demais pra reagir, mas senti o chute nele nas minhas costelas e arfei de dor.

– E isso é por ter traído a Dominique, seu merda.

Mas logo vi James cair ao meu lado. Scorpius tinha se atracado com ele e os dois estavam brigando, trocando socos, rolando no chão. Mas Hugo se meteu e chutou o rosto de Scorpius com força.

– Isso é por ter transado com a minha irmã! – ralhou ele. Scorpius saiu de cima de James e cobriu o rosto com as mãos.

Mas Remo deu um belo dum soco em Hugo e depois partiu pra cima de James.

– Pega alguém do seu tamanho, Potter! – rosnou ele.

Mas Albus veio ajudar James. Scorpius se levantou e voltou pra briga.

Me levantei, muito bêbado ainda, olhando todos eles se esmurrarem.

– O que raios vocês estão fazendo? – perguntou Virgo, que vinha correndo. Todos olharam para ela e eu aproveitei para socar James, mas ele desviou e me jogou no chão. Depois se sentou nas minhas costas... Eu era um completo inútil sem minha varinha... – Saia de cima do meu irmão! – disse Virgo pegando a varinha dela.

– Ou o que? – perguntou James. Mas Virgo não é do tipo que late e não morde.

– Levicorpus! – rosnou ela. James levantou voo e Virgo fez ele girar no ar. – Ou isso, seu idiota! – rosnou ela

– Virgo, deixe James em paz. – meu estômago se contorceu. Era Lily. Não me movi. Segui deitado com a cara na neve. – Põe ele no chão!

– Ok. – riu Virgo. Ela fez James subir alguns metros e então o soltou. O escutei cair do meu lado. Ele arfou e gritou de dor. O olhei e senti um ódio sem precedentes em mim.

– Sua vagabunda. – rosnou James.

Me levantei e me sentei em cima dele. Minhas mãos foram de encontro ao pescoço dele e eu comecei a estrangulá-lo. Ele tentou se livrar, mas tinha quebrado um dos braços, portanto não conseguiu se livrar de mim.

– Não ouse falar isso da minha irmã. – rosnei furioso. James foi ficando vermelho. Ele me olhava parecendo desesperado.

– Solte ele, Cygnus!

Era Lily. A olhei. Ela tinha o olhar suplicante.

Tanto passou pela minha cabeça... A minha vontade de matar era gigantesca. Olhei novamente para James. Ele estava fazendo uns barulhos esquisitos, sufocando.

– Cygnus! – pediu Virgo, parecendo assustada.

– Por favor, Cygnus. – murmurou Lily.

Me levantei e James puxou o ar de uma vez, começando a tossir. Peguei minha varinha e cambaleei até o portão da mansão. Queria sair dali. Queria ir embora. Senti alguém me segurar pelo pulso. Era Scorpius.

– Está tudo bem. – murmurou ele. O nariz torto em seu rosto. – Vem?

Concordei em silêncio e cambaleei até ele. Scorpius passou a mão pela minha cintura e segurou o meu braço fazendo com que eu me apoiasse em seus ombros.

– Obrigado, mano. – murmurei zonzo.

Scorpius me levou para meu quarto e se deitou ao meu lado.

– Caraca. É a primeira vez que brigamos juntos, como irmãos... – riu ele satisfeito.

– Você brigou. Eu só apanhei. – ri de volta.

– Que nada. Você quase matou o James. – riu Scorpius – Você ficou assustador.

A porta se abriu de uma vez e Rose entrou.

– O que raios foi aquilo no jardim? – perguntou ela.

– Garotos sendo garotos. Relaxa, amor. – riu ele.

– Você está bem, Cygnus? Está com o olho roxo. – murmurou ela sacando a varinha. Rose concertou meu rosto e depois foi até Scorpius e arrumou o nariz dele – Pronto. Voltou a ser lindo.

– Obrigado, minha curandeira. – riu Scorpius a puxando para a cama.

– Por favor, eu ainda estou aqui. – lamentei.

– Você pode sair, não pode?

– Esse é o meu quarto. Se vocês forem começar a se pegar, ela tem que me beijar também. – murmurei. Os dois me olharam chocados, mas depois eu comecei a rir – Oh... a cara de vocês... Uh... meu estômago... Maldito Potter. – rolei da cama e caí no chão.

– Você está bem, Cyg? – perguntou Rose.

– Sim, sim... Fiquem a vontade. – murmurei abrindo a porta – Eu vou dar uma volta.

Vale lembrar que eu estava bêbado. Me levantar e abrir a porta levou muito mais tempo do que eu gosto de admitir.

Saí pelos corredores da mansão, rindo do nada, ainda bêbado, achando tudo engraçado. Foi quando alguém me empurrou com força. Tropecei nos meus pés e caí pesadamente no chão.

– Oh... Cyg... Desculpe. Não achei que você fosse cair! – riu Lily. Me virei para ela e caí na gargalhada.

– Oh, Lily... Eu estou tão bêbado... – murmurei tentando me levantar.

– Eu notei. – riu ela.

