Crossroads - Vidas Cruzadas

3 Capítulo 2 - Anjo protetor


Notas iniciais
Olá minhas flores! Mais um capitulo pra vocês, antes deixa eu explicar uma coisa...
Gente eu tive uma idéia maluca aqui agora, não ia ter Terry na fic não, ele ia ser só uma citação, mas enquanto eu escrevia o capitulo anterior, me veio a idéia de colocar Terry como um personagem constante na estória. Não vou falar muito não ou eu acabo contando mais do que devo, mas fiquem tranqüilas que no decorrer desse capitulo vocês vão entender. Bjux e enjoy it!

Dois Anos Antes

POV – Terry

Eu me sentia completamente desorientado, minha cabeça latejava e meu corpo parecia mais leve. Eu tentava me lembrar do que tinha acontecido, mas nada aparecia na minha cabeça, era como se minhas memórias tivessem sido apagadas.

Abri os olhos, mas a claridade intensa fez com que eles doessem e os fechei de novo. Tentei abri-los mais uma vez só que mais devagar, para que pudesse me acostumar com a claridade. A primeira coisa que vi foi o teto branco, desci os olhos pelas paredes também brancas, resolvi me sentar pra entender melhor onde eu estava.

Era um quarto todo branco, além da cama onde eu estava deitado, tinha também uma poltrona, que ficava do meu lado esquerdo. Eu não conhecia esse lugar, ou talvez conhecia, mas não conseguia me lembrar.

Forcei mais uma vez a minha memória, eu precisava saber o que estava acontecendo, onde eu estava, mas nada me vinha na cabeça, nenhuma uma lembrança, nada. Comecei a me desesperar, como pode uma pessoa não se lembrar de nada? Eu não podia ser alguém sem passado, deve ter alguém procurando por mim!

Ouvi uma leve batida na porta e um homem entrou. Ele era alto, tinha os cabelos grisalhos, olhos azuis e um sorriso no rosto. Assim que o vi fui invadido por uma onda de calma.

’Já acordado, filho’ ele me perguntou sereno ‘achei que você dormiria por mais tempo’.

’Onde é que eu estou?’ perguntei.

’Entre amigos’ ele veio até mim ainda sorrindo ’você deve estar bem confuso, não é mesmo?’

’Eu não consigo me lembrar de nada’. falei e o senhor abriu outro sorriso.

’Não se preocupe filho, isso é normal. Nós optamos por bloquear suas lembranças para que você não sofra muito’.

’Como assim você bloquearam minhas lembranças? Que tipo de lugar é esse? Quem são vocês?’ eu praticamente gritava.

’Calma, filho’ ele tentava me acalmar, eu sentia ondas de calma me invadindo, mas o desespero de não saber onde eu estava era maior.

Ele sussurrou algumas palavras que eu não entendi e em alguns segundos tinha mais duas pessoas no quarto, uma mulher que devia ter uns 40 e poucos anos e um rapaz de vinte e poucos anos. Ambos com sorrisos no rosto, mas que diabos tem com esse povo daqui? Eu aqui me desesperando por não saber onde estou ou quem sou e eles ficam ai sorrindo! A mulher se aproximou de mim, tentei me afastar, mas a cama não me dava muito espaço pra fugir, ela colocou a mão na minha cabeça e de repente tudo ficou escuro.

oOo

Abri os olhos pra dar de cara com o mesmo teto branco, eu não precisava olhar ao meu redor pra saber que estava no mesmo quarto, onde tinham aquelas pessoas malucas que ficam sorrindo o tempo todo.

‘Merda, achei que fosse só um sonho louco’ falei pra mim mesmo.

’Você vai entender tudo filho’ levei um susto quando ouvi a voz do senhor estranho. Me sentei na cama e vi ele na poltrona, lendo um livro.

’Agora eu posso saber onde é que eu estou?’ perguntei tentando manter a calma.

’Primeiro, você precisa saber sobre a sua vida’ ele sorriu vamos começar pela lembrança de alguém importante pra você. Assim que ele terminou de falar, vários flashes começaram a surgir na minha cabeça.

A primeira imagem era de um bebezinho lindo, com as bochechas rosadas, logo apareceu a imagem de uma garotinha, devia ter uns 10 anos, ela estava chorando tinha caído da bicicleta, a cena foi substituída por uma outra, uma jovem sorrindo.

Nannah... sussurrei é minha irmã, Rosana, onde ela está? então outra cena surgiu na minha cabeça.

