Notas iniciais
YOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO PESSOAS Já ouviram a musica? (hohoho aquela musica me deixa no chão DE-VAS-TA-DA) (pra quem não viu na sinopse a musica é a "The Wolf And The Sheep" do Alec Benjaminm. Vou deixar o link na nota final. Não deixem de ver!!! E sejam destruídas(dos) junto comigo ) ps: Sou dessas que compartilha fotos e videos de comida pra não passar fome sozinha. Seu eu tive que ver aquele bolo de chocolate maravilhoso escorrendo calda, ou aquele musse com morango e fiquei na vontade, todo mundo que eu conheço vai ter que ficar na vontade também! Mas... vamos lá! Vamos lá! Eu pretendo postar um capitulo por semana, se eu não conseguir escrever um cap grande, vou por algo nem que seja pequenininho, para não deixar vocês na mão. Nota: Eu não costumo colocar "pov", mas para ficar mais fácil de entender, quando muitas pessoas estiverem numa conversa, eu vou colocar as iniciais na pessoa antes da fala, se não tem inicial, normalmente é porque são falas intercaladas. Nota 2: Coisas que eu coloco em itálico são tipo aquelas conversas extras que aparecem no quadro mangá fora do balão da fala, um sussurro, comentário, pensamento alto, essas coisas. Qualquer duvida pode por nos coments que eu dou uma olhada.

Abril, teatro Raquel de Queiroz, segundo dia de apresentação do evento "Vida&Arte".

— Não... Não... Não... Eu não consigo. Eu não vou saber fazer isso, Lucas, eu nem sou do seu curso.

— Telassim, você é a única pessoa a quem eu posso recorrer nesse momento. É só chegar lá e fazer a abertura da peça.

— "Só" abrir a peça.

— Não precisa ser nada elaborado, eu já falei com a professora. É só que não pode ficar o vazio entende? Tem que ter um apresentador. Vai lá... É só enrolar eles por alguns minutos.

— Você fala como se fosse fácil. Sabe quantas pessoas vão estar lá? Isso aqui está lotado!

— Eu imploro. Por favor...Você quer que eu me ajoelhe? — Começando a se abaixar.

— Levanta menino, olha o drama.

— Tel... — Lucas fez uma pausa respirando forte e justando as mãos quase numa oração, tentando transmitir todo o seu desespero em um olhar — Elise está no meio de uma crise de pânico. Eu não conheço mais ninguém que fale bem como você, eu não pediria pra você fazer isso que não soubesse que você é capaz, esse é o trabalho da minha vida, não tem mais ninguém em quem eu confie pra fazer isso. Por favor. Eu imploro.

A loira encarou o amigo por alguns segundos que pareceram uma eternidade.

— Hunf... Tá... Cadê o texto?

— Essa é a minha garota!

— Você vai ficar me devendo a alma depois dessa.

Telassim subiu os degraus da plataforma com as mãos gélidas e trêmulas e entrou nos bastidores. O que a gente não faz pelos amigos...

Era difícil ler o texto de Elise enquanto recebia almofadadas de brilho no rosto, o movimento era grande, alguns atores repetiam suas fala, outros pareciam estar a beira de um ataque de pânico assim como Telassim. Uma das dançarinas tentava não borrar a maquiagem enquanto se continha para não chorar, depois que parte do seu figurino rasgou. Uma das organizadoras passou colocando ordem naquela bagunça de emoções. Era uma mulher alta e esguia, provavelmente a professora da turma. Ela se aproximou de Telassim seguida por Lucas, e lançou um olhar sobre a garota como quem avalia um cavalo de raça.

— Ela tem um bom rosto. Resta saber se sabe falar — Conversando com a figurinista como se a menina não existisse. Telassim ia falar algo mas a mulher a antecipou batendo no script — Não se distraia, você tem pouco tempo para internalizar suas falas.

— Desculpe.