– Desculpe pelo seu irmão... Mas... – eu cambaleei, indo até ela e me apoiei em seus ombros – Eu juro que ele começou. – tenho certeza que estava falando extremamente embolado. Lily começou a rir e começou a me levar para o escritório.

– Você precisa beber um pouco de água, ou vai passar mal. – ainda estávamos no corredor, quando eu estaquei.

– Olhe, Lily. Olhe. – murmurei apontando para o teto.

– O que? – perguntou ela.

– O visgo. De quando eu beijei suas sardas. – eu murmurei. Lily riu de novo, corando.

– Não é o mesmo visgo. Nem estamos no mesmo lugar, Cyg. – riu ela.

– Shhhh. – eu resmunguei. – Não vê que eu só quero uma desculpa pra te beijar?

– O que? – perguntou ela.

Mas eu estava bêbado. A empurrei contra a parede e a beijei, porém, ela me empurrou e me deu um tapa na cara.

– Não quer? – perguntei surpreso.

– Você se acha irresistível, não é, Malfoy? – ralhou – Acha que pode me beijar a hora que quiser, que eu simplesmente vou te beijar de volta? É isso?

Eu sorri para ela.

– São as tradições, Lily. O visgo. – ri apontando para a planta que nascia no teto – Por que ele sempre cresce quando estou perto de você? – perguntei olhando a planta, que parecia crescer mais e mais – Acho que é o destino falando que você é a mulher da minha vida... – fechei os olhos me escorando na parede – Você pode ser a minha Helena...

– Do que raios você está falando? Quem é Helena? – perguntou Lily.

– A namorada do Abraxas. – respondi escorregando para o chão, ainda de olhos fechados... Eu queria tanto dormir... E ali parecia muito confortável no momento.

– Quem é Abraxas?

– É segredo. – murmurei.

– Não pode guardar segredos de mim. – disse Lily se ajoelhando ao meu lado – Eu sou a mulher da sua vida, lembra? – tenho certeza de que ela só queria me enrolar e me fazer falar.

– É mesmo? – perguntei deitando a cabeça no ombro dela.

– Foi o que você e o visgo disseram.

– Esse visgo... – murmurei sorrindo. – Posso te contar um segredo? – perguntei.

– Lá vem você com esses seus segredos. – ralhou ela.

– O que eu posso fazer se eu confio em você? – perguntei escorregando para o colo dela. Senti os dedos dela me acariciarem na cabeça.

– Se confia em mim, por que não foi comigo para a Câmara Secreta?

– Porque você sentou no colo do Hugo. – respondi fechando a cara.

– Então ficou com ciúmes! – disse ela parecendo satisfeita. Olhei para ela, para aqueles olhos castanhos, aquelas sardas...

– Por que não gosta das suas sardas? – perguntei a olhando.

– Um monte de mancha no meu rosto. – resmungou ela desviando o olhar.

– Eu gosto das suas sardas. – eu apontei para uma no nariz dela – Essa é a minha favorita.

– Por que? – perguntou ela.

– Porque sim. – respondi – Você só tem sardas no rosto? Ou no resto do corpo também?

– Quando casar comigo, você descobre.

– Ok. – murmurei sorrindo.

– Oh. Não me chamou de metida!

– Metida.

– Agora não vale! – riu ela.

Olhei para ela, com a cabeça girando.

– Por que não se sentou no meu colo? – perguntei – Eu achei que você sentaria.

– Porque eu ia querer te beijar... Mas você disse que só iria me beijar depois que você se livrasse do... Sei lá do que...

– Não adianta mais. – murmurei.

– O que? – perguntou ela franzindo a testa.

– O espelho... Não adianta mais quebrar o espelho.

– E por que não? – perguntou ela acariciando os meus cabelos... Era tão bom.

– Porque ele não está mais lá.

– Ele quem? O Espelho?

– Abraxas Slytherin. – respondi morrendo de sono – Ele saiu.

– E onde ele está?

–Aqui. – respondi colocando a mão dela no meu peito – Eu não sei porque... – murmurei a olhando nos olhos – Mas ele está sempre comigo agora. Eu tenho as memórias dele, não todas... Mas sei que ele era poderoso de um jeito que nem mesmo eu sou.

– Você tem que falar com o meu pai. Ele pode te ajudar. – murmurou Lily.

– Me ajudar a que? — perguntei – Ele não pode mais me controlar.

– Mas você tem sido tão horrível nesses últimos tempos.

– Eu sempre disse que não era uma boa pessoa. – murmurei suspirando – Lily. Eu quero um beijo. De presente de natal.

– Vai ganhar outro tapa, isso sim.

– Oh, Lily, vai... – eu ri – Vamos fazer assim. Eu te roubo um beijo e você me bate depois, o que acha?

– Acho que vou te deixar bêbado mais vezes. – respondeu ela sorrindo. – Vamos brincar de fazer perguntas?

– Perguntas?

– Sim. Eu te faço uma pergunta e você tem que responder. Não pode mentir.

– Como eu vou saber se você não está mentindo?

– Você pode usar legilimens. – respondeu ela.