Eu estava num bote numa corredeira, da onde eu estava eu podia ver Nannah sorrindo pra mim. De repente a correnteza ficou muito forte, o instrutor pedia pra que nós remássemos mais, mas não foi o suficiente, o bote virou. Eu afundei na água gelada, mas logo consegui voltar à superfície, vi que Mell não conseguia subir e a ajudei a se segurar no bote virado. Assim que vi que ela estava segura, eu me virei para me segurar também, mas uma dor forte atingiu minha perna.

A água estava muito fria, o que me fez ter uma câimbra. Tentei me segurar, mas a dor era muita, eu não conseguia suportar. Minhas mãos escorregaram e eu afundei de novo, me esforcei pra voltar pra superfície, mas na tentativa bati minha cabeça numa rocha e daí veio a escuridão. As lembranças acabaram, eu estava ofegante, como se eu tivesse revivido tudo aquilo.

O que... onde... respirei fundo onde eu estou?

Como disse antes, você está entre amigos o senhor respondeu.

Como eu posso estar entre amigos se eu nem mesmo conheço o senhor? perguntei irritado.

Você não conhece essa minha aparência, mas tenho certeza que reconheceria essa... eu devia estar sonhando, era a única explicação. Num mundo real esse senhor estranho não estaria se transformando no meu avô. Principalmente porque já fazem três anos que meu avô morreu. Espera ai...

’Eu...’ engoli seco ’eu morri?’ senti o desespero me consumir novamente.

’Você precisa se acalmar filho’ o senhor, que no momento era meu avô, tentou me acalmar ’vai ser mais difícil aceitar se você não ficar com a cabeça fria’.

’Então eu morri mesmo?’ perguntei mais uma vez.

’Sim filho, o seu corpo morreu, mas sua alma ainda está viva’ meu avô tentava me consolar.

’Nannah, eu preciso saber como ela está.’ falei me lembrando da minha irmã. ’Ela deve estar triste, e sozinha. Eu prometi que cuidaria dela sempre, nossos pais não conseguem demonstrar muito afeto por ela...’ eu falava rápido.

’Calma filho, você precisa se acalmar, Nannah está bem, está triste, é claro, mas ela está bem’.

’Eu preciso vê-la’ pedi.

’Infelizmente você não pode’ ele me respondeu.

Você não entende? Ela não tem ninguém, eu não posso abandona-la assim, eu preciso protege-la!. eu insisti.

’E você vai, mas antes você precisa se preparar’ ele murmurou algumas palavras e um rapaz entrou no quarto, o mesmo que tinha chegado com a mulher que me fez dormir ‘Terry, esse é Patch (n/a ahhh gente, fala sério se tem céu e anjo nessa estória, eu não podia deixar o totozo do Patch de fora!), ele vai te mostrar nossa colônia e vai te ensinar o que você precisa saber pra ajudar sua irmã’. meu avô saiu do quarto, me deixando sozinho com Patch.

’Olá Terry, bem vindo à nossa colônia’. Patch abriu um sorriso e me estendeu a mão.

’Me desculpa a franqueza Patch’ respondi aceitando seu aperto de mão ’mas eu não estou muito feliz de estar aqui’. Patch riu.

’Eu imagino, muitos demoram a aceitar suas novas condições’.

’Não é muito fácil aceitar que estamos mortos’ falei me levantando.

’Talvez se você pensar diferente seja mais fácil’ olhei pra ele sem entender se você parar de pensar que morreu, e começar a pensar que renasceu, o que não é mentira’.

’Como assim eu renasci?’ perguntei.

’O seu corpo humano morreu, Terry, mas sua alma renasceu aqui no nosso plano’.

’Tá, seria fácil pensar assim, se eu não tivesse deixado minha irmã sozinha’.

’Nannah é mais forte do que você imagina’. ele falou.

’Como você pode saber, você nem a conhece?’ rebati.

’É claro que a conheço’ ele me olhou sorrindo ’eu sou o anjo da guarde dela!’.

’E o que você faz aqui, e não ao lado dela a protegendo?’ perguntei irritado de novo. Que tipo de anjo da guarde é esse que sai e deixa sua protegida sozinha!

’Eu não preciso estar ao lado dela para a proteger, eu a ouço e a vejo de onde eu estiver, e no momento eu preciso estar aqui, pra treinar você’

’Certo, então vamos logo pra esse treinamento’ falei saindo do quarto.

