Crossed Destinies
1 Capítulo 1 e prólogo - O rumo que as coisas tomaram
Notas iniciais
Um longo corredor se estendia a sua frente. O ar era frio e seco. As paredes brancas, as luzes fortes; tudo era grande e intimidador. O barulho de seus sapatos ecoava aflito enquanto ela caminhava. Ela sabia o que havia atrás da porta no final do caminho ...e não gostava .
Kari chegou a tão temida porta; Passou a mão pela lapela do terninho rosa e tomou postura, numa tentativa inútil de parecer confiante. Respirou fundo e girou a maçaneta, ela avançou com os olhos entreabertos, e como havia previsto os flashes a cegaram por alguns segundos. Lá estavam eles, fizesse chuva ou sol, os repórteres estavam lá para filmá-los e fotografá-los.
A digiescolhida atravessou o mar de jornalistas que estavam fazendo perguntas, subiu os degraus de um palco e sentou-se na cadeira reservada à ela, numa mesa de frente para a imprensa, entre TK e Youlei. Imediatamente a amiga a cumprimentou e a abraçou, Kari deu um sorriso e depois se virou para TK, que estava a fitá-la carinhosamente.
–Sei como você fica apreensiva nessas situações; não se preocupe Kari, vai ficar tudo bem- Takeru falou e depois deu um riso reconfortante.
–Eu espero que sim- disse a jovem retrucando com um sorriso forçado e virando-se para frente.
Tai acabara de entrar por uma das portas do salão, chamando a atenção dos repórteres, e ocupou a primeira cadeira. Os outros já o esperavam em seus lugares: Matt, Sora, Mimi, Izzy, Jou, Davis, Ken, TK, Kari, Youlei e Kody.
–Está atrasado- O loiro parecia nervoso.
–Não enche Matt, eu tive um péssimo encontro com o primeiro ministro- disse Tai sussurrando para o amigo enquanto se ajeitava na cadeira.
Sora girava a garrafinha de água levemente sobre a mesa, enquanto fazia uma retrospectiva mental.
A verdade é que a situação havia se tornado caótica. Nos primeiros meses que se passaram depois da luta contra malomyotismon, tudo parecia perfeito. A humanidade estava maravilhada com o surgimento das criaturinhas digitais e grandes avanços eram esperados, já que os digimons permitiam aos humanos explorar situações e recursos jamais imaginados.
Como o mundo todo assistiu a Davis e seus amigos lutando em sua última aventura, ele tornaram-se figuras públicas e símbolo da interação dos humanos com os digimons, mesmo havendo outros tantos digiescolhidos; afinal a experiência falava por si só.
Os problemas se tornaram relevantes a partir do primeiro ano. Embora os digimons fossem bem aceitos por alguns, muitos afirmavam que eram uma ameaça a humanidade por muitos motivos, que iam desde os digimons serem feras até a ressurreição de teorias Malthusianas de que não haveria alimento suficiente para terrestres e digimons.
O digimundo também já não exercia tanto fascínio para os adultos, já que era um lugar que eles não podiam ir para comprovar se seus filhos estariam seguros ao visitar ou explorar as riquezas naturais, sem falar que muitas crianças passaram a usar o digimundo para fugir da presença dos pais, não necessariamente para fazer algo errado ou coisa do tipo, mas seja como for, lá não havia quem os monitorasse.
Muitos pais já haviam até obrigado seus filhos a deixar os digimons no mundo digital e apreendido o digivice, evitando um futuro contato, deixando ambos, digimons e crianças, extremamente tristes. O que finalmente chamou a atenção dos quatro grandes guardiões, pois os digimons estavam sofrendo longe de seus parceiros (afinal digimons rancorosos são um perigo para o digimundo)
Como se já não fosse afronta o suficiente para os guardiões, a ONU determinou que deveria existir um grupo de digiescolhidos , que deveria servir como “os olhos” do governo no digimundo, intitulando-os polícia digital. Ken assumiu a dianteira dessa “polícia”, mesmo que extremamente desconfortável, já que aquilo o fazia recordar o imperador digimon; mas ele via aquilo como uma forma de cuidar dos digimons desta vez, tendo cuidado para nenhum dos vigilantes mirins agir como um digiescolhido desvirtuado abusando do poder de alguma forma.
“-Como os humanos se atrevem a tentar controlar o digimundo? -Indagava Zhuqiaomon feroz.
–Os humanos cultivam a desconfiança ao invés da paz. — XuanWumon meditava em voz alta
–Então não podemos mais considera-los como fator importante nas decisões sobre o digimundo; Qinglongmon admitia relutante.”
