A rotina com ele era ainda mais perfeita do que eu imaginava. Com o passar do nosso relacionamento, aprendi que nossas estrelas eram muito parecidas, mas nunca tinha realmente percebido o quanto. Nosso dia-a-dia era completamente sincronizado e harmonioso, e nos entendíamos com facilidade e carinho.

Fazíamos as compras da casa juntos, e a faxina, e cozinhávamos a maioria das refeições. Revi o Pablo, e conheci outros amigos dele. Pude conhecer sua faculdade, e os caminhos por onde ele andava. Finalmente, eu me sentia totalmente inserida na vida dele.

Em um relacionamento a distância, muitos detalhes são perdidos sem querer. Eu nunca o tinha visto dormindo, ou jogando PS3 esticado no sofá, ou comendo pizza. Coisas que se fazem sem querer, como o jeito de segurar a caneta, não são contados ou fotografados, e a riqueza de detalhes da personalidade dele que eu desconhecia era imensa.

Sentia que me apaixonava por ele mais uma vez. Era como conhecê-lo de novo, e o novo Marco que se apresentava para mim era mais perfeito e apaixonante ainda do que o que eu já conhecia. E eu pude amá-lo mais ainda.

Passamos as madrugadas em claro, assistindo séries ou jogando. Compartilhávamos coisas, jogávamos cartas e fazíamos lanches noturnos. Pintamos as paredes do cômodo que já chamávamos de “nosso quarto”, e ele ganhou uma cama de casal. Às vezes, eu sonhava que estava em casa com meus pais, e acordava chorando assustada – e então, ele me abraçava e me dizia que estava tudo bem, que ele estava comigo. Levávamos a nossa cachorrinha, também considerada filha, para tomar banho no pet shop e era como viver antecipadamente uma vida que eu já sabia que me pertencia.

Fui com ele a alguns médicos, e descobrimos que seu estado progredia. De algum jeito, ele estava melhorando, e eu não sabia a quem agradecer. Vi seu lote de remédios diários ser drasticamente reduzido, e seu humor e saúde voltarem aos poucos.

Tudo parecia um sonho. Um sonho magnífico e glorioso. Nossa constelação brilhava forte e cheia de vida, um canto no espaço só nosso, mas que era um ponto de referência no céu estrelado de todos.