Crossroads

1 Crossroads - Capítulo Único.


Notas iniciais
Hehe, que bom que veio ler essa one! Sejam bem-vindos! Caramba, essa foi a maior one que já escrevi na vida. Mas bem, valeu a pena, espero que gostem dela o tanto como eu gostei de escreve-la!

Bem, essa fanfic é para a Blue Potato (ou melhor, Blue, só Blue.). Serio garota, muito obrigada mesmo por me aturar esse tempo todo e me ajudar. Serio, não sei o que faria sem você.

Bem, chega de lepo-lepo, vamos à one!

Tudo começou numa tarde de verão em Littleroot.

Taillows cantarolavam sobre as casas, Wurmples e Zigzagoons brincavam na grama, tudo na mais completa paz.

Um dos Taillow que estavam sobre uma das casa se aprontou em entrar pela janela aberta e cutucar um monte feito de cobertas que estava sobre a cama.

Logo, depois de algum tempo de persistência por parte do pássaro, um borrão marrom pode ser avistado saindo por debaixo das cobertas.

Cabelos castanhos bagunçados, olhos azuis e pequenas olheiras por baixos deles. Ela bocejou.

-Ah... Bom dia Taillow, obrigada por me acordar. Acho que caso contrário ficaria dormindo até anoitecer. — a morena riu, ainda sonolenta, enquanto afagava a cabeça do pequeno passaro.

Ela pegou um dos bolinhos de chocolate que seu pai sempre preparava de manhã cedo para ela os deixava em cima da pequena gaveta de madeira ao lado da cama e o deu para o passaro.

-Bom, vou me trocar agora Taillow. Já estou descendo. — o pequeno pássaro então passou voando pela porta entreaberta do quarto da garota e desceu para o primeiro andar.

Sapphire se sentou em sua cama, um pouco submersa em pensamentos. Seus olhos miraram a fotografia posta em um porta-retrato. A imagem sua e de um garoto de cabelos aparentemente brancos e olhos vermelhos ao seu lado. Porém, como melhor amiga do rapaz, sabia que na verdade suas madeixas eram marrons, ele não tinha nada de Albino, a não ser aquela touca esquisita que ele insistia em usar.

Uma risada escapou dos lábios rosados e ela se viu criando coragem para tomar um banho frio.

Entrou no banheiro e se despiu, ligando a água fria do chuveiro que em pouco já passava por todo o corpo quente. Uns minutos depois disso, ela, enrolada numa toalha branca e com seus cabelos castanhos pingando saiu do banheiro.

Pegou sua roupa habitual desde alguns meses atrás, quando resolvera mudar as vestes de sempre. Uma blusa vermelha sem mangas, alguns babados pretos na borda e sua fiel bolsinha de cintura. Um short branco e uma calça legging por baixo do mesmo. E por fim pôs meias e um tênis que derivava nas cores amarela e preta, com o solado vermelho.

Secou os cabelos de modo bagunçado, tendo um trabalho para pentea-los, se Ruby a visse com os cabelos despenteados outra vez nessa semana, tinha a probabilidade do mesmo ter um infarto.

Soltou a segunda risada do dia até agora, amarrando sua antiga bandana como um laço em sua cabeça, como Ruby insistia em fazê-la usar.

Libertou apenas Toro da pokebola e deu-lhe alguns bolinhos. Logo fazendo isso com todos e saudando-os de forma amigável, com um sorriso. Logo os bolinhos acabaram, ela arrumou sua cama e rumou para o primeiro andar. Logo, começou a ouvir vozes vindas da sala.

— Estou dizendo que vai ser bom para a Sapphire fazer esse treinamento. Ela é uma boa treinadora, muito forte. Esse treino serviria para ela aumentar mais ainda o potencial de sua equipe.

— Eu acho que é uma ótima ideia a Sapph ir a esse treinamento, Wallace. Aposto que ela vai adorar ir. Winona, você também irá, certo?- agora, a voz de seu pai encobriu o ambiente.

