Crônicas de uma galáxia
15 Uma semana em Janeiro
Fazia relativamente pouco tempo desde que nós não nos víamos, se fosse comparar com o que ainda iríamos passar. Mas como eu não sabia, senti aquele tempo abrir uma ferida no meu coração apaixonado, que aumentava a cada dia que eu passava sem ele, seu amor e sua risada.
Como eu já me sentia confortável o suficiente perto dele, fui buscá-lo na rodoviária de jeans, camiseta e chinelo. Fazia calor. Muito calor. Eu também não tinha como saber, mas esta seria a semana mais quente de todo o verão e dos últimos anos.
Desci da Kombi do meu pai, e o deixei esperando no estacionamento. Quando botei os pés na rodoviária pequena e limpa de cidade de interior da região metropolitana, o ônibus dele ainda não havia chegado. Ele estava se hospedando na casa de um amigo em outra cidade, e eu tinha que buscá-lo e levá-lo à rodoviária todos os dias daquela semana, e isso não era nenhum problema.
Fiquei pouco tempo de pé – o que foi bom. Perto dele eu me sentia confortável de chinelo, mas não perto de todas as outras pessoas. O ônibus entrou pelo terminal e parou exatamente na minha frente, e eu prendi a respiração quando o vi saindo.
Era como se, de um sonho, tudo se tornasse realidade. Ele realmente estava ali. Realmente tinha vindo. Realmente íamos passar por isso tudo juntos.
Quando ele parou na minha frente, soltou a mochila no chão e abriu os braços, sorrindo. E eu me senti completa, como sempre me sinto nos braços dele.
Caminhei um pouco a frente, conversando pouco, ainda me acostumando com sua presença novamente. Passo por passo, nós entramos no campo de visão do meu pai. Eu não tinha como realmente ver qual foi sua reação, mas de repente eu sentia que já sabia.
E foi aí que o inferno começou, mesmo que eu não soubesse no início.
Ele sentou ao meu lado, e a conversa foi quase zero. Levou mais de vinte minutos para chegarmos à minha casa – uma fazenda no meio do nada, com muito mato, animais e cheiros. Quando chegamos, cumprimentou minha mãe e meu irmão. Almoçamos numa das mesas ao ar livre, e conversamos muito pouco, na verdade. Era como se estivéssemos nos acostumando novamente um ao outro. Desenhamos, e lembro-me de termos trocado cartas. E conversado sobre o que tinha acontecido durante nosso afastamento.
Mas na verdade, não havia muito sobre o que conversar. Nos falávamos todos os dias, eu já sabia de tudo. Só queria aproveitar que ele estava ali, comigo.
No dia seguinte fomos ao cinema, e assistimos um dos filmes do Hobbit. Eu, pelo menos, tentei só. Foi o maior tempo que já tínhamos passado juntos de mãos dadas, e eu não conseguia ignorar o toque dele e me concentrar no filme. Aquela constelação, ali do meu lado, segurando a minha mão, tirava toda a minha capacidade de concentração.
Almoçamos em uma lanchonete, tomamos sorvete, passamos mais algumas tardes na minha casa. Ele conheceu minha tia e meus cachorros. Tiramos fotos em frente ao termômetro da cidade, que marcava gloriosos 42 Cº.
Enquanto eu estava com ele, sentia como se tudo desse certo no mundo. A presença dele me envolvia e acariciava. E era perfeito. E eu o amava, e aquela risada, e tudo nele. Mas, quando a noite caía e eu desejava boa noite, antes de vê-lo subindo num ônibus, meu coração apertava. Mesmo que eu soubesse que eu ia o ver de novo no outro dia, sabia que também chegaria a hora de me despedir mais uma vez.
Fale com o autor