Dagfinn nos acompanhou até as florestas de Eoferwic e de lá rumamos para o massacre da grande fortaleza, como muitos contam em suas canções. Algumas delas são bem exóticas e outras um tanto inapropriadas, mas pouquíssimas revelam o que de fato ocorreu.

Eu bem sabia que Dagfinn queria manter sua paz interior tanto quanto a paz em Synninghwait porque estava cansado de toda aquela loucura que era pelejar. Também já não era moço e seus ossos estavam cansados, seus músculos enfraquecendo, seu coração se afrouxando. Mas ele havia que fazer uma última investida para descobrir que fim levaria sua vida. Era como se ele precisasse provar a alguém o valor de suas palavras, o valor de seu retorno a casa.

Ele lutou ao nosso lado contra os dinamarqueses que dominavam Eoferwic e foi uma verdadeira carnificina. Estávamos em número superior aos guerreiros dinamarqueses e encontramos ajuda dos habitantes locais. Contudo, era uma questão de tempo com Dagfinn, porque ele não parecia feliz lutando. Claro, ajudou-nos a reaver a fortaleza com a força de seus braços. Sim, era o único de seu povoado a nos acompanhar, porque ele não permitiu que outros dos seus viessem. Mas seus braços eram armas mortíferas ainda, que não erravam golpes e os distribuíam por todo campo de batalha.

As fiandeiras do destino, porém, são as senhoras de nossas vidas, e o que elas desejam geralmente se resume ao que não esperamos.

De Synninghwait não tive mais notícias, mas Ragnar, sábio como sempre, assim que soube que Dagfinn fora conosco à Eoferwic, mandou buscar Gisela e meus filhos e os manteve a salvo em Dunholm. Onde os reencontrei tempos depois, um tanto mais crescidos do que eu gostaria.

Dagfinn morreu logo na manhã seguinte a nossa conquista pelas mãos de Aeldred, porque o dinamarquês se curvou diante dele para lhe pedir perdão. O ealdorman, no entanto, girou sua espada no ar e decepou a cabeça de quem antes fora um grande aliado. Lembro-me ainda dos olhos penetrantes de Dagfinn na cabeça rolada até uma valeta. Lembro-me da repulsa que senti por todos os saxões e por todos os homens do norte, apesar de eu mesmo ser um deles. Os cristãos eram traidores, eram homens sem palavra que acreditavam na salvação. A salvação não era nada mais do que perdoar, e perdoar era o que eles menos faziam.

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