— Eu imagino que o Lucas tenha te dito que não era nada demais anunciar a peça — Iniciou encarando a garota, não se engane, você tem uma grande responsabilidade, muito da expectativa sobre a peça se cria no momento em que o primeiro ator entra em cena. Então veja isso com seriedade. — A mulher saiu deixando a garota mais apreensiva que nunca. Lucas se aproximou sorrindo, numa tentativa de tranquilizar a garota.

— Não se preocupe, vai ficar tudo bem. Ela é daquelas que tem o teatro como uma religião.

— Ela parece estar chateada comigo.

— Oh! Você devia ter visto como ela falou com a Elise.

***

Lucas saiu para ver como estava o som e a iluminação enquanto Telassim tentou se concentrar no texto de Elise, o que era significativamente difícil já que a figurinista ficava lhe interrompendo.

— Ficar a dez passos da americana… Americana é uma pessoa? — A garota que estava arrumando o cabelo de Telassim tentou explicar da melhor forma possível. O que a loira entendeu é que, aparentemente, “Americana” era uma das estruturas de madeira do palco, que por sinal estaria oculta pela cortina, então só Deus para saber onde era “ficar a dez passos da americana”.

Alguns atores que conheciam a menina passaram animados: “muita merda Tel, muita merda!”*

Os olhos ardiam por causa da maquiagem, a cabeça doía de tanto os cabelos serem repuxados, o cheiro do spray era forte e incomodava, havia glitter até dentro do nariz, será que era isso que eles queriam dizer com “muita merda?”

***

As cortinas abriram para a primeira peça da noite, a plateia estava animada com a apresentação de dança que abriu o evento, então as expectativas estavam altas. Telassim estava reluzente no centro do palco, vestida como um dos membros da corte de Oberon**, numa fantasia cheia de tecidos leves e arranjos de flores, seus longos cabelos encaracolavam-se acentuando a aparência feérica em meio a ramos verdejantes. A hora havia chegado.

A fina fantasia que tremulava com o vento não protegia contra o frio que vinha de fora, ou contra o frio que vinha de dentro, aquele nervoso na barriga e o nó na garganta. A luz incidia forte sobre o rosto da garota, mas não o suficiente para ocultar a vastidão de pessoas a sua frente. Tel procurou lembrar de algo do que estava escrito no trabalho de Elise, mas nada veio. Um pânico sutil fez seus olhos lacrimejarem, ou talvez fosse um pouco do glitter que chegou perto demais. Numa reverência de bailarina ela curvou-se para a plateia antes de começar. “Alguns minutos” Repetiu para si mesma, “basta enrolá-los por alguns minutos”.

Ergueu a cabeça com uma confiança simulada e tentou ganhar tempo:

— Alguém aqui já sofreu por amor? –Perguntou enquanto caminhava para mais perto do da plateia. As pessoas ficaram quietas em suas poltronas — Vamos pessoal, não se acanhem. — Houveram alguns risos e pouco a pouco diversas mãos se ergueram no auditório. A menina respirou fundo com um sorriso mascarado e se sentou na borda — Vejam só... Então talvez vocês entendam um pouco do que eu vou falar aqui...

*Backstage*

— Lucas, pela caveira de Shakespeare, quem é essa garota e o que ela está fazendo?!

— Ah, oi amanda, e ae conseguiu consertar a roupa da Bia.

— Nada de “oi amanda”. O que significa isso?! — Apontando para o palco.

— Elise surtou quando viu que estava lotado, e começou a passar mal. Eu tive que recorrer... — Voltando a olhar a apresentação de no palco .

— Ok, ela é uma substituta mas porque ela não está seguindo o texto? — Folheando as páginas freneticamente.

— Acho que ela está improvisando. — Estralando os dedos da mão.

— “Acha”? Você acha? Lucas, se essa garota estragar a nossa peça...*— Interrompida

— Você vai se entender com a Elise! Porque era pra ela estar naquele palco! — Virando-se para Amanda — E fique sabendo que e aconteça o que acontecer, você vai agradecer à Tel por estar nos ajudando, ela não tinham nenhuma obrigação disso.

