Cycloudy

1 Meu Terrível Dia a Dia


Notas iniciais
Oieeee!!! Eu aqui de volta depois de um tempo, trazendo um romance dramático pra vocês! ~ pra variar! Espero que gostem desse, comecei a escrevê-lo em 2014, e só fui concluí-lo esse ano (2024), vejam só, se passaram dez anos, e eu nem vi! Gratidão aos que lerem e deixarem um "oi"! Bjus =*

Eu poderia estar dançando “leke leke”, eu poderia estar vagabundiando com uma turminha de quinta, eu poderia estar cheirando cola num beco qualquer... mas não! Eu estou aqui, tendo que entender História — e de quebra, tentando ser invisível.

- Cody! Cody! CODY!

- O QUE É? CARAMBA! – Um garoto metido a idiota que sempre me aporrinhava, estava disposto a me tirar do sério naquele dia. Ele sentava atrás de mim na sala de aula.

- Quer sair comigo hoje? – Aquilo só podia ser brincadeira. Eu o olhei por alguns segundos. As pessoas costumavam tirar sarro em mim, talvez porque eu tivesse essa cara de menina, e esse corpo delicado. Mas por dentro eu sou grande, sim! Me acho um cara corajoso e forte e... – Não vai responder?

- Quê? – Tá, eu sou um pouco sonhador e avoado também... Mas dizem que gênios não compreendidos são assim, certo?

- Perguntei se quer sair comigo.

- Eu sei que está brincando...

- É claro que estou tirando uma com essa sua cara! Eu não sou bicha igual você.

- Ei! Parou! – A professora gritara do outro lado da sala. Se ela fosse uma boa professora, faria um discurso sobre homofobia para a classe. Mas ela, como muitos aqui nessa minha escola chata, não é uma boa professora. E eu sou obrigado a aguentar esses idiotas tirarem o sarro em mim. E a minha casa está longe de ser um “oásis” da minha vida. Meus pais eram iguais, se não pior, do que o povo dessa escola. Viram? Vão falar que eu não sou um garoto forte? Sim, ter que aguentar tudo que eu passo, somente sendo forte mesmo... Às vezes, eu desejo desaparecer...


Embora aquele tenha sido mais um dia comum para mim, sim – dias comuns implicam em sempre conter: piadinhas, xingamentos, provocações, e bullying, MUITO bullying! – Eu estava me sentindo cansado. E eu não entendia o porquê, aqueles dias meu corpo andava estranho, pesado e quase sempre dolorido.

- Cody! Porque demorou tanto? – Minha mãe. Estava com a mesma cara azeda de sempre.

- Eu demorei? Como eu demorei? Acabei de sair do colégio! – Ela me olhava com ar de desconfiança.

- A que horas você sai, Cody? – Que pergunta otária era aquela?

- Às cinco, mãe.

- O sol já se pôs. E agora são seis e meia. – Eu olhei por cima do ombro. Estava escuro e eu nem havia notado! Eu levei um tremendo susto. Ergui a manga da blusa, e mirei o relógio. Eram seis e trinta e cinco. Aquilo não podia ser possível.

- Mas eu...

- Você não vai mais mentir pra mim, seu moleque! – Ela me puxara pelo braço de uma só vez, me fazendo entrar. Sim, eu era tratado como criança, não aquelas crianças bem tratadas, por favor não confundam! Meu nível era bem lá embaixo, daquelas que levam surra por qualquer coisa... Sem contar que eu era o empregado doméstico da casa. – Aonde você estava? – Ela me prensara na parede, me olhando com aqueles olhos furiosos.

- Na escola. – Respondi, fitando o piso.

- PARA DE MENTIR!

- Eu já disse! Não tem outro lugar pra onde eu possa ir!

- O que está acontecendo aqui, mãe? – Meu irmão Chad, era sempre o segundo carrasco.

- Nada, meu filho... – Ela sorria. Ele era tratado como um doce. Forte, malhado, bonito e boa pinta. Era popular na faculdade, tinha duas namoradas, sim, nem uma e nem a outra desconfiavam disso... E como meu pai amava dizer “esse sim era machu!” – só se for “Machu..cado” ao meu ver. Ele vivia se metendo em brigas por causa de mulheres... Era um idiota. – Vamos, Cody! – Torci os lábios, até que meu irmão interviu.