– Estou bêbado, Lily. Se eu usar legilimens em você... – suspirei. – Não. Não quero brincar disso. – eu me sentei e tive certeza de que tudo girou ao meu redor. – Céus... Isso é horrível. – me virei para ela e a olhei por inteiro.

Ela usava um vestido curto, vermelho, com botas negras até o joelho, com um gorro vermelho, com uma bolinha branca e peluda na ponta. Os ombros dela tinham sardas, mas não poderia dizer se o busto também, pois o vestido subia até o pescoço. Mas olhei para o busto dela assim mesmo e depois a olhei nas pernas. Eram tão branquinhas...

– Está gostando do que está vendo?

– Demais. – murmurei. Virei o pescoço e brinquei, fingindo que iria levantar a saia dela. Lily me deu um tapa na mão e caímos na gargalhada. – Sério... Você tá ficando uma delícia. – a olhei nos olhos – Você é ruiva lá embaixo também?

– Sou, ué.

– Legal...

– Meu Deus! Que sorriso mais safado, Cygnus.

– Eu sou safado. – murmurei. – E ainda estou bêbado. – pisquei olhando pra ela – Vou estar tão constrangido amanhã de manhã.

– Me lembre de zoar com você pra sempre então.

– Oh. Que maldade comigo. – murmurei.

– Ok. Me fale mais sobre o Abraxas.

– O que quer saber?

– Quem é ele?

– Ele era filho de Salazar Slytherin. – respirei fundo – E eu acho que sou algum tipo de reencarnação dele, ou qualquer coisa assim... – murmurei – Ele era que nem eu. Cruel, malvadão... não gostava de mestiços e nascidos trouxas... gostava de torturar e se divertir a custa dos outros.

– E você é assim?

– Sou. – respondi.

– Eu não acho.

– Tinha uma pessoa que também não achava ele tão ruim. – murmurei.

– Quem?

– Helena.

– Helena?

– É... – me deitei no chão gelado – Nossa... ela era linda. A mulher mais linda do mundo... tão doce, tão meiga e inteligente. – minha mente começou a divagar pelas memórias de Abraxas, mas Lily me interrompeu.

– E o que aconteceu com ela?

– Foi morta. – respondi sentindo uma pontada de raiva se juntar em meu estômago – Foi morta por alguém que considerei meu amigo. Ele quis roubá-la de mim. Mas ela me amava e nunca...

– Cyg. Do que você está falando?

Pisquei e então me lembrei que não era Abraxas, era Cygnus.

– Desculpe... Isso acontece às vezes. – murmurei.

Lily se deitou do meu lado e começou a olhar o teto.

– Você não vai sumir, vai? – perguntou ela. Fiquei em silêncio, olhando o visgo em cima de nós. – Você não vai desaparecer e se transformar nele, vai?

– Eu espero que não... – murmurei – Eu gosto de viver... Mas às vezes... – suspirei e me virei para olhá-la – Às vezes me olho no espelho e não me reconheço... Escuto minha voz, mas não parece ser eu falando... Às vezes tenho certeza de que eu não sou mais eu... Eu... Eu tenho medo de sumir... Por isso pedi socorro para Helena. Eu preciso que ela faça o Barão me ajudar.

– Cyg. Helena está morta. Morreu há centenas de anos... – murmurou Lily.

– Eu sei. – respondi – Mas isso não significa que ela se foi.

– Como assim?

– A Dama Cinzenta... Ela é Helena Ravenclaw.

Lily me olhou e então se levantou um pouco, se apoiando no cotovelo.

– Por isso fica flertando com ela? – murmurou Lily.

– Sim e não. Antes eu só a estava enrolando, para conseguir mais informações... Mas de uns meses pra cá... As coisas têm ficada um pouco confusas...

Lily soltou um suspiro.

– Eu gosto quando você olha pra mim. Com desejo. Me sinto bonita e crescida, sabe... – murmurou ela me olhando nos olhos – Mas queria que você olhasse pra mim como olha pra ela...

Sorri para Lily.

– Eu juro que vou levar outro tapa se você continuar tão pertinho.

– Não vale o risco?

– Sonserinos não são conhecidos por sua coragem, não é?

– Nem por seguirem regras.

A olhei novamente e sorri.

– Se você acha que eu não olho pra você como Abraxas olha para Helena através de mim... – comecei, mas escutamos passos. Olhamos e vimos meu pai. Ele me olhou com censura e eu falei – Pai, estou muito bêbado e a culpa é sua!

Ele piscou e começou a rir.

– Está cuidando dele pra mim? – perguntou ele para Lily, que se levantou corando. Eu não tentei me levantar. Estava bem daquele jeito.

– Estou tentando, mas ele não quer sair daí de jeito nenhum. – resmungou Lily como se já estivesse sem paciência. – Fica falando que só vai sair se eu beijar ele. É um palhaço.

– Lily. Era segredo. – disse rindo.

– Ele disse isso? – perguntou meu pai.

– Ele já se declarou para mim umas sete vezes só hoje. Prometeu que me faria a Sra. Malfoy, que viríamos morar aqui na mansão e que teríamos quatro filhos, todos ruivos. Ah. E ele disse que minhas sardas são lindas.

