Crossroads - Vidas Cruzadas
40 Capítulo 39 - Violet
Notas iniciais
POV – Nannah
- Boa noite. – ela falou calma.
- O que você está fazendo aqui? – Jake perguntou, eu ainda não tinha encontrado minha voz.
- Quando você foi até minha casa eu entendi que era isso que você queria, Jacob.
- Mas isso foi meses atrás. – Jake continuou falando.
As respirações na sala estavam suspensas, era como se tivessem medo de fazer qualquer movimento e explodir uma bomba.
- Eu sei que demorei a criar coragem e vir aqui, mas eu vim, é isso que importa, não é?
- Não, não é. – falei finalmente achando minha voz – Agora você não tem mais utilidade aqui.
- Nannah. – George me repreendeu.
- Não vem com Nannah, pai. – falei – Eu não quero ela aqui. Agora é tarde, agora meu pai já desistiu de tudo, por culpa sua Violet.
- On-onde Anthony está? – o coração dela começou a bater mais acelerado – Ele... ele...
- Não, meu pai ainda não morreu. Mas ele já desistiu de ser uma pantera, e ele vai morrer. Então vá embora e viva com o remorso de ter matado meu pai.
- Nannah, talvez Anthony queira vê-la... – Jake falou.
- Pra que? Pra ele sofrer ainda mais? Porque voce sabe que ele vai sofrer Jake. Ele não vai aguentar sabendo que agora ela está arrependida e que ele vai morrer e vai deixar ela aqui sofrendo por ele, se é que esse coração de pedra sofre por alguma coisa.
- Onde ele está? – ela perguntou entrando na sala, mas eu me adiantei e parei na frente dela.
- Você não vai saber. – falei a encarando de perto – Você não vai tornar tudo mais dificil pro meu pai. Vai embora Violet, volta pra sua casa, esquece a gente. Por favor.
- Eu sei que eu errei, mas é meu direito vê-lo antes dele morrer. – ela falou entredentes.
- Direito? Voce acha mesmo que tem direito a alguma coisa aqui? Você é louca ou se faz? – falei mais alto – Você o expulsou da sua vida quando ele estava disposto a te dar todo amor que alguém é capaz de dar, você me excluiu do seu mundo quando eu era tudo o que te ligava a ele. Você esnobou o amor dele, você pisou no coração dele, você foi cruel, você foi egoísta. Eu estou vendo como as coisas estão sendo dificeis e doloridas pro meu pai e não vou permitir que você torne tudo ainda pior. Então vá embora daqui!
- Aqueles são meus netos? – ela perguntou olhando Ivy e Matt.
- Não. – falei – Você não tem netos, o único que podia te dar netos morreu. Terry era seu filho, não eu, lembra?
- Não faça isso, Rosana. Não seja como eu. – ela falou calma.
- Sorry, mamãe, mas ser assim foi tudo o que aprendi com você.
- Ainda dá tempo de consertar tudo. – ela falou – Ainda dá pra voltar atrás e consertar nosso relacionamento.
- Mas eu não quero. – falei – Eu cansei de ser pisada por você e não quero me aproximar, eu não aguento mais sofrer por não ter uma mãe.
- Então me deixe ser sua mãe. – ela segurou minha mão.
- Não me toca! – gritei – Você perdeu todas as suas chances quando me humilhou, me desprezou... eu não quero você na minha vida, SOME DAQUI!
Ela saiu com o olhar triste, mas eu não cairia mais nessa. Eu não acreditaria mais nos joguinhos de Violet.
- Shhh pronto, vem comigo. – Jake me abraçou e me levou para o quarto – Se acalma amor, você tá tremendo muito...
- Eu não quero me acalmar hoje. – falei e pulei a janela do meu quarto, correndo para a floresta.
Corri até onde as árvores deixavam a mata mais densa e tirei meu vestido o jogando de lado. Deixei o calor e os tremores tomarem conta de mim e logo eu corria como pantera. Fui até o penhasco, onde eu sempre encontrava calma.
