Crônicas de Arkauss

11 Capítulo 11 - A histórias de um medalhão


Notas iniciais
Fala galera! Tudo bom? Mais um capítulo para vocês, espero que gostem. Abraços!

Connor sentia a água quente passar pelo seu corpo, cada músculo parecia agradecer a medida que ela se espalhava por sua pele e escorria até o balde abaixo dele. Os fios de seus cabelos se espalhavam pelo seu corpo e grudavam nele, moldando seus músculos discretos, mas tonificados.

Olhando para seu corpo com atenção pela primeira vez em muito tempo, o rapaz percebe que tinha se tornado mais forte, mas o número de pequenas cicatrizes tinha aumentado consideravelmente, principalmente em seus braços. Pequenas linhas brancas também se espalhavam pelo seu peito e abdômen, marcas eternas de seu treinamento duro, junto com elas as marcas psicológicas também ficaram, ver um dos seus colegas quase morrendo e outro sem a mesma sorte é algo que ele jamais esqueceria.

Com um balançar de cabeça Connor afasta esses pensamentos e volta a sentir apenas a água morna em seu corpo. Junto a ela, um cheiro agradável vindo do quarto ao lado desperta a sua atenção, fazendo-o desistir do resto do banho. Sem muita cerimônia o rapaz se seca e veste uma blusa branca com uma calça larga cinza, simples como sempre, mas tão confortável quanto. Em seguida penteia seus longos cabelos e os amarra em um rabo de cavalo, deixando-os repousar sobre seu ombro, o que molha uma parte de sua roupa.

No quarto ao lado, Luna mexia o caldeirão que esquentava na lareira. Dentro dele um ensopado de legumes e carne cheirava muito bem enquanto girava em um redemoinho. Ela preparava tudo com esmero, enquanto de vez em quando provava como estava o gosto do preparo e vez ou outra colocava um pouco de sal ou pimenta. A garota vestia um delicado vestido de um tom roxo claro que moldava suavemente seu corpo, de modo a não ficar muito largo nem justo demais, parecia perfeito para ela, discreto e confortável.

O rapaz entra no quarto batendo na porta, abrindo apenas uma fresta antes de entrar. Luna o chama e se volta para o ensopado novamente.

— Posso ajudar em algo? – Pergunta o rapaz.

— Tudo bem – ela responde – já está tudo a ponto de servir.

— Nesse caso eu sirvo.

Antes que Luna se virasse, o rapaz avança sobre os pratos de madeira e os talheres ajeitados no canto da mesa ao lado da lareira. A garota o olha com uma expressão séria e ele pisca para ela, fazendo com que a jovem vire os olhos e sorria.

— Eu sou uma visita, não é educado deixar a dona da casa fazer tudo sozinha – brinca ele entregando um dos talheres para ela.

— Eu não precisava de ajuda – retruca ela.

— Não precisa ser assim, deixa eu pelo menos fazer algumas coisas por você de vez em quando.

Ele enche o prato com cuidado para não derrubar e entrega a ela, que agradece e se coloca a espera-lo sentada na cama. O rapaz coloca sua porção e se senta ao lado da mulher, que discretamente o observa

— Uau! – Exclama ele assim que coloca um pedaço de legume junto com a calda na boa – isso está divino de verdade!

A garota cora de leve.

— Não é nada – diz ela – apenas um ensopado que eu aprendi a fazer recentemente.

— Mesmo? – Diz o rapaz surpreso – você é realmente uma mestra na cozinha, isso está muito bom de verdade.

— Obrigada, bondade sua...

O rapaz a olha e percebe uma expressão de felicidade que ela tenta com todo o esforço esconder. Ele sentia saudade desse jeito contido da garota, como se mostrar algo bom de dentro dela pudesse a machucar, de certa forma ele entendia o motivo disso, de onde ela veio, isso realmente a machucaria e por isso ela aprendeu a esconder seus sentimentos mais puros, mas com ele, ela se soltava pouco a pouco. Ele lamentava não poder passar mais tempo com ela, mas tentava compensar quando podia da forma que pudesse.

— E então Luna, – começa o rapaz – me diga, conseguiu andar um pouco mais a cavalo depois que parti?

