Cygnus - Fallen

3 Hogwarts – ano 1


Notas iniciais
O último capítulo foi pequenino, então postarei mais um! Mas quero comentários, ouviram?? =D

Hogwarts – ano 1

Sinceramente, no meu primeiro ano, eu tive uma quebra de realidade muito forte. Por mais solitário que eu jurava ser, eu descobri que isso era uma grande mentira. Em casa eu tinha Scorpius e Virgo. Eles estavam sempre me pentelhando e eu precisava me esconder para conseguir um pouco de paz. Quando saíamos, tinha Lily e Hugo. E a outra turma também. Eu sempre estava tentando me livrar deles.

Mas em Hogwarts, eu fiquei sozinho. Albus veio para a Sonserina e ele e Scorpius formaram uma dupla completa. Eles não precisavam de mim. Não me queriam. Não que eu ligasse... Ou ao menos fingia não ligar. Talvez eu nem soubesse que ligasse. No início era assim, pelo menos.

No expresso Hogwarts eu só podia esperar para que o padrinho da minha irmã me enviasse o que eu queria. Livros de magia negra. Estava louco para praticar. Tinha certeza de que conseguiria aprender muita coisa. O expresso foi tranquilo, peguei um livro e fui lendo enquanto meu irmão fazia bagunça com James, Ted, Remo e Albus. Aparentemente Ted arrumara uma namorada, ou qualquer coisa assim e era motivo de piada.

Hogwarts era mais majestosa do que tudo o que eu poderia imaginar. Era linda. As luzes refletindo sob a superfície perfeitamente lisa do lago, à noite... Foi a primeira vez que me apaixonei, certamente. Só de imaginar o tanto de coisa que aprenderia ali... Era extasiante.

Entramos pelo salão principal e a primeira coisa que vi foi Merlin e Calipso. Meus pais me contaram sobre eles, é claro. Merlin era o dragão e Calipso a fênix. Ambos transformados em pedra assim que Voldemort, o Lorde das Trevas, morreu. Por que isso aconteceu? Dumbledore deveria saber, mas a resposta dessa pergunta morreu com ele, quando ele foi assassinado por Severus Snape, para poupar a alma do meu pai.

Talvez pesquise sobre isso um dia...

A diretora McGonagall estava do outro lado do salão e ela era o retrato da severidade. Caminhei com os outros calouros, em fila e quando o Chapéu Seletor me chamou, não tive medo. Eu sabia o meu destino. Me sentei no banquinho encarando o meu futuro e mal o Chapéu Seletor tocou minha cabeça, ele gritou:

“SONSERINA”

Parecia que o Chapéu tinha nojo de tocar em mim, tão rápida foi sua reação. A Sonserina me recebeu com vivas e aplausos. Logo mais calouros foram enviados para lá. Scorp ficou quase cinco minutos naquele banquinho até ser enviado para a Sonserina e o Chapéu ainda disse nunca ter tido tanta indecisão sobre um Malfoy.

Logo recebemos mais colegas. Remo veio para nós, como que para redimir a casa Black. Mas também levou bastante tempo para ter seu destino definido. Travers, Selwyn, Rowle, Flint, Avery, Greengrass, Goyle, Borgin... e Potter. Sim. Nós ganhamos Potter. Oh, a cara de James ao ver seu irmão caminhar completamente abobalhado para a nossa mesa. Foi simplesmente hilário.

No meu primeiro ano eu quis explorar minha nova paixão... Antes do Natal e já tinha um mapa mental perfeito de todo o castelo em minha mente. Já conhecia as passagens secretas, já sabia como ir para Hogsmeade se quisesse. Já sabia onde era o Salão Comunal de cada casa e onde ficava a cozinha e a sala da diretora.

Fiz “amizade” com o fantasma da nossa casa, o Barão Sangrento. Um homem fascinante, sem dúvida. Muito fechado e misterioso e tenho certeza de que ele viu em mim muito de si mesmo. Mas quando perguntei sobre sua morte, ele ficou muito zangado e achei melhor não tocar mais no assunto.

Quando o Natal chegou, meu irmão já era o garoto mais popular do nosso ano. As meninas adoravam o jeito estabanado dele, o sorriso debochado, símbolo máximo da nossa casa, os olhos azuis e principalmente o carisma dele. Os meninos o seguiam, as meninas riam sem saber que logo estariam completamente bobas por ele.

E eu tinha meus livros e o Barão Sangrento. Todos me achavam um esquisito caladão sabe-tudo. Alguns meninos até tentaram me bater uma vez, mas Scorp me protegeu. Ou os protegeu de mim, como preferir pensar. Eu acredito mais na segunda opção. A questão era que ninguém falava comigo a não ser para pedir para olhar as minhas respostas – o que eu nunca permitia – e depois de um tempo nem isso.

