Crush Culture

5 "É assim que eles te pegam, te beijam e te esquecem" parte 1


"Ajude-me

Eu acho que estou me

Apaixonando de novo

Quando eu tenho esse sentimento louco

Eu sei que estou encrencada de novo"

12 de fevereiro de 2021.

Adrien via Kagami passar todos os dias pelo pátio e corredores do Françoise Dupont, e percebia como os lábios frios e curvados para baixo dela começavam a modificar-se, dando uma feição mais doce e alegre para ela. Isso lhe deixava feliz, especialmente vendo quem era o motivo.

Aquele rapaz do último ano, ex de sua atual, que também era ex de Chloé... Definitivamente um rapaz com gostos muito diversificados, especialmente para relacionamentos.

Mas, Adrien sabia de seus segredos, pelo menos de alguns profundamente obscuros, e se preocupava que Kagami se machucasse ao saber disso, ou pior, por não saber disso.

Era uma sexta-feira, uma semana depois do primeiro beijo de Kagami e Luka, e eles estavam mais próximos. Não eram nenhum Romeu e Julieta com declarações e juras de amor até a morte, mas, como todo romance adolescente, pareciam mais íntimos e mais amigos que nunca.

Ainda não era fácil para a garota se entregar ao amor, especialmente por não estar totalmente segura das intenções de Luka pelo pouco tempo de convívio, mas, como iria ignorar a pessoa que abriu seu coração em tão pouco tempo, mas não parecia saber muito dele?

Luka ainda era uma boa incógnita para Kagami e ela queria desvendá-lo até o Dia de São Valentim, mas não teve muito progresso, sendo que faltavam apenas dois dias para tal data.

Os profundos olhos do rapaz refletiam a luz do sol, um brilho natural mas cheio de segredos. Uma tormenta disfarçada de calmaria oceânica era sutilmente vista por trás daquele azul vivo e cintilante.

O fim do período havia chegado e Kagami não pode aceitar o convite para outro ensaio da Kitty Section. Ela teria uma aula intensiva de russo em sua casa e sua mãe não a dispensaria dessa vez para tais diversões inúteis. Luka teve que se conformar com aquilo.

O rapaz foi embora com seus colegas de banda, deixando a garota para trás enquanto arrumava alguns materiais e pegava algumas tintas na sala de artes, pois tinha um trabalho de artes no qual deveria fazer um retrato do "rosto perfeito". Isso a destruiu, pois não fazia ideia do que ela mesma considerava como "perfeito", apesar de vir imediatamente um rosto em sua mente, aquele maldito rosto que a deixava sem ar sempre que se recordava dele.

Kagami escolhia algumas cores de tinta, apesar de não saber ao certo como queria, mas era quase automático seus gestos e suas escolhas eram quase inconscientes. Ela tentava negar para si mesma e buscava outras cores, mas seguia pegando aquelas cores.

A porta foi aberta silenciosamente, na intenção de não assustá-la, já que parecia concentrada, e a pessoa parecia ter passos suaves e delicados.

Mesmo com todo cuidado do mundo, Kagami sentiu uma presença ali e estremeceu. Alguém que chegaria tão delicadamente não poderia ter boas intenções, pensava ela.

Ela tateou a prateleira e encontrou um pedaço de madeira que deveria ter soltado de algum cavalete da sala de artes e ainda não fora colocado no local.

Respirou fundo, suas mãos estavam levemente trêmulas por sentir que a pessoa se aproximava cada vez mais e ainda mantinha o silêncio e a docilidade no andar. Foi quando ela virou-se bruscamente, fazendo que a madeira ficasse a milímetro do rosto de quem quer que seja e ela respirasse fora do compasso, assustando o rapaz à sua frente.

Era Adrien. Era apenas Adrien. Seu pior pesadelo, seu maior obstáculo e seu mais cruel inimigo.

Adrien era apenas Adrien, Adrien apenas era Adrien. Longe de ser ameaçador, mas fazia Kagami se lembrar de seu lado mais egoísta e mais cruel, talvez o mais triste, por isso que sua figura já lhe fazia sentir suas pernas fraquejarem.