Ela gesticula ainda com a boca cheia, balançando a cabeça com uma expressão animada.

— Sim, eu passeei por aquela pradaria que me mostrou – fala ela assim que termina de engolir – foi muito bom, foi uma sensação tão boa de... de...

— Liberdade – completa o rapaz a fitando.

— Sim – ela responde em um tom nostálgico – quando eu cavalgo sinto como se o mundo estivesse ao alcance das minhas mãos, parece que não tem nada além de mim e o vento, é indescritível.

— Sabe, eu sei como você se sente, quando eu era criança... na verdade até hoje, eu sinto exatamente como você se sente. Quando eu sinto o vento em meu corpo, a sensação que tenho é que eu estou voando e tocando as nuvens, quase vejo tudo por cima, a pradaria, as árvores, as montanhas, os problemas....

— Isso! É exatamente assim que eu me sinto também! – Luna estava muito animada de falar sobre o assunto, tanto quanto andou a cavalo sozinha pela primeira vez.

O rapaz termina seu segundo prato enquanto conversa sobre as experiências da garota e se sente saciado como não se sentia há meses, sempre comendo ração ou algo nas tavernas locais, nada nem perto do sabor delicioso da comida de Luna.

— E então eu sai em disparada na estrada – continua ela com a história – e quando passei do lado do mercante eu tive a nítida impressão que ele quase cuspiu fora o vinho de tanto susto.

Os dois riem alto do que ela acabara de contar, Connor agora deixava o prato sobre o criado mudo e escorava na cabeceira da cama para escutar as histórias da garota, ela por outro lado, tinha se esquecido do resto do ensopado em seu prato e contava sobre o que acontecera com ela em suas aventuras montadas a cavalo.

— Mas Connor – ela muda de assunto – você ainda não me disse como foi a cerimônia de nomeação.

— É verdade, estava aguardando para te contar agora — responde ele ajeitando o rabo de cavalo dolorosamente preso entre suas costas e a cabeceira da cama – a cerimônia foi muito linda, o palácio estava brilhando de tanto ouro e pétalas, mesmo o rei estava sentado em um trono dourado sob uma cortina de rosas. Os convidados estavam sentados como uma plateia e nós estávamos de pé, em fila, virados para eles. Me dava arrepios tantos olhos me olhando.

Eles riem, Luna procura discretamente um lugar para colocar seu prato enquanto escuta a história do jovem, mas Connor percebe e estende a mão para pegá-lo e coloca-lo junto ao seu, como esperado ela entrega o prato relutante.

— Então – continua ele — depois de certo tempo o próprio rei Nicolas me chamou para a nomeação, como de costume ele passou a minha espada pelos meus ombros e me proclamou em alto e bom som como “protetor do reino e da família real, Sir Connor Arkauss, cavaleiro real do Castelo das Rosas”.

Connor imita da melhor forma que pode a voz do rei para enfatizar o conto, e com sua colher toca os ombros da mulher como o rei o fizera, Luna ouvia a tudo atenta.

— E após isso teve o banquete cerimonial, mas estava nervoso demais para comer algo nele, ainda mais com toda aquela multidão em volta.

— Aquela plateia que os olhava, eram os parentes dos cavaleiros? – Pergunta Luna.

— Não, nós não pudemos levar ninguém além de nós mesmos. Na verdade, não consegui ver nem mesmo Den, um amigo que eu fiz no campo de treinamento, mas se eu pudesse levar alguém, não tenho dúvidas de quem seria.

— De fato seus pais ficariam muito felizes de ver aquele castelo tão bonito – diz a moça olhando para a janela aberta, como se estivesse se escondendo do olhar do rapaz – ainda mais com o filho se tornando algo tão importante quando um guarda-costas do rei.

— De fato, eu levaria você – dispara o rapaz, pegando a moça de surpresa.

— Eu?! Mas por quê? – Responde ela em um salto.

— Porque na verdade você é a pessoa mais próxima de mim que eu tenho... – responde o rapaz a olhando profundamente. Sua expressão sempre serena agora dava espaço para uma quase melancólica, como se seu rosto vagarosamente escorresse com o peso do passado até então escondido. Os olhos do cavaleiro antes vivos e brilhantes ao fitar a garota, agora estavam vazios e distantes, como se seu interior estivesse muito longe dali e o que estava na frente da jovem fosse apenas uma casca, uma carapaça no formato de Connor.