Senti algo se aproximar e vi Jake em forma de lobo se sentar ao meu lado. Ele encostou a cabeça no meu pescoço, como se dissesse que está tudo bem. Eu vi que meu vestido estava no chão ao meu lado, ele deve tê-lo trazido pra mim. voltei à minha forma humana e o vesti, Jake fez o mesmo e me abraçou.
- Não se julgue pelo que você fez. – ele falou respondendo às duvidas que rodavam na minha cabeça, que ele tinha visto quando estavamos em forma de lobo e pantera – Você tem todo o direito de dizer aquelas palavras, ela foi cruel com você antes.
- Por que ela se arrependeu agora? – perguntei chorando – Ela não vê que isso faz tudo ficar mais dificil? Agora que ele já desistiu de tudo ela aparece querendo viver feliz ao lado dele?
- Nós nunca vamos entender, amor. A sua mãe parece que é bipolar.
Um uivo chamou nossa atenção e Jake e eu corremos de volta pra casa.
- O que aconteceu? – Jake perguntou quando entramos na sala, o clima estava pesado e as caras não eram muito boas.
- Charlie acabou de receber uma ligação. – Sue falou – Houve um acidente na estrada e um carro capotou.
Todos me olhavam com expressões estranhas.
- Todas as descrições do motorista do carro indicam que era a sua mãe, Nannah.
Um frio subiu pela minha espinha, me deixando momentaneamente gelada. Meus dedos formigaram, minha boca ficou seca e meu estomago embrulhou... e então tudo ficou escuro.
POV – Anthony
Será que a hora tinha chegado? Era agora que eu morreria? Era uma tortura viver assim, sem saber se hoje era meu ultimo dia, e a sensação que tinha acordado comigo fazia tudo ficar pior.
Sai da casa de Nannah como se algo me expulsasse do lugar, eu sabia que era o medo que o pior acontecesse lá, eu não queria que minha filha me visse morrer, e foi exatamente o que pedi a Jake quando ele veio aqui mais cedo.
Flashback on
- Anthony? – Jake chamou entrando na minha casa.
- No meu quarto. – falei.
- Algum problema? – ele perguntou parando na minha frente.
- Não sei Jacob. – falei – Acordei com uma sensação estranha hoje, como um pressentimento ruim... eu ainda me sinto eu. Digo, eu não me sinto forte como quando me transformava, nem fraco como se estivesse morrendo... é uma coisa estranha é como se eu fosse um humano normal, entende?
- Entendo.
- Mas ainda assim, eu to com medo de acontecer hoje. – falei ele suspirou cansado, eu sabia porque. Era ele que teria que lidar com a dor de Nannah quando eu me fosse.
- Você vai lá em casa hoje, né? – ele perguntou, eu senti que ele queria mesmo dizer que eu DEVERIA ir.
- Sim eu vou. – falei – Não deixaria de ver Nannah e as crianças.
- Então porque me chamou aqui?
- Se eu sentir que as coisas estão ficando piores comigo, se a sensação não melhorar ou piorar, eu vou voltar pra casa. E eu não quero que ela venha atrás de mim. – ele sabia que era de Nannah que eu me referia – Eu não quero que ela me veja morrer.
- Nem eu quero isso. Já vai ser dificil demais sem ela ver.
- Obrigado por tudo Jake. Você tem sido um grande amigo.
- Você é importante pra minha Nannah – ele sorriu fraco – o que te torna importante pra mim também.
Flashback off
Eu voltei pra casa por que a sensação tinha aumentado muito. Mas agora eu sentia que não era algo de ruim que aconteceria comigo.
Eu estava andando em casa de um lado para o outro, agoniado, angustiado. De repente uma dor atingiu meu peito, me fazendo cair de joelhos. Não era uma dor totalmente minha, só em parte, como se eu sentisse a dor de alguém.
Me levantei depressa e corri até a casa de Nannah. Teria acontecido algo com minha filha? Será que apareceu outro vampiro atrás dela? Eu não me perdoaria nunca se algo tivesse acontecido com ela e eu não estava em minha forma pantera para protegê-la.