Meu pai, obviamente começou a rir novamente.

– Levante daí, Cygnus.

Respirei fundo e me levantei sorrindo.

– Quer conhecer meu quarto, Sra. Malfoy? – brinquei com ela. Tentando me apoiar na parede, mas errei a distância e quase caí de novo. Meu pai riu ainda mais de mim.

– Ok. Vamos indo. Deixe a filha de Potter em paz.

– Boa noite, futura senhora Malfoy... Pai, você vai me levar pro meu quarto? – perguntei.

– Vou. Você já perturbou a senhorita Potter o suficiente.

– Hum... – me perguntei se Rose e Scorpius já teriam terminado. – Eu realmente não terminei de perturbar a senhorita Potter. – Lily me olhou sem conseguir não rir – Eu vou ficar por aqui mais um tempo. Não se incomode... Lily, vamos ver os pavões! – eu disse a puxando pela mão.

Saímos correndo pelo corredor, de mãos dadas. Lily gargalhava atrás de mim.

– Por que isso?

– Rose e Scorpius estão transando na minha cama. – respondi. Lily escondeu o riso com as mãos – Nunca te contei isso.

– Ok.

– E você gosta de inventar histórias, heim? – ralhei a olhando de canto de olho. Agora só andávamos mesmo.

– Oh... Seu pai ficou super feliz. – riu ela.

– A última coisa que ele quer é ter um laço familiar com o seu pai.

– Que nada. Eles se adoram. – brincou ela. – Pra onde estamos indo? Eu não quero ir lá pra fora. Estou morrendo de frio. Ideia idiota ficar deitada no chão.

– Eu estou bêbado, qual sua desculpa?

– Você tem um ponto. – riu ela. – Mas pra onde estamos indo?

– Você vai ver. – murmurei.

Caminhamos pelos corredores do terceiro andar e por fim eu cheguei onde queria. Coloquei o ouvido na porta e não escutei nada. Dei uma batidinha e mais uma vez só tive silêncio como resposta.

Abri a porta e vi que o quarto estava vazio.

– Onde estamos? – perguntou Lily quando eu a puxei para dentro.

– No meu quarto. – respondi – Lummus. – As luzes se acenderam minimamente. Retirei a capa e os sapatos.

– Cyg... O que vamos fazer? – perguntou Lily.

– Eu prometi ao seu pai que não iria te desrespeitar. Relaxe. – murmurei – Fique a vontade... eu só vou trocar de roupa. Eu e seu irmão brigamos na neve e eu estou todo molhado.

Tirei as meias, as vestes a rigor, a camiseta e por fim as calças.

– Cyg! – ralhou Lily.

– O que? Estou de cueca! – disse sorrindo – Não gostou? – perguntei colocando as mãos no quadril.

– Está parecendo Scorpius. Todo exibicionista... Céus, como você é magrelo.

– Bem... ele é meu gêmeo e eu estou bêbado. – abri meu armário e peguei algo mais confortável. Depois deitei na cama e dei uns tapinhas convidando Lily – Vem. Não vou te morder... Só se você pedir.

– Você parece outra pessoa.

– Não gosta de mim assim? – perguntei.

Ela sorriu e tirou as botas. Então se deitou ao meu lado.

– Gosto. É assim que conquista as garotas da escola?

– Só sou assim com você. – respondi. – Vem cá, ruivinha. – murmurei a puxando para mim, mas ela colocou a mão nos meus lábios.

– Nada disso.

Sorri para ela.

– Ok. Ok... – Desejei entrar na mente dela e convencê-la a ceder, mas não tive coragem. Não com Lily... – Vamos só ficar assim, ok?

– E quando vierem me procurar?

– Eu penso numa desculpa. Sou bem inteligente.

– Vai ser melhor do que ‘estou bêbado’?

– Não posso prometer nada.

– Então ok. Eu quero que você me responda algumas coisas. Com sinceridade.

– O que?

– Você gosta de mim de verdade?

– Gosto.

– Você me ama?

– Não. – respondi franzindo a testa – Eu... eu acho. Não sei.

– Não sabe? – perguntou ela.

– Não.

– Não me ama ou não sabe? – perguntou ela.

A olhei novamente e sorri.

– Eu não sei o que eu sinto por você, Lily. Só sei que não sinto isso com mais ninguém.

Ela pareceu satisfeita.

– Eu gosto muito de você.

– Eu sei. – murmurei segurando a mão dela.

– Cyg?

– O que?

– Por favor, vamos na Câmara Secreta comigo? – pediu ela. – Assim que voltarmos do recesso do natal.

– Não adianta mais, Lily.

– Por favor.

Suspirei e então concordei.

– Ok...

– Você promete?

– Prometo.

– Me dá sua palavra como bruxo?

Sorri para ela.

– Só se me der um beijo.

Ela me puxou pela camisa e me beijou. A segurei com firmeza e a puxei para mim. Rolei para cima dela, para beijá-la. Meu corpo já reclamando pelo dela, mas me obriguei a me lembrar que ela ainda era muito nova.

