Crônicas de Um Cadáver
1 Wake Up
Como foi que vim parar nessa situação? Será que foi um mero erro da natureza ou uma brincadeira do Destino? Como foi que eu, Dimitri Smith, um cara qualquer de 20 e poucos anos acabei morto e, ao mesmo tempo vivo?
Só o que me lembro foi de acordar na completa escuridão. Sentia algo acima do meu rosto, estiquei as mão e senti uma superfície lisa de algo que se assemelhava a madeira. tentei esticar o braços mas não pude. Ao perceber que estava cercado, o medo me assaltou, algo perfeitamente natural para um claustrofóbico. Desesperadamente comecei a empurrar a madeira acima da minha cabeça até que ela se rompeu e na mesma hora uma montanha de terra caiu em mim. Comecei a cavar até que cheguei à superfície. Me dei conta de que estava enterrado. O que fazia nessa situação eu não sabia até o momento.Estava muito escuro e mal conseguia enxergar. Ao dar uma caminhada encontrei um velho poste e embaixo dele, aquilo que temia encontrar: Um túmulo. Naquele momento meu coração veio à boca. \"O que faço enterrado num cemitério??\", pensei. Corri procurar o lugar de onde saí e me deparei com a pior visão de minha vida: Uma lápide com meu nome a data de meu nascimento, junto à uma outra data mais recente que temia ser a de minha morte.Corri como louco, até encontrar a saída do maldito cemitério. Saí e me sentei na calçada. Sentia uma náusea muito forte. Percebi, pelas folhas caídas no chão que deviamos estar em meados de outubro. Uma volta pelas ruas e não me enganei, havia muitas crianças pelas ruas, fantasiadas de fantasmas, bruxinhas, e diabinhos. Era halloween.- Que fantasia bonita! Não entendi o que o garotinho quis dizer com isso até olhar meu reflexo na vitrine de uma loja: Estava pálido, meus olhos haviam perdido a cor e meu cabelo estava longo e desbotado. Minha pele parecia esticada sobre o corpo, e havia muitas manchas e machucados. Vestia aquele terno horrível, negro, que só usava em festas e ocasiões especiais. Mas agora ele estava rasgado e sujo de terra. Trêmulo, pus a mão em meu peito: Não ouvi batimentos cardíacos. Tomei o pulso, e não senti nada a não ser minha pele fria. Se antes não sabia o que havia contecido comigo, agora tinha certeza: estava morto. Essa verdade me atingiu com grande intensidade. Eu desmaiei.Quando acordei não sabia mais onde estava. Estava deitado num sofá, numa casa pequena, provavelmente um apartamento. Não fazia idéia de como havia parado ali e não era a morada de nenhum dos meus amigos. Olhando ao redor percebi que meu cárcere (e assim pensei dele no início) não tinha mais do que 45m² dois quartos, uma cozinha/sala e um banheiro trancado. Ouvia o barulho do chuveiro.Sentei novamente no sofá, esperando que a pessoa saísse do banheiro e eis que me deparei com alguém que, até então, pensei que nunca mais veria em minha vida. Ela sorria para mim, aquele sorriso irônico que foi sua marca no colégio. as tatuagens não mentiam: tratava-se de Mona Willians.E de fato ela não havia mudado nada desde o colégio. Continuava parecendo uma vampira zumbi (não que eu me encotrasse em melhro situação). Com a única diferença que seu cabelo, antes negro como seus olhos, agora eram de um roxo neon de doer as vistas. Mas eu sabia que, se alguém podia me ajudar, era ela, a garota maluca do colégio que, dizem, falava com espíritos.
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