Crônicas de Guerra
4 Capítulo 4 - Berserk
Capítulo 4: BerserkMesmo nas proximidades do centro da cidade, a noite costumava ser calma. Carros que já vinham impedidos de ultrapassar a velocidade máxima deixavam as ruas mais silenciosas. Baderneiros eram agora punidos com tanta rigorosidade que ninguém mais se atrevia a vandalizar a área. As próprias construções eram feitas de material que praticamente isolava o som externo, não os deixando entrar. Mas, naquela noite em específico, os arredores de um certo laboratório se perguntavam o que se passava lá. Gritos e sons de coisas quebrando estavam freqüentes demais para o horário.Havia 12 seres viventes no lugar, sendo um deles de vida artificial, e os outros 11 eram cientistas dedicados. Ou pelo menos foram 11, a princípio.
- CORRAM! THOMAS O MODIFICOU! TRANSFORMOU ELE NUM ASSASSINO!!O laboratório entrou em pânico. Todos corriam desesperados, mas Mark era o único que falava. - THOMAS!! THOMAS, VENHA AQUI E PARE ESSA COISA JÁ!!!- SENHOR! THOMAS SUMIU! ELE DEVE TER FUGIDO, SENHOR!- SUMIU? MAS COMO ELE PODERI-- SUSAN! CUIDADO!! ...É duro pra mim, ainda que eu não tivesse controle, mas narrarei os fatos que causei. A partir de agora é o relato dos poucos que sobreviveram àquele dia.Eu acordei em modo "berserk". Não tive consciência no início e me tornei um autômato altamente perigoso. No momento que fui ativado, eu agi como um louco. Quebrei tudo que havia na minha frente, e isso incluía Souza, o cientista que estava mais perto de mim naquele momento. Segundo me contaram, logo que quebrei o vidro que me detia dentro da cápsula, a primeira coisa que minhas mãos encontraram foi o pescoço de Souza. Logo que meus dedos o envolveram, seu pescoço quebrou como um galho seco. Joguei então o corpo mole de Souza contra Johan. Esse de imediato não morreu, mas ao ser arremessado (junto com Souza) contra uma das estantes cheias de peças e materiais pesados, esta caiu sobre ambos.Só depois disso Mark saiu do transe que entrara. Ele, assim como todos os outros, teve seu corpo travado pela surpresa da morte em forma de reploid assassino. A primeira coisa que conseguiu pensar foi em salvar sua vida, e a segunda em culpar Mestre Thomas.Mark gritara para Susan sair de onde estava, uma vez que o teto desmoronava sobre sua cabeça. Em meu estado irracional, eu pegava tudo a minha volta e arremessava em seguida. Numa das vezes, acertei o teto com intensidade tal que o rachou. Além de cortar a fiação elétrica e interromper a energia, mergulhando o lugar numa escuridão quase absoluta, esse ato fez com que o teto começasse a ruir, bem abaixo da mulher. Apesar da falta de luz, Mark pode ver que ela não conseguiu escapar.- SUSAAN!!! — Mark gritava com o máximo de voz que podia. Seu horror só não era maior que seu medo.- MARK! O PROJETO ESTÁ FUGINDO!Mark esqueceu Susan e pousou seus olhos naquele que era eu. Assim como no teto, eu fiz diversos rombos nas paredes. Um deles dava para fora do laboratório, e usei-o como uma rota de fuga, ainda que inconscientemente.- Droga... Droga, DROGA! - Mark nem sabia bem o que fazer. Tudo saíra de seu controle, seu plano perfeito foi por água abaixo. Tudo o que conseguia fazer era bater a mãos fechada contra o chão e gritar - THOMAS!! THOMAS, ONDE VOCÊ SE METEU, SEU DESGRAÇADO?!!O silêncio, um do tipo angustiante ao extremo, tomou conta do local. O único ruído que se ouvia era o zunir de faíscas que vinham da aparelhagem quebrada, e de gotas d\\\'água caindo de um cano exposto e danificado no chão. O laboratório, antes limpo a arrumado, era agora um lugar destruído e fumacento, um abrigo para poucas almas viventes e alguns corpos inertes.Watsuki, um dos sobreviventes, se levanta muito lentamente. Ele fingira estar morto para se salvar, e ao pressentir