Crônicas de uma jornalista
4 Relato sob suspeita
Notas iniciais
Ano após ano, Elis vem tendo uma série de trágicas experiências em Gotham que a fez odiar a cidade o tanto que odeia, e aqui acabamos de nos encontrar em outro desses momentos!!!
— Acredite, se eu visse alguém com potencial de me superar já teria me aposentado. — A senhora não é velha — Declarou Garden tentando ser gentil, mas ele não entendia. Nada mudaria meu ânimo. — Vou enviar você de volta. Esse lugar não é pra você — Decido procurando um jeito de escapar, pois o portão era alto demais. — Ben disse que somos uma equipe, eu posso te ajudar, você não precisa gostar de mim. — Que bom que percebeu — Observo o muro pensativa, mas não tinha como escapar por ali -Me ajude a encontrar uma saída depressa — De repente, assim que me viro, vejo um homem nas sombras. Sua postura era firme e ele parecia ser incomum. — Quem é você? Identifique-se, não quero matar ninguém, mas se precisar — Retiro uma pistola da bolsa — A segurança desse lugar é muito fraca — O homem sai das sombras e finalmente enxergo quem era, uma pessoa que até então pensava não existir. — Sou o Batman. Não se assustem, vim ajudar — Fico paralisada, enquanto meu ajudante observava o vigilante fantasiado por cima do meu ombro — O Asilo foi invadido, estão tentando libertar um dos criminosos e a situação está caótica lá dentro. — Eu percebi — Falo com ironia — É o Espantalho. Ele vai tetar escapar — O morcego olha para o prédio com raiva e retorna a olhar para nós — Não tem como escapar e daqui a pouco aqueles malucos vão começar a nos perseguir. — Não vão — Ele se abaixa e arranca um pouco de mato procurando algo, então tira uma tampa de bueiro, entrando no buraco e retornando pouco depois — A passagem está segura. Tem uma passagem na segunda direita que leva ao primeiro bueiro fora do Arkham, está há seiscentos metros daqui, vá depressa senhorita Turler — Como ele sabia meu nome? Assim que Allan desce pelo bueiro e me viro para agradecer, o morcego tinha desaparecido, então desço o buraco surpresa, quem era aquele homem? Será que era normal? Tomada por dúvidas, me concentro na tarefa e retiro minha lâmpada de bolso, que ficava junto ao meu chaveiro, e assim andamos eu e Allan seguindo a instrução do Batman, que nos levou diretamente a uma escada e, posteriormente, a um bueiro distante do Asilo Arkham. Assim que saímos do bueiro, encaro Garden espantada. — Essa vida não é pra ninguém. Vou ligar pro Ben assim que chegar onde me hospedei. — Não quer que eu te leve? — Pergunta o jovem de bom grado. — Que diferença faria? Você e nada dá no mesmo. Vou até um ponto de táxi, ainda está cedo — Nos cumprimentamos e logo estou me dirigindo ao ponto, e o táxi não demora a chegar. Quando entro no meu quarto, começo a pensar em tudo que tinha me acontecido e me pergunto "como eu consegui sobreviver?" Logo depois de pensar nisso, me lembro de telefonar para Ben, que não me deixa esperando na linha. — Ben? Sou eu, Elis. — Oi Elis, como vão as coisas? — Por que não avisou que iria enviar um assistente ou seja lá como chama aquele projeto de jornalista? — Por que você teria dito não. — Exatamente. Não gosto que hajam pelas minhas minhas costas e menos ainda que pensem que não sou capaz, pois se tem uma coisa que provei todos esses anos é que sou muito capacitada. — Eu sei Elis, mas fiquei preocupado. — À toa, o Asilo Arkham foi invadido e toda aquela proteção não serviu de nada. — Como assim? Você está bem? — Pergunta desesperado. — Não graças ao seu assistente. Fomos ajudados por um cara que pode levar essa matéria além do que esperava. — Do que está falando? — Antes era uma lenda de Gotham, mas deixou de ser uma lenda oficialmente hoje. Eu o vi Ben. — Quem? — O Batman — Respondo ansiosa. — Me conta tudo. — Não posso ainda, mas liguei por que quero renegociar nosso acordo. Quero continuar em Gotham investigando o Batman. Só voltarei à Metrópolis quando tiver uma matéria satisfatória escrita sobre o Batman, algo que vai elevar nosso jornal como ninguém jamais testemunhou. — Mas é perigoso, Elis. E se ele fizer algo com você? — Se ele quisesse teria feito hoje. Além disso, nunca vi um assunto com tanto potencial de sucesso — Nunca tinha estado tão estusiasmada com uma matéria. — Certo. Pode ficar quanto tempo for preciso, mas meu novato vai continuar com você para garantir. — Ben, posso falar uma coisa não profissional? — Pergunto como uma criança ansiosa.