Só então eu notei o quão solitário eu era e como eu simplesmente não tinha a habilidade de Scorpius para me socializar. Eu não sabia o que falar, eu não sabia quando sorrir. No máximo ria da desgraça dos outros, o que me fazia menos popular ainda. E o fato de não ter ninguém que quisesse ser meu amigo só fazia com que eu me dedicasse mais aos meus estudos.

E não. Eu não sentia falta. Meu irmão me chamava de esquisito, Albus parecia ter pena de mim. James era quem mais me azucrinava. Eu ficava incomodado com o barulho e nada mais do que isso. Eu não sentia falta de socialização... Provavelmente Scorpius tinha razão.

Scorpius estava louco para voltar pra casa no natal, mas eu escrevi aos meus pais dizendo que ficaria na escola. Mas meu pai disse que se eu não estivesse no expresso, ele viria me buscar pessoalmente. Minha mãe costumava nos ameaçar de muitas coisas, mas meu pai não. E quando ele ameaçava, nunca era bom. E quando ele falava que cuidaria de um assunto pessoalmente... Não hesitei um momento sequer antes de arrumar minhas coisas. A última vez que meu pai falara que cuidaria de alguma coisa pessoalmente, ele tinha colocado fogo nos meus livros. Eu preferiria que ele tivesse me levantado pelas orelhas, como minha mãe fazia.

Desculpe se estou te entediando com essas lembranças talvez bobas da minha infância. Provavelmente está pensando sobre o cajado de Slytherin. Mas você concordou em me ouvir. E eu não falo isso a toa. Eu preciso falar de cada passo meu até chegar nesse ponto. E o natal dos meus onze anos foi importante. Muito importante.

Foi a primeira vez que passamos o natal com os Weasley. Provavelmente era por isso que meu pai estava zangado. Ele odiava os Weasley com muita força. Eu não gostava deles também e ele provavelmente não queria ser o único sem um sorriso estampado no rosto.

Mas se meu pai pensava que eu ficaria sentado ao lado dele, durante toda a noite, ele estava muito enganado. Os Weasley tinham gnomos! E a Sra. Weasley estava reclamando porque os filhos não tinham os tirado de lá.

Eu já tinha matado animais antes. Mas Gnomos não eram exatamente animais, eram? Cerquei um e o paralisei. As regras da escola se aplicavam à escola. Se ninguém me visse, estaria bem. Eu levei aquela criaturinha para longe da Toca e me escondi próximo a uma árvore.

E então eu o matei.

Já tinha visto tantas descrições de bruxos das trevas, nos livros, sobre como era matar pela primeira vez. Eu queria saber como era ver o brilho se extinguir dos olhos quando algo morre. E o Gnomo era mais parecido com um humano do que ratos, pássaros, gatos e cães. Estrangulei a criaturinha com minhas próprias mãos. Nada elegante e nada muito mágico, admito. Mas eu vi o brilho sumir.

E algo se remexeu em meu estômago com prazer.

Eu tinha certeza, finalmente. Eu não era como os outros. Eu seria um bruxo das trevas. Mas e então? O que eu tentaria fazer? Conquistar o mundo parecia tão idiota... Causa Puro Sangue? Grindelwald e Voldemort tinham tentado e falhado. Eles eram poderosos, mas nem mesmo com todo seu potencial eles puderam impor seus ideais. Então me senti frustrado.

Mas eu tinha tempo, não tinha? Tinha bastante tempo até pensar no que eu me tornaria, pelo que lutaria. Não queria que fosse algo tão tolo quanto sangue puro...

Me virei para ir embora e então senti um frio me subir a espinha. Lily Potter. Ela me olhava com os olhos esbugalhados. Andei até ela e coloquei a varinha em seu queixo.

— Quer acabar como ele? É só contar para alguém.

Mas eu tinha esquecido de um detalhe. Ela era Lily POTTER. Simplesmente empurrou a minha varinha e me olhou com descaso.

— Estão todos te procurando. Para o jantar, sabe?

E ela falou com tanta tranquilidade que parecia que ela tinha me flagrado lendo um livro, ou olhando o horizonte. A olhei com um leve interesse. Será que ela não tinha visto? Não era possível que ela não tenha visto. Mas não disse nada. Fomos para a mesa e eu me sentei ao lado de Scorpius e logo estávamos comendo.

Não olhei para ela nenhuma vez. Agi como se nada de anormal tivesse acontecido. Se ela pensasse que eu tinha medo que ela contasse, talvez tentasse me chantagear.

