Cygnus - Fallen

25 Aquele dia em que Cygnus estava no meu sofá


Notas iniciais
Genteeeem! Recebi mais uma recomendação! E pra agradecer, vou colocar mais um capítulo!! Espero que gostem!! Beijos!! =D

Aquele dia em que Cygnus estava no meu sofá

O despertador tocou irritantemente. O desliguei jogando-o contra a parede. Odiava quando esquecia de desligar o despertador. Eu estava de férias, inferno. Cochilei mais um pouco e escutei risadas.

Mas devia ser apenas um sonho. Meu despertador seguiu tocando e eu levantei o rosto. Estava de noite, por que aquela porcaria estava tocando?

Foi quando notei que não era meu despertador. Era meu bisbilhoscópio. Era a vigésima vez que aquela porcaria tocava sozinha. O peguei e joguei pela janela e voltei a me esconder embaixo do cobertor.

Mas agora que tinha acordado, não conseguia dormir por causa do barulho. Era a voz do Remo e do Scorpius. O que raios eles estavam fazendo na minha casa? Peguei a varinha e soltei um feitiço abaffiato e voltei a dormir.

Mas quando deu dez horas, eu vi que teria que levantar. Não dava pra ficar até tão tarde na cama.

Minha mãe tinha viajado com meu pai e só voltaria para o casamento de Virgo. Eu e Albus estávamos sozinhos em casa. Ele deveria ter saído com os amigos e voltado bêbado.

Me levantei e me arrumei. Coloquei uma camiseta velha e um shortinho. Depois desci as escadas. Fui na cozinha comer alguns biscoitos quando vi que Remo estava no sofá da sala. O ignorei e segui tomando meu café da manhã. Depois de comer, resolvi implicar um pouco com ele. Me aproximei e notei que ele estava só de cuecas. Cada dia mais folgado...

Me aproximei um pouco mais e ele se virou, dormindo.

Só então notei que era Cygnus.

– Oh, Lily... – murmurou ele. Senti meu rosto corar. Meus olhos desceram pela barriga dele e então sorri em silêncio sabendo que aquele volume ali não era a varinha dele – Não... Lily, não... Lily, não. – ele começou a se agitar um pouco, mas então soltou um suspiro se acalmando.

O que raios Cygnus estava fazendo na minha casa? E praticamente pelado?

– Cygnus... – murmurei. Quantos meses tinham-se passado?

– Lily... – murmurou ele enquanto ainda dormia – Eu quero... bacon.

Não consegui não sorrir. Voltei até a dispensa e enchi uma bacia de água. Depois fui de fininho onde Cygnus estava e coloquei as pontas dos dedos dele na água. Esperei ansiosa, até que ele se levantou de uma vez.

– Sete infernos! – ralhou ele cobrindo os olhos. Nunca entendi essa dos sete infernos dele – REMOOOOO!

Ele se levantou de uma vez e foi cambaleando pela casa, provavelmente procurando um banheiro. Mas quando ele se virou para mijar num jarro de planta da minha mãe, eu pensei em impedi-lo.

– CYGNUS! AI NÃO!

– PUTA QUE O PARIU! – gritou ele pulando de susto.

– Você mijou na minha sala! – ralhei gargalhando. – Trate de limpar tudo.

– O que estou fazendo aqui? – perguntou ele todo molhando – Cacete, Lílian. Eu deveria mijar em você.

Ele saiu praguejando para o banheiro.

– É melhor não entrar ai... minha mãe está por ai.

Ele se virou corado, mas quando eu comecei a rir dele, ele entendeu que eu só estava tirando com a cara dele.

Ele entrou no banheiro e logo escutei o som do chuveiro. Limpei a sujeira que ele tinha feito, afinal, a culpa foi minha. Cygnus demorou um tempão no banho. Quando ele saiu, ele usava a minha toalha ao redor dos quadris.

– Como eu cheguei aqui? – perguntou ele, parecendo emburrado, massageando a cabeça.

– Eu nem sabia que tinha voltado da sua excursão do terror...

– Nem comece. – reclamou ele sem me olhar. Ele abriu a porta da geladeira e pegou uma caixa de leite. Ele a cheirou um momento e bebeu direto da caixa.

– Isso é anti higiênico. – ralhei.

Mas ele matou a caixa de leite e a jogou no lixo.

– Onde estão as minhas roupas? Cadê todo mundo? – perguntou ele com os olhos apertados, incomodado com a claridade.

– Eu não sei. Devem estar desmaiados pela casa. – respondi. Ele concordou sem humor e voltou a se deitar no sofá – Vai dormir assim mesmo? Com minha toalha florida?