— Ui...Ta estressado?

— Eu tô nervoso caramba. Ou você acha que só o seu nome está nessa peça?!

***

— Muitos poetas descrevem o amor, muitos romances clássicos e modernos falam sobre suas façanhas. E quanto maior a tragédia, mais bonito ele parece, quanto mais profundo aquele pulo no abismo — Abrindo os braço como se fosse se lançar — Não se ama com reservas. Então quando mais arrebatadora for a emoção, mais ele parece valioso. O amor proibido, por exemplo.... Não falo apenas de Shakespeare e suas tragédias, temos exemplos muito mais próximos em nosso cotidiano, temos o bad-boy por quem todas as meninas, ou maioria, se derrete. Temos as meninas más, por quem os meninos se atiram aos pés. Temos aquela pessoa por quem sofremos e pensamos: “eu sei que eu não devia me apaixonar por essa pessoa mas, geeeente...” — Um burburinho começou animado — Calma pessoal... Não precisa sair se entregando. — alguns risos foram ouvidos da plateia — Mas, então, por que o conveniente não nos parece atrativo? Já pensaram nisso? — Ela fez uma pequena pausa. — A impressão que passa, é que nós amamos aquilo que nos mata. Não, vocês não ouviram errado. Pensem bem, parece que quanto mais errado alguma coisa ou alguém é, quanto mais arriscado, quanto mais secreto e obscuro algo se parece, mais atraente e sedutor aquilo se torna. É bem louco pensar assim não é? — Passando para a outra metade do palco. — Mas tentem refletir um pouco, se aquela pessoa é obviamente desastrosa para sua vida, por que ela te atrai? Não que necessariamente você vá atrás dela, e muitos ainda fazem isso, mas o fato é que algo nela te fascina.

Na psicologia, Freud tem uma teoria de que as pessoas têm um desejo inconsciente pela morte, porque ela nos lembra de que estamos vivos, assim como o herói que precisa vencer a besta para ser herói. E isso é curioso, porque não existe herói, sem o desafio, e quanto maior o desafio, mais a recompensa parece valer a pena. As histórias se contam com o príncipe, a princesa e... o dragão, ou ... a rainha má, ou o ogro e assim por diante. Essas figuras que são a ameaça de morte do herói nos fazem vibrar, e é por conta delas que a história, que o amor, que a epopéia do herói, se valida. — Gesticulando teatralmente.

— No final, é na iminência da morte que nos sentimos mais vivos. Por isso pulamos de Bungee jumping, fazemos corridas, assistimos filmes de terror, nos apaixonamos por figuras improváveis, apostamos alto, damos aquele beijo rápido antes da plateia ver e escondemos nosso rosto corado, nossa respiração rápida e aquele sorriso nervoso, satisfeito. — Agora ela se dirigia ao centro aproximando a voz de um sussurro ao microfone — É quando sentimos a respiração fria da morte nos arrepiando os pelos da nuca... — assanhando os cabelos loiros — que sentimos que estamos vivos. — Então voltou a um tom casual — Talvez todos sejamos um pouco masoquistas afinal. — Sorriu em uma brincadeira com a plateia — E esse excitante contraste entre frio e calor, essa dança sensual entre vida e morte, segurança e ousadia, essa harmonia tão insana se desenrola em nossos dia a dia, em cada pequena escolha do nosso pensamento... tão sutil que não percebemos. Mas por que eu estou falando disso aqui no palco do "Vida & Arte”? — Pequena pausa — Porque a Arte, a melodia, a dança os dramas, eles são nosso espelho. Eles são estereótipos exagerados mas extremamente fiéis... Então eu deixo vocês com o seguinte pensamento... O que sua música preferia diz sobre você? Que pedaços da sua alma você reconhece no seu romance de cabeceira? Quantos fragmentos de vocês estarão nesse palco hoje? — Ela fez uma reverência num passo de ballet, virou de costas e começou a sair, as palmas, do outro lado da cortina uma das participantes gesticulava histérica da abertura lateral: "A-nun-cia a pe-ça!".

