Crossroads - The Dark Hunters Chronicles
25 O Dia da Surpresa
Omsk, Rússia, 2 horas e 54 minutos da tarde. O céu estava nublado e escuro, o que impossibilitava ver a costumeira radiação que contaminava a Terra. A cor cinzenta das nuvens tornava o ambiente mais natural que o cinza azulado do céu. Mas isso não importava para Youth no momento. Ele estava testando a capacidade de Venice de manter seu controle sobre uma esfera gigante de entulho.
Venice: Ugh...
Youth: Já são três minutos, Venice, você está indo bem.
Venice: Estou ficando exausta...
Youth: É, estou percebendo...
Youth também percebia claramente a crescente instabilidade da esfera. Ele já esperava o seu eventual colapso.
Youth: E aí vamos nós.
A tensão de Venice fez com que a esfera de entulho estourasse. Youth, já tendo aprendido com as falhas da menina, gerou uma barreira de gelo para se proteger. A menina também se protegeu, desviando os fragmentos de entulho para que não fosse atingida.
Venice: Argh! Droga!
Youth: Ei, se acalme. Pelo menos, você não se machucou desta vez. Está indo bem.
Venice: Tá. Vou tentar de novo.
Youth: Vai lá.
Enquanto isso, Reddar estava em seu escritório, olhando para o nada com uma expressão séria. Embora estivesse com tudo sob controle, Reddar estava com uma sensação ruim. Seus colegas de trabalho o aconselharam a mandar batedores para vigiar os arredores da cidade. Mas, nesse dia, o relatório de vigilância estava demorando. O ruivo geralmente esperava que os batedores o contatassem, mas hoje ele resolveu tomar a iniciativa e pegou o telefone.
Reddar: Batedores, relatório.
Reddar normalmente escutava uma voz tranquila ao dar tal ordem. Porém, desta vez, a história foi diferente.
Batedor: Senhor... Inimigo avistado...
Reddar: O quê?! Saia já daí!
Batedor: Eles mataram quase todos os batedores e... É tarde demais para mim também...
Reddar ouviu um estampido. Ele chamou pelo batedor mais duas vezes, mas ao invés da voz deste, outra voz, esta desconhecida, soou no telefone.
?????: Desistam e entregue os dois jovens antes que seja tarde demais.
Reddar suou frio ao ouvir aquela voz. A ameaça estava confirmada. O conflito finalmente estava para acontecer.
A esfera de entulho que Venice fazia se despejou no chão, ao invés de explodir como das últimas vezes. Youth notou que havia algo errado e a expressão nervosa no rosto da menina apenas confirmava tal fato.
Youth: O que foi?
Venice: Eu ouvi um barulho!
Youth: Hm?
Outro som ecoou. Desta vez o jovem também ouviu. Era outro estampido.
Youth: É, agora eu ouvi também.
Os dois começaram a ouvir outro som. Dessa vez, era um som de um motor. A julgar pela forte ronco, não parecia ser o som de um motor de um mero carro.
Venice: Que som é esse?
Youth: Parece... Um tanque de guerra.
Venice: T-Tanque de guerra? Quer dizer que...
Youth: Estamos sob ataque. Temos que nos esconder.
Reddar não costumava correr, mas desta vez a ocasião pedia. Ele agarrou seu telefone e discou para Darius para avisá-lo da ameaça. Após isso, ele se dirigiu ao salão principal, onde se deparou com seu amigo de cabelo espetado, tirando um cochilo.
Kaze: Hnnn... Zzzzzz...
Reddar: Kaze! Acorda!
Kaze: Nnngh... Ah, gata, me deixa dormir mais um pouco...
Reddar: Isso não é hora pra sonhar com garotas, seu idiota! Anda, levanta!
Kaze: Nnngh... Ah, Dumont, larga do meu pé... Vai dar uns amassos na Acqua, vai...
Reddar: Ora seu...
Sem paciência, Reddar pegou um vaso de porcelana e o quebrou na cabeça de Kaze. Ele sabia que aquilo não seria exagero considerando a resistência do seu amigo. De fato, a ação surtiu efeito e o garoto de cabelo espantado se levantou, ainda sonolento, e mexeu nos seus fones.