Mas depois eu pensei... E daí se alguém soubesse. Não era como se eu tivesse matado o bichinho de estimação de alguém, ou uma pessoa. Era só um gnomo idiota e irritante. Ninguém sentiria falta dele. Ninguém. Provavelmente até me agradeceriam. Quando o jantar terminou, eu nem estava mais lembrando que tinha matado aquela criaturinha insignificante.

Depois do jantar todos estavam muito cheios e levemente sonolentos. Não sei como os Weasley não eram todos obesos. Aquela mulher sabe como cozinhar.

Scorpius estava tentando seduzir as filhas de Bill. Mas elas eram muito mais velhas e Victoire estava namorando Ted, então não sei como ele achava que teria chance com elas. Dominique era dois anos mais velha que a gente e Victoire deveria ser uns quatro... Mas as duas eram muito bonitas e era impossível não reparar nelas.

Nada de demais aconteceu naquele natal, além disso que eu contei aqui. Lily não contou sobre o gnomo e eu já nem ligava mais pra isso. Meu pai e minha mãe tiveram alguma briga porque ele estava irritado por ter que passar o natal com os Weasley e ele e tio Rony brigaram um com o outro. Nada de demais...

Voltar para Hogwarts era tudo o que desejava. Mas ainda precisava ficar alguns dias na mansão. Então voltei a explorar o escritório dos retratos. Era meu cômodo favorito de toda a casa. Eu era o único Malfoy que não era loiro. Mas tinha os mesmos olhos cinzas da maioria dos retratos. Gostava de ficar procurando semelhanças entre eu e aqueles homens distintos.

Fucei durante bons minutos em toda a biblioteca e finalmente achei o que eu procurava. Algo interessante e inédito. Um livro muito antigo de mais de oitocentos anos escrito por um Slytherin à mão.

Ele era difícil de ler. O inglês dele era bastante arcaico e era preciso molhar cada página com uma gota do meu sangue para que as palavras aparecessem. Provavelmente o autor queria ter certeza de que sangues ruins – sim, eu disse isso – não lessem o livro.

O autor era ninguém menos que o neto de Salazar Slytherin e ele escreveu muitas coisas interessantes. Como alguns feitiços para manter Hogwarts sempre escondida, alguns feitiços e azarações, lamúrias, sonhos e desejos.

Foi nesse livro que eu descobri sobre o Cajado de Slytherin. Ele falou que cada um dos fundadores tinha feito uma relíquia mágica e única, poderosíssima. Ravenclaw fez uma tiara que daria inteligência a quem a usasse. Godric Griffindor tinha uma espada que era indestrutível e que ficava mais forte e afiada a cada vez que a usassem. Helga Hufflepuff foi a primeira alquimista a criar uma incubadora para homúnculos – feita em especial para Griffindor e Slytherin, aliais. E Salazar, o fundador da minha casa, fez o cajado.

O autor não falava muito dos outros fundadores e suas relíquias. Mas garantiu que o Cajado dele era a mais poderosa de todas... Ele tinha sido feito para limpar o mundo na imundice trouxa. Para fazer seu portador o mais poderoso do mundo. E Salazar o fez abrindo mão da própria alma E da própria vida. Ele pretendera deixar o Cajado para seu filho, para que se vingasse dos outros fundadores que se utilizaram do talento dele para criar a escola, mas não permitiram que suas filosofias fossem impostas. Odiava o fato de crianças com apenas algum pingo de poder terem o direito de estudar ali.

Mas os fundadores descobriram aquilo e esconderam o cajado. Ravenclaw foi quem deu um fim a ele, de acordo com o livro e o autor se lamentava muito por isso, insultando aquela mulher fascinante o máximo que conseguiu.

Só consegui terminar de ler aquele livro quase na páscoa, tão difícil ele era. Mas não acreditei muito nele. Imaginei que todas as relíquias tivessem sido destruídas.

Mas na Páscoa tudo mudou. Nós não íamos para casa, pois nossos pais queriam curtir o feriado no Caribe. Não liguei. Melhor pra mim, é claro. Estava praticando os exercícios de transfiguração quando meu talento irritou um aluno do terceiro ano. Um tal de Mortaire. Ele estava irritado pois eu estava praticando os exercícios do terceiro ano, já que tinha dominado com perfeição os do primeiro e os do segundo.

Mas estava tendo alguma dificuldade naquele exercício em especial, porém, mesmo assim, estava indo melhor do que ele. Algum colega dele o zombou por isso e ele tentou me bater. Quando eu disse tentou, eu estou usando de eufemismo, me desculpem. Ele me bateu. Disse que quebraria minha varinha.

