Crônicas de Mikvar - As Chuvas de Inverno
1 Capítulo 1 - Wyllien
O dia estava calmo, porém movimentado. O sol ainda pairava sobre os céus. Os centros comerciais estavam lotados, o começo de "Espada de Guerreiro" estava próximo e muitos desejavam trajar roupas de grande elegância, ou preparar grandes refeições que seriam expostas para o apetite de nobres que viriam de longe. Wyllien trajava camisa de lã negra e gibão negro com longos fios brancos sobre o peito com uma capa de veludo trabalhado que cobria até os pés e que tampava seu rosto dos demais. Os braços estarão com braçadeiras de couro com fios carmesim e nas mãos luvas, enquanto nos pés calçava botas com bico fino. Caminhavam calmamente pelas ruas dos distritos do reino, dois homens que trajavam gibão e capa marrom o seguiam logo atrás. Entraram em um beco estreito esburacado e movimentado, subiram um morro alto, viraram em uma esquerda e seguiram reto, viraram em esquerda e subiram outro morro e viraram para a direita e entraram em outro beco menos estreito que o outro. Pararam em frente a uma galeria por alguns minutos e prosseguiram por ela passando em frente a várias portas até que pararam em frente a uma enorme porta de madeira negra com barras de prata em sua frente.
– É aqui, Dyrin? –Murmurou Wyllien.
– Sim, pelo menos foi o que Mestre Aron disse. – Disse Dyrin Carr. Mestre Aron é um homem de cabelos e olhos castanhos que geralmente trajava túnica cor oliva. Serviu a Wyllien e aos outros como curandeiro, tutor e mestre por anos. Juntos realizam grandes trabalhos juntos, como furto, mas nem sempre eram iguais.
– È melhor estar certo, Dyrin, na última vez conseguimos fugir da guarda real por pouco. – Disse Jon Cassel – Na próxima vez você acha pessoas menores para furtamos.
– Vá se foder, Jon! – A voz de Dyrin ficou áspera quando falou.
– Não podemos brigar agora. – Disse enquanto abria a enorme porta de carvalho, era maior que Wyl. Estendeu as mãos para a porta fez impulso para abri-la e entrou logo em seguida. Os outros também o fizeram.
Entraram no local. Wyllien e Dyrin sentiram vários olhares sobre eles, enquanto Jon permaneceu com a cabeça ereta e o olhar fixo para o líder da taverna. Wyllien e Dyrin sentaram em cadeiras na parte lateral esquerda do bar, enquanto Jon sentou-se em frente ao bar. Um homem alto de cabelos e olhos claros trajava uma simples camisa de lã, aproximou-se de Jon e disse.
– O que quer? – A voz do homem era rude e grossa. O homem encostou o braço sobre a bancada em frente a Jon e aproximou seu rosto perto ao do rapaz capaz de sentir o odor que saia de sua boca que cheirava a cerveja.
– Me dê uma taça de hidromel; E alguma carne. – Disse Jon.
Jon abaixou o capuz. Os longos e lisos cabelos louros brilharam com as luzes dos archotes e caíram sobre o seus ombros. Dyrin fez o mesmo, seus cachos castanhos pularam para fora do capuz. Wyllien permaneceu inerte.
– Ei – Resmungou um homem calvo, robusto e gordo apenas vestido de cota de malha e peitoral de couro –, você. – Aproximou- se de Wyllien em passos largos e pesados.
– O que foi? – A voz de Wyllien parecia calma.
– Você está sentado em minha cadeira, trate-se de retirar esse traseiro de bebê dai. – Riu o homem. Wyllien não era tão jovem, assim como Dyrin, possuía dezessete anos de idade, e Jon, vinte e um. O homem aparentava ter trinta ou quarenta anos.