Naquele instante, ele conseguiu ser mais frio que Luna.

— Connor – a jovem estava atônita – mas seus pais...

— Luna – começa o rapaz fitando a lareira, distante, a voz que saia nem parecia sair de sua boca – eu sei que não é a melhor hora, mas quer saber o significado daquele medalhão?

A jovem estava dividida entre sua curiosidade e seu medo. O rosto do jovem não parecia com o corajoso rapaz de outrora, era como uma pessoa diferente. Ela sentia que o que ele estava prestes a dizer, era profundo e escuro, muito escuro.

— Se você não quiser, tudo bem – continua ele, voltando seus olhos novamente para ela, mas sem ânimo nenhum – mas eu sinto que eu deveria – ele para – não... eu sinto que eu quero te contar a origem de tudo isso.

Ela não sabia o que responder, mas decide aceitar a proposta movida pela curiosidade que a consumia.

— Eu quero saber, se você realmente quiser me contar.

— Bom, então vamos do começo– começa ele respirando fundo e soltando o ar lentamente. Era claro que aquela era uma memória dolorosa, Luna quase se arrependia de ter aceitado– quando eu tinha nove anos, meu pai começou a me treinar com espadas de madeira. Ele nunca foi um guerreiro, mas como ferreiro ele sabia bem como manusear uma. Ele dizia que eu tinha certo talento, mas de inicio eu não gostava muito daquilo, só de pensar em machucar alguém ou acabar sendo ferido, eu já começava a tremer todo. Certo dia ele chegou mais tarde da forja dele muito animado e disse que tinha um presente para mim, mas que eu só poderia ver o que era no dia seguinte.

A garota ouvia tudo sem qualquer reação enquanto o jovem continuava, ora a olhando, ora fitando o fogo.

— Eu mal dormi aquela noite. De manhã bem cedo eu saltei da cama e corri para acordá-lo, mas ele já tinha saído. Quando eu sai pela porta eu o vi me esperando no terreiro em frente à nossa casa, segurando um grande embrulho nas mãos. Assim que eu me aproximei ele jogou-o para mim. Era absurdamente pesado, então caí de cara no chão – o jovem sorri, mas o sorriso dele não parecia alegre – dentro do embrulho estava uma espada de punho dourado adornado e uma lâmina de corte duplo reluzente, embainhada em uma bainha de couro e metal.

— É a sua espada... – ela deixa escapar quase que em um sussurro, ele assente.

— Naquele dia ele me disse as seguintes palavras “Connor, meu filho, eu entendo seu coração bom que lhe diz para não ferir pessoas, eu tenho um coração como esse também. Mas entenda, homens bons às vezes precisam fazer coisas ruins para cuidar de quem ele ama”. Essas palavras nunca mais saíram da minha mente, foram elas que me deram forças para começar o meu treinamento, mesmo que eu tenha demorado anos para empunhar a minha espada, pesada demais para mim na época.

— Seu pai – começa Luna — é um grande homem.

— Sim, ele foi – responde o rapaz em uma voz sem expressão, quase morta.

Quando Connor pronunciou “foi”, um arrepio correu pela coluna da garota, ela sabia o que estava por vir.

— Quando eu fiz 15 anos meu pai me levou para pescar, passamos o dia juntos, mas na hora de ir embora um lobo nos atacou. Nós corremos, mas eu torci o tornozelo e caí. Quando o animal avançou sobre mim, meu pai se colocou na frente e me salvou, ele chegou a matar o lobo, mas... — Connor soluça de leve, tentando segurar as lágrimas – mas ele já estava ficando velho, seus reflexos não eram mais os mesmos, ele ficou muito ferido com o ataque. Naquele dia ele me fez prometer que faria de tudo para não deixar ninguém que eu amo sofrer, pois a dor de ver quem você ama sofrendo é pior que a morte. Eu prometi e fiquei com ele até o último minuto, gritando por ajuda, mas ninguém veio.