Entrei na casa de uma vez, estavam todos na sala com cara de espanto, olhando Nannah que caia desmaiada e era amparada por Jake.
- Nannah! – gritei correndo para o lado da minha filha – O que houve Jacob? O que aconteceu com minha filha?
Ele não me respondeu, ninguém me respondeu, todas as atenções estavam em Nannah desacordada.
Jake a deitou no sofá e ela começou a recobrar a consciencia. Seus olhos cairam em mim assim que ela os abriu. Nannah começou a chorar muito e me abraçou apertado.
- Eu sou um monstro. – ela falou em soluços – Foi minha culpa. Tudo é minha culpa.... foi minha culpa o Terry morrer e agora é minha culpa o que aconteceu com ela.
- Ela quem? Nannah o que aconteceu? – pedi tentando acalma-la.
- Violet... – ela sussurrou. Eu senti um buraco ser aberto no meu peito – Ela veio aqui e eu a expulsei... e ela... ela... – Nannah recomeçou a chorar – ela sofreu um acidente... e se ela morrer, pai? Foi minha culpa...
Eu tinha parado de ouvir qualquer coisa quando percebi as palavras Violet, acidente e morrer na mesma frase.
- Era isso – murmurei olhando para Jacob que parecia entender meus pensamentos – O meu pressentimento, não era comigo, mas com Violet que é uma parte minha.
- Me perdoa, pai. – Nannah pediu fungando – Eu só não queria que ela se aproximasse de você, porque você ia sofrer sabendo que escolheu desistir de tudo e que agora, com ela arrependida você ia partir e ela ia ficar aqui sofrendo e eu sabia que isso seria doloroso pra você....
- Shhhh não foi sua culpa, filha – voltei a abraçá-la – Você só quis me poupar de mais dor. Está tudo bem.
- Não está. – ela falou num choramingo – Eu sou um monstro.
- Para com isso, amor. – Jake falou acariciando as costas dela que ainda estava agarrada a mim – Você não é um mosntro.
- Onde ela está? – perguntei a Jake – pra onde ela foi levada?
- Provavelmente para o hospital de Forks. – Jake respondeu. Eu passei Nannah para os braços dele.
- Eu vou até lá. – me levantei. Nannah fez o mesmo e segurou meu braço.
- Eu vou junto. – ela falou limpando o rosto.
- Tem certeza? – perguntei.
- Tenho.
- Eu levo vocês. – Jake se levantou.
oOo
A cada quilometro que ficavamos mais perto do hospital, meu coração batia mais acelerado, eu sentia tanto medo de perder Violet.
Jake parou o carro no estacionamento do hospital. Nós dois descemos juntos e ele abriu a porta para Nannah que estava no banco de trás. Caminhamos em silencio até a recepção, o ar estava tenso.
- Boa noite, em que posso ajudá-los? – uma enfermeira jovem perguntou.
- Uma mulher acabou de dar entrada aqui. – Nannah falou – Um acidente de carro há alguns minutos.
- Sim, sim, sei quem é. – a moça falou olhando alguma coisa no computador – Ela ainda está passando por alguns exames. Vocês são da familia?
- Sim, ela é minha... mãe. – Nannah falou com dificuldade.
- Vou pedir ao médico responsável para vir falar com vocês. – ela saiu e minutos depois voltou com o médico.
- Boa noite. – ele esticou a mão cumprimentando nós três – Meu nome é Norton, eu sou responsável por Violet Margareth Howard.
- É minha mãe. – Nannah falou – Eu sou Rosana, esses são Jacob, meu marido e Anthony, meu pai.
- Bom, Rosana, o caso da sua mãe é delicado. Ela fraturou a perna esquerda, e duas costelas do lado direito, mas o mais grave foi que ela sofreu um traumatismo craniano quando bateu a cabeça no volante e teve uma hemorragia interna que ainda estamos tentando estabilizar. – ele falou calmo – Teria sido muito pior, visto que ela não usava o cinto de segurança e segundo os policiais, estava em alta velocidade.