— Vou sim, na verdade, só eu e Juan vamos com a Sapph para o treinamento. Um ajudante irá ficar no meu lugar, cuidando do ginásio.

Fingindo não ter ouvido nada, ela fez um bocejo falso, descendo as escadas.

— Bom dia, pai. Bom dia, mãe. bom dia... Wallace-san?! Winona-san?!! — a garota fingiu estar espantada, como se não fizesse ideia da conversa anterior.

— Bom dia, Sapphire-chan. — os dois disseram em uníssono.

— Que bom! Meu dia já começou ótimo! — Sapphire falou, animada.

— Bem, sente-se aqui. Temos uma coisa a falar. — seu pai falou, apontando para uma cadeira a sua frente.

— Então, Sapph-chan. — Winona falou. — Queria te falar de uma coisa.

— Bom, queiramos perguntar-te se gostaria de participar de um treinamento com a Winona. Você é uma das melhores treinadoras de Hoenn, então, para que possa continuar assim, estamos te fazendo essa proposta. Você ficará dois anos numa pequena ilha particular para treinamentos com Winona e Juan. O que acha, Sapphire?

O sorriso da garota se intensificou, e seu rosto se iluminou. A resposta foi óbvia:

— Claro que sim!

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Sapphire, com um sorriso que não parecia ser contido em sua face, andou animadamente de volta para seu quarto quando Winona e Wallace foram embora. Iria deixar suas coisas preparadas.

Abriu uma mochila grande e começou a arrumar suas coisas enquanto cantarolava uma música sem letra. Estava se sentindo tão... Tão feliz. Mal podia esperar para o dia chegar. Quando pensou em libertar seus pokemons para contar-lhes a notícia, uma estranha movimentação foi ouvida no andar inferior.

Logo pensou em Ruby, seu vizinho e melhor amigo, que provável mente deveria ter percebido a movimentação anormal em sua casa. Ruby... Ruby! Como ela pudera se esquecer dele? Nem pensara no que ele diria quando respondeu quase que instintivamente a pergunta de Winona.

Uma batida na porta foi ouvida e Sapphire sentiu sua pele esbranquiçar. Droga.

— Sapphire? Sou eu, Ruby. Posso entrar?

— Claro, entre. — respondeu meio hesitante.

O garoto abriu a porta. Sua fiel touca branca estava em sua cabeça, como sempre, para esconder sua cicatriz, e seus cabelos castanhos haviam crescido evidenciando que não, seus cabelos não eram brancos. Sua blusa que variava das cores preto e vermelho e seus calções pretos.

— Estava ouvindo várias pessoas falando aqui e resolvi vir aqui ver o que era. Como não me avisou que Winona e Wallace viam aqui? — o garoto falou, parecendo um pouco indignado.

— Hehe, nem sabia também. Quando acordei eles já estavam lá em baixo. — a garota admitiu.

— Bem, o que eles vieram fazer aqui?

Ferrou.

— Eles... Bem... Eles... — a garota suspirou. — Eles vieram perguntar se eu queria fazer um treinamento com Winona e Juan numa ilha particular aqui em Hoenn por dois anos.

O garoto a encarou por alguns minutos, e ela ficou tensa, se preparando para o que ele diria. Mas tudo o que ela ouviu foram... Risadas. Serio mesmo que ele esta rindo agora?, pensou.

Ele passou o dedo pelos olhos tirando uma lágrima imaginaria da sua risada semi-escandalosa e se virou para ela.

— A piada foi muito boa, Sapph. Agora falando sério, o que eles vieram fazer aqui? — o garoto perguntou, mas ao ver seu rosto sério, recuou. — É-É Serio?

— Eu não brincaria com uma coisa dessas! — ela falou, resmungando um "idiota".

— E você aceitou, né?

— C-Claro! — ela hesitou um pouco na resposta.

