Omsk, Rússia, 2 horas e 54 minutos da tarde. O céu estava nublado e escuro, o que impossibilitava ver a costumeira radiação que contaminava a Terra. A cor cinzenta das nuvens tornava o ambiente mais natural que o cinza azulado do céu. Mas isso não importava para Youth no momento. Ele estava testando a capacidade de Venice de manter seu controle sobre uma esfera gigante de entulho.

Venice: Ugh...

Youth: Já são três minutos, Venice, você está indo bem.

Venice: Estou ficando exausta...

Youth: É, estou percebendo...

Youth também percebia claramente a crescente instabilidade da esfera. Ele já esperava o seu eventual colapso.

Youth: E aí vamos nós.

A tensão de Venice fez com que a esfera de entulho estourasse. Youth, já tendo aprendido com as falhas da menina, gerou uma barreira de gelo para se proteger. A menina também se protegeu, desviando os fragmentos de entulho para que não fosse atingida.

Venice: Argh! Droga!

Youth: Ei, se acalme. Pelo menos, você não se machucou desta vez. Está indo bem.

Venice: Tá. Vou tentar de novo.

Youth: Vai lá.

Enquanto isso, Reddar estava em seu escritório, olhando para o nada com uma expressão séria. Embora estivesse com tudo sob controle, Reddar estava com uma sensação ruim. Seus colegas de trabalho o aconselharam a mandar batedores para vigiar os arredores da cidade. Mas, nesse dia, o relatório de vigilância estava demorando. O ruivo geralmente esperava que os batedores o contatassem, mas hoje ele resolveu tomar a iniciativa e pegou o telefone.

Reddar: Batedores, relatório.

Reddar normalmente escutava uma voz tranquila ao dar tal ordem. Porém, desta vez, a história foi diferente.

Batedor: Senhor... Inimigo avistado...

Reddar: O quê?! Saia já daí!

Batedor: Eles mataram quase todos os batedores e... É tarde demais para mim também...

Reddar ouviu um estampido. Ele chamou pelo batedor mais duas vezes, mas ao invés da voz deste, outra voz, esta desconhecida, soou no telefone.

?????: Desistam e entregue os dois jovens antes que seja tarde demais.

Reddar suou frio ao ouvir aquela voz. A ameaça estava confirmada. O conflito finalmente estava para acontecer.

A esfera de entulho que Venice fazia se despejou no chão, ao invés de explodir como das últimas vezes. Youth notou que havia algo errado e a expressão nervosa no rosto da menina apenas confirmava tal fato.

Youth: O que foi?

Venice: Eu ouvi um barulho!

Youth: Hm?

Outro som ecoou. Desta vez o jovem também ouviu. Era outro estampido.

Youth: É, agora eu ouvi também.

Os dois começaram a ouvir outro som. Dessa vez, era um som de um motor. A julgar pela forte ronco, não parecia ser o som de um motor de um mero carro.

Venice: Que som é esse?

Youth: Parece... Um tanque de guerra.

Venice: T-Tanque de guerra? Quer dizer que...

Youth: Estamos sob ataque. Temos que nos esconder.

Reddar não costumava correr, mas desta vez a ocasião pedia. Ele agarrou seu telefone e discou para Darius para avisá-lo da ameaça. Após isso, ele se dirigiu ao salão principal, onde se deparou com seu amigo de cabelo espetado, tirando um cochilo.

Kaze: Hnnn... Zzzzzz...

Reddar: Kaze! Acorda!

Kaze: Nnngh... Ah, gata, me deixa dormir mais um pouco...

Reddar: Isso não é hora pra sonhar com garotas, seu idiota! Anda, levanta!

Kaze: Nnngh... Ah, Dumont, larga do meu pé... Vai dar uns amassos na Acqua, vai...

Reddar: Ora seu...

Sem paciência, Reddar pegou um vaso de porcelana e o quebrou na cabeça de Kaze. Ele sabia que aquilo não seria exagero considerando a resistência do seu amigo. De fato, a ação surtiu efeito e o garoto de cabelo espantado se levantou, ainda sonolento, e mexeu nos seus fones.

Kaze: Uh, puxa... Carinho de mãe é sempre bom...

Reddar: O que... Olha aqui, quer parar de palhaçada e acordar de uma vez?! Estamos sob ataque!

Kaze: Sério? Puxa, cara, foi mal mesmo... Meu Audiopower tava em modo standby... Diz aí, quem são os suicidas que vieram atacar a gente?

