Sr. Morgan – Vocês não deveriam estar aqui! Essa coisa que está perseguindo vocês é o verdadeiro mal. Ele traz consigo a dor, sofrimento, ódio e morte por onde passa. E tudo que ele quer está aqui dentro desta casa.

Meggie – O senhor está me assustando.

Sr. Morgan – Deveria mesmo está assustada. Será sorte você e seu irmão escaparem com vida dessa noite.

Eric – O senhor sabe o que é essa coisa?

Sr. Morgan – Não sei se devo, mas como aqui está sendo uma questão de sobrevivência e prova de que esta coisa realmente existe, acho que posso contar para vocês.

(Os jovens tracam a porta da casa e sentam-se ao sofá)

Sr. Morgan – Bem! Há muito tempo atrás essa lenda foi escrita em um pergaminho e deixado de geração em geração até que foi entregue a mim. Os visionários de minha família o chamam de “OLHOS FAMINTOS”, mas eu posso dizer que ele é o verdadeiro diabo.

Tudo começou há um tempo distante, a criatura era um jovem viking que morava em uma pequena aldeia de uma montanha muito isolada. Junto a ele sempre se seguia outros rapazes. Estes homens eram seguidores de um pequeno mestre cristão da aldeia, este designava a aos rapazes pequenas ações voluntárias em serviço dos moradores dali.

Foi então que em uma época o mestre que guiava os jovens sentiu que um grande inverno estava por se aproximar da aldeia dos vikings. O rapaz (Dakon) que era dito como o líder dos rapazes foi designado na missão de sair com estes em busca de alimentos para que a aldeia estivesse pronta para o grande inverno que ali iria chegar.

Dakon não negou o pedido de seu mestre cristão. Saiu em busca de alimento com os devidos rapazes. Peregrinaram durante dias, até que o grande inverno os alcançou. Sem encontrar comida ou abrigo, os rapazes começaram a sofrer com o gelo que percorria suas almas. Foi então que o mal se iniciou.

Um a um os jovens foram morrendo pelo caminho, e Dakon forte como era carregava seus corpos, para que estes não ficassem pelo caminho. Ao perceber que sua fome o castigava Dakon foi sucumbido por um desejo arrebatador. Comer os corpos de seus amigos.

Utilizando de uma pequena faca este colocou os corpos dos rapazes ao seu redor e os dilacerou aos pedaços fáceis. Comendo os cru ele tentava ignorar que ali eram pessoas igual a ele. Sua fome era o que importava de ser saciada.

Após alguns dias os corpos que ali estavam ao redor de Dakon acabaram e ele teve que partir em meio ainda ao inverno que o matava aos poucos. Mas por uma sorte vinda do destino o seu caminho o levou a um lugar distante.

Dakon encontrou-se com uma velha cabana, com pressa este foi até o móvel ver se alguém estava por ali, ao olhar percebeu que um senhor estava sobre uma grande pedra ao meio da sala do local, uma jovem em cima desta se batia com força e seus olhos escuros carregavam uma força maligna. Dakon não imaginava que ali era o mal, o mal que logo iria possuir sua alma.

Seguindo seu instinto faminto, Dakon invadiu a casa, lutou contra ao senhor e o matou o degolando, a jovem que se batia sobre a pedra tentou atacar ao jovem viking, mas este com a força de uma de suas mãos arrancou os olhos da garota e os comeu.

Em uma semana Dakon permaneceu ali tendo o alimento daqueles corpos. Foi então que ele percebeu que o Inverno havia tido seu fim e a Primavera havia finalmente chegado. Com determinação pôs se a sair da cabana, mas algo começou a acontecer.

O corpo de Dakon começou a se contorcer, suas costas estavam sangrando e suas pernas e braços começavam a ganhar uma nova forma. Asas surgiram pelas suas costas, seus dentes afiados pela boca foram a aparecer e finalmente uma nova forma seu corpo ali ficou.