Não sabia o que poderia acontecer, afinal, eles eram melhores amigos e ela nem o havia perguntado sobre o que ele tinha achado da ideia. E ela sabia que não seria nem um pouco bom ficar tanto tempo assim longe dele. Afinal, ela o amava. E muito. Já havia dito aquilo a ele uma vez, mas ele não se lembrava... De nada.

Porém, seus pensamentos ruins se esgotaram no momento em que o viu sorrir.

— Que ótimo, Sapph! Vai ser muito bom para você!

"E para você?", era o que ela queria, porém hesitava em perguntar.

— É. — ela apenas respondeu.

Mal sabia ela que aquele sorriso era completamente falso.

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Dez dias.

Esse foi o tempo usado por Sapphire para ajeitar devidamente suas coisas para a viajem e por Ruby para tentar convencer a si mesmo de que era errado tentar fazê-la ficar só por egoísmo seu.

Era errado e ao mesmo tempo tão... Certo. Ele só não queria ter que ficar longe da sua Melhor Amiga. É... Melhor amiga. Até ele mesmo não aguentava mais aquela mentira. Ele se lembrava perfeitamente de quando ela dissera que o amava e ele retribuía.

Ele se sentia um idiota bastardo.

Um idiota que mentira para ela. Que a fizera sofrer. Um idiota que acima de tudo era um covarde. Por não contar a ela a verdade, por esconder dela que lembrava-se de tudo, por... Mentir para si mesmo.

Um suspiro escapara pelo seus lábios e ele se sentiu imundo.

Mas, outra vez ele iria fingir um sorriso e dizer que ele estava feliz por ela. E mentir, como sempre. O moreno quase arrancou seus fios marrons se tão forte que os puxou.

Talvez, se tivesse uma maneira desse sentimento parar... E havia. Ele estava decidido. Iria contar a verdade a ela antes dela partir.

Mesmo se ela começasse a odiá-lo, mesmo que ela não mais o queira ver nunca mais ele iria estar tirando um grande peso de sua consciência.

— Hey, Ruby! — Sapphire chamou sua atenção pela janela. Ela estava debruçada sobre a janela com cortinas azuis de seu quarto e, já que eles eram vizinhos, não era difícil se comunicar pela janela.

—Ah... Olá Sapph!

— Vim lhe perguntar se você vai comigo até Slateport! Você vai?

Bingo! O destino parecia estar abrindo uma chance divina para se redimir com a garota.

— Claro que vou! Quando saímos?

— Agora! Eu só vim te perguntar se ia comigo, Troppy já está lá fora esperando para partirmos.

— Ok, já estou descendo!

O rapaz pegou sua fiel mochila, foi até a cozinha pegando algumas frutas e colocou bolinhos numa caixinha transparente. Colocou água numa garrafa térmica e pegou suas pokebolas e as colocou na bolsa.

— Aonde está a ir, Ruby? — sua mãe, Marie, perguntou.

— Vou com Sapphire até Slateport. Volto antes do jantar. — ele disse, saindo pela porta após essas palavras.

— Tsc, continua o mesmo Ruby de sempre. — sua mãe resmungou enquanto voltava a fazer o que estava fazendo antes.

— Hey, Ruby! Achei que tinha morrido lá dentro. — ela provocou.

— Nah, deixa de ser chata. — ele rebateu.

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—Finalmente, terra firme! — Ruby exclamou assim que voltou a colocar seus pés na terra firme.

— Exagerado. Só voamos por duas horas. Deveria agradecer o Troppy, caso contrário teríamos de ir á pé até aqui. — ela falou, enquanto retrocedia Pokemon devolva para a pokeball.

— Que horas você vai?

— Fique calmo, não vai se livrar de mim tão rápido! O navio parte as três e meia e ainda nem deu meio dia.

— Então, quer comer algo?

Após a resposta positiva de Sapphire, os dois foram até uma feirinha próxima à lá. Estava a acontecer um Contest, e acabaram por se encontrar com Lisia.

