Cry Wolf
6 Capítulo 05 - Pânico
Fiona ainda não conseguia dormir, então se levantou da cama e saiu do quarto. Planejava descer até a cozinha e procurar água.
E foi o que ela fez, passou pelos dois corredores e desceu a escadaria até a sala. Não tinha ninguém lá.
Havia dois corredores na sala, um do lado direito e outro do lado esquerdo, ela entrou primeiro no esquerdo e caminhou até chegar em uma sala ampla, com dois sofás vermelhos e uma grande TV em um móvel de madeira que cobria quase toda a parede onde estava. Do outro lado, entre duas janelas, havia uma lareira acesa, com o fogo quase acabando. Era outra sala.
Ela voltou pelo corredor, cruzou a sala principal e entrou no outro corredor, bem iluminado, no fim havia um cômodo com alguns móveis de madeira e uma grande mesa no centro, com um lustre no teto, bem no meio. A sala de jantar.
Ao fim do cômodo havia outro. Ela pôde ver pelo armário gigante que era a cozinha. Caminhou até lá e entrou.
No centro havia um balcão de mármore branco, cujo material parecia ser um padrão naquela casa. Contrastando com o resto da casa, a cozinha era bem moderna, com um armário que cobria toda a parede, deixando espaço para uma janela.
– Belo trabalho – Comentou ela, sozinha, impressionada com o local.
Fiona caminhou até a geladeira cinza escuro e abriu. Havia várias coisas, mas ela pegou apenas uma garrafa de vidro com água dentro. Fechou a geladeira e colocou a garrafa em cima do balcão.
– Onde ficam os copos? – Perguntou ela, para si mesma, enquanto passava os olhos pelos armários com porta de vidro. Nenhum deles tinha copos dentro, então ele procurou nas outras partes do armário, onde não era feito de vidro. Na primeira portinha que ela abriu estavam os copos, todos iguais e meio redondos.
Ela pegou um, levou até o balcão e encheu de água.
Começou a beber.
– Ainda não consegue dormir? – Perguntou Rachel, de surpresa.
Ela teve um susto e derramou um pouco.
– Oh meu deus, você me assustou – Disse ela.
A enfermeira sorriu.
– Estou com sede.
– Tem copos ali – Fiona apontou para uma porta do armário.
Rachel foi até ela e pegou um copo, enquanto a garota levou o seu até a pia.
– Quem dera eu morasse numa casa dessas – Comentou ela, depois de beber água.
– Pois é – Concordou Fiona.
– Eu sou Rachel – Disse a enfermeira, simpaticamente.
– Fiona – Ela respondeu.
– Eu não quero estar dormindo quando este homem chegar, imagina que estranho, chegar em casa e se deparar com vários estranhos dormindo nos quartos? Tipo, eu sei que ele nos convidou, mas ainda assim é estranho.
– O que me intriga é que de algum modo ele já previa que vocês iriam passar a noite aqui.
– Como assim? – Rachel não tinha pensado naquilo.
– Por que os quartos estariam prontos se ninguém ficaria aqui a não ser eu?
– Não sei, mas é impossível ele ter previsto essa tempestade né – Ela riu, mas estava intrigada.
– Sei lá...
Por acaso, Rachel olhou para a janela da cozinha e viu respingos de um líquido vermelho que a chuva não havia levado, pois não alcançava aquela janela.
– O que é isso? – Perguntou ela, caminhando até lá.
Fiona observou ela andar até a janela e olhar para o lado de fora. Viu também a enfermeira levar as mãos à boca em um estado de choque.
– Oh meu deus – Disse ela, assustada.
Fiona se aproximou para ver o que era.
– O que houve?
Quando ela se aproximou na janela, viu do que se tratava. Era um corpo jogado no chão, enquanto a chuva limpava o pouco sangue que saía de sua barriga. Quase nada. Ele estava de barriga para o chão, com a perna em uma posição grotesca, deixando à mostra o osso partido. Era Edward, o garoto calado. Estava pálido como farinha já que a chuva havia levado o sangue. Sua cabeça estava virada para o lado, como se estivesse observando as garotas com os olhos azuis sem vida.
– Você acha que ele caiu? – Perguntou Fiona, observando o cadáver lá fora.