– Me dê sua palavra. – pediu ela me segurando na nuca. Sorri para ela.

– Minha palavra como bruxo, Lílian Potter. – jurei antes de voltar a beijá-la.

Ficamos horas naquilo. Era a primeira vez que beijava Lily daquele jeito. E era maravilhoso. Precisei lutar muito contra mim mesmo para ficar comportado. Me contentei em apenas beijá-la e nada mais. Mas o modo como ela gemia quando eu a empurrava com o quadril... Céus... Não sei como resisti...

Já era muito tarde quando caímos no sono, de mãos dadas.

No dia seguinte acordei com uma senhora dor de cabeça. Lily ainda estava na minha cama e eu fiquei extremamente mal por isso. Tentei me lembrar de tudo da noite anterior e tinha muita certeza de que não tinha ultrapassado o limite. Mas estava extremamente envergonhado por meu comportamento. Céus... Eu pulara em cima dela. Fiquei pedindo beijo atrás de beijo... Agi como um completo idiota. E eu me despi na frente dela... manual do que NÃO fazer com a garota especial.

De qualquer maneira, não quis me levantar. Fiquei olhando Lily dormir. Seus cabelos acaju lhe caindo sobre o rosto, sua boa semi aberta, seu ombro sardento exposto. Fiquei observando a garota dormir, até que ela apertou os olhos e os abriu lentamente. Vi o rosto dela corar e sorri.

– Bom dia.

Ela se levantou.

– Já está de dia? – perguntou ela se virando – Oh! Meu pai vai me matar!

Me despreguicei enquanto ela colocava as botas com velocidade.

– Me desculpe por ontem... Eu fui um chato. – Lily piscou e me olhou sorrindo.

– Seja chato daquele jeito sempre. – riu ela. Então ela franziu a testa – Mas só comigo.

– Só com você. – murmurei. Lily se levantou e se esticou toda. Depois me deu um beijo na bochecha.

– Pode ver se a barra está limpa? – perguntou ela. Sorri para ela e peguei minha varinha e coloquei um encantamento de camuflagem na ruiva, deixando-a invisível. – Não podemos usar magia fora da escola. – ralhou Lílian. Sorri para ela achando muita ingenuidade da parte dela achar que eu não usava magia fora da escola.

Coloquei a varinha no bolso de trás e então saímos do meu quarto. Assim que saí, encontrei Albus. Ele me olhou e perguntou educadamente.

– Você viu a Lily? Mamãe está procurando por ela.

– Não... A última vez que a vi foi ontem a noite quando ela me ajudou a chegar no meu quarto. – murmurei – Como está James?

– Vai sobreviver. – murmurou Albus. Então ele saiu andando. Lily saiu de trás de mim e eu a levei para um quarto vazio e desfiz o encantamento.

– Nunca dormimos juntos! – disse ela.

– De jeito nenhum. – concordei.

Mas ela me puxou para me beijar nos lábios antes de me deixar ir.

Depois de me arrumar, desci para a sala de desjejum. Meu pai não estava ali e minha mãe parecia muito aérea. Virgo estava emburrada com alguma coisa e Scorpius estava alheio a tudo, conversando sobre quadribol com Rose. Hugo estava lá também e olhava para os dois com um olhar de desprezo igual ao do senhor Weasley. Tia Mione, lia o jornal enquanto comia biscoitos com leite.

Gina estava sentada do outro lado da mesa e parecia sem absolutamente nenhum humor. James comia e me olhava com ódio nos olhos. Devolvi o olhar para ele. Meu padrinho, alheio a isso, estava conversando com meu avô Sirius. Minha avó Damasco também não estava, o que achei muito esquisito.

Instantes depois, Albus apareceu com Lily. Olhei para ela e ela piscou para mim. Sorri e desviei o olhar. Notei que Virgo me olhava com um jeitinho travesso e tive certeza de que ela iria me interrogar depois.

Depois do café da manhã, meu pai apareceu parecendo muito abatido. Minha mãe se levantou de uma vez e correu até ele para abraçá-lo. Ele fechou os olhos e deitou a cabeça no ombro dela.

Olhei ao redor e notei que todos os adultos pareciam abatidos – menos o senhor Weasley, que apenas parecia desconfortável. Uma sensação de mau agouro me dominou. Olhei para Virgo e vi que ela olhava para nosso pai, muito triste.

– O que houve? – perguntei.

– O vovô Lúcio... Ele está internado. – murmurou ela – Desde antes de ontem.

– O que houve?

– Ninguém sabe...

– Por que não contaram isso pra gente? – perguntou Scorpius.

– Papai me contou quando eu perguntei o porquê dele estar tão triste.

– Scorpius, Cygnus, Virgo. – nós três nos viramos. Meu pai parecia muito triste. Mamãe segurava a mão dele, com um ar deprimido – O avô de vocês quer que vocês vão visitá-lo.

– Ele já está em casa? – perguntou Weasley.

Papai olhou para ele.

– Ele preferiu voltar.