— Mas... Sapph-chan... Não pode me deixar assim! — Lisia exclamara quando eles contaram a ela sobre a viajem.

— São só dois anos, Lisi! Vai passar voando!

— Voando vai eu, visitá-la na tal ilha! Vou sentir muito sua falta! — a de madeixas verdes falou, enquanto abraçava a morena.

À tarde passou animada para os três adolescentes. Algum tempo antes do barco partir, Lisia se despediu os dois, dizendo que tinha negócios a acertar em Sootopolis, fazendo um rio de lágrimas na despedida da morena mais velha.

— Também vou sentir muito sua falta. Mas não é como se eu nunca mais fosse voltar!

— Tem razão. Bom, adieu, Sapph, Ruby. Nos vemos em breve. — falou enquanto entrava em um carro preto.

Assim, o casal de morenos seguiu em direção ao cais, num silêncio que poderia ser considerado até incômodo.

"Aonde estás a vontade de falar a verdade agora, hein, Ruby Maple?!" Questionara o rapaz a si mesmo.

— Hm. Sapph podemos conversar?

— Já estamos conversando Ruby. — ela brincou, zombeteira.

— É que eu tenho algo importante a falar. Muito importante.

— Tem que ser agora? O navio parte em dez minutos, Ruby. Você pode me falar pelo telefone.

— Não! — gritou, recebendo um olhar espantado da garota. — Erm... Desculpe. Mas é realmente importante é precisa ser falado pessoalmente.

— Fala, então. Mas fala rápido.

— Erm... Bem... — ele gaguejou. "Acho que a vontade de falar realmente foi dar uma volta, e pelo visto não vai voltar tão cedo.", pensou, irritado consigo mesmo.

— Então, vai falar ou não?

— É que eu... — ele suspirou. — Eu me lembro.

— De que, Ruby? Seja mais claro.

— De tudo! Eu lembro do que você me disse! Do que aconteceu! Do que eu disse! — o garoto de orbes rubis literalmente gritou, sussurrando em seguida, com a cabeça abaixada. — Eu sempre me lembrei só que...

O silêncio reinou após a frase final do garoto. O mais tenso, frio e cortante... Silêncio.

— "Só que" o que, Ruby? Você por acaso acha legal fazer os outros sofrerem? — a voz dela, em seguida veio cheia de mágoa, raiva e talvez uma pontada de... Desapontamento, talvez? Tinha medo de olhar em seus olhos e ver o que mais temia vir dela, magoa, desapontamento, tristeza, raiva.

— Não é isso, Sapphire, eu...

— Não, agora você vai me ouvir. — interrompeu-o, levantando a cabeça que a poucos estava abaixada.

O garoto engoliu em seco. Provavelmente ela o xingaria de todos os nomes conhecidos ou não, bateria nele e depois ficaria tudo bem, ele tinha certeza. Era aquilo que sempre acontecia.

Mas assim que olhou em seus olhos descobriu que aquela alternativa não seria possível.

Como... Você pode? — sua voz saiu ainda mais carregada de mágoa. — Eu... Eu acreditei esse tempo todo em você, eu achei que você realmente não lembrava de nada. Você não sabe o quanto eu chorei. O quanto eu sofri! Eu... Eu confiava em você.

Aquela frase, definitivamente, o feriu. Principalmente por ser "confiava" e não "confio".

— Mas Sapphire, eu fiz isso pelo seu bem e...

— Meu bem? — ela o cortou novamente. — Meu bem?! Você tem ideia do que eu passei?! Não! Claro que não! — Sapphire se exaltou.

— Mas Sapph, eu...

— Você é um covarde. Um egoísta que não se importou com sua melhor amiga é mentiu para ela. Ou melhor, ex-melhor amiga. — ela disse, se virando se costas e indo em direção ao barco.

— Sapph, espera, eu... — gaguejou, segurando seu pulso.