- Ela corre risco de morte? – perguntei.
- Sim. – ele falou – Um traumatismo e uma hemorragia são muito graves, mas nós estamos fazendo de tudo para contornar a situação, por isso decidimos colocá-la em coma induzido. O problema é que nosso banco de sangue está com um estoque muito baixo do tipo sanguineo dela.
- Qual o tipo sanguineo dela? – Nannah perguntou.
- ‘O’ negativo.
- É o mesmo do meu. – Jake murmurou, eu, Nannah e o médico o olhamos ao mesmo tempo.
- Você pode doar? – foi o médico quem perguntou.
- Claro que posso. – Jake respondeu sem pestanejar.
- Isso é ótimo. – o médico sorriu – Vou pedir a uma das enfermeiras que venha te buscar para a doação.
O médico saiu depressa e Nannah abraçou Jake.
- Obrigada. – ela sussurrou – Mesmo depois de tudo que ela falou de você, dos insultos, do preconceito, você ainda se oferece para salvar a vida dela.
- Eu faria isso por qualquer pessoa Nannah. Minha obrigação é preservar a vida humana, e é exatamente o que estou fazendo, e além disso, eu sei o quanto é importante pra você e pro seu pai, que sua mãe se salve.
- Eu te amo, — ela ficou na ponta dos pés para beijá-lo.
- Obrigado, Jacob. – murmurei.
POV – Nannah
Eu pedi para acompanhar Jake quando ele fosse doar o sangue para Violet. Era linda essa atitude dele, eu só queria saber o que Violet pensaria quando soubesse que tem sangue do indio transmorfo pobretão circulando nas veias dela. Mesmo que ela xingasse e berrasse, eu ainda estaria feliz, pois ela teria sobrevivido.
Saimos da sala de doação e voltamos para a recpção. Alguns minutos depois Dr. Norton voltou com uma expressão mais tranquila. Eu rezava para aquilo significar boas noticias.
- Conseguimos estabilizar a hemorragia. – ele falou quando estava próximo – O caso de Violet ainda é delicado, mas os riscos agora são menores. O que nos resta é esperar pela reação do corpo dela.
- Eu posso vê-la? – pedi.
- Sim, vocês podem vê-la, ela já foi retirada do coma induzido. – ele indicou para que o seguissemos até a UTI onde ela estava – a visita terá que ser rápida.
Anthony entrou primeiro, com certa dificuldade, era como se ele não tivesse permissão pra entrar, como se eu podia ouvir todos os houvesse uma barreira o impedindo. Era a ordem dela, ela mandou que ele não se aproximasse, mas depois de algumas tentativas ele conseguiu.
Eu senti um aperto no peito, e se isso significasse que ela estava morrendo? Por isso Anthony conseguiu contornar uma ordem dela. Fiquei em silencio guardando essa duvida pra mim, ninguém precisava de mais um motivo pra sofrer.
Eu ouvia todos os sons lá dentro. O pingar ritmico do soro, o aparelho marcando o coração com batidas lentas e regulares de Violet, o coração acelerado do meu pai, e o que mais me doia, o choro silencioso dele.
- Oi minha Vi... (p.s.: Lê-se “Vai”) – ouvi meu pai falando – Eu senti tanto a sua falta... – som de um beijo – Volta pra mim. Abre esses olhos lindos, eu preciso de você aqui Vi... Todos precisamos... Eu te amo tanto...
(N/a: SURPRESA!!!! UM POV ESPECIAL... QUEM ESTAVA COM SAUDADES DELE????)
POV- Terry
Tive que me soltar de Ivy por um momento. Ela estava segura, e eu saberia quando fosse preciso voltar para perto dela, mas agora tinha outra pessoa que precisava mais de mim. Me deixei ser levado pelo chamado – inconsciente – e fui parar na rodovia que ligava Forks à La Push.
- Oi mãe. – falei para ela que estava sentada no acostamento, olhando o carro capotado.
- Terry! – ela se levantou e veio correndo me abraçar. – Meu filho, meu filhinho!.... Se você está aqui, então eu... eu... morri?
