Notas iniciais
Boa leitura...
Espero os reviwes!

POV – Nannah

Pra mim não fazia a menor diferença de pra onde eu estava indo, qualquer lugar era melhor que a casa onde eu vivia.

Eu sempre me senti como a filha que eles não queriam ter, e isso é facilmente explicado. Meus pais se casaram logo depois de se formarem na faculdade, dois anos depois do casamento minha mãe ficou grávida. John, meu irmão mais velho era a alegria da família, meus pais se consideravam totalmente realizados, até que quatro anos depois minha mãe ficou grávida de novo. Nove meses se passaram e eu nasci.

Seria uma alegria tremenda, se a gravidez da minha mãe não tivesse a impedido de aceitar uma mega proposta de emprego e não tivesse feito meu pai trabalhar dobrado pra dar conta de tudo.

A única pessoa que parecia realmente feliz com minha chegada era Terry. Ele sempre foi meu melhor amigo e estava sempre pronto a me ajudar em qualquer coisa que eu precisasse.

Bom meus pais não me odiavam, mas também não faziam questão de demonstrar o carinho que eles demonstravam pelo Terry. Eu não me importava, o carinho que eu não recebia dos meus pais, Terry me dava.

As coisas ficaram realmente ruins depois de um acampamento que eu e Terry fomos com alguns amigos de escola.

Nós estávamos nos divertindo bastante, fazíamos trilha, fogueira à noite com direito a cachorro quente, marshmellows, musicas e histórias de terror. Eu me divertia mais que em qualquer outro dia na minha vida.

Uma das garotas do grupo veio com a idéia de fazermos rafting numa corredeira próxima do lugar onde estávamos. Nós fomos, apesar de nem todos concordarem com a idéia de praticar tal esporte.

Os que eram a favor do rafting se dividiram em dois grupos, mas um dos grupos ficou com uma pessoa a menos, insisti com Terry pra que ele fosse junto, eu podia ver nos olhos deles o quanto ele estava com vontade de ir junto dos outros.

Terry relutou um pouco, afirmando que eu ficaria sozinha, mas eu insisti o suficiente pra que ele se redensse. O instrutor deu todos os avisos e eles entraram nos botes. Fiquei em um lugar onde eu poderia vê-los.

Em um trecho do rio, a correnteza estava muito forte, ouvir o instrutor que ficou junto comigo falar algumas coisas pro instrutor que estava no bote com o grupo de Terry. Eu não entendi muito bem o que ele estava falando, peguei algumas palavras como “ter cuidado”, “tentar desviar” e “rocha muito grande”. Não deu nem tempo de pensar, quando ouvi essas palavras desviei meus olhos que ficaram alguns minutos fitando o instrutor e olhei na direção onde estaria o bote com meu irmão, e o que vi fez com que o chão fugisse debaixo de mim.

O bote da equipe de Terry estava virado pra baixo, algumas pessoas se agarravam a ele, outras desciam junto com a correnteza e eram socorridas pela equipe do outro bote. Meus olhos corriam pelas pessoas em busca da única que realmente me importava ali, “Terry”.

Eu e o instrutor descemos correndo até a margem do rio, onde os botes tinham conseguido parar. Um dos instrutores começou a contar as pessoas pra ver quem estava faltando, mas eu não precisava prestar atenção nisso, porque eu já tinha visto que Terry não estava ali.

Comecei a gritar pelo meu irmão, eu não queria pensar na possibilidade de nunca mais vê-lo, eu me recusava a isso. Uma das garotas do grupo, Mellanie, me amparava enquanto eu gritava feito louca para que eles encontrassem o Terry.

Alguns minutos depois eles o encontraram, mas para meu desespero, sem vida. Terry tinha batido a cabeça numa rocha e acabou se afogando. Eu nunca me perdoaria por ter insistido pra que ele entrasse no bote.