— Me solta! — ela gritou, puxando seu braço para si. — Eu te odeio, Ruby! Muito! E não me chama de Sapph. Só meus amigos podem me chamar disso. — e entrou no barco sem olhar para trás e partiu.

Ruby só descobriu que havia caído quando sentiu seus joelhos baterem num baque surdo contra o chão. E chorou. Chorou sem se importar com as pessoas que haviam visto a cena e o olhavam com pena, com as pessoas que o olhavam atravessado resmungando que a rua não era lugar disso, ou com a chuva que começou a cair de repente.

Agora, nada mais fazia sentido sem ela ao seu lado. Nada. E se amaldiçoou em pensamento outra vez, por ter sido tão idiota a ponto de mentir para sua melhor amiga e pessoa que mais amara e ama.

As palavras dela ainda continuavam a atingir como facas atingem seu alvo. E doía, doía demais.

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Dois anos. Dois anos se passaram depois do que aconteceu naquele fatídico dia. E era o dia no qual ela voltaria. Ele temia ver o mesmo olhar sem brilho no qual ela lançou a ele dois anos atrás. Temia que ela ainda estaria brava com ele, coisa que certamente aconteceria.

"Eu... Eu confiava em você."

As palavras dela ainda estavam gravadas em sua mente, e continuavam a doer. Porém, toda vez que se encontrava com Lisia, Zinnia, ou seu pai vinha o visitar ele colocava no rosto o melhor sorriso falso que podia.

"Você é um covarde."

...Mas desde que ela se fora, sorrir nunca pareceu tão difícil. Ele parecia ter esquecido como sorrir, e ele continuava a se perguntar: porque tinha mentido sobre algo tão sério para ela? Porquê? Talvez medo que algo entre eles fosse mudar. Talvez porque não soubesse como agir perto dela, mesmo sabendo que o sentimento entre eles era recíproco.

"Eu te odeio, Ruby! "

"Não mais...", ele pensara.

Se levantou da cama sem a mínima vontade. Abriu as cortinas, e olhou o relógio: já passava de meio dia. Decidiu tomar um banho gelado para ver se esquecia aquele dia.

Entrou no banheiro e ligou a água fria. Ninguém sabia do seu "pequeno" problema. Ninguém além de Lisia, afinal ela sempre dava um jeito de descobrir tudo.

Se lembrou do quão brava ela havia ficado com ele, mas no fim, ela aconselhara ele a pedir desculpas a ela. Porque, no fundo, eles eram melhores amigos. E continuavam a ser.

"E não me chama de Sapph. Só meus amigos podem me chamar disso."

Mas continuava a doer. Não importa o tempo que passava. Doía. Doía saber que agora, nada mais seria como antes. E não havia um dia em que Ruby não pensasse em ir correndo para lá e pedir sinceras desculpas.

→ Crossroads ←

Ela deu mais um passo à frente. Já não havia mais como voltar, já sentia o barco em movimento. Ela não sabia p que fazer. Não sabia como encará-lo mais.

E doía. E como doía. Sem enganada por puro egoísmo dele, nunca o perdoaria. Mesmo que um lado dela sabia que ainda tinha esperança para os dois. Nada mais seria como antes.

"Eu me lembro."

Deixou de ser no momento em que descobriu que tudo não passava de uma farsa, uma mentira. E mesmo que ela soubesse que ele a amava, não dava mais.

Não. Ela não conseguiria confiar mais nele. Não, não sabendo que poderia se magoar do mesmo jeito. E se sentir vazia por dentro outra vez. O que mais doía era saber que ele a amava. Sempre amou. E que não poderia retribuir o sentimento sabendo que poderia haver outro jeito dela se ferir.

"Eu sempre me lembrei só que..."

Ela não tinha mais como fugir. Estava na hora de encarar seus problemas de frente.

→ Crossroads ←

O cais já podia ser avistado. E assim que se aproximou mais, pode ver seis figuras a sua espera. Desceu do barco e no mesmo tempo viu uma figura feminina correndo em sua direção.