– O que ele tem? – perguntei.

– Mal de Horklump. – respondeu meu pai. Olhei surpreso para ele. Aquilo era ruim... Muito ruim... Não havia cura para Mal de Horklump.

– Desde quando?

– Ele descobriu há dois anos. Mas só me contou há uma semana. – resmungou meu pai se sentando e escondendo o rosto com as mãos. Minha mãe o abraçou.

– Oh, querido... Eu sinto muito, muito mesmo.

Quem pegava aquela doença normalmente não durava mais de um ano. Olhei para Scorpius, que parecia estar pensando basicamente a mesma coisa que eu.

Meu pai fungou e ficou de pé.

– Vão se arrumar. Rápido. Melhores roupas. Scorpius, se houver um fio de cabelo fora do lugar eu raspo sua cabeça. – ameaçou papai.

Nos levantamos e corremos para nos arrumar. Em questão de meia hora, estávamos todos prontos para sair. Fomos pela lareira, é claro. Nossos convidados ficaram para trás. Eles esperariam que voltássemos.

Minha avó estava inconsolável. Chorava sem parar o tempo todo e eu ouvi minha mãe pedindo ao meu pai que deixasse que ela viesse morar com a gente na mansão. Ele sorriu para minha mãe e a beijou na têmpora, provavelmente grato.

Minha mãe entrou primeiro para falar com ele. Depois foi Scorpius, o herdeiro.

Imaginei que seria o próximo, mas Scorpius disse que Virgo deveria ir. Quando ela saiu, disse que meu avô esperava por mim.

– Se importa se eu falar com ele um instante?

Me virei e vi o Sr. Weasley. Ele entrou junto comigo, me deixando completamente confuso. Meu pai entrou também, parecendo zangado e me aborreci por minha vez estar sendo bagunçada. Meu avô olhou com desdém para o Sr. Weasley.

– O que ele faz aqui? Eu quero falar a sós com meu neto.

– Eu não vou demorar. – garantiu o Sr. Weasley – Eu só queria agradecer.

– Agradecer? – perguntou meu pai franzindo a testa.

– Sim. Obrigado por proteger a mim e a Rose, anos atrás, quando invadimos o Ministério. E obrigado por salvar a vida dela. – murmurou ele – Era só isso. – ele adicionou e então saiu. Meu pai o olhou confuso e saiu atrás dele.

– Que história é essa? – perguntei curioso. Meu avô sorriu pra mim.

– Meu tempo é pouco, Cygnus e não vou desperdiçá-lo com isso. – respondeu ele sorrindo – Me dê sua mão, meu neto. – murmurou ele. Obedeci. Ele apertou minha mão e sorriu. – Você deveria ter nascido primeiro... Você nasceu para a grandeza, Cyg. Você terá tanto poder, tantos recursos... Você poderá ser o que quiser... – ele teve uma crise de tosse, mas logo voltou a me olhar – Eu torço para que você tome a decisão certa.

– Como assim?

– Eu vejo trevas em você, Cygnus. Seus pais não... Nunca vemos o perigo que nossos filhos podem ser. Eu conheci um grande vidente. Ele sabia de tantas coisas... Ele podia ver o futuro de cada um com facilidade. Era capaz de ler qualquer um com facilidade... Mas com a filha dele... Ela ele nunca conseguiu ler... Essa garota se meteu em problema atrás de problema e sofreu um inferno de coisas... Todos a alertaram que ela iria se dar mal. Todos a alertaram que ela andava por lugares perigosos... Todos menos o pai vidente dela... – ele teve outra crise de tosse.

– Está falando da minha avó Damasco, não é? – perguntei.

Ele concordou.

– Seus pais não enxergam o perigo que você pode vir a ser, mas eu sim... – sussurrou meu avô, parecendo simplesmente fraco – Por isso te desejo sabedoria, meu neto... Sabedoria para não tomar as decisões erradas... Nossa família tem um grande histórico de fazer isso...

– Sim, avô... – murmurei baixando os olhos.

– Cygnus. – chamou ele. Levantei meus olhos – Não tenha medo de amar.

Amor. Mais uma vez amor...

– Não tenho medo de nada. – murmurei com indiferença.

– Pois deveria. Apenas um tolo não sente medo. – murmurou ele – Não largue minha mão, Cygnus... – ele fechou os olhos – Pois eu estou com muito medo agora.

– Avô?

– Diga a Narcisa que eu a amo... Diga que ela foi a luz da minha vida e que eu sou grato por tudo o que ela me deu... Diga a ela...

Apertei a mão dele e ele suspirou.

O último suspiro do meu avô... Uma declaração de amor...

Me perguntei naquele momento se eu era o único Malfoy incapaz de amar. Me curvei sentindo-me triste. Não era exatamente luto... Mas como se eu tivesse perdido ou quebrado algo de que gostasse muito... Como se meu livro favorito tivesse sido jogado na lareira.

Olhei o corpo sem vida do meu avô e segurei a mão dele com firmeza.

– Adeus, avô...

Me levantei e saí do quarto. Minha avó se levantou para voltar a entrar, mas eu segurei a mão dela.