– Eu não sei, é melhor avisar aos outros – Disse a enfermeira, que saiu apressada logo em seguida. Fiona a seguiu.
As duas subiram as escadas correndo e chegaram até o corredor dos quartos. Começaram a bater nas portas e esperaram.
O primeiro a sair foi Max, vestindo a mesma camiseta regata branca, mas com a calça do uniforme.
– O que houve? – Perguntou ele.
Miranda saiu, descalça, e depois Klaus.
– Tem um corpo lá fora – Respondeu Rachel, ainda assustada.
– Como assim um corpo? – Questionou Miranda.
– Um cadáver! Aquele garoto, Edward.
– Você não tá falando sério – Disse Klaus.
Fiona bateu na porta de Harry mais uma vez.
– Harry? – Chamou.
– Onde vocês viram? – O cirurgião perguntou.
– Eu te levo até lá – Respondeu Rachel.
Todos seguiram-na, enquanto Fiona esperava Harry abrir a porta. Talvez esteja dormindo, ela pensou.
– Harry, acorde! – Exclamou ela.
Ao ver que ele não respondeu nada, ela girou a maçaneta e abriu a porta, esperando encontrá-lo sobre a cama, mas o arquiteto não estava lá. Ela andou até a porta do banheiro e bateu.
– Harry? Você está aí?
Sem respostas novamente, Fiona olhou para baixo e percebeu que não havia nenhuma luz passando pelas brechas da porta, então abriu o banheiro lentamente. Estava totalmente escuro, então ela acendeu a luz, constatando que estava vazio.
A garota saiu do quarto e bateu na porta em frente.
– Charlotte?
Sem conseguir respostas, ela abriu a porta lentamente e olhou diretamente para a cama. Charlotte não estava lá.
Fiona caminhou até a porta do banheiro e abriu, esperando encontrá-la trancada, mas não estava. O banheiro estava escuro, então ela tratou de acendê-la, deparando-se com algo perturbador. A cortina do chuveiro estava fechada e suja de sangue, do outro lado, ela podia ver a silhueta de alguém deitado no chão.
Ela caminhou lentamente até lá, com medo. Sabia o que iria encontrar ali.
– Oh meu deus, oh meu deus, oh meu deus – Disse ela para si mesma, nervosa.
Fiona segurou a cortina e abriu.
Quando viu Charlotte nua, jogada no chão e toda ensanguentada, ela ficou chocada. Precisou desviar o olhar e respirar fundo.
– Que merda, que merda!
Ela voltou a olhar o corpo, observou os ferimentos na barriga, os cortes profundos feitos pela faca do assassino. Todo o local estava sujo de sangue.
Fiona saiu do banheiro e correu pelo corredor, descendo as escadas logo em seguida e indo até a cozinha.
– Ele deve ter caído – Disse Max.
– Charlotte está morta – Falou Fiona.
– O que? – Perguntou Miranda, assustada.
– Ela foi esfaqueada... Isso não foi um acidente – Disse ela chorando e tremendo – Edward também foi assassino, alguém o jogou lá de cima.
– Oh meu deus – Disse Rachel, com as mãos na cabeça.
– E eu não consigo achar o Harry – Falou a garota – Ele não está no quarto.
– Onde está a Dra. Hynes? – Perguntou Miranda, referindo-se a Agatha.
– Eu não sei, ela não saiu do quarto – Respondeu Klaus – É melhor alguém ir chamá-la, se tem alguém mais nessa casa temos que ficar juntos.
Klaus e Max saíram da cozinha e subiram ao primeiro andar. No corredor, eles bateram na porta do quarto onde Agatha estava.
– Dra. Hynes? – Max chamou.
– Dra. Hynes?! – Klaus exclamou, batendo com mais intensidade na porta.
Nada.
Os dois se entreolharam e Max abriu a porta, que não estava trancada.
Agatha estava lá, mas não na cama, e sim pendurada por uma corda no pescoço presa ao ventilador de teto. Os olhos estavam revirados e ela estava com um tom arroxeado no rosto. Era o sangue preso. A pele do pescoço havia rompido por causa do forte atrito com a corda e saía uma pouco de sangue. Era uma cena grotesca. Ela ainda tinha um corte na cabeça, o qual derramava sangue, que descia pelo seu nariz. Ela havia sido atacada e depois colocada ali.
Fale com o autor