— Por favor, não me machuque — disse o rapaz, sua voz saira fraca, e ao mesmo tempo que parecia aterrorizada soava divertida.

— O que está fazendo aqui? — retrucou enquanto abaixava o objeto em suas mãos, mas sem perder o olhar e a postura dos ombros na defensiva.

— Eu... estudo aqui — respondeu, e sua voz parecia cada vez mais falha, mas ele soltou um riso sem jeito. — Precisei pegar alguns materiais para a aula de artes.

Kagami deu de ombros, virou-se novamente, guardou o pedaço de madeira e voltou a pegar as tintas que precisava.

— Então... Você e o Luka... — Adrien começou a falar, mas fora cortado pela garota.

— Não é da sua conta — retrucou com a cara fechada.

— Ah... Tudo bem — disse em tom cabisbaixo.

Aquilo partiu o coração da garota. Aquelas palavras lhe soavam familiares naquele mesmo timbre. E temeu que viessem lágrimas novamente após tal bordão.

— Me desculpe — murmurou Kagami, quase que entre os dentes.

— Hã? — Adrien não conseguira entender o que ela quis dizer por ela já estar de costas para ele e ainda murmurar tão rudemente tals palavras em tom rouco.

— Eu disse "me desculpe", que merda! — A garota virou-se para o rapaz que ficou assustado com tal reação. Ela corou por perceber que havia explodido desproporcionalmente outra vez, parecendo uma criança birrenta e egoísta que não sabia perder uma partida de damas. — Desculpe, outra vez...

O rapaz ficou um pouco perplexo, mas logo abriu um sorriso com aquilo. Kagami não havia crescido muito em estatura, e sua feição era praticamente a mesma, mas ela parecia diferente, tinha um certo brilho no olhar.

— É bom falar com você — disse Adrien, sorrindo fraco.

— Acho que eu posso dizer o mesmo. — A voz dela saiu falha e baixa, mas em volume bom o suficiente para o rapaz escutá-la.

— Não está com raiva de mim? — perguntou sem tirar os olhos dela.

— Por que eu teria raiva de você? Você nunca foi o problema. — Kagami desviou o olhar. — O problema sempre foi eu...

Aquelas palavras destruíram o coração de Adrien que sentiu a melancolia na voz da garota. Ele se aproximou dela e segurou em seus ombros, fazendo que ela olhasse para ele.

— A-adrien?

— Não pense isso de si mesma, por favor... Nós dois erramos naquela relação. Você por não ter sido paciente e eu por não ter te acolhido mais. Éramos dois jovens que estavam na merda e não soubemos superar isso juntos — dizia Adrien com um olhar compadecido para a garota, que estava vidrada naquelas preciosas e familiares esmeraldas a sua frente. — Por favor, não se culpe tanto. A culpa mata mais que um tiro no peito.

Kagami estava sem reação, especialmente por não reconhecer aqueles familiares olhos, que antes eram opacos como musgo e agora pareciam duas cintilantes pedras preciosas. Ela estava hipnotizada e sentia ódio de si mesma por isso, mas não conseguia se conter.

Maldito cio adolescentes, pensava ela, ironizando a si mesma.

Seu corpo agiu sem seu consentimento e aproximou-se de Agreste roubou um beijo do rapaz, que imediatamente assustou-se diante dela e afastou-a.

— Kagami... — O rapaz lhe olhava agora com medo e com certo "desprezo". Ele estava mais voltado para desapontado do que enojado, especialmente por sentir que estava traindo Marinette e Luka ao mesmo tempo. — Eu namoro... — murmurou dolorosamente.

Kagami não disse nada, nem soube como reagir, sentia-se fora de si e novamente estava com o coração partido ao ver o olhar desapontado de Adrien, só que dessa vez sem as lágrimas. Todavia, sentiu-se ainda pior ao ver aqueles fios verdes-água na porta da sala, em um estado de choque, com o cintilante olhar escurecendo-se aos poucos.