– Se quiser a toalha de volta, eu tiro. – resmungou ele.

– Você poderia conjurar roupas.

– Eu não estou com cabeça pra isso. – resmungou ele – Me deixe dormir.

– São dez e meia!

– Eu tenho relógio. – resmungou ele levantando o pulso. Arqueei as sobrancelhas, porque não vi nenhum relógio ali – Eu tinha... sei lá... foda-se. – resmungou ele voltando a se deitar.

Eu estava furiosa com ele.

– Oh... tadinho do Cyg... está com a cabeça doendo? – perguntei baixinho, sentando ao lado dele – Quer que eu cuide de você um pouquinho?

Ele me olhou desconfiado. Eu mordi o lábio e o olhei daquele jeito que deixava ele ligado.

– Tá falando sério?

Voltei a ficar de pé e tirei o short.

– Estava com saudades. – murmurei baixinho. Ele respirou fundo, me olhando. Tirei a calcinha, mas minha blusa era tão comprida que chegava na metade das coxas. Ele se sentou, me olhando com incredulidade – Saudades de você – adicionei me sentando no colo dele. – Sentiu minha falta, sentiu?

– Senti... – murmurou ele me segurando na cintura – Nossa... senti...

Senti os lábios dele no meu pescoço. Mexi o quadril e ele me apertou soltando um gemido.

– Gosta quando eu faço isso? – perguntei rebolando. Ela abriu a boca, tremendo de leve e concordou em silêncio – E quando eu faço assim? – perguntei lambendo a orelha dele.

– Meu deus, Lily...

– Assim tá gostoso, tá? – perguntei manhosa, rebolando lentamente.

– Demais... – gemeu ele – Oh... Lily...

– Eu lembro que você gosta assim. – sussurrei no ouvido dele.

– Eu amo assim... rebola de novo, vai? – perguntou ele baixinho. Era legal ouvir Cygnus falar daquele jeito. Ele nunca pedia, ele exigia ou avisava. Mas comigo não. – Por favor... por favor... rebola de novo, Lily...

– Sabe o que mais eu lembro? – perguntei roçando nele. Sentindo o membro dele escapar pela toalha, encostando em mim de maneira tentadora.

– O que? – perguntou ele tremendo.

– Que você foi embora e me deixou pra trás de novo. Ops.

– Que? – perguntou ele me olhando chocado. Me levantei e sai rebolando.

– Vamos ver se você gosta né? – perguntei com um sorriso satisfeito, peguei meu short e minha calcinha e então subi as escadas completamente satisfeita.

Na hora do almoço voltei a descer. Cygnus não estava mais com a minha toalha. Ele tinha conjurado roupas pra si mesmo. Remo, Albus e Pascal estavam sentados na mesa, todos em silêncio, com cara de morte.

– BOM DIA, GENTE!

Os quatro encolheram e me olharam carrancudos.

– Shhhhh! – ralhou Remo – Está louca? Quer que minha cabeça exploda? – perguntou ele num sussurro.

– Lily... tem comida pra gente? – perguntou Albus, também muito baixinho.

– Não sei. Eu vou comer fora. Tenho um encontro. Estou indo tomar banho.

Cygnus deu um sorrisinho cruel e deu um gole no café que tomava. Não gostei nada do sorriso dele. Fui para o banheiro e olhei minha toalha florida. Ela esta fedendo a...

– CYGNUS! – saí raivosa de lá. Os quatro encolheram novamente, mas Cygnus parecia muito satisfeito consigo mesmo – O que você fez com a minha toalha?

– Eu? – perguntou ele com um sorriso cínico – Não sei do que está falando...

– Ela está fedendo a porra!

– Ah... isso. – riu ele – Vai saber né? Como você sabe qual é o cheiro de porra, Lily? Andou cheirando por acaso?

Corei violentamente e Remo tentou rir, mas então encolheu segurando a cabeça.

– Você... Você...

– Eu? Eu? – riu ele – Não deveria se apressar para tomar seu banho?

– Você se masturbou e gozou na minha toalha! – rosnei zangada.

– Eu? Eu não... por que eu faria isso? – perguntou ele.

– Acho que estamos sobrando aqui... – murmurou Pascal – Eu vou subir antes que eles comecem a gritar.

– Eu também... – lamentou Albus – Lily parece um espírito agourento quando grita.

Remo nos olhou, depois olhou para as escadas.

– Hum... Eu não sei o que quero fazer... Tente gritar baixinho, ok, Lily?

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Os dois encolheram.

