Crônicas de Halberd
1 Capítulo 1
Um Raio cruza os céus. Apesar da forte chuva e dos fortes trovões, todos riem e dançam na taberna de Kiosee, o assoalho range enquanto bêbados pulam e dançam em meio a taberna, conforme dançam, a bebida na caneca é derramada em suas barbas e no chão, deixando o assoalho mais sujo e grudento do que já era, uma bela e animada música é tocada, típico de Maggotstorm, a terra das águas, a pequena ilha que fedia a peixe ao sudeste dos cinco reinos.
No canto da taberna, um grupo torra suas últimas moedas de bronze num gordo e suculento Javali, Bartolomeu Miriah, um forte anão com a barba longa e negra, vestia trapos, enquanto seus pés, descalços. Bartolomeu comia com tanta voracidade que dava a impressão de que só não comeria a mesa pois teria de pagar por isto, sua arma se localizava encostada na parede, um machado cuja lâmina já estava cega, aquela arma já o salvou diversas vezes, do outro lado da mesa, Shane Woodsbow, o jovem, leal e ágil, se afundava em bebidas, esquecendo de seus antigos problemas, problemas que ele nunca chegou a compartilhar com seus amigos, seu arco e aljava, presas em suas costas, estavam tão sujas quanto a barba de Bartolomeu, Shane calçava botas macias e roupas justas, seus olhos castanhos escuros encaravam a tocha que iluminava parte da taberna, ao mesmo tempo que ria debilmente, ao seu lado esquerdo, Ken Benvenudo, um elfo que comia educadamente, seus olhos azuis se dirigiam a Bartolomeu, encarando-o com reprovação e nojo o modo como ele se empanturrava com a comida, Ken desvia o olhar para o balcão, e lá estava uma mulher bonita e um homem forte que cambaleava bêbado, usava trapos e não tinha cabelos na cabeça.
- Cala a boca vadia! — Grita o homem batendo com as costas da mão no rosto da filha do dono da taberna.
A mulher cai no chão próximo ao balcão, ela tenta se levantar mas o homem bate com a sola do pé em seu peito, fazendo-a se desequilibrar e cair novamente, uma lágrima desliza do seu olho direito, ninguém repara na pobre mulher, os soluços da mulher não são audíveis perto dos risos e da música da taberna, Ken pega uma caneca vazia, se levanta e se desloca com longos passos em direção a mulher, o homem desconhecido coloca a mão em sua cintura, e de lá puxa uma lâmina curta, seus olhos cheios de crueldade ficam focados na mulher que agora se arrastava de costas no chão sujo temendo pela sua miserável vida, Ken aperta seu passos com medo do que pode acontecer.
- Ei! — Grita Ken, mas o homem o ignora.
Ele joga a caneca com toda a sua destreza, que forma uma arco de parábola no ar e bate contra a cabeça do desconhecido, a mulher olha para Ken com gratidão, se levanta, e desaparece no meio da multidão, ao mesmo tempo em que o homem olha furioso para o Elfo desarmado, ele se aproxima com passos pesados, Ken recua com passos desajeitados, mas mesmo assim o homem lhe pega pelo colarinho e lhe ergue a do chão, o elfo se debate como um peixe fora d'água, sabia que aquele homem pudesse ser seu assassino, pois naquele momento, seu oponente, ainda lhe carregando pelo colarinho, se dirigia para a saída da taberna, aquele momento lhe pareceu eterno podia ouvir lentamente os passos do homem, Ken tenta gritar, mas ninguém o ouve, todos estão ocupados de mais com bebidas e comida para agirem e prestar atenção nele, a porta da taberna é aberta com um forte chute abrindo-a com violência, o elfo é arremessado para fora da taberna, cai de costas contra o paralelepípedo úmido, a chuva torrencial começa a encharca-lo.
-Se acha o herói é? — Diz o homem cambaleando em sua direção e lhe dando um chute no rosto.
Um líquido quente escorre pelo seu nariz e é rapidamente lavado pela chuva. Ao longe, Ken pode ouvir o som de cavalos, talvez fosse a tropa real, e ela poderia ajuda-lo, tinha esperanças. O oponente se aproxima para pega-lo novamente pelo colarinho, mas Ken é surpreendido, surpreendido pelo som de carne se partindo por uma lâmina. O homem resiste alguns segundos em pé, sem reagir, com os olhos vidrados para o nada, ele cai no chão, e de trás, Bartolomeu tenta puxar seu machado emperrado nas costas do desconhecido, Shane aparece logo atrás, cambaleando bêbado.
- Não se preocupe, por um pouco de bronze a gente te salva! — Diz Shane, tentando se manter em pé.
- Solta! — Diz Bartolomeu fazendo força para tirar seu machado do corpo, e com muita força, consegue tirar fazendo com que carne voasse junto com a lâmina do machado. — Este nunca mais vai te incomodar, relaxa Ken.
Bartolomeu se ajoelha procurando moedas, e tudo que encontra são 10 moedas de bronze, além do grande azar de um guarda real apontar a lança para ele.
- Parados Ladrões! — Diz o Guarda em cima do cavalo dentro da armadura que deveria estar congelada em meio aquela chuva.
- Calma, calma, ele tentou me matar — Diz Ken recuando.
- Larguem as armas, agora!
Os três obedecem largando suas armas, o homem desce do cavalo e pisa no paralelepípedo, vai em direção de Ken, e com um único golpe bate com o cabo da lança contra a cabeça do elfo, que caí no chão inconsciente
- Ei! — Grita o anão correndo contra o Guarda real.
O Guarda reage fazendo o mesmo movimento, bate o cabo da lança contra o anão que cai no chão ainda consciente e tonto, o guarda bate novamente contra o anão que já estava no chão deixando-o inconsciente, Shane corre cambaleante contra o guarda, mas o mesmo simplesmente da um chute com a sola do pé contra o peito de Shane, fazendo-o cair de costas no chão molhado, o Guarda se aproxima e ao invés de deixa-lo inconsciente como os outros, simplesmente pega um saco de couro e coloca na cabeça de Shane.
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