Connor passa as costas da mão sobre os olhos com a cabeça abaixada. Alguns fios de cabelo se desprendem do rabo de cavalo e caem sobre seu rosto, refletindo o brilho do fogo. Luna o observa calada, ela sentia a dor transparecer no rapaz, ela nunca imaginara presenciar tal cena. Ele continua:

— Com muito custo e depois de desabar muitas vezes no caminho, finalmente consegui levar o corpo do meu pai até o nosso cavalo. Minha roupa estava suja de sangue, meu tornozelo doía tanto que eu achava que logo ele cairia de minha perna e o pior de tudo, meu pai estava logo atrás de mim, morto, amarrado às minhas costas com a minha blusa como um saco de lenhas ou uma fatia de porco. Aquilo me cortava por dentro, preferia ter ido no lugar dele – Connor volta a chorar discretamente, comprimindo seus lábios– mas quando cheguei em casa e chamei a minha mãe... o olhar dela... a maneira que ela reagiu, aquilo foi a coisa mais triste que eu vi na vida. Ela caiu de joelhos com as duas mãos na boca e chorou, eu chorei junto ainda montado no cavalo, com o peso nas costas. Minha irmã mais nova queria saber o que se passava, mas a minha mãe não a deixava sair, ela gritava com ela enquanto chorava, eu chorava mais ainda vendo ela daquele jeito, nesse momento nosso vizinho correu para fora e foi ajudar. No fim, nós enterramos ele nos fundos de casa algumas horas depois, minha mãe sequer teve forças para assistir, ela ficou muda o dia todo, o único som que eu ouvi dela foram soluços. Tive que fazer tudo com a ajuda dos meus vizinhos.

— Connor... você não precisa continuar...

— Não, tudo bem, eu... – Ele limpa os olhos novamente e engole seco – sabe, depois desse dia eu senti que ela estava diferente, seu ar tinha mudado principalmente comigo. Eu assumi os negócios do meu pai pouco tempo depois, mas as pessoas se recusavam a comprar de mim por ainda ser jovem. Eu fiz uma armadura completa para provar meu valor, mas mesmo assim, nada, eu ficava furioso com isso. Foram semanas assim, meses! Passávamos fome, o que comíamos vinha do que a minha mãe dizia serem economias. Um dia, no fim da tarde quando eu cheguei em casa, minha mãe estava sentada perto da lareira, eu sentei ao lado dela e disse que não conseguia mais. Ela me olhou nos olhos e me jogou aquele medalhão. Ela me disse: “seu pai queria te entregar isso no dia em que ele partiu, ele passou meses trabalhando nisso, você acha que o seu pai pensou em desistir em algum momento? Ele me enchia dia após dia sobre como o seu presente estava ficando perfeito, mesmo ele não sabendo entalhar muito bem em ouro”. Eu tentava falar, mas nada que fizesse sentido saía da minha boca, eu estava cansado, com raiva, triste pelo meu pai e agora aquele medalhão, senti que ela queria mostrar o quanto ele era melhor que eu e o quanto eu era um fracassado por não o ter protegido, nós brigamos feio, ela tentava contornar, mas eu não voltava atrás. No fim ela acabou dizendo enfurecida que aquilo tudo que passávamos era culpa minha e então saiu de casa batendo a porta, eu sabia o que ela iria fazer, mas me recusava a imaginar. Isso me marcou profundamente, eu não queria minha mãe fazendo aquilo, minha irmã também estava crescendo... fiquei por horas olhando para o medalhão e chorando, até adormecer ali mesmo.

A essa altura, o diálogo entre os dois já não passava de um monólogo do rapaz, disparando palavras sem cessar, narrando os acontecimentos um após o outro enquanto a garota o olhava sem reação.

— Um dia um mensageiro do rei passou e espalhou pela cidade que ele estava convocando os melhores para participar da seleção para o exército do reino, por fim eu decidi ir, para honrar a memória de meu pai e ganhar dinheiro o suficiente para ajudar a minha família. Minha mãe foi muito contra, mas eu não a ouvi, para mim era a única maneira. No dia ela não foi me ver partir e duvido muito que eu tenha coragem para chama-la para vir a algo assim depois de tudo. A partir de então... bem, você já sabe.