o perigo longe, decide parar com a encenação. Enquanto Mark socava o chão em fúria, o único estrangeiro do time passa a procurar vestígios de vidas no lugar destruído, não antes de conferir o telefone, mudo. Nem um minuto de busca depois, Watsuki encontra mais três cadáveres. Além de Souza, Johan e Susan, foram somados ao número de não-viventes Saul, Thiago e Henry, mortos sem que ninguém tivesse percebido. Henry estava especialmente deprimente, com seu corpo totalmente manchado de vermelho e vários orgãos expostos. Watsuki levou a mão à boca para não vomitar.Assim, dos 11 cientistas iniciais, seis não mais viviam.Mark ainda parecia preso em sua própria mente quando o oriental encontrou vida. Ben e Clark estavam inconscientes quando o cientista japonês os achou. Após despertá-los e cuidar de suas feridas, os dois passaram a ajudar companheiro a encontrar o último sobrevivente: Thomas- Vocês... – Watsuki tenta quebrar o silêncio mortal que se instalara, sussurrando para os companheiros – Vocês acham que Mark está certo? Acham que... o Sr. Thomas... fez tudo isso de propósito?Os outros dois olharam para Watsuki, surpresos, quase como se o falar de alguém estivesse proibido naquele momento. Ben faz cara de desprezo, e voltou a remover entulhos.
- Não duvido. Thomas sempre foi isolado, na dele demais. Acho que ele se achava bom demais pra ficar junto dos outros. Não me admiraria se ele simplesmente quisesse se livrar de nós. Aliás, nem sei por que estamos procurando o maldito.- Não seja idiota – Clark o repreende, furioso – Thomas era apenas inseguro e tímido. Ele jamais alimentaria essa arrogância que você se refere. Era quieto demais sim, mais era só o jeito dele. Você só diz isso porque sempre o detestou. Sempre o invejou por ele ser muito mais capaz do que você jamais sonhou.Ben resmunga – Ainda assim, era um metido idiota. E onde diabos está a ajuda que precisamos? Estamos com o telefone mudo, mas não é possível que ninguém tenha ouvido todo o barulho que aconteceu aqui.Nesse momento, Mark parece sair de seu transe. Ele se levanta vagarosamente, e se dirige onde estavam enfileirados os seis corpos, que já começavam a cheirar.- Seis de nós... Mortos... – Mark expressava uma face revoltada, de ódio puro, ao mesmo tempo em que corria os olhos dos cadáveres para o laboratório destruído - Eu juro... Eu juro Thomas, você vai pagar por isso...- Ambos... Somos culpados... Do outro lado do laboratório, mestre Thomas se levantava com dificuldades dentre os escombros. Ele não havia fugido, mas sim sido soterrado. Só foi salvo porque uma viga torta caiu sobre seu corpo e impediu que vários quilos de metal e concreto desabassem com perigo pra ele. — Eu... Deveria saber que isso poderia acontecer...Os quatro sobreviventes tomaram um susto enorme ao verem e ouvirem Thomas. Acreditavam que não o veriam mais. Acreditavam que, se ele não estivesse também morto, estaria fugindo para bem longe dali.- SEU MALDITO!! – Mark explode em ira, abrindo os braços indicando o recinto - OLHE O QUE VOCÊ CAUSOU! VOCÊ MATOU SEIS COMPANHEIROS.O Mestre tentava tirar pedaços de escombros de seu corpo, sangrante, machucado e sem energia. Não por seus ferimentos corporais, mas pela dor de sua consciência.- ISSO FOI COISA SUA, SUA CULPA! VOCÊ CONSTRUIU AQUELE REPLOID! VOCÊ DEU A ELE UMA MENTE ASSASSINA!!- NÃO!!!Mestre Thomas gritou mais alto do que jamais gritara, e jamais viria a gritar, ressoando sua voz por todo o laboratório destruído. Até o barulho de faíscas dos equipamentos quebrados pareciam ter cessado com sua palavra. “Mark pode falar o que quiser, mas não culpar E-001 por tudo”, era o que o Mestre pensou.