O enterro dele foi a pior parte da minha vida. Meus pais – principalmente minha mãe – me culpavam pela morte dele, eles nem precisavam ter esse trabalho, eu já me culpava por isso e não existiria castigo pior que nunca mais ver o brilho azul dos olhos do meu irmão, do meu herói.

A convivência com meus pais sem o Terry perto de mim ficou insustentável. Minha mãe não conversava mais comigo, meu pai mal trocava três palavras, ele se limitava a dizer ‘bom dia’, ‘boa tarde’ e ‘boa noite’.

Eu me sentia uma intrusa dentro da minha própria casa. Passava a maior parte do tempo no meu quarto, ouvindo musica ou lendo um livro, sempre almoçava e jantava sozinha. Na escola eu não tinha amigos, ninguém falava alto que meu irmão morreu por minha culpa, mas via as pessoas cochichando quando eu passava por elas.

A única pessoa que ficou do meu lado foi Mellanie, ela sempre foi apaixonada pelo Terry, e eu percebi que os dois estavam se aproximando no acampamento, mas os pais dela resolveram se mudar, eu não os julgo por essa decisão, Mell ficou muito mal depois da morte de Terry, e como tudo aqui a fazia lembrar dele, era realmente melhor partir. Quem dera eu pudesse fazer o mesmo.

Hoje faz dois anos que meu irmão se foi, eu finalmente me formei no colégio, agora eu posso sair desse lugar opressivo. Arrumei minhas malas, peguei todo o dinheiro que consegui juntar nesses dois anos, as chaves do carro do Terry e botei os pés na estrada.

Antes de partir passei em um lugar pra me despedir da única pessoa que realmente me amou na vida.

‘Oi maninho’ falei de frente pro tumulo do meu irmão.

‘sinto saudades’ respirei fundo pra controlar as lágrimas.

‘desculpa tá, mas eu não vou mais poder vir aqui te ver, eu to indo embora. Não da mais pra viver naquela casa, eu queria muito ficar lá, onde cada cantinho que me lembra você me dá um pouquinho da sua presença, mas a convivência com Violet não é das melhores. Eu sei que ela é nossa mãe, mas ela não se esforça em nutrir algum sentimento bom por mim, então o que eu posso fazer? Papai também não fala mais comigo, antes ele até dizia algumas poucas palavras, mas agora ele passou a me ignorar, como a Violet’.

Fiquei em silencio por alguns minutos, até que eu não consegui mais segurar as lágrimas e chorei.

‘Me perdoa Terry, eu não devia ter insistido pra que você entrasse naquele bote. Talvez se eu tivesse aceitado a sua companhia você ainda estivesse aqui, e eu não estaria me sentindo tão sozinha’. Sequei as lágrimas e fiquei mais alguns minutos em silencio, então eu vi que já estava escurecendo e eu tinha que pegar a estrada.

‘Eu tenho que ir, já ta ficando tarde e tem muito chão ainda pela frente. Eu não tenho certeza pra onde vou, a idéia que tenho agora é ir pro Canadá, lembra que nós planejávamos fazer isso? Entrar no carro e dirigir até o Canadá passando por toda costa oeste. Bom eu não tenho um carro, espero que não se importe por eu ter pego o seu, Violet vai pirar quando souber que o carro sumiu, ela faz questão de deixar suas coisas no mesmo lugar, ela diz que é pra quando você voltar você encontrar tudo do jeitinho que deixou. Eu queria tanto que ela estivesse certa, queria tanto que você voltasse’.

Me levantei do chão me preparando para despedir do meu querido irmão, pela segunda vez.

‘Terry, eu sinto sua falta. Tanto que chega doer’. Virei as costas e segui para o carro, o buraco que meu irmão deixou com sua partida doía, mas eu tinha que enfrentar essa dor e recomeçar em outro lugar. Terry seria sempre uma boa lembrança, um anjo que passou por minha vida e a fez ter algum sentido.

Notas finais
E ai, choraram? Eu cgorei! T.T

To esperando minhas reviews!