– O que foi?

Meus olhos eram iguais aos do meu pai e avô. Exatamente os mesmos.

– Vó Ciça... Olhe nos meus olhos. Olhe apenas para eles. – pedi. Ela o fez e eu soube que ela reconheceu os olhos do marido. — Narcisa, eu te amo... Você foi a luz da minha vida e eu sou grato por tudo o que você me deu...

Minha avó levou as mãos à boca e me abraçou. A apertei com força quando ela perdeu a força nos joelhos. Escutei o lamento de dor dela, sem me comover. Sentia-me levemente desconfortável. Olhei para meu pai. Ele estava sentado na poltrona e me olhava perdido. Mas então ele se levantou e chutou a poltrona repetidas vezes.

– Draco! – chamou minha mãe. E então ele a abraçou e começou a chorar. Virgo e Scorpius faziam o mesmo.

Minha avó Damasco estava lá e chorava também.

Todos choravam de pesar.

Todos menos eu.

Eu não era capaz de amar. Portanto, não era capaz de entender a dor deles. Nunca seria. Fiquei aliviado por isso. Nunca sofreria o que eles sofreram ao perder alguém.

Mas assim que voltamos para casa e meus olhos cruzaram os de Lily, me questionei se estava realmente certo...

– Eu sinto muito, Cygnus... – murmurou ela me abraçando.

Senti o perfume de Lily e a abracei de volta, gostando do toque dela.

E eu achava que não era capaz de amar...

Pascal

Quando voltamos para Hogwarts, meu grupinho de admiradores voltou a me cercar e por isso eu quase não vi mais Lily. Minhas fãs não deixavam que uma garotinha da Grifinória chegasse perto de mim. Mas depois da morte do meu avô, eu estava um tanto receoso de passar tempo com ela. Eu tinha certeza de que Lily era meu ponto fraco. Eu me importava demais com ela.

Me afoguei em outras mulheres. Isso nunca me faltou. Mas por mais safado e pervertido que fosse, nunca era tão bom quanto o natal, quando eu passei algumas horas simplesmente beijando aquela ruiva.

Continuei tentando fazer meu patrono, mas nunca mais consegui. Fiquei completamente aborrecido com aquilo.

Janeiro, Fevereiro, Março e Abril. A vida seguia normalmente. Não falava com Lily, eu derrotava James no clube dos duelos, Scorpius seguia apaixonado por Rose, Albus me achava um nojento, eu e Pascal colecionávamos garotas, Scorpius não derrotou James no quadribol, o Barão não falava comigo e a Dama Cinzenta também não.

Certa noite, haveriam os famosos joguinhos Sonserinos no salão comunal, mas eu não ia participar. Tinha um compromisso com a monitora chefe, no banheiro dos monitores. Passei tempo demais com ela. Era uma das minhas safadas favoritas e nada era proibido com ela. Além disso, ela era divertida.

Cerce Flint.

E como ela sabia sobre as Artes das Trevas. Era fã de Lorde Voldemort e lamentava profundamente que ele tivesse perdido a guerra. Estávamos dentro da banheira quando ela me falou.

– Você sabe mais Arte das Trevas do que qualquer um do sétimo ano, Cyg... Você poderia se tornar o próximo Voldemort.

– Cerce... Eu seria muito maior do que ele. – disse sorrindo. Ela nadou até mim para se sentar no meu colo. Sorri achando delicioso o corpo dela sobre o meu. Ela me ajudou a entrar e então moveu o quadril.

– Fale alguns feitiços pra mim, Cyg. – sussurrou ela no meu ouvido. A cada um que eu pronunciava, ela se movia maravilhosamente em meu colo.

Eu falei quase cinquenta azarações, antes de Flint voltar a me beijar, sem parar de rebolar em cima de mim.

Já tinha passado da meia noite quando deixamos o banheiro dos monitores. Pirraça quis gritar para denunciar que estávamos andando pelos corredores, mas eu cuidei dele com um feitiço. Logo chegamos nas masmorras e eu puxei Cerce para mais um pouco de ação, ali no corredor mesmo. Quando terminamos, fomos para os dormitórios, ela para o dela e eu para o meu. Eu nunca passava a noite com nenhuma garota.

Assim que cheguei no meu quarto, notei que todas as cortinas de todas as camas estavam fechadas. Me sentei na minha cama e tirei os sapatos, quando a cortina da cama de Pascal se abriu.

Olhei e vi minha irmã saindo de lá. Pascal a olhava completamente abobalhado, as calças abertas, e sem camisa. Virgo me olhou marotamente e se virou para meu amigo.

– E isso, é uma mulher de verdade, não essas coisas ridículas com que você fica perdendo tempo. – riu Virgo. Ela se virou para mim e sorriu – Boa noite, maninho. Só estava dando uma lição de história pro seu cachorrinho. Não fique com raiva, ok?

Olhei para Pascal, que ainda olhava boquiaberto para Virgo. Ela piscou para ele e lhe mandou um beijo. Depois saiu do nosso dormitório. Olhei para Pascal e Scorpius abriu a cortina da cama dele. Remo e Albus fizeram o mesmo.