– Lily... Pelo amor de deus. Não fui eu quem gozou na sua toalha. Não me castigue. – lamentou Remo.

Cygnus fechou os olhos rindo de se acabar, mas gemendo de dor, massageando a cabeça.

– Saia da minha casa! – disse zangada para Cygnus.

– Sou convidado do Albus. – disse ele – Mas tudo bem. Eu já estou de saída. – resmungou ele.

– Vai encontrar seus amigos algozes? – perguntei zangada. Remo olhou curioso e Cygnus deu uma risadinha.

– Não. Eu vou pra casa. Remo... temos que pensar numa despedida de solteiro pro Pascal. – disse ele se virando para Remo.

– Eu conheço um estabelecimento trouxa...

– Não! – cortou Cygnus perdendo o sorriso – Trouxas não.

– Ok... Podemos olhar um dos estabelecimentos do pai do Pascal. O que acha?

– Fazemos isso amanhã. – disse Cygnus. Ele deu um sorriso um pouco triste – Hoje eu não posso.

– Por que não? – perguntou Remo – Temos que olhar logo isso.

– Hoje eu quero visitar o cemitério... – disse Cygnus – Já tem tempo que eu não visito o túmulo da Dominique, ou o do Leon...

Ele perdeu por completo o sorriso ficando apenas triste. Ele colocou a mão nos olhos e respirou fundo.

– Ok, cara. – murmurou Remo.

Cygnus se levantou e ficou de costas para a gente. Remo me olhou desconfortável e eu me sentei me sentindo assim também.

– Eu já vou.

– Fica ai mais um pouco, Cygnus. – murmurou Remo – A gente ainda tá muito fraco. Se você for aparatar, pode até estrunchar.

Cygnus concordou em silêncio e se afastou da gente, entrando num corredor que dava no escritório do meu pai. Olhei para Remo novamente. Ele me olhava estranhamente sério.

– O que?

– Cygnus ama você. – disse ele dando um gole no café.

– Não ama nada.

– Ama tanto a ponto de pensar que não está a sua altura. – retrucou Remo – Ontem ele ficou tão bêbado, que quando estávamos no Beco Diagonal, ele viu um monte de lírios e começou a chorar.

– Que? – perguntei rindo.

– Ele ficou bem perturbado, quando ele pegou os lírios, com um sorriso bobo no rosto e as flores mudaram de branco para vermelho. – suspirou Remo – Ele as jogou no chão e começou a chorar em silêncio. Mas acho que só eu notei. – Remo bebeu mais um gole do café e soltou um suspiro – O Cygnus gosta de você desde quando éramos crianças. Ele sempre teve um xodó especial por você. Quando você tinha uns dois anos, Scorpius empurrou você, porque você quebrou um brinquedo dele. O Cygnus partiu pra cima do Scorpius... e apanhou, claro.

– Eu... eu não me lembro disso.

– Ah... eu sempre presto atenção nessas coisas. – riu Remo dando outro gole no café – Em Hogwarts, o Cygnus sempre ficava olhando pra você. O tempo todo. Ele nem deveria notar o quanto prestava atenção em você. Ele sempre foi todo sério, todo distante... mas com você ele sempre sorria, sempre brincava. Quando você arrumava um namorado, ele ficava com ciúmes, olhando carrancudo para a mesa da Grifinória... E durante a noite, ele ficava falando seu nome enquanto dormia. – Remo soltou um suspiro – Scorpius é apaixonado pela Rose... Pascal pela Virgo. Dá pra notar isso pelo olhar deles. – Remo deu outro gole no seu café – Eu nunca vi Cygnus olhar pra outra garota como ele olhava pra você... Ou melhor... como ele olha pra você... a voz dele muda pra falar de você ou com você... Eu vou me casar com a Alexia, eu amo aquela mulher... mas não acho que o que eu sinto por ela seja forte como o que Cygnus sente por você...

– Então por que ele nunca fica comigo? – perguntei com um nó na garganta – Por que ele sempre vai embora?

– É complicado te amar, Lily.

– Por que? – perguntei magoada.

– Ele adora o Harry. Você é a filhinha dele. – Remo deu uma risadinha – Ontem ele deixou escapar que vocês dois já transaram. – senti minhas bochechas pegarem fogo – Ele disse que você foi a melhor da vida dele... E olha que o Cygnus teve muitas na vida. – riu Remo – Mas principalmente, ele estava super preocupado, pedindo pra gente não contar pro Harry... – Remo suspirou – E você é irmã do James e do Albus. James não gosta dele. Albus só virou amigo dele há pouco... É complicado pra ele... Sem falar... Que o Cygnus é muito fechado. Ele tem medo de se aproximar de verdade das pessoas... de confiar nelas. Eu não sei o porquê dele ser assim, mas é verdade. Ele demorou três anos, convivendo todos os dias com a gente, pra finalmente se sentir confortável em andar com a gente... Só viramos amigos mesmo no sétimo ano... E todas as vezes que o Cygnus começava a se abrir pra você... bem... vocês surtavam...