- Sou culpado sim. Eu deveria saber que dar uma mente... Uma vida a um reploid cujo corpo é um protótipo era uma má idéia. Deveria ter tido paciência, fazer as coisas certas e sem pressa. Não devia ter cedido a sua pressão de acordá-lo. Admito esse erro.Os sobreviventes, Mark junto, calaram-se se postaram a ouvir, como se tivessem medo. Pareciam atordoados que Thomas, pacato e muito quieto, pudesse ter gritado tão alto. O mestre, por sua vez, parecia com dificuldades em falar. Era um grande sacrifício para ele mentalizar palavras naquele instante. - Mas... Mark, você é igualmente culpado.- Do que está falando?- Quer... mesmo que eu fale? Há três pessoas aqui que não ficariam contentes em saber o que sei.Mark começou a suar frio e a ficar nervoso, mas manteve sua rígida postura perante todos.- Não sei o que quer dizer. Você sabe qu-- NÃO MINTA! EU VI MARK. VOCÊ, E SOMENTE VOCÊ, ALTEROU O PROGRAMA DELE. VOCÊ QUERIA VENDER A NOSSA TECNOLOGIA PARA BENEFÍCIO PRÓPRIO, SEM QUALQUER CONSULTA A NÓS. ALTEROU A CONFIGURAÇÃO DAS CÉLULAS NANO. SUA AMBIÇÃO E IRRESPONSABILIDADE NÃO ENXERGARAM POSSÍVEIS, E PROVÁVEIS CONSEQUÊNCIAS. SEU ERRO MATOU SEIS COLEGAS NOSSOS!!Os cientistas se assustam. O volume certamente não foi tanto quanto o grito anterior, mas ver Thomas bradar tanto era algo que certamente nenhum deles veria novamente tão cedo. Por sua vez, Mark ficou imobilizado. Suas pupilas pareceram ficar pequenas dentro do branco de seus olhos, e tudo o que ele conseguiu fazer naquele momento foi uma soluçante e quase inaudível pergunta.- C... Como...?Mestre Thomas olhou com repulsa para Mark, que nesse momento sentiu um estranho arrepio em sua espinha.O Mestre pareceu cansado subitamente. Com os olhos, buscou alguma coisa em que pudesse sentar, e achou uma cadeira caída a alguns metros, milagrosamente inteira. Ele a levantou, se sentou e, como quem está com um dor horrível, se inclinou para frente e pôs as palmas das mãos na nuca. De fato, ele tinha muita dor. Sua consciência o matava por dentro. - Eu... Descobri hoje, quando procurava a planta do E-001 no meio de suas coisas. Na mesma lugar que estava a planta, eu achei por acaso uma carta onde ofereciam, somente a você, um alto valor por nossa tecnologia. Também encontrei na cesta de lixo alguns papéis, onde você rascunhou propostas para várias corporações, inclusive o governo.O silêncio paira sob o local mais uma vez. Mark parecia chocado, como se tivesse acabado de descobrir que tinha uma doença incurável e que morreria nos próximos dias. Os outros três sobreviventes estavam igualmente pasmos, mas todos olhavam diretamente para Mark, enquanto este se preocupava em analisar o vazio.- Acha mesmo que eu faria—- Você FEZ! Você queria vender os NOSSOS estudos para beneficio somente SEU. E estava louco para testar a coisa toda e assim comercializar. Seu desejo por dinheiro o cegou... assim como eu... Também estava cego... - Não ouse... Não OUSE colocar a culpa em mim, desgraçado!- A verdade lhe dói? Mas você sabe que tenho razão. E-001 não deveria ter falhas em seu programa. As Células Nano, de alguma forma, alteraram seu sistema principal ao também serem alteradas, seja lá para quê você queria. Não compreendo como, mas sei que foi isso. - BESTEIRA!! QUE TEM O CORPO A VER COM A MENTE?!!- Senhor? – Watsuki toma coragem, indo em direção ao seu chefe. Depois das revelações que ouvira, não estava mais disposto a ficar quieto – Bem... Mark... Diga o que quiser, mas há grandes chances das Células Nano terem obstruído alguns dos cabos que davam razão ao E-001, por terem suas configurações alteradas. Você bem sabe que a escala das cel--Mais um alto barulho soou pelo laboratório, mas dessa vez não era um robô descontrolado destruindo o lugar, tampouco estantes e componentes mecânicos caindo ao chão. Não, dessa vez o barulho veio de uma pistola, cujo gatilho foi puxado por Mark. Ele atingira Watsuki com um tiro energético na cabeça, fazendo o corpo do japonês relaxar e cair ao chão, manchando-o ainda mais de sangue.O Mestre cai para trás devido ao susto, enquanto que Ben e Clark gritam de pavor. Podiam ter esperado tudo nesse dia, mas jamais passou pelas suas cabeças um assassinato por parte de seu chefe.