– O que raios foi isso? – ralhou Scorpius. – O que você fez com a minha irmã?

– Eu? – perguntou ele – Ela apareceu aqui, expulsou a Milicent e me pegou. – disse ele – Meu santo Merlin... Vocês têm certeza de que ela só tem quatorze anos?

– Ela tem quinze. – corrigiu Remo – E é a minha sobrinha. Você sabe que eu preciso matar você agora, não sabe? – ele olhou ao redor – Na verdade... O único que não tem obrigação de te dar uma surra é o Albus...

– Ela veio atrás de mim. Vocês queriam que eu mandasse ela embora? – perguntou ele.

– Deixem pra lá. – murmurei sorrindo – Virgo estava querendo brincar com ele há séculos. – adicionei sorrindo – Parabéns, Pascal, você caiu na teia da aranha.

– Virgo é a rainha das aranhas más. – adicionou Albus – Oh... você está na merda.

A princípio Pascal não pareceu afetado. Mas eu notei que ele passou a prestar mais atenção em tudo o que Virgo fazia. Eu tinha aprendido a notar a sensualidade nas garotas. E eu falo mesmo. Se Virgo não fosse minha irmã, eu teria traçado ela. Ou ao menos tentado...

Virgo era linda, sexy, inteligente, elegante, rica, bem nascida e talentosa. E ela olhava Pascal com uma superioridade arrogante impressionante. Ela olhava para ele como se o achasse bobo. O sorriso dela para ele era quase um insulto para o seu ego masculino.

– Ela se acha a rainha do mundo. – reclamou ele uma semana depois do beijo deles (eu acho que foi um beijo, não tive curiosidade em descobrir) – Ela se acha a mais linda do colégio. – resmungou ele outra semana depois – Não é como se eu precisasse provar qualquer coisa, de qualquer modo. – resmungou ele na outra semana – E ela faz de tudo pra me provocar... – Mais uma semana. Os olhares sobre ela aumentavam. Ele reparava em tudo o que fazia – Você viu aquele idiota do quinto ano que está dando em cima da sua irmã? Você deveria fazer alguma coisa! – resmungou ele. – Eu só quis dar uma lição naquele mané. Ela é a irmã do meu melhor amigo, afinal! – explicou-se ele enquanto cumpria uma detenção no dia seguinte por ter atacado um tal de Keith Coin. Como se Virgo fosse dar atenção pra um mestiço daqueles – Cara... Nunca tinha reparado no quanto que sua irmã é boa em quadribol. – murmurou ele na semana seguinte – Cygnus... Virgo não está saindo com ninguém está? Não que eu esteja interessado, é claro... – Ele estava completamente fisgado. Todo mundo sabia disso, menos ele. – O cabelo dela fica bonito quando ela o deixa solto assim... – Mais uma semana. Ela sempre sorria para ele, sabendo que ele a seguia com o olhar – Ela é realmente bonita, a sua irmã... – Ele não parava de olhá-la. Se ela estava com a saia curta do uniforme então... – Sério, Cyg... Se Octávius Crabbe olhar para Virgo daquele jeito de novo eu juro que quebro a cara dele. Ninguém desrespeita a irmãzinha do meu melhor amigo! – Pascal às vezes era tão burro... – Quero dizer... Não é que eu esteja com ciúmes. Mas ela é a sua irmã... Não vou deixar ela ficar com qualquer um! – Ele sorria abobalhado sempre que ela passava por ele e passava a mão por seus cabelos semi raspados – Sua irmã é linda de morrer, Cyg... Como nunca notei isso antes? – Antes de dormir, Pascal ficava falando nela o tempo todo. Scorpius passou a ir dormir com Rose, na Torre da Grifinória por não aguentar mais ouvir Pascal falando sobre Virgo. – Quero dizer... Ela merece um cara legal. A Virgo é especial, sabe? – Ele achava que eu não via o olhar de desejo dele. Achava que ninguém notava que ele sorria sempre que Virgo olhava para ele – Cyg... Você acha errado eu sair com uma garota dois anos mais nova?

– Pascal. Não transe com a minha irmã e estará tudo bem.

– Sério? Você não grila? – perguntou ele.

– Nem um pouco. – respondi.

– Quero dizer... Não estamos namorando... É só uns amassos, ok? Mas vou respeitá-la, afinal é sua irmãzinha.

E quando voltamos para casa no final do ano...

– Cyg... Estou apaixonado pela sua irmã... O que eu faço?

Vamos lá... Todos nós sabíamos que isso iria acontecer... Virgo sempre consegue o que quer. Pascal sempre falou que não iria se apaixonar, sempre falou que nunca seria sério. Mas ele se apaixonou, a pediu em namoro, em noivado e eles tiveram o casamento mais caro e extravagante da década.

E Lily estava linda naquele dia... mas isso não vem ao caso agora...

Notas finais
Luto por Lúcio Malfoy u.u E ai? Gostaram? Virgo é poderosa? Sim ou muito? Hsuhaushasuasu