– Eu tive os meus motivos! – disse fazendo careta.

– Claro que teve. Cygnus não é fácil... Mas Cygnus não é Scorpius. Afastá-lo ou desprezá-lo não funciona com ele como funcionou com o Scorp. Você partiu o coração dele três vezes.

– Três?

– Quatro.

– Hum?

– Duas na escola. – disse ele – Quando se sentou no colo do Hugo, naquela vez. – riu Remo.

– Você se lembra disso?

– Claro. Você foi tão bobinha, Lily... – riu ele – Se você tivesse sentado no colo dele, vocês teriam ficado e todo mundo saberia que vocês dois estavam juntos. Você provavelmente casaria antes de Virgo.

– Cygnus não queria ficar comigo naquela época.

– É claro que queria. Por que acha que ele foi correndo beijar outra garota? Por que acha que ele virou um cafajeste? Ele queria te esquecer... mas nunca conseguiu.

– Mas...

– E teve aquela briga de vocês, também... A que todo mundo ficou sabendo. – Remo matou o café e se serviu com mais um pouco – E depois rolou a segunda tarefa... E Cygnus ficou com medo de si mesmo. Ele não ficava mais com ninguém, nem com Pascal... Ficava repetindo pra si mesmo quem ele era, parecendo ter medo de se esquecer. Ele tinha medo e vergonha do que poderia fazer com você... Ficava se repetindo que não tinha te estuprado... E você lembra, não é? Quando ele quase morreu? Foi você quem ele quis ver. Não foi a mãe, ou a irmã, ou o irmão gêmeo, ou o pai... Foi você. – ele bebeu mais um gole e olhou pela janela – E quando ele melhorou, ele foi falar com você.

– Remo...

– O problema do Cygnus, é que ele te ama tanto, que ele acha que você é perfeita. Ele acha que está sempre errado, que não é bom o suficiente. E ele está conformado com isso... que nunca será bom o suficiente. Então ele foge. Se esconde. Mas depois de um tempo ele não aguenta e volta... Querendo saber de você. E então vocês tem algum casinho e ele volta a fugir, porque tem medo de te machucar, medo de te ferir... E você nunca entende e fica com raiva e ele se culpa mais e mais... – Remo soltou outro suspiro – Ele tentou de verdade te esquecer... eu acho que ele finalmente encontrou alguém que ele amou tanto quanto ama você... mas essa pessoa foi tirada dele...

– Dominique...

– Que mané Dominique? – riu Remo – Leon... o bebê... O bebê que morreu. Ele amava aquela criança... Perder Dominique e o bebê acabou com ele... Ele estava do lado deles e mesmo com toda a sua força, talento e poder... ele não pôde fazer nada... Só ver os dois indo embora, na frente dos olhos dele. – Remo coçou os olhos – Eu não sou idiota. Eu sei que ele é um Algoz... E eu acho que ele é bem próximo do Sinistro. Próximo o suficiente para influenciá-lo. Os Algozes não matavam trouxas antes da Dominique morrer.

– Remo... – murmurei desejando falar a verdade para ele. Ele já tinha deduzido tanto – Eu... você tem certeza de que ele é um Algoz?

– Sim. E você também. É por isso que você ficou com raiva dele. – riu Remo – Eu apenas desconfiava, mas naquele natal em que você jogou a morte da Dominique na cara dele... Eu tive certeza. Você estava furiosa por ele ter ido. Porque sabia que ele estava envolvido em todos aqueles crimes. E eu acho que ele contou pra você... não foi algo que você descobriu.

Desde quando Remo era tão esperto?

– Sim... ele me contou.

– E foi por isso que você não quis se casar com ele. – concluiu Remo – Outra má ideia...

– Que?

– Você não acha, que... Se você tivesse dito sim, ele não teria deixado aquela vida de lado?

– Não. – respondi convicta. Ele era o Sinistro, afinal...

– Então quem precisa aprender mais sobre “amor” é você, Lily e não ele. – riu Remo – Minha mãe foi comensal de morte. Se não fosse pelo meu pai, ela nunca teria mudado de lado. – Ele matou o café novamente e se levantou – Bem... Eu vou ir. Foi uma conversa legal, Lily. – riu ele se esticando – A gente se vê no casamento do Pascal?