Kaze: Uh, puxa... Carinho de mãe é sempre bom...
Reddar: O que... Olha aqui, quer parar de palhaçada e acordar de uma vez?! Estamos sob ataque!
Kaze: Sério? Puxa, cara, foi mal mesmo... Meu Audiopower tava em modo standby... Diz aí, quem são os suicidas que vieram atacar a gente?
Reddar: Não sei ainda; provavelmente são os americanos.
Kaze: Certo. Vou para as linhas defensivas. E você, trate de tomar um calmante, morou?
Youth e Venice cruzavam o labirinto de entulho o mais rápido que podiam. No entanto, tiveram que parar. Um tanque de guerra apareceu na frente deles e os impediu de prosseguir.
Youth: Droga!
A máquina virou seu canhão na direção dos dois jovens. Youth não sabia o que fazer. Porém, pouco antes do disparo a máquina afundou na terra e seu canhão, virado para o chão, disparou, provocando uma explosão. O tanque subiu pelos ares, girando em piruetas. Youth olhou para Venice incrédulo.
Venice: Vamos, temos que voltar para Omsk logo!
Youth: (Nada mal...)
Os soldados da cidade armavam-se. Darius saía de sua residência às pressas, ainda colocando sua jaqueta. Kaze se posicionava nas linhas de frente, pois estava ansioso por ser o primeiro a enfrentar os inimigos. Enquanto a batalha não começava, ele passava o tempo se alongando e estalando os dedos. Só que os estalos saíam com o som parecido com o de várias tábuas quebrando e isso deixava os outros guerreiros arrepiados.
Da sacada mais alta do edifício da prefeitura, a menina de cabelos rubros, com seu comunicador em mãos, assistia a aproximação dos inimigos com um olhar desaprovador.
Mili: Eu achei que vocês iam esperar mais um pouco...
Chriass: Desculpe, Mili. O Presidente não queria mais esperar.
Mili: Vieram pegar nós dois, não é?
Chriass: Precisamos que vocês voltem. Você, porque seu pai está preocupado. Ele, porque o Presidente precisa.
A menina ficou chateada a ponto de tomar uma atitude inconsequente. Ela intentava em procurar Youth, mesmo sabendo que a batalha estava prestes a começar. Após vestir um agasalho, ela desceu para a rua. Porém...
Reddar: Onde está indo?
A voz do ruivo a jovem de surpresa, pois esta estava com a cabeça ocupada, pensando em Youth. Reddar notou a expressão nervosa no rosto da jovem.
Reddar: Não precisa se sentir responsável por tudo isso. Eu admiti você aqui em Omsk porque tentei seguir a sugestão de um amigo de colocar Youth para fora daqui. Pena que você não conseguiu convencê-lo de ir embora a tempo, não é?
Mili: ...
Reddar: Agora, perda de tempo foi você manter contato com os americanos às escondidas. Não precisava se dar ao trabalho. Omsk é transparente. Quer ver nossa realidade? Dê uma volta pela rua. Aqui não se esconde nada.
Mili: Eu... Eu vou tentar parar essa invasão... Eu prometo.
Reddar: Se você conseguir, recomendo que vá embora com eles. Se quiser, deixe-os levarem Youth. Isto é, isso se ele quiser ir também.
Naquele momento, um soldado apareceu de encontro a Reddar.
Soldado: Senhor! Estamos todos prontos, apenas aguardando suas ordens!
Reddar: Muito bem. A ordem é não atacar sem provocação. Estamos menores em número; precisamos ganhar tempo até o reforço chegar. Youth e Venice estão desaparecidos, mas eles sabem se virar; não acredito que os dois sejam pegos assim tão facilmente. Caso os vejam, deem prioridade à menina. Mantenham-a segura e coloque-a num transporte imediatamente.
Soldado: Senhor, sim senhor!
Depois disso, o soldado foi-se embora correndo e Reddar voltou sua atenção a Mili.
Reddar: Olha, não tenho raiva de você. Só não acho que você devesse fazer a cabeça de Youth. Se me permite dizer, eu diria que ele está na melhor fase da vida dele. Ele está finalmente conseguindo a coisa que mais desejava na vida.
Mili: E o que seria essa coisa?
Reddar: Liberdade.
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