Dias Atuais

Eu estava nervoso, já faziam dois anos – na contagem dos vivos – que eu estava aqui. Eu vigiava Nannah e me doía ver o quanto ela estava sofrendo, que ela estava a cada dia mais sozinha.

O pior dia foi quando Patch me mostrou o meu enterro, eu não via a cena ao vivo, pois na época eu ainda estava me adaptando aqui e meu avô, que é o meu mentor nesse plano, não deixou. Eu não o recrimino por isso, foi difícil ver quando eu já me sentia preparado, se eu tivesse assistido a cena antes, eu nunca teria aceitado a minha condição. Ver minha mãe acusar a Nannah de ter me deixado morrer foi horrível, pior ainda foi ver nos olhos da minha doce irmã a culpa que ela sentia.

Eu me sentia péssimo cada vez que a via chorando a noite, cada vez que eu via a indiferença da minha mãe com ela, e como meu pai se afastava da única filha a cada dia. Eu queria estar lá, queria abrigá-la nos meus braços e dizer que tudo ficaria bem, mas eu não podia.

Hoje eu estava autorizado a descer à Terra, eu poderia ficar perto da minha irmã, meu treinamento estava acabado e eu podia enfim cuidar dela.

Assim que eu e Patch “aterrisamos” eu a encontrei no cemitério, sentada de frente pro meu tumulo. Me aproximei dela, infelizmente eu não podia tocar nela, queria poder afugentar a tristeza que assolava o coração da minha irmãzinha.

‘Oi maninho’ ela falou. ‘sinto saudades’ eu via que ela queria controlar as lágrimas.

‘Desculpa tá, mas eu não vou mais poder vir aqui te ver, eu to indo embora. Não da mais pra viver naquela casa, eu queria muito ficar lá, onde cada cantinho que me lembra você me dá um pouquinho da sua presença, mas a convivência com Violet não é das melhores. Eu sei que ela é nossa mãe, mas ela não se esforça em nutrir algum sentimento bom por mim, então o que eu posso fazer? Papai também não fala mais comigo, antes ele até dizia algumas poucas palavras, mas agora ele passou a me ignorar, como a Violet’.

’Não se desculpa, eu vou estar com você, aonde você for eu respondi, mesmo sabendo que ela não me ouviria. Ela começou a chorar e aquilo me quebrou.

‘Me perdoa Terry, eu não devia ter insistido pra que você entrasse naquele bote. Talvez se eu tivesse aceitado a sua companhia você ainda estivesse aqui, e eu não estaria me sentindo tão sozinha’.

’Deus, Nannah, para de se culpar! Você não teve culpa nenhuma, era a minha hora, isso teria acontecido mesmo se eu estivesse dormindo!’ hoje eu conseguia entender, mas como eu faria que ela entendesse?

‘Eu tenho que ir, já ta ficando tarde e tem muito chão ainda pela frente. Eu não tenho certeza pra onde vou, a idéia que tenho agora é ir pro Canadá, lembra que nós planejávamos fazer isso? Entrar no carro e dirigir até o Canadá passando por toda costa oeste. Bom eu não tenho um carro, espero que não se importe por eu ter pego o seu, Violet vai pirar quando souber que o carro sumiu, ela faz questão de deixar suas coisas no mesmo lugar, ela diz que é pra quando você voltar você encontrar tudo do jeitinho que deixou. Eu queria tanto que ela estivesse certa, queria tanto que você voltasse’.

’Eu vou estar com você, sempre. falei pra ela que já tinha se levantado.

‘Terry, eu sinto sua falta. Tanto que chega doer’

’Isso vai acabar maninha, eu prometo’. ela entrou no carro e partiu, eu não consegui sair do meu lugar, queria chorar, queria gritar, queria por pra fora a dor que estava me matando. Era difícil demais ver a minha irmãzinha, aquela que sempre protegi e amei sofrendo, e na minha situação, nem minha vida eu poderia dar em troca de sua felicidade

’Essa dor vai acabar no dia em que a dor dela tiver fim’ Patch falou do meu lado. ’Agora vamos, nós temos que voltar pra colônia’

’Como assim, eu não vou ficar com ela?

Você não prestou atenção no seu treinamento? Você pode vê-la, ouvi-la e senti-la de qualquer lugar, agora vamos. nós levantamos e em segundos estávamos de volta à colônia.

Notas finais
E ai o que acharam? Digam nas reviews!

e como demorei pra postar, vou dar mais um cap de brinde...

E enlouqueçam, é um POV do Jake!

Bjux espero os reviews!