– Acho que sim...

– Legal. Bem... Diga tchau pro Cyg pra mim.

Então ele pegou as coisas dele e saiu pela porta.

Olhei para o corredor e respirei fundo. Caminhei a passos lentos até o escritório do meu pai. Cygnus estava deitado lá, olhando o teto fixamente.

– Cyg...

Ele me olhou com curiosidade.

– Hum?

– Me desculpe por hoje mais cedo...

– Ok, eu mereci. – murmurou ele voltando a olhar para o teto. – Os aurores começaram a desconfiar que eu sou um Algoz... talvez até o próprio Sinistro. – murmurou Cygnus tranquilamente – Então... eu devo partir logo depois do casamento. – ele soltou um suspiro – Me desculpe por sujar a sua toalha. Eu fiquei muito zangado. Mas não deveria ter feito aquilo.

– Não deveria mesmo. – concordei ainda levemente zangada.

– Não vai se arrumar para o seu encontro? – perguntou ele de maneira polida – Não é legal deixar alguém esperando...

– Se você pedir pra eu não ir, eu não vou.

Ele não me olhou.

– Eu não vou pedir isso... – murmurou ele – Quem sou eu para pedir pra você não ir?

– Você é Cygnus Malfoy.

– Sou? – perguntou ele ainda olhando para o teto. Ele só estava de calças. A serpente tatuada nele passeava tranquilamente pelo braço vermelho sangue dele. – Às vezes não tenho certeza.

– Quem mais poderia ser?

– O Sinistro... – respondeu ele – Ou Salazar, ou Abraxas... Quando sou qualquer um dos três, sou forte, poderoso, intocável, invencível... Cygnus Malfoy é o covarde que só sabe fugir... É o garoto na chuva olhando essa casa, sentindo um medo terrível de ouvir um “não”, é o garoto sem amigos lá em Hogwarts... No máximo aquele garoto ridículo que pousou pra uma revista adolescente... – ele soltou um suspiro – Eu não gosto de ser Cygnus Malfoy. Ele é fraco, frouxo, covarde, sentimental e sem objetivo.

– Eu amo Cygnus Malfoy. – murmurei.

– Ele ama você também, mas... – ele sorriu pra mim, sem absolutamente nenhuma alegria – o que importa, não é? – ele desviou o olhar para o teto – Eu deveria ter morrido naquele dia... não Dominique... talvez eu tenha morrido naquele dia... ou então quando eu duelei contra Abraxas... talvez antes, na segunda tarefa... – ele engoliu saliva e sorriu daquele jeito infeliz – Damian nunca deveria ter me encontrado quando eu tomei o veneno. Eu nunca teria matado ninguém, nunca teria encontrado o cajado, nunca teria a responsabilidade da minha família nos meus ombros... Eu queria fazer como o irmão do meu avô... Desistir...

– Não diga coisas assim, Cygnus... – murmurei me ajoelhando no chão ao lado dele – Você não pode ficar pensando essas coisas.

– Morrer... É assustador o quanto eu tenho pensado nisso... desejado isso... quando estou duelando contra os aurores... fico torcendo pra alguém acertar pelo menos um maldito feitiço, mas eles nunca acertam... eu estou sempre intacto, lutando por uma causa que eu não desejei... – ele fez uma careta – Quando foi que tudo ficou tão bagunçado? Quando eu comecei a revolução, era tudo tão bonito e divertido... As pessoas gritavam nas ruas as minhas ideias, ela vinham me ouvir discursar... ninguém tinha medo de mim. As pessoas gostavam daquele jovem com ideais de liberdade, igualdade... Eu tinha tanta esperança...

– Se pensa assim, por que não desiste? – perguntei angustiada.

Cygnus se levantou e se sentou no chão ao meu lado. Senti a mão dele no meu rosto e o olhar dele sobre o meu.

– Se eu desistir agora, eu vou ter te deixado por nada... – respondeu ele.

A saudade daqueles dias felizes me dominou por completo. Quando Cygnus me abraçava com força, querendo eliminar cada centímetro que nos separava. Quando acordávamos de manhã sentindo o calor do outro... Senti tanta saudade dele... Até das coisas mais bobinhas, como a mania que ele tinha de dobrar todas as roupas dele antes de colocá-las para lavar, ou a mania de organização... Como ele detestava café com açúcar. Como ele gostava de beber o leite direto da caixa. Até mesmo quando ele cantava no chuveiro, baixinho, jurando que eu não estava ouvindo, as músicas trouxas que eu passava o dia escutando...