— Sapph!! Senti tanto sua falta!! — Lisia a abraçou com força. — Senti muita falta da minha melhor amiga!

De algum modo, aquelas três palavras a feriram. A fizeram lembrar de quando Ruby à dizia aquilo também.

— Eu também, Lisi. Eu também.

— Sapph! Nem cumprimenta os outros. Que coisa feia! — uma voz masculina soou, mas ela tinha certeza de que não era de Ruby.

"Com certeza ele não veio. Não teria coragem de me encarar. Eu também nao.", pensou.

Porém, logo que se virou para de onde a voz soou, viu quatro figuras conhecidas.

— Zinnia! Gold! Crys! Silver! — ela os abraçou todos de uma só vez. — Não fazem ideia de como estou feliz porque vieram!

— Também sentimos sua falta. — Silver revelou, quando já estavam separados do abraço.

— Pai! Que saudade! — Sapphire abraçou o pai com força.

— Eu também senti Sapphire. Não faz ideia do como aquela casa fica vazia sem você. Senti tanta saudade.

— Eu também pai. Eu também.

Mas tarde, após todos se divertirem num festival que estava acontecendo em Slateport, Sapphire se despediu de seus amigos e foi de carro para Littleroot juntamente com seu pai.

— Perguntei a Ruby se ele queria vir, e ele disse que tinha outras coisas para fazer. — Birch revelou. — Conhecendo o Ruby como conheço, duvido que ele negaria. Aconteceu algo entre vocês?

O Birch ouviu um suspiro sair dos lábios da filha.

— Nada pai.

— Sapphire, eu te conheço desde que nasceu. Não vai conseguir me enganar. — respondeu, mandando um olhar significativo para ela quando pararam no sinal.

— Nós... Nós brigamos. Digamos que ele fez algo ruim. Não quero falar sobre isso. — alegou, vendo que o tapete do carro nunca pareceu tão atraente.

O pai nada respondeu, entendendo o lado da filha. Sapphire , alguns minutos depois, enquanto observava a paisagem sentiu seus olhos pesarem, e quando menos percebeu, adormeceu.

Quando chegaram em Littleroot, já passava de cinco da tarde. Sapphire abriu a porta de sua casa, respirando fundo o cheiro aconchegante de sua casa. Foi até seu quarto, colocou a bolsa na cama, e abriu a janela de seu quarto. Desceu as escadas, sorrindo para seu pai enquanto pegava uma maçã.

— Ah, Sapphire, o que vai querer para o jantar,

— Bem, que tal uma macarronada?

— Pode ser. Aonde vai?

— Vou dar uma volta, volto antes do jantar, senhor Birch. — Sapphire brincou.

— Ok, ok. Não demore muito e leve Rono contigo. Nunca se sabe. — seu pai falou.

— Está bem. — falou, enquanto pegava as cinco pokeballs da mesa.

Abriu a porta de sua casa. Enquanto estava fora Littleroot havia mudado bastante. Agora haviam mais casas, o mercadinho da esquina estava maior, e tinham construído um parquinho perto de sua casa.

— Saiam. — Sapphire falou, jogando cinco esferas vermelhas para cima. — Toro! Troppy! Phado! Dono! Kiruru! Já que Littleroot mudou bastante, pensei que gostariam de ver como a cidade ficou. Podem andar por onde quiserem desde que voltem antes das nove da noite.

Os cinco saíram andando pela cidade e a garota ficou parada, olhando-os com um sorriso singelo no rosto. O que faria sem aqueles cinco?

E andou sem pressa até o pequeno parquinho que havia visto enquanto chegava na cidade. Ela amava aquela cidade. Apesar de terem passados dois anos nada tiraria aquele ar aconchegante e calmo que só Littleroot podia proporcionar.