Dakon havia sido amaldiçoado. Ele agora era um Wendigo, uma criatura sobrenatural criada a partir do momento em que um ser humano se coloca a comer outro ser humano. Além de Dakon ter sido amaldiçoado, ele havia comido uma pessoa possuída por um demônio. Um demônio tão maligno que a partir dali viu que o corpo daquele rapaz era o lugar ideal para sua moradia.

Dakon agora tinha sobre seu comando um demônio, que o aprisionou em sua própria lenda. Há cada 23 primaveras, durante 23 dias, o Wendigo que Dakon agora era ressurgiria para que assim pudesse caçar seres humanos e tirar destes partes de seus corpos para comer e sobreviver de seus órgãos vitais. Olhos, corações e pulmões eram o necessário. Aquela criatura além de ser um mal inacreditável, agora possuía uma desgraça maior ainda.

Foi então que a partir dali tudo começou, anos se passaram, e depois de 23 primaveras, o Olhos Famintos ressurge para ter novas vítimas, ele aprimorou-se a querer pessoas que sentem medo, o medo o faz se sentir mais vivo, mais aterrorizante, e isso o delicia.

Os corvos são o símbolo mais presente do demônio que seu corpo habita. Mas uma coisa o Wendigo não esquece, sua essência, como Dakon era muito religioso as igrejas, templos ou paróquias sempre foram seu esconderijo para o esconder de seus corpos durante anos.

Eric – Há alguma forma de detê-lo? Por favor, eu estou aterrorizado, não sabemos o que fazer.

Sr.Morgan – A lenda diz que somente queimando o Wendigo se poderá acabar com todo o mal que aquele corpo possui, fora isso, nada pode parar sua força de querer matar e matar.

(Um som é escutado na varanda, todos correm para a janela em observar o que aquele som era)

Sr. Morgan – Ele está aqui! Escutem, aqui, no rádio, é a música dele, vamos, se escondam, eu pego o desgraçado.

(Os jovens correm a se esconder, o senhor Morgan abre a porta de sua casa e corre até a varanda, pegando sua espingarda que ali estava se coloca a falar)

Sr. Morgan – Vamos criatura demoníaca! Apareça. Venha me pegar.

(O silêncio predomina, mas em uma investida o senhor é pego ao ombro pelas garras do pé da criatura, um grito é feito)

(Ao porão os jovens choram em silêncio, quando de repente sentem alguém entrando a sala, um assovio é feito em forma de canção)

Meggie – É ele! Meu Deus, é ele. O que faremos?

Eric – Calma!

(A voz do rapaz é interrompida quando o teto á cima deles de madeira começa a ser golpeado pelo machado da criatura, Maggie grita desesperadamente quando logo ver a mão da criatura puxar a cabeça do seu irmão para fora do buraco, ele grita em desespero, mas logo sua cabeça é decapitada.)

Maggie – Não! Eric. Meu Deus, Não!

(A garota corre pelo porão e avista uma pequena saída que vai de encontro a varanda, ela sai em desespero, alcança seu carro e dá partida. Com grande velocidade ela alcança a estrada e segue com agonia, ao retrovisor em choro ela ver a criatura voando em sua direção.)

Maggie – Desgraçado!

(A criatura alcança o carro e arremessa uma de suas estrelas de facas a roda do móvel, um dos pneus é atingido e o carro capota)

(Ao perceber que está sangrando pela testa, Maggie tenta sair do carro, ela se arrasta pela estrada, mas logo a criatura que voava sobre ela pousa à sua frente, ele ergue-a com uma de suas mãos e a encara com desejo, lambe seu rosto a sentir o sangue desta em sua língua)

Maggie – Não! Me largue, por favor.

(A criatura mais uma vez encara a jovem e suas escamas de seu rosto se abrem, causando um desespero imenso na garota, ele então enfia uma de suas mãos ao peito desta e arranca seu coração, jogando o corpo desta ao lado da estrada, ele analisa o órgão com desejo, sorrindo ele guarda em sua capa e caminha pela estrada assoviando tranquilamente, logo ele ergue suas asas e some dentre a escuridão daquela noite, no dia seguinte seria seu 22º dia, tempo não tinha a perder, a temporada de caça estava a ter seu fim)

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