Crossing Lines
1 I - Piloto
Notas iniciais
Natasha se encontrava com as mãos unidas sobre a boca, os olhos fitando a tela de modo impassível. Isso não podia estar acontecendo. Ela esfregou um olho, sem conseguir se concentrar na tela. Seus pensamentos eram só preocupação. Medo
— O Agente Barton sumiu ontem as 3:34 da manhã. — A voz de Fury era um martelo em sua cabeça. — O indivíduo se auto entitula Loki, disse ser Asgardiano. Não temos informações ainda, mas acreditamos que Erik Selving e outros agentes sumiram também, os corpos não acabaram de ser identificados. Na base de Heckesttow. Parte dela desabou depois de uma explosão...
— Por que explodiu? — interrompe ela, encarando-o com um olhar sério. Isso não é brincadeira. Ele tinha que contar-lhe tudo para achar Barton. Fury não hesita, mas lança-lhe um olhar repreensivo.
— Não sabemos ainda. — Mentira. Sai rápida e precisa, mas Natasha sabe que é mentira. — E é por isso que precisamos acha-los. É prioridade máxima, quero todo agente trabalhando nisso. Uma equipe especial vai atrás dele. Comecem agora. Agente Romanoff, você fica.
A ruiva fecha os olhos, tentando-se manter focada. Ela ão queria que ele a analisasse, mas sabia que é impossível. Seu olho logo está sentado de frente para ela, sem expressão no rosto.
— Sei o quanto ele significa pra você. Pra mim também. — Ele fala, e Natasha o encara. — Vamos ter um problema com isso?
Ela quase ri.
— Você sabe que não. E por isso vou perguntar de novo, o que explodiu a base?
— Chamamos de Tesseract. Usado pelo Caveira Vermelha, foi achado recentemente no mar. — Ela não fica irritada por não ter tido conhecimento disso antes, é assim que trabalham, mas absorve cada palavra com calma. — Começou a emitir energia altamente instável assim que ele apareceu, mandei evacuar a base, mas Loki o pegou.
— Se é Asgardiano não tem aliado algum aqui. Pegou os reféns de vantagem. — Diz, e Fury faz uma pausa. Silêncio. — O que?
— Barton foi com ele. Ele não foi sequestrado. — Suas sobrancelhas ruivas desabam, se cruzando no cenho. Não. Clint nunca, nem em um milhão de anos faria isso. — Loki lançou algum tipo de composto químico que o fez aceitar qualquer ordem.
Ela engole em seco. Sabe o que é ser controlada desse jeito, só não sabia que tinha se tornado mais fácil nesses anos. Um arrepio percorre todo seu corpo, e ela fica mais preocupada. Raiva substituí sua vontade de chorar. Droga, Clint.
— Quem vai atrás dele comigo?
— Você não entendeu. — Fury se levanta, apoiado na mesa. — Decretei estado de calamidade. Emergência. O Tesseract é muito perigoso, e até onde sabemos esse Loki também.
— Eu só me importo com ele. — Fala, calma.
— É uma ameaça maior que a SHIELD. — Agora Natasha abre um sorriso debochado, jogando a cabeça para trás.
— Você não desiste, Nicholas Fury. — Ele dá de ombros, quase sorrindo. — O conselho não aprovou a iniciativa V.I.N.G.A.D.O.R.E.S. E nem eu.
— Aprovaram ontem. — ela fecha os olhos, suspirando. Vai ser um dia longo. — E você não tem que aprovar nada.
— Eles podem achar Barton?
— Sem dúvidas.
— Vou atrás de quem primeiro?
— Do grandão. — Ele cruza os braços, e quem sorri debochadamente é ele.
— Você sabe que o Stark não gosta de mim.
— Não estou falando do Stark. — Seu sorriso só aumenta, e ela morde um lábio. Merda.
(...)
— Senhor, temo que meus protocolos estejam sendo ativados manualmente. — Tony franze as sobrancelhas, antes de tomar um gole de champanhe.
— Ele não desiste. — Ele resmunga, encarando o telefone que marca uma chamada de Phill Colson.
— Stark, temos que conversar.— Sua voz ecoa por detrás do aparelho.
— Aqui quem fala é o modelo de vida artificial Tony Stark, deixe seu recado após o sinal. — Pepper ri, abaixando a cabeça. Tony não tem jeito.
— É urgente.
— Então deixe urgentemente.
O elevador se abre, e os dois olham naquela direção, vendo Phil desligar o telefone.
— Invasão? — Diz, com uma cara indignada.
— Phil! — Pepper cumprimenta, já se levantando. Tony faz uma careta.
— Phil? O nome dele é Agente.
Pepper o ignorou, e foi até ele cumprimenta-lo com um abraço. Ele dá um sorriso sem graça.
— Se junte a nós, estamos comemorando.
— E é exatamente por isso que ele não pode ficar. — Tony murmura, indo até eles.
— Dê uma olhada. — Ele fala, erguendo um tablet para ele.