Como se num gesto ensaiado, ainda com uma das mão na cortina, a garota levou o microfone a boca.

— Eu... — A palmas diminuíram até cessar, Telassim se virou ao público numa naturalidade displicente. — Eu deveria aqui dizer qual a peça que vocês assistirão em seguida, mas eu desafio a plateia a descobrir... Seria uma nova versão para dois amantes impossíveis? Seria um sonho atordoante de uma noite quente de verão? Seria aquela história que você sussurra em segredo? Ou aquela que escreve quando ninguém vê naquele seu diário? Fiquem atentos... e deixem o show se apresentar. — Ela se curvou emergindo nas cortinas. As palmas, assovios e tumulto tomaram o lugar junto a trilha sonora que se iniciava.

***

Os atores entraram em cena enquanto Telassim passava pelas cortinas laterais. Os fios de um dourado ouro pregavam na nuca com o suor enquanto o coração ainda estava disparado, como ela podia ter esquecido o nome da peça? Como? Suas amigas lhe saudaram com uma pequena algazarra, enquanto Lucas declamava sua eterna gratidão por ter salvado o seu trabalho.

— Meu Deus, eu estou tendo um ataque de nervosismo aqui, deu pra perceber que eu estava tremendo? — quase chorando de tensão.

— Relaxa garota, — Jessica a sacudia — você foi o máximo. Você está na carreira errada, você foi feita para o palco.

— Só lhe faltou um pouquinho de rigor técnico — Comentou Caroline enquanto arrumava a fantasia da amiga. — o controlador de iluminação fez milagre, já que você não ficou em nenhumas das marcações.

— Esqueça o rigor técnico, ela já me fez um enorme favor. Caramba... Como eu deixei você ir pra psicologia?!

— Nem vem gatão, nada de "favor", isso vai ter um preço — Jessica deslizou o dedo no rapaz — vai pagar uma noite de bebidas pra gente.

A discussão não demorou pois logo chamaram Lucas para ajudar com a coordenação da peça. As três garotas se voltaram a suas cadeiras e assistiram o resto da programação da noite. Telassim ainda estava nervosa e recebeu um elogio ou outro antes de sentar, Jessica e Caroline discutiam sobre como iriam comemorar o fim de semana. Ninguém notou a figura na plateia que seguia Telassim desde que ela se apresentara no palco. Um olhar límpido e frio que bebera cada palavra da garota como um moribundo buscando uma cura. Um olhar que estava morto a muito tempo e temia se esquecer como era estar vivo.

Notas finais
*"Desejar Merda" no Teatro é algo como "Boa sorte" https://www.recantodasletras.com.br/artigos/953424 ** Oberon é o rei dos elfos e esposo de Titania, rainha das fadas. Ele é um dos principais personagens de William Shakespeare, aparecendo em sua obra Sonhos de Uma Noite de Verão Videos de comida gostosa hohoho: https://www.youtube.com/channel/UCJFp8uSYCjXOMnkUyb3CQ3Q (mals a zoeira) The Wolf And The Sheep - Alec Benjaminm : https://www.youtube.com/watch?v=DoO7hQqXp1U Falando em amar algo perigoso, essa musica entrou na minha playlist quando eu estava escrevendo o cap. Sinais ?! Criminal - Tradução - https://www.youtube.com/watch?v=o0sNyQ1ZdwU&index=6&list=RDDAAAUzV0oQw Então peoples, qualquer sugestão é só colocar Comentários sempre são bem vindos. Sugestões e ideias também Embora história já tenha uma base, muito dela eu vou construir a medida que ela for se desenvolvendo e do que vocês forem achando e comentando. Kissus Kissus Siren
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.