- Ainda não mãe. – falei – Digamos que a senhora está num momento de transição...
- É culpa dela. Porque ela me expulsou daquela forma? Por que ela tinha que ser tão bruta, tão incompreensivel? Eu estava disposta a tentar consertar as coisas... e depois ela diz que eu tenho o coração de pedra... ela me matou, como matou você!
- Mãe... não sinta raiva... Vamos fazer um passeio, depois falamos sobre isso, pode ser?
- Sim. – entrelacei meu braço ao dela.
- Nós vamos voltar em alguns momentos do passado, e vamos conversar um pouco. — falei.
Nós voltamos até o dia que ela conheceu Anthony.
- Por que voltamos aqui? – ela perguntou.
- Foi onde tudo começou... – falei – A senhora se apaixonou pelo olhar dele... – ela me olhou sem jeito – Eu não vou condená-la por ter traido meu pai... eu sei o que a senhora sentiu... eu vi isso acontecer, três vezes, com três pessoas importantes pra mim...
- O jeito que ele me olhava... me fazia sentir especial.
- Por que era especial. Ele era tudo o que a senhora precisava... por isso você não precisava ter fugido mãe. – a cena que viamos mudou, mostrava agora ela fugindo de Anthony, quando ela contou que estava grávida e ele contou o que ele era.
- Ele era um monstro.
- Monstros não amam, mãe. – falei – e ele te amava, mais que tudo nesse mundo. E tinha uma outra pessoa que te amava também.
Mais uma vez a cena mudou, agora eram flashes de momentos de Nannah. Quando ela nasceu, o primeiro aniversário, o primeiro dia de aula...
- Ela nunca me amou. – minha mãe falou eu podia sentir o rancor emanando dela, uma luz acinzentada quase tão escura quanto a luz que ela emitia quando sentia raiva.
- Tudo o que Nannah fez, incluindo a forma como te tratou hoje, foi apenas reflexo do que a senhora a ensinou... – falei agora os flashes focavam minha mãe, focavam a forma como ela sempre tratou Nannah, com indiferença, repulsa e muitas vezes desprezo – Como a senhora queria que ela demosntrasse amor, por alguém que nunca lhe deu amor?
- Eu sempre a amei. – ela falou me surpreendendo, e quando ela disse isso uma luz rosa substituiu a acinzentada – Ela era tudo o que eu podia ter de Anthony... mas eu não era capaz de demonstrar isso, eu estaria admitindo que sou fraca... eu não queria amá-lo.
- Por que você nunca a tratou com o amor que sente? – perguntei, eu estava ficando confuso.
- Porque ela me enfraquecia. – ela falou deixando uma lágrima cair – Ela era a prova que eu errei, que eu me deixei levar...
- Nada disso faz sentido, mãe... – falei – Amar não deixa ninguém fraco, pelo contrário, é o amor que nos fortalece. Olha a Nannah hoje, veja como ela luta pelo que quer, como ela defende os seus.
A cena mostrava agora Nannah enfrentando minha mãe por Anthony, buscando uma forma de manter o pai vivo.
- Eu não posso mais reconquistar os dois. – minha mãe falou triste – Eu perdi minha chance.
- A ultima parte do passeio – falei quando estavamos no quarto de hospital que minha mãe ocupava.
Nannah e Anthony estavam ao lado dela. Minha irmã estava abatida, como sempre eu não percebia o tempo e o passeio com minha mãe que pra nós pareceu durar apenas alguns minutos havia nos tomado quase uma semana.
- Eles estão sofrendo – falei voltando ao foco – E se eles sofrem, é porque você é importante pra eles. Até mesmo para o Jacob, com quem a senhora foi tão preconceituosa...
- O indio? – ela olhou para ele que estava parado atrás de Nannah, a amparando.
- Sim... foi o sangue dele que ajudou a te salvar. Ele doou sem pensar em nenhum momento nas coisas que a senhora disse.
- Ele é um homem, bom. – ela falou envergonhada.
