Crônicas de uma galáxia
26 Dando Errado
Quando cheguei em casa, muitas coisas aconteceram.
Descobri que, na confusão de irem nos buscar na rodoviária, Maia tinha saído para brincar na rua, e nós tínhamos a perdido. Meu irmão já tinha rodado o bairro a chamando, e não a achamos. Na verdade, nunca mais a achamos.
E a mãe da Martina tinha decidido passar a semana na minha casa também, e estava nos esperando para jantar.
Duas horas depois, Martina já tinha superado que perdera o celular, e estava feliz porque tínhamos nos visto, e super tranquila com a ideia de nos vermos de novo no outro dia – desde que não fosse no mesmo Lugar.
Eu estava tão nervosa com tudo aquilo, que comecei a passar mal. Olhar para a mãe dela, sentada a mesa conversando com a minha, me dava ânsia de vômito. Só consegui relaxar quando todos foram dormir, e só eu e a Martina estávamos acordadas.
Fomos dormir depois da meia noite, e eu estava completamente exausta e feliz. Foi a primeira vez em tempo que eu dormia sem chorar, e sem nenhum outro motivo além de cansaço físico.
— Luísa. – Martina me chacoalhou, me acordando. – Luísa, acorda.
— Oi. – Murmurei, me espreguiçando. As lembranças do dia anterior me fazendo sorrir. – Que foi?
— Ela falou com a sua mãe. – Martina começou, uma mistura de raiva e desesperou. – Eu falei pra ela não falar, mas ela falou. Minha mãe disse que o Marco está aqui e que vocês se viram ontem. Ela acha que o assalto foi um castigo de Deus por vocês estarem fazendo algo escondido e contou pra sua mãe.
E eu fiquei com raiva. Muita raiva. E ânsia de vômito, e tontura. E ligeiramente revoltada pela parte do “castigo de Deus”. Sentei na cama, descabelada e sentindo a negatividade saindo pelos meus poros.
— Tá, e agora?
— Sua mãe disse que se você falar com ela, vai ser menos... – Ela pensou um pouco. – Pior?
— É, pode ser. – Disse, jogando as pernas pra fora da porta. Me arrastei até a cozinha, onde minha mãe se ocupava em cozinhar o almoço. Escorei na porta e cruzei os braços, esperando que ela percebesse que eu estava ali. Dez minutos depois, pigarrei.
— Ah, oi filha. – Ela disse, como se não soubesse de nada.
— Eu vi o Marco ontem. – Soltei. – Vi o Marco ontem, nós passamos a tarde juntos, e íamos fazer isso o resto da semana, e eu não vou pedir desculpa porque isso envolve eu estar arrependida e eu não me arrependo de nada.
Ela ficou um tempo me encarando, enquanto eu mantinha seu olhar.
— Tu achou que isso foi o certo a ser feito?
— Sim. – Respondi, firme.
E foi isso.
Uma hora depois, eu estava proibida de botar os pés para fora do meu quarto, a cerca elétrica estava ligada e minhas chaves continuavam confiscadas
E eu e o Marco tivemos nossa primeira grande briga.
Eu me sentia muito mal. Me sentia um lixo.
Tinha feito meu namorado vir até aqui para me ver, e agora não conseguia encontrar uma saída para concretizar o nosso plano. E nós tínhamos discutido, e eu tinha passado o resto da semana jogando Guitar Hero trancada no quarto. Estava com dificuldade de entender quais eram os planos do universo para mim.
Sexta feira eu resolvi tentar mais uma vez. Enquanto meus pais estavam na sala, eu fui até eles. Pedi que meu irmão nos desse licença, falei um monte de coisas nas quais não acreditava e implorei para que eles dessem mais uma chance ao Marco, e permitissem que nós nos víssemos mais uma vez.
Eles disseram que ele poderia vir me ver, amanhã.
Peguei o celular da minha mãe – visto que o meu tinha sido roubado, e eu não fazia ideia de quando ganharia um novo-, e o chamei no chat.
Ele disse que viria.
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