E Scorpius não estava ali para ajudar o homem...

Eu fiquei muito zangado, porque: primeiro ele tinha me batido. Segundo, para me provocar, ele pegou minha mochila e a jogou na lareira.

Devo dizer que nessa época eu era bastante tranquilo. Mas eu vi meus preciosos livros pegarem fogo. Aquele mesmo monstro que já existia dentro de mim, aquele que adorara quando eu matei o gnomo, ele rugiu de ódio. Apontei minha varinha para aquele pobre garoto e o azarei. Azaração atrás de azaração. Ele não teve a menor chance, é claro. Como poderia ter? Eu era brilhante. Quando minha ira apagou-se, o garoto estava no chão e o sangue se ajuntava embaixo dele. Mas não era o suficiente. Pisei no peito dele, onde o maior dos cortes estava. Ele gemeu de dor e me olhou com medo.

— Nunca mais toque nas minhas coisas, Mortaire.

Mas aquilo foi a gota d’água para os colegas dele. Vieram três pra cima de mim e eu me defendi muito bem dos três. Mas então a monitora apareceu e me viu de pé, intocado, com a varinha na mão e quatro pedaços de carne deitados ao meu redor.

Eu nunca tinha perdido pontos para a Sonserina. Muito menos levado uma detenção. A monitora me deu uma bronca e mandou chamarem a Madame Turner, a professora de D.C.A.T, e chefe da nossa casa. Quando ela chegou, olhou horrorizada para o que eu tinha feito. Ela perguntou quem me ajudou e todos disseram que eu tinha feito aquilo sozinho.

Ela não acreditou e foi ajudar os meninos. Os encaminhou para Madame Pomfrey – essa mulher não morre – e então questionou as testemunhas. E todos disseram que eu fizera aquilo sozinho. Alguns disseram que eu estava me protegendo. Outros que eu os ataquei pelas costas.

Madame Turner olhou para mim e me perguntou novamente, com muita calma, como eu poderia ter derrubado quatro alunos do terceiro ano sozinho.

Minha resposta foi simples.

— Porque eu sou melhor do que todos eles.

Eu perdi duzentos pontos para Sonserina. E ganhei um mês de detenção. E fui enviado para a sala da diretora. Meu irmão ficou furioso. Eu tinha colocado a Sonserina no último lugar na corrida pela Taça das Casas.

E pela primeira vez, eu tive medo. E se eu fosse expulso?

Quando cheguei na sala da diretora, McGonagall quis saber exatamente o que tinha acontecido e eu lhe contei tudo. Ela pareceu impressionada por eu ter derrubado os quatro alunos mais velhos que eu, sozinho. Ela tinha sido da Grifinória e valorizou a minha coragem, mas disse que se eu machucasse mais um aluno outra vez, ela me expulsaria.

Quando ela estava escrevendo uma carta para os meus pais, eu a vi. Belíssima, perfeita. Perguntei para a professora o que era aquilo, apesar de já saber com certeza o que era.

— É a espada de Godric Gryffindor. – disse ela.

Meu corpo todo tremeu com agitação.

— Se essa espada existe... o diadema de Ravenclaw também... E a incubadora e o Cajado? – perguntei com a mente a mil.

— Seus pais quem destruíram a diadema de Ravenclaw. Ela foi transformada em uma horcrux, pelo terrível Lorde Voldemort. – disse a professora com um enorme interesse em mim – Mas não há o menor indício de que o Cajado de Slytherin existiu e muito menos que ainda exista. Dumbledore sabia da incubadora, mas parece que ela foi destruída há muito tempo.

Saí da sala da diretora sentindo meu corpo tremer em um frenesi nunca antes experimentado. Se todos os outros eram reais, então o cajado... O cajado também seria, não é? Eu precisava por minhas mãos nele. Simplesmente precisava.

Minha mãe me mandou uma coruja no dia seguinte querendo saber o que tinha acontecido. No outro dia, ela e meu pai estavam na porta da professora Turner e falaram que ela não deveria me punir por me defender.

— Aquilo não foi se defender. Foi um massacre. Ele podia ter pegado leve com eles. – disse Madame Turner.

— Eram quatro alunos mais velhos! – defendeu minha mãe.

— Mas nenhum deles seria capaz de duelar com ele.

E meus pais saíram de lá orgulhosos de mim, principalmente a minha mãe, que pertenceu à Casa da Grifinória, a casa da coragem e ousadia.

Depois desse dia pude contar nos dedos o número de vezes em que alguém comprou briga comigo.

Notas finais
Cygnus cabuloso! =D Sementinha do mal, esse menino. Comentem ai, ok? =D