“Deus... – a voz de Nannah soou baixa, mas ela não movia os lábios – por favor, não a leve agora... dê mais uma chance de consertarmos tudo... meu pai precisa tanto dela... e ela precisa dele. Eu sei que com ele, Violet vai ser uma pessoa melhor... e me perdoe pelas coisas que eu disse a ela, eu sei que ela era uma pessoa ferida, mas no fundo uma boa pessoa... por favor, não por mim, mas por meu pai, pelo Anthony, a mantenha viva.”
- É ela quem está pedindo isso? – minha mãe perguntou chorando.
- Sim, nós tivemos a chance de ouvir uma oração dela. – falei. Minha mãe andou até onde Nannah estava e deu um beijo na testa dela.
- Me perdoe, filha.
- Mãe – falei atraindo atenção dela – a senhora vai morrer, mas não hoje.
Ela me olhou assustada, eu me limitei a sorrir.
POV – Nannah
Eu tinha sim pedido por ela. Não importava mais o que ela tinha feito, como ela tinha me tratado a vida inteira, eu precisava dela viva, por mim, pelos meus filhos, pelo George e principalmente pelo Anthony. Meu pai já havia sofrido tanto, eu imaginei quando Violet parou na minha porta que seria pior pra ele vê-la, mas agora eu sei o quanto fui idiota, ver a minha mãe, mesmo sabendo que ele logo morreria e não a teria mais, era tudo o que meu pai precisava.
- Me perdoa... – pedi segurando a mão dela – eu sei que você nunca me ensinou a te amar, mas amar não é uma coisa que se aprende, mas que se sente. E eu sei que eu podia ter te amado, se eu quisesse. Mas eu tinha que ser tão cabeça dura, tão medrosa...
Voltei a ficar em silencio e senti as mãos de Jake afagando minha cintura, me confortando. Pensar nele e na forma como ele cuidava de mim fazia doer ainda mais o remorso por não ter deixado Violet se aproximar de Anthony. Era só olhar para o meu pai e para a forma como claramente os olhos deles mostravam que ele faria qualquer coisa para tirar a mulher que ama da situação em que ela se encontrava, pra saber que ele era como Jake, mas diferente do meu marido, ele talvez não pudesse mais proteger sua escolhida.
Senti um aperto leve na minha mão, meu coração se acelerou quando vi os olhos de Violet se abrirem devagar.
- Pai... – sussurrei e Anthony levantou a cabeça arquejando ao ver Violet de olhos abertos.
- Vi... – meu pai sussurrou com alegria e alivio transbordando da voz.
Os olhos de Violet ainda pareciam confusos, mas quando se encontraram com os do meu pai ela pareceu se acalmar.
- Ant... – ela tentou falar, mas a voz dela saiu fraca.
- Shhh... não fala nada. – Anthony afagou a mão dela, os olhos de Violet se voltaram pra mim.
Ela apertou minha mão mais uma vez e eu respirei aliviada, por ela estar bem.
- Vou chamar o médico. – Jake falou se afastando, eu me virei para dizer que ia com ele, mas Violet apertou mais minha mão.
- Fi..ca... – ela pediu fraco. Eu permiti que Jake saisse sozinho e continuei de pé ao lado de Violet.
O médico voltou rápido e avaliou Violet, ele até tentou pedir que eu e meu pai saissemos, mas Violet não permitia.
- O corpo dela está reagindo bem – Dr. Norton falou comigo num canto enquanto Anthony estava com Violet, agora adormecida – Eu a sedei apenas para que ela não sinta as dores da perna e das costelas quebradas. O traumatismo não foi muito grave, então não traz mais riscos.
- Quando ela sai daqui? – perguntei.
- Eu ainda vou mante-la na UTI por alguns dias – ele falou – se ela estiver em melhor estado, ela poderá ir para o quarto e em algumas semanas para casa.
Agora eu podia respirar aliviada. Restava apenas recomeçar tudo com Violet, eu sentia que com o tempo conseguiriamos ter um bom relacionamento.
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