- Mark?! - Ainda no chão, com pernas vibrantes e sem forças, Mestre Thomas gritou - MARK, SEU DESGRAÇADO! QUE ESTÁ FAZENDO???!!!! FICOU LOUC—Mestre Thomas parou nesse instante. Mark acabara de apontar a arma para seu peito. Um pequeno ponto vermelho tremia nervoso em seu jaleco sujo.- Thomas, você VAI assumir a culpa por isso tudo. A menos que prefira a morte à cadeia!- P-Pare com isso, Mark – Mestre Thomas, trêmulo a chocado, tenta se colocar em pé, lentamente. O ponto vermelho vai acompanhando seu tórax, enquanto o Mestre tenta dialogar — Junto conosco, ainda há Clark e Ben. Acha que eles o apoiarão depois de tudo o que contei?- É melhor que apóiem. A menos que você não se importe em ser responsabilizado por mais duas mortes, Thomas.Os dois últimos sobreviventes se encolheram. Tentaram soltar ganidos de horror, mas suas vozes pareciam estar congeladas.- Mark, não seja idiota. Nem mesmo deveríamos estar discutindo — O Mestre tentava acalmar Mark que, embora não demonstrasse em sua voz, tremia e se mostrava muito tenso - E-001 está a solta por aí. Temos que alertar as autoridades, para que ele não machuque mais ninguém. E... Assumirmos nossa culpa.Mark pareceu pensar por instantes. Mas lentamente, o pequeno e trêmulo ponto vermelho no peito do Mestre foi subindo até parar em sua testa.- Já disse Thomas. O culpado foi você. A menos que queira morrer, é bom que assuma a culpa sozinho.
- Não farei isso. Não vou assumir a culpa por ter feito de E-001, aquele que deveria ser muito mais que um mero reploid pra mim, um assassino serial. Não vou transformar a vida dele num caos quando ele voltar a si, pois ele VAI voltar a si. Não tornarei a vida dele um inferno por ter tido um criador responsável por seus pecados. Não me importo com o que aconteça comigo, mas se me entregar, ele também pagará caro por eu crime meu. Assumamos nossa culpa Mark, não deixe um inocente pagar por nós.Mark fica em silêncio. Por um momento abaixou a arma, mas antes que Mestre Thomas pudesse aproveitar essa oportunidade, Mark retomou sua mira.- Seu tolo romântico. Acha mesmo que E-001 vai viver depois disso? Ele será destruído peça a peça, junto com as Células Nano. Mas elas não me importam mais. Eram meros protótipos mesmo, retomaremos o projeto e as evoluiremos. E seremos abençoados com sua ausência, Thomas.Mark aperta então o botão que carrega a arma.- Mark, pare. Por favor, não faça algo que possa se arrepender.O cientista riu com gosto.- Talvez Thomas, com muita sorte, o inferno também abrigue almas de reploids. Quem sabe você não encontra a do E-001 lá? Logo o mandaremos pra fazer companhia a você, não se preocupe.Ele então segura a arma com as duas mãos, para ter a segurança que não erraria o alvo. Nesse momento, Mestre Thomas fecha os olhos com força, sem esperanças, já esperando a morte. No fim, seus desejos, sua vontade de viver a fazer viver, todos seus sentimentos e sonhos... Tudo isso se tornariam seus maiores pecados. Mas não se tornaram. Antes que pudesse pressionar o gatilho, Mark teve se braço atingido por um tiro azul-celeste, fazendo-o cair pra trás. Seu urro de dor foi tal que Thomas achou que fosse ele próprio gritando ao receber o tiro.Apesar da dor, Mark se levantou sem demora, pressionando fortemente o braço ferido com sua mão esquerda. - Quem??Mark olhou para Mestre Thomas, pensando que ele tivesse de alguma forma o atingido. Mas o Mestre estava igualmente surpreso.No buraco da parede por onde eu havia fugido, estava um reploid. Seu braço direito estava transformado num canhão, um buster armado, em posição de tiro. Com a mão esquerda o segurando como apoio.O reploid tinha armadura predominantemente branca, com detalhes em preto e amarelo, de cabelos espetados tão negros quanto a noite. Seus olhos eram de um vermelho vivo tal qual fogo incandescente. Era eu.