Reddar: Não sei ainda; provavelmente são os americanos.

Kaze: Certo. Vou para as linhas defensivas. E você, trate de tomar um calmante, morou?

Youth e Venice cruzavam o labirinto de entulho o mais rápido que podiam. No entanto, tiveram que parar. Um tanque de guerra apareceu na frente deles e os impediu de prosseguir.

Youth: Droga!

A máquina virou seu canhão na direção dos dois jovens. Youth não sabia o que fazer. Porém, pouco antes do disparo a máquina afundou na terra e seu canhão, virado para o chão, disparou, provocando uma explosão. O tanque subiu pelos ares, girando em piruetas. Youth olhou para Venice incrédulo.

Venice: Vamos, temos que voltar para Omsk logo!

Youth: (Nada mal...)

Os soldados da cidade armavam-se. Darius saía de sua residência às pressas, ainda colocando sua jaqueta. Kaze se posicionava nas linhas de frente, pois estava ansioso por ser o primeiro a enfrentar os inimigos. Enquanto a batalha não começava, ele passava o tempo se alongando e estalando os dedos. Só que os estalos saíam com o som parecido com o de várias tábuas quebrando e isso deixava os outros guerreiros arrepiados.

Da sacada mais alta do edifício da prefeitura, a menina de cabelos rubros, com seu comunicador em mãos, assistia a aproximação dos inimigos com um olhar desaprovador.

Mili: Eu achei que vocês iam esperar mais um pouco...

Chriass: Desculpe, Mili. O Presidente não queria mais esperar.

Mili: Vieram pegar nós dois, não é?

Chriass: Precisamos que vocês voltem. Você, porque seu pai está preocupado. Ele, porque o Presidente precisa.

A menina ficou chateada a ponto de tomar uma atitude inconsequente. Ela intentava em procurar Youth, mesmo sabendo que a batalha estava prestes a começar. Após vestir um agasalho, ela desceu para a rua. Porém...

Reddar: Onde está indo?

A voz do ruivo a jovem de surpresa, pois esta estava com a cabeça ocupada, pensando em Youth. Reddar notou a expressão nervosa no rosto da jovem.

Reddar: Não precisa se sentir responsável por tudo isso. Eu admiti você aqui em Omsk porque tentei seguir a sugestão de um amigo de colocar Youth para fora daqui. Pena que você não conseguiu convencê-lo de ir embora a tempo, não é?

Mili: ...

Reddar: Agora, perda de tempo foi você manter contato com os americanos às escondidas. Não precisava se dar ao trabalho. Omsk é transparente. Quer ver nossa realidade? Dê uma volta pela rua. Aqui não se esconde nada.

Mili: Eu... Eu vou tentar parar essa invasão... Eu prometo.

Reddar: Se você conseguir, recomendo que vá embora com eles. Se quiser, deixe-os levarem Youth. Isto é, isso se ele quiser ir também.

Naquele momento, um soldado apareceu de encontro a Reddar.

Soldado: Senhor! Estamos todos prontos, apenas aguardando suas ordens!

Reddar: Muito bem. A ordem é não atacar sem provocação. Estamos menores em número; precisamos ganhar tempo até o reforço chegar. Youth e Venice estão desaparecidos, mas eles sabem se virar; não acredito que os dois sejam pegos assim tão facilmente. Caso os vejam, deem prioridade à menina. Mantenham-a segura e coloque-a num transporte imediatamente.

Soldado: Senhor, sim senhor!

Depois disso, o soldado foi-se embora correndo e Reddar voltou sua atenção a Mili.

Reddar: Olha, não tenho raiva de você. Só não acho que você devesse fazer a cabeça de Youth. Se me permite dizer, eu diria que ele está na melhor fase da vida dele. Ele está finalmente conseguindo a coisa que mais desejava na vida.

Mili: E o que seria essa coisa?

Reddar: Liberdade.

Notas finais
Enquanto isso: Kaze: *Tocando "Brilha Brilha Estrelinha" com os estalos de seus dedos" Brilha brilha estrelinha! Quero ver você brilhar! ♫ Soldado 1: Cara, por favor! Para com isso! Soldado 2: Todo mundo já tá nervoso aqui! Você só tá piorando as coisas! Kaze: Seus chatos... Já sei, vamos para algo mais épico. Vou tocar agora o tema dos Piratas do Caribe. NÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!