Me lembrei com tanta vivacidade do meu baile de formatura, quando ele me olhava com tanta ternura quanto naquele momento. A vontade de beijá-lo era a mesma daquele dia.

Coloquei minha mão na nuca dele e o puxei mais para perto. Mas ele desviou o rosto e me beijou no nariz, depois numa bochecha e depois na outra.

– Cygnus...

– Vá se arrumar, sua bobinha. Tem alguém legal esperando você.

– Tem alguém legal aqui.

– Sim, você. – murmurou ele me beijando na testa – Eu já vou, Lílian... tenha um bom encontro.

Ele se levantou e se afastou. Já na porta, ele me deu um último olhar.

– Não vá...

– Por que insiste em me pedir isso, se eu sempre vou?

– Porque... porque eu sempre sonho como dia em que você não irá...

– Você merece mais do que passar a vida sonhando comigo, Lily.

– Então fique comigo...

– Você merece mais do que um assassino sanguinário, Lily. Fala sério... que futuro você acha que teríamos? – perguntou ele – Se minhas mãos não estivessem tão sujas de sangue, eu poderia até tentar, mas... – ele encarou as duas mãos, marcadas pelo sangue das várias vidas que ele tirou – Como eu poderia sequer cogitar estar com você? Casar com você, dividir a mesma cama, o mesmo futuro... – murmurou ele – A maior prova de amor que eu posso te dar, Lílian, é ficar longe de você...

– Então pare de me dar provas de amor! – disse me levantando e indo até ele.

Ele não queria me beijar e eu tinha jurado que não o perdoaria, mas eu também era boa em quebrar promessas. O abracei e o beijei. Cygnus me puxou pra ele e me beijou de volta. Mas em seguida me empurrou de leve.

– Não, Lily...

– Oh, cale a boca. – resmunguei voltando a beijá-lo.

– Por favor, Lily, não faz isso... sabe que eu não resisto... – resmungou ele enquanto eu o mordia no pescoço.

– Cale a boca, cale a boca! – resmunguei o puxando pra mim. O puxei pela calça e o joguei no sofá. Ele me olhou surpreso e abriu a boca para falar mas não permiti – Se falar qualquer coisa eu juro que vou te azarar! – ele fechou boca e eu tirei a blusa.

– Lily...

– Shhh! – disse subindo no colo dele.

– Se você levantar e me deixar na mão, eu vou ficar puto. – disse ele segurando os meus pulsos.

Mas eu não estava cogitando me levantar. Eu já tinha transado com outros garotos, nunca fui uma santa... mas Cygnus era especial. Ele me fazia delirar. O olhar dele de desejo que ele sempre tinha ao me mirar já me deixava excitada. Eu me sentia no controle sempre. Cygnus tinha pose de fodão, ele era intimidador e a maioria das pessoas tinha medo dele. Eu já tinha escutado as garotas mais velhas que tinham transado com ele falar que ele era agressivo, dominante... Mas comigo ele nunca era. Era excitante, mas contido. Na medida.

E eu adora escutar a voz dele me chamando. Adorava sentir os dedos dele na minha pele. A língua dele no meu corpo. Eu adorava deixar que ele me explorasse. E adorava fazer o mesmo. Adorava mordiscá-lo, arranhá-lo, chupá-lo deixando a pele branca dele manchada. Adorava puxar os cabelos dele, adorava ficar por cima, movendo o quadril, vendo o rosto dele se contorcer de prazer. Tudo com ele era tão melhor...

Remo me contara que Cygnus me considerara a melhor da vida dele... sem dúvidas ele era o melhor da minha.

Por isso deixei os dedos dele tirarem meu sutiã com velocidade. Por isso desamarrei a calça dele com agilidade. Levantei do colo dele para puxar as calças dele. Fiquei de joelhos o beijando na barriga. Senti a mão dele na minha nuca, como um pedido. Não pensei em recusar e adorei ouvi-lo gemer baixinho com o toque da minha língua.

Enquanto o lambia, abri meu short. Eu não aguentava mais. Eu desejava Cygnus com um desespero absurdo. Eu o queria dentro de mim imediatamente. Poderia sentar no colo dele e ficar ali pra sempre, totalmente entregue ao prazer.

Cygnus parecia pensar o mesmo, pois me puxou para ele. Me levantei, tirando a calcinha do caminho e estava para sentar em cima dele, quando ele me colocou contra a parede e me levantou pelas coxas. Ele me beijou com urgência e eu não me desvencilhei. Quando ele me penetrou, soltei um gemido alto, sem me importar se Pascal ou Albus escutariam.