— Que pena, mãos ocupadas. — Tony mostra a taça de champanhe para ele, e Pepper a agarra.
— Vamos trocar. — Dá a taça para Phil, o tablet para Tony.
— Santo Deus. — Ele fala, indo até a mesa high tech. Conecta o tablet nela, e logo os arquivos aparecem como uma chuva de balas. Um monstro verde rugindo. Dois assassinos profissionais lutando onde sinalizava-se ser Budapeste. Um homem de cabelos loiros e 1,90 de altura soltando raios. E... Ele. O homem que seu pai falava todas as noites, a lenda. Mas Tony não consegue revirar os olhos.
— Quem tá tentando comer seu traseiro dessa vez, Colson?
(...)
Steve soca o saco de pancadas na sua frente com toda força. Seu sangue fervia a muito tempo, fleshes de memórias passando em sua cabeça. Seus pesadelos ali, enquanto suas mãos latejavam, mas Steve não conseguia parar.
Um soco. Vê-se perdendo Bucky para a morte.
Outro soco. Vê Peggy e a dança que nunca tiveram.
Mais um. Encontra-se no avião indo rumo ao Alasca.
Tudo desabava, a sala se fechava, o impacto das suas mãos no saco ficavam mais fortes, mais constantes, e seus gritos eram o único barulho na sala. Ele queria sentir dor. Ele queria ter morrido naquele avião.
Outro soco. E dessa vez é o pesadelo real e presente de ter acordado em 2012.
Isso é suficiente para fazer o saco de pancadas voar longe, se rompendo e sujando a sala toda.
— Você está bem, Capitão? — Ele fecha os olhos. Ah, não. Steve se vira, dando de cara com a mulher de cabelos ruivos de meia calças pretas e um vestido preto. Por cima, um casaco de couro da mesma cor.
— Está aqui em missão, Agente Romanoff?
— Depende. Você não parece bem. — Steve solta um riso debochado pelo nariz, indo até outro saco no chão.
— Estou bem.
— Então pode me ouvir. — Steve revirou os olhos sem ela ver, mas Natasha imaginou ele fazendo isso. Ergueu os braços e pendurou o saco no lugar. Natasha não pôde deixar de perceber como ele fica extremamente sexy naquela roupa.
— Seu cabelo está maior desde a última vez que nos vimos. Precisa mudar o visual para contar mais mentiras? — Agora quem revira os olhos é Natasha, e Steve volta a socar os sacos novamente, fazendo um som alto ecoar pela sala abandonada. A ruiva vai até ele depressa, e tenta lhe dar uma rasteira que é desviada num pulo, e ele agarra seu braço, mas Natasha impede que ele agarre o outro, já forçando sua articulação para baixo com o joelho, fazendo-o ficar com o rosto perto do dela. Ele estava hesitando, se segurando para não machuca-la. E ela estava se fazendo de fraca.
— Só isso que tem, Capitão? — Ele lança-a para trás, na esperança de derruba-la mas ela recupera o equilíbrio e corre para se lançar contra ele.
Num impulso extremamente forte, ele segura seus ombros com força mas com cuidado e usando o peso do próprio corpo a faz cair no chão, ficando debaixo dele.
Suas respirações estavam ofegantes, ele segurando seus pulços a cima da cabeça, ela com um sorrisinho malicioso nos lábios.
— Agora que estou debaixo de você tenho sua atenção? — a ruiva diz, e se surpreende quando as bochechas dele coram, mas apenas desvia seu olhar irritado para o outro lado. — Olha, Steve, eu sigo ordens. Fui enviada para ficar de olho em você, e foi o que eu fiz. E não precisa me tratar mal por isso. Você é um soldado e também segue ordens.
Steve suspira, cansado de sustentar o peso do corpo no dela. Mas ela está certa. Ele se levanta, rapidamente oferecendo a mão para ela, que aceita e se levanta.
— É rápido, eu prometo.
Sem dizer nada ele se senta nos bancos pretos colados na parede, e ela segue o mesmo caminho, ficando ao lado dele.
— A senhorita tem dois minutos. — Ele fala, e Natasha sorri, vitoriosa. A ruiva tira seu celular de dentro da bolsa, que já se encontrava na imagem do Tesseract.
Steve fecha os olhos.
— O nome dele é Loki. É Asgardiano, vem de Asgard uma ilha fechada na divisa entre Austrália e Indonésia, recebeu independência como um país em 1950, é uma monarquia. É proibida a entrada de qualquer um que não seja asgardiano, o que os torna incompreensíveis e imprevisíveis. E Loki se mostrou os dois, ainda mais auto destrutivo.
— E precisam de mim para lutar com um lunático? — Steve pergunta, dessa vez sem tom de ofensa.
— Não. Para lutar na guerra que ele vai causar.
— Espero estar qualificado, então.
— Ah, você está. Tem algo a nos dizer sobre o Tesseract?
Steve se levanta, já se posicionando na frente do saco.
— Deviam te-lo deixado no mar.
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