Notas iniciais
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— Olha papai, aquele moço!

Parecia tão simples para aquela criança. O céu estava um pouco nublado, o que aumentava ainda mais a angústia de Leo. Há dois dias o tempo não mudava. Parecia que iria chover mais não chovia. Nem uma garoinha.

— Espere aí no batente que eu vou até lá.

Leo levantou-se e foi até a cancela que estava há uns trinta metros da casa. Ao vê-lo, o homem parou e o esperou na frente do carro, que havia sido freado bruscamente naquela terra batida.

— Então, mudou de opinião agora?- disse o homem.

O homem era de aparência velha, usava roupa e sapatos de couro e fumava um charuto caro.

— É claro que não.

— Meu amigo, olhe bem em sua volta: seu milho tá ficando seco, vocês nem são de roça e o solo precisa ser melhor tratado.

— Não posso abandonar as terras de meu pai! Vou cumprir minha palavra!

— Ora meu amigo, — deu uma longa tragada e em seguida jogou o charuto no chão, pisando-o — o velho não vai mais...

— Não diga isso!

— Calma. Eu sou um homem de negócios.

— Sei... Você só quer pisar nos pequenos.

— Ora! Eu precisei dar um rumo melhor aquelas terras. — disse sem hesitar.

Os dois pararam. Aquele homem nunca agira diferente das vezes anteriores, mas era a primeira vez que Leo notara que ele agira friamente, diante das circunstâncias. A indecisão agora já era clara. Será que seria melhor retomar sua vida na cidade e levar seu pai junto ou manteria a promessa guiando os rumos da pequena fazenda enquanto o pai estava ausente? Um mês já era tempo demais, pensou.

— Vamos homem, decida! — disse o velho.

Ele olhou em direção a porta do velho casarão. Seu menino já não estava mais lá.

— Sou fazendeiro há mais de 23 anos, eu sei como melhor aproveitar das terras.

— Bom... — ele pensou um pouco.

— Seu pai pode morar com vocês na cidade grande...

De repente um trovão é sentido. Seu filho aparece correndo em sua direção, ele estava chorando. Sua mulher apareceu na porta e gritou:

— Alisson Gomes, agora não!

Na visão de Leo, o rosto da esposa não estava muito visível. Mas ela também estava derramando lágrimas.

— Pai! — disse o menino, ao chegar mais perto dele.

— O que foi filho? — pegou-lhe no braço.

— É... — soluçou. — o vovô, ele... Morreu.

Foi um golpe fatal. O menino tinha escutado uma conversa de sua mãe com a empregada, logo após de ela ter recebido uma ligação do hospital.

— Quem te disse isso?!

— Não fale, Alisson Gomes! — insistia ela, sem sucesso.

O velho riu ironicamente. Leo não disse nada. Só olhava pra baixo. Ele sentiu uma explosão de sentimentos. Colocou seu filho no chão; ele parecia ter perdido as forças. Chorou. Pensou na decisão que tinha de tomar. O peso de minerva, que significava a morte de seu pai era grande. Só não se sabia para qual lado. Ele permaneceria longe de seu habitat de concreto, longe de sua firma e de seus amigos, deixando as terras que seu pai cuidou durante muitos anos sofrer com sua inexperiência agropecuária? Ou será que Leo voltaria com sua mulher e seu filho à rotina do dia-a-dia, deixando as terras sendo pisoteadas por milhares de bovinos insanos, aproveitando para garantir o futuro do filho com o dinheiro da venda e, por fim, magoaria seu pai, agora no leito da morte, o traindo com seu pior inimigo?

— E então?

Notas finais
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