- E-001? — Mark não podia acreditar que estava me vendo ali, parado, com o buster apontando pra ele. — Como... Como pode ser?!Eu estava cônscio, acordado. Furioso. Não havia entendido ainda o porquê de eu estar ali, e não dentro de uma cápsula de check-up. Mas, ao perceber que Mestre Thomas estava em perigo, meus instintos básicos se acionaram. Quando dei por mim, meu braço virara um canhão e disparara sozinho.- Não vai matar meu Mestre! Nisso, olhei rapidamente para o Mestre. Ele estava paralisado, em choque.- E-001? Mas... Mas eu... Eu não fiz de você um modelo guerreiro. Como... Como pode ter um buster??!Devagar, eu fui me aproximando do Mestre, mas ainda apontando e fitando Mark.- Eu não tenho idéia. Eu Apenas senti que tinha ele e... Meu braço se transformou. Quando enfim cheguei ao lado do Mestre, peguei-o com braço esquerdo e o coloquei em meus ombros, ainda apontando meu buster para Mark, que tinha no rosto uma mescla de medo e raiva — Mas aqui é perigoso, vamos embora, senhor.Assim, com o Mestre comigo, fui me aproximando do buraco que fizera antes, sem tirar meus olhos de Mark. Por fim, quando chegamos nele, virei-me e saí correndo o máximo que pude, deixando Mark, Clark e Ben lá. Me arrependi profundamente disso algum tempo depois.- Como...? — Mark finalmente recuperara a fala — Como ele recobrou a consciência?A resposta não viria tão cedo. Em seu lugar, um silêncio horripilante se alastrou pelo laboratório escuro, e Ben logo o quebrou.- Senhor... Como... Como está seu braço.- Isso não é da sua conta.- Mas senhor... - Ben tinha a voz soluçante - Devemos levá-lo a um hospital imediatamente. A ferida... Pode ser mais séria do que—- CALE A BOCA, NÃO ME ATORMENTE. NÃO PERCEBE O QUE ACABOU DE ACONTECER AQUI??!!!Ben calou-se, não só pelo grito de seu chefe, mas também pela fria sensação que passou por sua espinha. Mas Clark viu. A noite toda fora a pior de sua vida, dois dos mortos eram pra ele seus melhores amigos. Porém, ainda que não conseguisse falar, pôde ver de relance que, no local escuro e apenas iluminado pela fraca luz gerada das faíscas, que insistiam em permanecerem presentes, o braço de Mark, o que fora atingido, não estava sangrando. Na verdade, não havia um gota sequer de sangue dele, fosse no braço ou no chão. No entanto, ele ainda era um braço ferido. Ainda que não houvesse sangue, o braço estava dormente e imóvel, totalmente envolto a um casulo azul. Um casulo de gelo.Num estreito beco, Mestre Thomas e eu paramos por um tempo para descansar e digerir tudo o que aconteceu naquela noite.- Mestre... - Lembro que eu estava nervoso. Era a segunda vez que eu falava com Thomas, e já havia causado muitos problemas a ele. - Eu... Ouvi parte da conversa e... Antes de tudo eu quero saber... O que sou!Mestre Thomas fitou meus olhos, então vermelho-reluzentes, respirou fundo e começou a falar.- Lamento muito. Eu não deveria ter lhe dado mente com um corpo desses.- O senhor... O senhor não me respondeu...De novo, o Mestre respirou e falou, mas desviou seu olhar, não conseguindo me fitar dessa vez.- Você... É um protótipo de uma nova tecnologia usada em reploids. Você é o primeiro daqueles que batizaríamos de "Nano-Reploid".- E... O que é isso?- Um reploid... que teve seu corpo formado não apenas por tecnologia robótica convencional, mas também, e principalmente... por nanotecnologia.
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