As vezes a gente olha e se pergunta: ''caramba, como eu posso ter cativado algo assim? Logo eu!?''

Ai quando eu penso no ''logo eu'' caiu naquela risada maluca e patética, descontrolada, que é uma forte característica minha. Você sabe, eu sei. O tempo passa, as coisas mudam, caminhos vão e vem e tudo esta daquela forma que conhecemos um dia, aquela do shopping com saia florida, muito papo, algumas besteiras e um pingo de silêncio constrangedor ao final.

Eu tenho sorte! No final das contas essa é a verdade. A sorte é imensa quando vejo o que me entrega sem medo de julgamentos. O seu ser, os seus sonhos, os seus medos, suas dúvidas, sua paixão... Aquela paixão!

Hoje, na beira da rara sobriedade, eu sinto um afago, um alento, um beijo, um cuidado. Quanto tempo esta sobriedade vai durar? Eu não sei, provavelmente pouco, provavelmente amanhã estarei afogada em alguma questão, em alguma dor, em alguma raiva, afogada em mim. Mas enquanto isso, afaga-me e não me esqueça! Enquanto isso lembre-se de nossas risadas e trejeitos, lembre-se dos apelidos e filmes! Enquanto isso lembre-se da praia, do estacionamento, do esperar e da paciência!

Peço que enquanto a sobriedade vive em mim, que eu possa viver em ti! E que quando ela se for que me arraste de volta a estas lembranças que me fazem sorrir, que nos fazem feliz... Do nosso jeito.

Eu estou aqui, da forma como me viu da primeira vez, da forma que adormeci junto a ti em todas as noites na cama pequena.

Estou, estamos, estaremos.

— In crônicas de uma velha louca