- Cody, preciso que me ajude em matemática, mãe, solte ele, sim? – Ah... Eu respirei aliviado, meu irmão me ajudando. Mas isso nunca acontecia, o que na certa me deixa com uma única certeza: desconfie, Cody! Ela me soltou. E eu tive que segui-lo. Subi as escadas praticamente correndo, eu sabia que a salvação iria sair caro. Ao entrar em seu quarto, aquele cheiro de bebida pareceu entrar pelos meus poros. Dá pra ficar bêbado só com o cheiro? Pois é, era o que parecia, eu estava me sentindo tonto.

- Vai me dizer o que anda aprontando, Cody? – Chad me interrogara, como se eu pudesse responder àquela pergunta.

- CÉUS! Eu não ando aprontando nada! Eu não me lembro o que aconteceu no intervalo desse meio tempo que perdi, eu só me lembro de estar voltado pra casa! – Ele me olhou com cara de quem não acreditava em nenhuma palavra do que eu dizia.

- Estava com algum garoto? Eu sei que você é gay! – Ah meu Deus... Essa é a parte que começa o bulling familiar.

- Já disse que não!

- Não o que? – Meu irmão estava parecendo aqueles moleques da minha sala.

- Quer parar com essas perguntas idiotas?

- Ah! Mas você não nega que é gay! – Ele disse, rindo.

- Não tem como eu negar uma coisa que eu não sei.

- Como não sabe?

- Oras! Como? Simples Chad, é o mesmo que dizer que não se gosta de uma comida, mesmo não tendo experimentado nenhuma vez...

- Que merda foi essa que você disse?

- Oh meu santo Deus... – Ele é meio burro, sabe? – Eu nunca me apaixonei por nenhum garoto, então eu não sei te responder se sou gay ou não! Eu só tenho dezesseis anos, poxa! Eu não vivi nada ainda!

- Seu raciocínio é muito imbecil! Quer dizer que na sua lógica, até eu posso ser gay?

- E se um dia você se apaixonar por um homem? – Ele me olhou com uma fúria, que pensei que iria morrer só com seu olhar.

- EU NÃO SOU GAY! – Tô falando que ele é burro?

- E eu por um acaso disse que você era? Seu asno! Como você conseguiu chegar à faculdade?

- Sai do meu quarto!

- Com prazer! – Eu disse, e exatamente como cheguei, acabei saindo; praticamente correndo.

- AHHHH! Espera! – Ele me puxou pelo casaco, antes mesmo de eu pôr os pés na escada pra descer ao meu quarto.

- O que você quer?

- Ajuda em matemática. – Pra minha infelicidade total, eu era ótimo com cálculos e números. E praticamente era eu quem fazia os trabalhos do meu irmão. Ele era um encostado de vinte e três anos, que não trabalhava, não estudava, não ajudava nas tarefas domésticas, enfim... Ele não fazia nada mesmo! Nada “vírgula”, ele namorava bastante. Se é que isso conta em fazer alguma coisa...

- Chad! Eu estou cansado!

- Cansado? Eu te salvei da mamãe, se esqueceu? – Oh senhor... Não sei o que é pior, ficar no quarto alucinógeno do meu irmão ou enfrentar a fera da minha mãe. Céus! Porque uma nave não me abduz?


Quando terminei de ajudá-lo, já era quase nove da noite. Eu estava morrendo de fome. E o pior que minha mãe não me deixou comer enquanto não lavasse toda a vasilha suja... O que eu fiz com o maior prazer do mundo, porque eu estava morrendo de fome!

- Quando terminar de comer, limpe a cozinha. – Disse minha mãe.

- Eu sei... – Ela repetia aquilo como se eu já não soubesse o que tinha que fazer. Quando acabei, não só de comer mas também de limpar toda a cozinha, precisava de um banho, imediatamente!

- Cody... – Meu pai, quase sempre me pedia algo antes dele dormir.

- Sim?

- Lave isto. – Não disse? Ele trazia nas mãos o prato e o copo que havia acabado de sujar. Tinha preguiça de lavar as próprias sujeiras, então aproveitava minha presença perante à pia, para me fazer lavar.

- Sim, senhor... – Eu não posso ser grosseiro com meus pais. Apesar da vontade de jogar tudo pro alto! Mas um dia eu farei isso, ah se farei!

Fui dormir quase onze horas, eu sei que parece cedo pra um adolescente de quinze anos, mas eu não aguentava mais ficar de pé, estava muito cansado, um caco! E a cama me pareceu um convite ao paraíso! Já que eu sempre tinha de acordar cedo, precisava dormir cedo, e aproveitar as minhas únicas horas de paz e sossego... Bom, era o que eu achava. Me joguei na cama de uma só vez, e nem havia me ajeitado direito, o sono bateu. E bateu forte, porque nem deu tempo de puxar os lençóis.