Os quatro grandes estabeleceram então que tomariam medidas drásticas, e a primeira delas foi à desautorização da função do d-3 que permitia a abertura dos portais. Os únicos digivices que ainda possuíram essa função depois disso foram os das crianças que já eram digiescolhidas antes da luta contra malomyotismon, o que feriu o orgulho do grupo de países mais poderosos(afinal eles ainda queriam ter a chance de explorar riquezas de outro universo, como todo bom governo ganancioso), que resolveram criar em Washington, EUA; uma embaixada oficial que abrigaria os digiescolhidos com a função de embaixadores, para que estivessem entrando em negociação com os guardiões em nome da ONU.
O principal grupo de digiescolhidos, ou seja, Tai e seus amigos, foram intimados a se mudar para Washington, e serem os embaixadores digitais, nomes como ficaram popularmente conhecidos.
Eles declaravam a imprensa e ao governo tudo o que os guardiões resolviam, e eram obrigados a voltar a falar com os guardiões e dar o parecer dos governos, seja concordando ou exigindo a retirada de certa decisão. Eles ao menos tentavam, já que eram poucas às vezes em que os digiescolhidos conseguiam persuadir os guardiões, isso quando conseguiam falar com eles.
Com tantas mudanças, a vida dos digiescolhidos adquiriu novos rumos. Tai abdicara do sonho de professor de educação física por hora, cursando direito na Universidade George Washington,para ficar melhor entendido daquele mundo jurídico e político no qual o meteram, mesmo ele achando “um saco”.
Matt havia desistido da música, não havia inspiração artística que sobrevivesse sufocada pelas paredes da embaixada, então resolveu abraçar um sonho que tivera na infância e graças a sua inteligência e dedicação, conseguiu um cargo na NASA, trabalhando com o teste de motores de veículos espaciais. Gabumon era seu sistema de resfriamento portátil e eficaz, o que definitivamente agradava a agência.
Sora, que já estava num relacionamento sério com Matt, descobriu seu talento para designer e resolveu se lançar na indústria da moda, criando uma grife própria (Pink Canary, em homenagem a piyomon) e lutando para torná-la popular.
Mimi, finalmente havia se tornado mais madura; tirou o rosa dos cabelos e os fez marrons novamente, mas nunca deixara de querer chamar atenção; além de estar sempre acompanhando Sora na grife, fazia participação em programas de TV representando os digiescolhidos e era quem mais falava diretamente ao povo, por ser a mais carismática.
Ken prestava serviço remunerado para a polícia digital, então passava a maior parte de seu tempo em rondas no digimundo.
Joe pesou muito seus motivos, decidiu fazer medicina e estava muito feliz por trabalhar como médico, embora triste por não trabalhar perto de seus irmãos.
Izzy e Youlei estavam sempre estudando e respondendo questões relacionadas ao digimundo e a tecnologia superior provinda de lá para as revistas científicas. Ambos cursavam engenharias, o que acabou aproximando-os de forma romântica e esquisita; por passarem tanto tempo juntos.
Kody ainda terminaria os estudos, estando no segundo ano, e ainda tinha tempo de ajudar Yzzy e Youlei e ensinar kendô ao filho do presidente dos EUA.
Davis ainda era imaturo, estressado e explosivo, mas ainda sim muito engraçado, decidido, e líder, ajudando bastante a Ken na resolução de casos no digimundo, mas nunca em tempo integral; e seguindo paralelamente seu sonho de ser chef, contando sempre com a ajuda de Mimi, que entendia do assunto.
TK tornou-se respeitado na comunidade literária pela publicação de artigos de opinião pelo seu ponto de vista e pela vista do grupo, sempre destacando-se também no basquete e cursando a academia de letras.
Kari se sentia um pouco triste por ter que lidar com toda aquela situação de forma fria, como se os sentimentos dos digiescolhidos do mundo todo pudessem ser simplesmente ignorados, e ainda aguentar a perseguição de grupos radicais que criticavam severamente os embaixadores digitais, afirmando que os digimons eram pragas, ou atacando diretamente a imagem dos Digiescolhidos. Para Kari aquilo era duro demais para aguentar, e se TK não estivesse ali nas horas piores e menos piores, ela não sabia se teria aguentado a toda aquela pressão. O que lhe causava um pouco mais de felicidade era cursar a faculdade de pedagogia, ao menos corria atrás de seus sonhos e se sentia mais alegre por isso.
Os digiescolhidos haviam aprendido a conciliar a vida cheia de pressão da política com seus objetivos pessoais, e por mais que achassem que a situação com os digimons ficaria ainda muito difícil, nunca imaginaram que uma decisão como aquela estaria por vir por parte dos guardiões.
–Sora, acorda! Você tá viajando! tomou chá de cogumelo?! -Mimi cutucava a amiga.
–desculpa! Estava pensando na vida.
–Então pense depois. É hora de mais uma sessão de “chatice na casa branca”.
Eram oito da manhã e o clima já era tenso. Depois de um breve momento, todos se organizaram. a entrevista iria começar.
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