Mas assim que chegou próxima ao parque, ela encontrou com ele. Ele. Ruby Maple, a pessoa que menos queria ver no momento, mas morando na mesma cidade que ele, e sendo vizinha dele, claro que isso iria acontecer alguma hora.

Desviou de caminho no mesmo minuto, pensando que talvez ele não a tivesse visto. Mas quando ouviu seu nome ser chamado, descartou todas as hipóteses.

— Sapphire! Espera! — suas pernas travaram, sua respiração ficou descompassada e desejou que nunca estivesse saído de casa aquele dia.

Mas foi aí que uma mão quente encostou em seu pulso. Sua pele estremeceu, sua respiração ficou mais desordenada ainda e começou a achar que iria ter um infarto.

"Mesmo com tanto tempo, e com tudo o que passou eu ainda me sinto assim?! Mas que droga!", amaldiçoou a si mesma em pensamento.

— Sapphire, espera. A gente precisa conversar.

— Sobre o que? Ainda tem mais mentiras? — tentou gritar e demostrar o quão revoltada estava com ele, mas sua voz saiu como um sussurro e cheia de mágoa.

— Sapphire eu... Não nunca quiz fazer aquilo. Serio mesmo. — disse após um suspiro. — Eu... Não teve um dia que eu não pensasse em ir atrás de você me desculpar, mas eu sempre me lembrava de que não fazia ideia de onde ficava a ilha. Eu... Eu não queria...

— Ruby, eu... Eu não sei mais no que acreditar. Eu não sei mais se posso realmente confiar em você. Eu... Não consigo. — ela murmurou, sincera. — Desculpa. Eu... Eu realmente tenho que ir.

Ela se soltou de seu sua mão quente e se pôs a correr, não querendo que ele visse as lágrimas que se formaram em seus olhos. Não queria mostrar o quão frágil estava.

Correu até suas pernas doerem e pedirem para parar, correu até seu coração bater mais rápido possível e o som de seus soluços serem cobertos pelos passos fortes.

Até que sentiu seu corpo cair, em direção ao chão. Seus joelhos bateram com força no chão, e teria xingado nomes de sua dor sentimental não fosse maior. Ela não conseguia mais. Ela o amava. Ele a amava. Porque não aceitava isso logo? Era difícil. Ele tinha deixado uma cicatriz nela.

Mas foi aí que ouviu uma respiração afobada perto de si e ela teve a certeza de que ele havia a seguido.

— Finalmente... Te achei... — ele perguntou, com a respiração descompassada.

— Vai embora.

— Não. — ele discordou, indo para a frente dela e a olhando nos olhos.

— Vai. Embora. — falou Sapphire pausadamente, tentando reprimir as lágrimas que se formavam em seus olhos.

— Não. Nós temos que conservar.

— Eu não tenho nada para falar com você. — respondeu fria. — Fale o que quer e vá embora.

— Tenho quatro palavras para te falar: Eu te amo, Sapphire. E um pedido para te fazer: Acredite em mim. — falou com sinceridade, olhando nos seus olhos de um jeito que Sapphire podia sentir ele ver sua alma.

— Eu não consigo mais. Ainda dói, sabia? — respondeu, desviando o olhar.

— Eu sei. Doeu em mim também. Por mentir para minha melhor amiga e pessoa que eu mais amo. Sapphire, por favor, vamos tentar de novo, recomeçar. Eu te amo. Muito. Eu não quero te perder.

— Ruby, eu...

— Por favor. — ele disse.

Ela encarou suas orbes vermelhas. Ela pode ver, ele estava sendo sincero, e havia em seus olhos uma pontada de esperança de que tudo voltasse ao normal.

— Ruby, eu vou ser sincera com você. Eu tenho medo. Medo de me machucar de novo, de me sentir vazia de novo... De te perder.

— Eu... Acho que posso ajudar, se esse é o caso.

E, antes que ela pudesse reagir, sentiu os lábios quentes serem prensados contra os seus.

E naquele momento, ela teve a certeza de que iria ser para sempre.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!