— Mas é claro. — Vai se fuder — Desligo o telefone na cara dele e começo a anotar o que Crane tinha me dito, parando depois para estudar minhas anotações e revisar tudo antes de tomar banho após uma noite tão cumprida. Depois de me esticar de todas as maneiras possíveis debaixo do chuveiro, visto meu pijama vermelho listrado e me deito na cama. A todo instante pensava em meu encontro com o Batman, a cena não saía da minha cabeça de jeito nenhum. Além do mais, tinha a impressão de conhece-lo de algum lugar, e queria entender essa familiaridade. Na manhã seguinte levanto com dificuldade, pois minhas pernas estavam dormentes e doloridas, então resolvo levantar somente quando a arrumadeira bate à porta. — Bom dia moça. — Bom dia senhora, e vamos combinar que não sou tão nova assim — Comento sorrindo docemente. — Mas a senhorita parece ser jovem, muito jovem, acredito que basta. Não parecer uma velha destentada que nem eu já é o suficiente — Declara caindo na gargalhada. — Não se julgue tanto — Peço sem jeito. — Então — Começa mudando de assunto — Se quiser posso voltar mais tarde — É quando percebo que estou de pijama. — Não se preocupe, pode entrar — Ela entra e fecho a porta em seguida — Vou me trocar depressa sem atrapalhar seu trabalho, espero que não se incomode. — Pois então moça, todas as minhas filhas são mulheres, não se incomode a senhora com a minha presença. — Certo — Ao invés de ir para o banheiro, me troco ali mesmo, colocando uma combinação de roupas íntimas azul-marinho e vestindo por cima uma camisa branca com dobras e uma saia azul escuro que se estendia até pouco depois do joelho. Depois de colocar um relógio marrom e arrumar meu cabelo de maneira que ficasse mais volumoso que de costume, me despeço da arrumadeira e, pegando minha bolsa, saio do quarto de hotel e me dirijo à delegacia mais próxima, nada que uma busca rápida no guia de Gotham não resolvesse. Ao chegar lá me torno rapidamente o centro das atenções, mas não deixo isso interferir na minha tarefa. — Onde está o responsável desta unidade? — Pergunto ao primeiro policial que vejo. — O responsável teve de sair — Responde secamente. — Faz um favor? — Minha paciência vai a zero repentinamente — Vai pra — Antes que eu termine a frase, um homem que aparentava meia idade, cabelos grisalhos penteados para o lado, óculos castanhos e camisa branca com as mangas dobradas como as minhas se aproxima e assobia como um chamado. — Moça, me acompanhe por favor — Entro em seu escritório, acompanhada por ele, que fecha a porta assim que passa e para em frente a mim colocando a mão sobre a cabeça, suspirano de impaciência. — Me desculpe aparecer desse jeito, juro que não vim atrapalhar o trabalho de vocês. — Não é a senhorita, não precisa se preocupar. — Por que aquele policial disse que o responsável estava fora? — Por que é a verdade. Eu estou servindo de substituto enquanto ele não volta, mas receio que me tornarei efetivo se essa situação for sustentada. — Por que? — Pergunto intrigada. — Sei que vai entender se eu disser que não posso dar essa informação. — Entendo. Gotham é uma cidade extremamente corrupta, e ás vezes duvido dos números de corruptos quando ando pelas ruas todas as manhãs, parecem estar por todo o lado. O senhor me parece um bom homem, e bons homens são mal vistos, e o senhor é mal visto por seus companheiros. Acredito que eu tenha uma informação que seja do seu interesse. — Me contaria? — Tenho que arriscar confiar em alguém, não? — O que deseja contar afinal? — Eu vi o Batman no Asilo Arkham ontem à noite. — Ah sim, o Batman — Ele não parecia tão surpreso quanto eu esperava e, depois de raciocinar um pouco ao observar algumas matérias de jornais locais expostas em cima da mesa dele (todas falavam sobre o Batman), sorri como uma tola. — Trabalha com ele, não é? — Como é senhorita? — Trabalha com o vigilante de Gotham. — Isso é uma acusação muito séria moça — Declara o policial sentindo-se ameaçado. — Não se preocupe, qualquer um que seja parceiro do Batman já me dá mais segurança, tanto sobre ele quanto sobre essa pessoa. — Quem é a senhorita, afinal? — Sou Elis Turler, uma — Ele me interrompe abrindo um sorriso. — É a jornalista de Metropolis que veio entrevistar Jonathan Crane. — Sim senhor. — Seu entrevistado escapou do Arkham ontem à noite. — Como é? — Escapou, mas não se preocupe, ele será encontrado em breve. — Não por vocês, suponho — Mostro um sorriso esperto — Esse Batman é realmente muito útil — Afirmo surpresa. — Num lugar como Gotham pessoas como ele são necessárias — Argumenta. — Nisso concordamos. Gostaria que soubesse que estou disposta a ajudar no que precisarem. — Como é? — Estou disposta a ajudar na forma que puder. — Sinto muito, mas não queremos mídia em cima do trabalho da polícia, isso costuma terminar com escândalos e pessoas erradas na cadeia. — Você tem tão pouca fé nas pessoas quanto eu. — Acredite senhorita Turler, quando se vê as coisas que eu vejo você abre mão de certas coisas, e passei a ter mais fé numa coisa real chamada ponto trinta e oito na coxa e mente alerta o tempo todo. — Que seja — Declaro exausta da conversa — Se ver o vigilante, avise a ele que Crane tem planos bem específicos e não planeja ajudar mais a máfia atual de Gotham. — Direi — Responde com ironia, embora eu duvidasse da seriedade de seu tom. Ele abre a porta para mim e eu me retiro, mas não sem antes perguntar seu nome. — Tenente James Gordon. — Prazer conhece-lo, tenente.
Notas finais
Não tivemos Gordon no DCEU ainda, mas procurei colocá-lo de maneira mais alinhada com esse Universo. Que acharam?
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