Algumas horas depois, eu o levei para a rodoviária mais uma vez. Compramos sua passagem, e nos sentamos abraçados num banco enquanto esperávamos seu ônibus chegar.

— Quero que tu fique com isso. – Ele disse, tirando do pescoço a corrente que usava todos os dias, e a colocando em mim. – Tu sabes o quanto ela significa pra mim. Cuida dela, até que possa me devolver.

Senti que ia começar a chorar, e pisquei algumas vezes. Aquela corrente significava muitas coisas, e entre elas, proteção. A segurei por um tempo, antes que ele se inclinasse para me beijar.

— Eu te amo pra sempre. – Ele me disse, segurando minha mão, procurando meus olhos.

— Promete? – Perguntei, fitando a imensidão do universo dentro dos olhos castanho-escuros que eu mais amava no mundo.

— Prometo. – Ele respondeu. – Pra sempre. – E eu me prendi aquela resposta. Agarrei-me a ela com toda a força que me restava. Aquela promessa significava um mundo pra mim.

— Eu te amo pra sempre. – Respondi de volta, enquanto deitava minha cabeça no seu ombro e fechava os olhos. E ficamos assim mais uns quinze minutos, eu tentando não chorar enquanto ele mexia no meu cabelo.

Quando o ônibus dele parou, nos levantamos devagar, cada passo parecendo mais pesado que o anterior. Ficamos parados em frente ao cobrador, de mãos dadas. Eu não tinha força ou coragem para deixá-lo ir.

— Eu te amo. – Murmurei uma última vez.

— Eu te amo, minha Guapa. – Ele me respondeu.

Nos abraçamos, e parecia que meu coração estava sendo arrancado do meu corpo e sendo levado para longe de mim pelo mesmo monstro da última vez. Ele me beijou, me deu um último beijo na testa, e entrou no ônibus.

O ônibus que o levaria para o aeroporto, que o levaria 1184 quilômetros pra longe de mim.

Consegui segurar o choro até que o ônibus saísse do meu campo de visão. E então, desabei. Doía como o inferno.