– Eu estou sentado aqui agora, trate-se de sentar em outra cadeira. – A voz de Wyllien permaneceu calma. O homem arrancou-lhe da cadeira com uma mão e o segurou pela gola de sua camisa o deixou no alto por um bom tempo até que Wyllien desceu com seu crânio bruscamente contra o rosto do mesmo, sangue respingou do nariz do homem. O sangue ainda jorrava quando tirou um punhal de sua cintura e rodopiou-se pelas laterais de Wyllien, esticou a mão que estava empunhada com o punhal para realizar um ataque, mas Wyllien desviou para direita e o homem cambaleou para a esquerda, Wyllien desviou de mais três golpes e rodopiou sobre o mesmo e com um movimento com a mão retirou o punhal da mão do homem. Wyllien retirou dois punhais e caminhou contra o mesmo, o homem pulou duas vezes para trás desviando dos golpes de Wyllien, até o rapaz girou e deu pequenos cortes sobre o tórax do mesmo, mas o golpe não teve muito efeito, o peitoral de couro o atrapalhou. Wyllien pulou para trás, e ergueu a cabeça para ver o rosto do mesmo, ele estará ofegante. Wyllien o fez ficar cansado para dar um golpe capaz de mata-lo. Wyllien saltou alguns centímetros do chão, ' rodopiou e cortou a garganta do grande homem. O rapaz pousou no chão, enquanto o homem caiu com suas mãos na garganta. Ninguém o ajudou, Wyllien o fez o corte muito profundo, provavelmente o grande homem já teria caído morto. Mais dois homens apareceram, um homem vestia cota de malha e cinto de couro com fivela de ferro, seus cabelos eram cacheados com cor cinzenta e possuía uma enorme cicatriz traçada do olho a boca, o outro homem era esguio e possuía poucos fios de seu cabelo ruivo, seu rosto era deformado, era cego do olho esquerdo e faltava uma orelha no lado direita, e vestia apenas cota de malha com braçadeiras de couro fervido. Dyrin e Jon puseram-se em pé, e empunharam seus suas espadas de aço escuro e cabo de ca, a especiaria de Mestre Aron. Os outros dois homens partiram para cima de Dyrin e Jon, o maior dos dois outros homens correu contra Jon empunhando uma pequena adaga de ferro com cabo de carvalho. Esticou o braço para realizar um ataque contra o rapaz, mas Jon se esquivou, enquanto isso Dyrin se esquivava de tentativas de golpes sobre seu peitoral. Jon desviou de um último golpe para a direita, debateu seu cotovelo contra o rosto do homem e voltou a lâmina contra o pescoço do grande homem e o cortou, o homem caiu em direção a bancada do bar e quebrou seu pescoço quando bateu seu crânio contra ela. Dyrin, era ligeiro, fez seu oponente cansar-se rápido. Dyrin bateu o cabo da adaga contra o olho direito do homem fazendo-o ficar cego totalmente por alguns minutos, que foram suficientes. Dyrin lançou a lâmina contra o crânio do mesmo o perfurando. Caiu com a lâmina ainda pendurada em sua testa.
– Não acredito, mas três mortos? – Suspirou Dyrin.
– Melhor irmos, a guarda chegará em breve. – Murmurou Jon. Wyllien abaixou-se para saquear os corpos. Encontrou alguns Valanires de prata, e só, os homens não possuíam muitas coisas para saquear. Ao menos as adagas, mas Wyllien perceberá que estava de péssimo estado, lâmina enferrujada e teria sido mal trabalhada. O cabo de carvalho estará desfiando e desgastado, ao menos os Valanires seriam de bom grado pensou Wyllien. Poderiam pagar por uma cama quente, e ainda sobraria para comida e outras necessidades. Wyllien guinchou e caminhou para a porta meio aberta, olhou de relance. Há esse ponto, só estariam eles e o chefe da taverna no local, se porventura, apenas eles. Virou-se para Jon e Dyrin.
– Vão, preparem os cavalos, partiremos ao anoitecer. – Disse Wyllien enquanto caminhava para uma cadeira longe dos corpos, pegou uma taça e saboreou o extravagante e doce vinho de verão.
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