– Isso... assim... – murmurei.

– Meu deus... como você consegue ser tão gostosa? – perguntou Cygnus me empurrando conta a parede deliciosamente. Ele mordeu meu lábio e sorriu de um jeitinho safado. Oh... eu adoro esse sorriso safado que ele faz. Ele me empurrou com o quadril e gemeu baixinho. Eu não consegui não imitá-lo...

Mas então ouvimos a porta da frente abrir.

– ... e deveríamos visitar James também.

Meu coração parou por um momento. Era a voz do meu pai.

– Sim. Que pena que ele não vai poder vir para o casamento... – escutei minha mãe. Olhei horrorizada para Cygnus. Ele tinha a mesma cara de horror de quando estava para entrar na Cabine Pesadelo.

Ele me colocou muito lentamente no chão e foi de fininho vestir as próprias calças. Eu me vesti em silêncio, desejando mais do que nunca que meu pai não resolvesse vir no escritório.

Apontei para a janela e Cygnus concordou em silêncio.

– Gina, onde está a capa do meu pai?

– No escritório. – respondeu minha mãe – Dentro do baú.

Cygnus tentou abrir a janela e ela fez um barulho alto. Ele me olhou como se estivesse entre a cruz e a espada. Num momento de desespero, eu o joguei embaixo do sofá e abri a janela para deixar o cheiro de sexo sair. Assim que eu abri a janela, meu pai abriu a porta.

– Olá, querida. – disse meu pai tranquilamente.

– Oi! – respondi tentando parecer inocente.

– Tudo bem?

– Sim! Eu estava... hum... malhando. – disse ofegante – Quero perder uns quilinhos pro casamento da Virgo.

Meu pai me olhou sem prestar muita atenção.

– Você está bem assim. – murmurou ele abrindo o baú. Quando ele se abaixou para procurar a capa, me desesperei com a ideia de ele ver Cygnus, mas logo ele se levantou com a capa nas mãos – Onde está Albus?

– De ressaca em algum lugar da casa. – respondi.

– Hum... ok... – riu meu pai. Então ele saiu.

Contei até dez até começar a rir e me abaixar.

– Tudo bem ai embaixo? – perguntei olhando Cygnus. Ele me olhou completamente vermelho.

– Você só me mete em furada. – ralhou ele saindo de debaixo do sofá.

– Precisamos continuar isso. – disse olhando pra ele. Ele me olhou do mesmo jeito.

– Com Harry aqui? Acho que não...

– Nós podemos sair pela janela agora que ela está aberta.

– Assim? – perguntou ele apontando para o grande volume nas calças. Não aguentei e comecei a rir – Isso não é engraçado. – resmungou ele ficando de pé. Ouvimos passos voltando para o escritório e com incrível velocidade Cygnus pulou a janela.

Minha mãe abriu a porta e me olhou deitada no chão.

– O que está fazendo?

– Abdominais. – disse com naturalidade.

– Hum... Ok... Soube que Cygnus está de volta. – disse minha mãe.

– Não ligo.

– Não? – perguntou ela – Escute, filha. Eu sei que vocês tiveram seus problemas... Mas se você gosta tanto dele...

– Eu não gosto tanto dele.

– Claro que gosta... Por que não vai visitá-lo na Mansão?

– Hum... Talvez eu vá.

– Sim. Então vocês podem continuar o que estavam fazendo aqui, só que lá. – disse minha mãe com um sorrisinho – Olá, Cygnus, como vai?

Cygnus apareceu do lado de fora, se levantando.

– Bom dia, Sra. Potter. – disse ele muito vermelho.

Minha mãe deu uma risadinha.

– Eu estava brincando... não é que você realmente estava ai?

Ele baixou a cabeça envergonhado, com um sorrisinho nervoso e minha mãe piscou pra mim fechando a porta.

– Então... para a Mansão Malfoy? – perguntei.

– Não... – murmurou ele – Não deveríamos fazer isso, Lily...

– Cygnus. Se você não terminar o serviço, eu vou agora contar pro meu pai o que a gente estava fazendo. – disse zangada.

– Está me chantageando? – perguntou ele.

– Estou! Você não pode ir embora me deixando assim! Eu não posso simplesmente me masturbar pra vontade passar, ao contrário de você!

– Estou muito tentado a te dar o troco de hoje cedo.

– Oh!

– Aquilo foi muito sacana. Você fez só de maldade.

