Cruéis Intenções
3 Capítulo III - Memórias
Notas iniciais
Pra quem ficou em casa Boa leitura!
A ultima memória de Lourdes era o bule de chá quebrado, ela não viu William ir embora. Sua mente estava um pouco confusa e ela não entendia por que seu batom tinha saído. Esses lapsos de memórias estavam a matando, geralmente acontecia muito no inverno, mas precisamente perto da ultima lembrança que ela tinha da mãe.
Era uma bonita tarde, em algum lugar que por mais que Lourdes forçasse a mente ela não se recordava direito, lembrava apenas que sua mãe mexia em seus cabelos e sorria. Isso era tudo, não se lembrava do som de sua voz, muito mal da textura de sua pele, apenas uma imagem conservada por uma das fotos que ela tinha furtado de seu pai. Quando ela tentava uma conversa com o pai sobre a mãe, ele simplesmente a ignorava, mas apesar disso era um pai muito amoroso.
Ele tinha a ajudo a aprender andar de bicicleta, lhe ajudado a fazer os deveres de casa e o principal de tudo sempre lhe orientou em todas as decisões. O pastor Alejandro fazia tudo conforme o figurino mandava. Ele não era um homem mal, apenas um pouco misterioso. Lourdes não conseguia olhar o pai com outro olhar a não ser admiração, afinal ele era um homem muito forte por ter cuidado dela sozinho. Mas a curiosidade sobre a própria mãe sempre a incomodava, mas ela nunca teria coragem de procurar saber por si mesma. A ignorância era uma bênção afinal.
- Oi meu amor! – Era sempre assim desde o casamento Jeffrey chegava sujo de graxa e Lourdes não hesitava em ir lhe dar um beijo e um abraço, apesar dos protestos do marido.
- Chego a pensar que gosta muito mais da graxa do que de mim, olhe para mim sou pura graxa. – Jeffrey fingia um falso ciúme, mas a cidade inteira sabia que ele morria de ciúmes de Lourdes. O ciúmes era verdadeiro.
Ela simplesmente era uma das mulheres mais bonitas da cidade. Depois do casamento com alguma ajuda da mãe de Jeffrey, Lourdes passou a se vestir e maquiar – se melhor. Com isso os olhos do publico masculino começaram a cintilar sobre a inocente moça. Não que ela lhe despertasse a luxuria, mas apenas uma inveja de Jeffrey que com a qualquer menção do nome da esposa se irritava todo de ciúmes. Lourdes achava graça da situação, mas não falava nada. Ela sabia que num impulso de cólera ele podia matar um só com o olhar.
- Como foi seu dia? – Lourdes era muito atenciosa, passar parte do dia sozinha a fazia se dedicar mais ainda ao marido.
- Nada de novo. E o seu? – Jeffrey não queria dizer que passou o dia ouvindo piadinhas dos colegas de trabalho sobre como ele estava mais frouxo a cada dia de casado.
- William veio visita – lo, mas você saiu tarde hoje e ele tinha compromisso e foi embora. – Lourdes achou melhor omitir a parte de que não se lembrava o que aconteceu. Ela torcia para que Jeffrey não descobrisse e ficasse preocupado.
- Podia ter falado para ele ir ate a oficina. – Pelo que Lourdes observou Jeffrey não sentiu ciúmes nenhum sobre William ter ficado a sós com ela, pelo contrario ele parecia muito calmo e tranqüilo.
- Não vai ter um acesso de ciúmes? – Ela não estava o provocando, apenas queria respostas sobre a calmaria de Jeffrey. Ela conhecia o lado ciumento e diabólico do marido. Ela não conseguia imaginar se ele fosse atrás de William lhe arrebentar a cara só porque ele ficou a sós com a esposa.
- É o meu melhor amigo, a pessoa que mais confio no mundo, o conheço desde berçário. Por que ciúmes do William? – Ele sorriu fraco e foi se dirigindo ate o banheiro deixando uma esposa envergonhada pela indagação.
Lourdes sentia as dores de cabeça constantemente, chegou a parar no hospital por causa delas, mas apenas lhe deram um remédio e mandaram para casa. O episodio da Lourdes diferente aparecer não tinha acorrido. Jeffrey não se preocupava muito achava apenas que eram enxaquecas crônicas, como o medico sugeriu. Ele não tinha ido procurar William.
O ruivo por sua vez não tinha coragem de olhar na cara de Jeffrey, e agradecia mentalmente por Jeffrey não ter procurado. Ao mesmo tempo que a distancia de Jeffrey era boa, William se sentia horrível. Flash de memórias da infância dos dois o perturbava.
O dia em que eles furtaram maças numa quitanda da cidade. A vez em que desceram a ladeira de carrinho de rolimã. O dia em que beberam pela primeira vez, tinha ficado tão bêbados que mal sabiam qual era os seus nomes. Tudo isso só piorava com o tempo sozinho que William insistia em passar. Jeffrey era seu irmão,quase um gêmeo. Ter beijado a esposa do quase irmão era um crime que a mente de William aplicava-lhe duras consequências.
O gosto do beijo de Lourdes ainda tinha ficado impregnado em William, lembrar de Jeffrey só o fazia lembrar-se de Lourdes. Doce, meiga e ao mesmo tempo louca e traiçoeira. Aquela mulher seria o que? Uma espécie de demônio? William se confrontava entre seguir pelo caminho bom, nunca mais aproximasse de Lourdes e contar a verdade a Jeffrey ou seguir o caminho ruim fingir que nado disso tinha acontecido. Ele não esperava escolher seguir acidentalmente o pior caminho, o caminho cruel.
Notas finais
Good News: eu vou aproveitar o feriado para poder escrever em quem sabe postar muiiito mais.
Espero que tenham gostado meus leitores maravilhosos. ;*
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