Luna estava sem reação, a história de Connor era terrível, era impressionante que alguém como ele tivesse passado por algo assim e mantido tal serenidade e coragem. Ela mesma, apesar de ele sempre ressaltar sua força, por vezes se sentia muito fraca, mas ele parecia imponente, quase indiferente a isso tudo.

— Connor, me desculpe, eu não sabia que você tinha passado por algo assim, eu não devia ter ficado curiosa sobre...

— O seu passado é muito mais triste que o meu Luna e mesmo assim você mantém a sua calma, você é mais forte que eu, contou o que ocorreu contigo sem desmoronar. Eu, por outro lado, estou aqui, chorando como uma criança em sua frente. – diz ele limpando o rosto uma vez mais – a verdade é que eu invejo sua força.

— Não inveje – diz a garota – eu não tenho tal força que você imagina, eu me sinto incapaz.

— Na verdade nós dois somos, mas continuamos em frente apesar disso tudo, acho que é isso que importa.

Ela assente, sem saber o que dizer.

Depois disso, os dois ficaram longos minutos sem nada dizer. Connor olhando para a lareira e Luna fitando a discreta lua que aparecia crescente pela janela do quarto. Lá fora o mundo parecia vazio no escuro, a luz prateada da lua não iluminava como costumava e o vento estava parado. Era como se o mundo sentisse a dor do rapaz.

— Me desculpe por contar algo tão triste em uma noite tão alegre – diz o rapaz quebrando o silêncio, Luna percebe que ele a olhava agora.

— Eu que me desculpo por fazer você contar algo assim, não tinha ideia do seu passado até então.

— Não se desculpe... Na verdade eu de certa forma me sinto feliz.

— Feliz? – Pergunta ela confusa.

— Sim – responde ele de forma simples.

— Como?

— Bom, depois de te contar isso, sinto que de certa forma nos tornamos mais próximos, já que agora seria como se tivéssemos participado do passado um do outro.

— Sim, creio que tenha razão – ela responde pensativa – pena que o meu não tenha sido de tanto agrado para que pudesse tem participado dele.

Ele ri de leve.

— Muito menos o meu, mas mesmo assim ele me é importante. Sem ele eu não teria saído de viajem e não teria te conhecido.

— Não diga isso como se fosse algo grandioso – diz ela olhando ainda olhando para o outro lado.

— Pois para mim é, tive sorte de encontrar uma amiga tão especial nesse meu cainho de sangue.

Ela não sabia o que responder. Tudo de bom que acontecera com ela graças a esse homem que agora se abrira com ela de forma tão profunda, era tudo muito novo para ela. Sem esperar sua resposta, Connor se levanta da cama e finge ajeitar a roupa amarrotada.

— Bom, está tarde, devo ir para meu quarto para que possas descansar.

— Deve estar cansado da viagem também — responde ela se levantando – não estou tão cansada assim.

— Pelo jeito bruxas do gelo também não se cansam tão rápido quanto um reles cavaleiro – brinca o rapaz – boa noite Luna, tenha bons sonhos e obrigado, por tudo.

Ela o acompanha até a porta, mas antes de fechá-la, ambos param sobre o portal e trocam olhares uma última vez na noite.

— Boa noite Connor, — diz ela encostando o ombro na porta e entrelaçando as mãos — tenha um bom descanso.

— Obrigado milady – ele agradece.

Connor se vira para ir ao seu quarto quando sente a pressão de lábios em seu rosto. Seu cérebro demora um pouco para processar o que estava acontecendo. O rapaz se vira com olhos arregalados e dá com Luna o olhando da mesma maneira, parecia que nem ela conseguia entender o que acabara de acontecer.

— Bo-boa noite Connor – diz ela enquanto desaparece mais que depressa pela porta do quarto.

Connor fica parado no corredor por um tempo, olhando para a porta de madeira fechada, ele mal podia acreditar no que sentia. Por fim ele finalmente para seu quarto, seria uma noite de sonhos conturbados.

Notas finais
E então, gostaram? Espero que sim! Nos vemos no próximo capítulo. Abraços!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.