– Você mereceu! – disse sorrindo. A porta se abriu de novo e meu pai entrou.

– Oi, Cygnus.

– Ãnh... oi, Harry. – disse Cygnus sorrindo nervoso.

– O que está fazendo ai?

– Eu dormi aqui. – respondeu ele – Eu saí pra dar uma corrida, sabe?

Meu pai parou. Olhou pra mim e depois para Cygnus. Eu tive certeza de que ele estava desconfiando. Era o fim. Nunca mais iria poder ficar sozinha com o Cyg novamente.

– Estão todos muito atléticos, não? – perguntou meu pai.

Cygnus bateu na barriga sarada.

– Não vou conseguir voltar para a capa do Semanário das Bruxas se eu perder minha barriguinha tanquinho, né? – perguntou ele.

Fechei os olhos rindo.

– Não sabia que queria voltar pra capa.

– Na verdade não. – riu Cygnus – É que a garota que eu gosto quer me ver sarado, sabe?

– Que garota? – perguntei. Ele me olhou sorrindo.

– Ana Paz. A conheci no Brasil, nessa última viagem. Estou apaixonado.

– Que bom pra você, Cygnus. Fico muito feliz. Por que ela não veio pro casamento?

– Ficou intimidada, eu acho... A gente começou a sair tem pouco tempo. – disse ele.

– Como eu não fiquei sabendo dessa garota? – perguntou meu pai.

– Estive muito ocupado... O Brasil é divertidíssimo. – disse Cygnus – Estava até pensando em fazer outra tatuagem por lá.

– Mesmo? O que?

O sorriso cínico dele morreu de leve e eu tive certeza que ele não estava mentindo.

– A constelação de leão. – respondeu ele.

– Por que de leão? – perguntou meu pai inocentemente – Não deveria ser a de cisne?

Cygnus olhou meio triste.

– Leon era o nome que Dominique queria pro nosso bebê, se fosse um menino. – murmurou Cygnus – Seguiria a tradição dos Black de nomear os filhos com nome de constelações, mas estaria relacionada também com a Grifinória, que era a casa dela.

Eu tive certeza de que ele não estava mentindo sobre aquilo. Meu pai parecia levemente desconfortável.

– Por que não entra, Cygnus. Vamos bater um papo. – disse meu pai querendo mudar de assunto.

– Hum... ok, eu já vou. – disse ele. – Eu só vou tomar um banho...

– Certo. – disse meu pai – Lily, pegue uma toalha pro Cygnus.

– E uma bolsa de gelo pra colocar nas minhas bolas... – sussurrou ele quando meu pai saiu – Caramba... está doendo...

Ele pulou a janela e saiu andando esquisito. O puxei e o coloquei contra a parede. Ele negou parecendo alarmado. Mas eu não liguei. O perigo me excitou. Coloquei a mão nas calças dele e comecei a brincar com ele.

– Melhor assim?

– Você é maluca... – disse ele sorrindo, olhando para a porta. – Céus... vem cá!

Ele me puxou para o banheiro. Olhamos com cautela, entramos e batemos a porta. Ligamos o chuveiro para disfarçar o barulho. A água quente no nosso corpo enquanto transávamos era uma delícia.

– Sua mãe vai me matar... – disse Cygnus baixinho, no meu ouvido, enquanto nossos corpos moviam-se como um.

– Cale a boca. Não fale da minha mãe no meio do processo! – disse sorrindo. Ele riu entre meus lábios.

– Case comigo. – pediu ele.

– Só se ficar aqui e não voltar mais pra guerra. – eu respondi tendo espasmos de prazer.

– Eu preciso voltar... – começou ele.

– Não precisa!

– Pra dizer que acabou a revolução e que eles podem se virar sem o Sinistro. – riu ele. O olhei surpresa. – Oh... – ele apertou minhas coxas com força rindo, também com espasmos.

– Está falando sério?

– Eu não sei o que estou falando, na verdade... meu deus... – riu ele tremendo

– Está tão bom assim? – perguntei. Estávamos na mesma posição do escritório.

– Sim, mas não é isso... – disse ele fazendo uma careta – To com uma câimbra na bunda.

Precisei morder os lábios para não gargalhar.

– Nossa, Cyg, querido. Você é tão romântico.

– Cale a boca... eu estou todo ferrado de ontem a noite...

– O que andou fazendo ontem a noite?

– Eu não tenho ideia... – riu ele.

Notas finais
Caimbra na bunda... isso dói. ashuahsuashaushasuahsa Mais uma vez, obrigada pela recomendação! Beijos! Comentem!!! =D