Cronicas De Fragmen Caelum - Lux Aeterna
2 1. Toda grande jornada começa com uma viagem
Notas iniciais
Ano 3350 da Era de Bronze
A estrela surgia no horizonte banhando a areia avermelhada do deserto de Kalifa de um tom laranja belíssimo, o jovem Adam observava o espetáculo não apenas por achá-lo belo, mas também porque junto com o amanhecer vinha normalmente os grupos de viajantes e era isso que estava para acontecer. Rapidamente uma enorme nuvem de areia começou a surgir e no meio dela era possível se ver vagamente as silhuetas dos Mastodes, enormes paquidermes com três pares de patas, quatro presas e pêlos negros que carregavam largas e altas tendas armadas nas suas costas.
Adam desceu do telhado e entrou pela janela de seu quarto dentro da casa de dois níveis em que morava, o segundo nível era onde ficava o porão e onde Adam dormia já o primeiro nível que era o térreo era onda ficava a loja do dono da casa que era a pessoa que Adam estava indo ver:
-Senhor Drun as caravanas estão chegando, devem estar aqui em no máximo quarenta minutos – disse o rapaz parando na frente do balcão onde o seu chefe estava
Drun era o dono de uma das milhares de lojas existentes na cidade de Abraga, conhecida no reino de Enlinar como a cidade do comércio onde se pode comprar tudo que se possa imaginar e Drun era quem você procurava se quisesse conseguir jóias, qualquer jóia. Drun era membro da raça dos Minimandros, uma raça de seres de baixa estatura, tinham entre sessenta centímetros e um metro, raramente passavam disso e Drun não era um desses casos raros já que só tinha oitenta centímetros. Seus rostos lembravam muito o de certos roedores com apenas leves alterações humanóides na face, como seus os ratos eles também tinham caudas, mas a quantidade de pêlos sem seus corpos era mínima e os de Drun eram de coloração branca. Aquela raça vivia em media duzentos e cinqüenta anos e Druna já havia vivido cerca de cento e vinte anos pelo que havia escutado pelas vielas e becos de Abraga:
-Muito obrigado Adam – disse minimandro limpando as lentes de seus óculos e coçando suas orelhas grandes e circulares de roedor – Logo mais irei abrir a loja e gostaria que fosse pegar uma encomenda para mim antes que os visitantes cheguem
-Sim senhor Drun, onde devo ir?
-Vá até a loja de Nigiri e lhe diga que veio pegar a encomenda, ele saberá do que se trata
-Certo senhor
O jovem virou a placa da loja de fechado para aberto e saiu correndo pelas ruas de Abraga o mais rápido que seu corpo de dezesseis anos permitia. As ruas já estavam quentes e secas mesmo a manhã mal tendo se iniciado, era sempre assim durante o dia na cidade, quente, seco e excessivamente iluminado, a cidade era tão banhada pela estrela que Adam não sabia se sua pele marrom era devido a sua família ou ao sol, ele não tinha lembrança nenhuma de seus pais, desde que se lembrava ele trabalhava e vivia com o senhor Drun.
Rapidamente Adam chegou a frente da loja de Nigiri, um comerciante minimandro que vendia essências e poções para os mais diversos gostos. Na frente da loja estava Nima, uma escrava de Nigiri e membro da raça dos Neruko, os neruko eram seres humanóides e se passariam facilmente por humanos se não fossem por certos detalhes como a presença de uma cauda, orelhas felinas no topo da cabeça no lugar de orelhas humanas e pupilas felinas, presas e unhas um pouco maiores e pontudas que o normal. Além das diferenças visíveis os Neruko também são mais velozes e ágeis que humanos normais, mesmo não sendo tão fortes, possuem uma audição invejável e são capazes de enxergar muito bem em ambiente escuros:
-Bom dia Nima – disse Adam caminhando em direção a loja
-Bom dia senhor Adam – disse a garota que tinha a mesma idade que ele fazendo uma reverencia fazendo seus longos cabelos castanhos caírem sobre a face branca
-Já lhe disse que não sou um senhor – o rapaz encarou os olhos amarelos da neruko com seus olhos negros e abriu um leve sorriso
-Se o senhor assim diz – falou a escrava o mais neutro possível
Adam simplesmente suspirou, Nima fora criada desde pequena como escrava na loja de Nigiri e ele não era uma criatura tão boa como Drun, batia severamente na jovem diversas por erros dele e não dela e alguns diziam que já se aproveitou dela se é que um ser de sessenta e dois centímetros conseguiria fazer algo com uma moça de um metro e sessenta e cinco, mais do dobro da altura dele, boatos ainda piores diziam que seria impossível Nigiri abusar sexualmente de alguém porque ele tivera seu membro arrancado por motivos desconhecidos por todos.
O rapaz entrou na loja e sentiu o forte cheiro das diversas essências que banhavam o ar, aquela mistura deixava Adam enojado, mas parecia agradar a diversas pessoas. Antes que Adam pudesse fazer algo Nigiri desse do teto bem em cima da sua cabeça e arranca alguns fios do cabelo negro do jovem humano:
-O que pensa que está fazendo?! – gritou Adam querendo dar um soco na pequena e irritante criatura que sempre que o via tentava fazê-lo algum tipo de mal
-Nada que lhe interesse escravo de merda – disse o minimandro de pêlos cinzas guardando os fios de cabelos de Adam dentro do manto verde que vestia
-Eu não sou um escravo – ou assim sempre pensou
-Então por que se veste com estas roupas de baixo nível que apenas escravos e mendigos vestem?
-Algum problema com minhas vestimentas relate para o senhor Drun, e por sinal vim pegar a encomenda dele – Adam nunca viu nada de errado na sua roupa, uma camisa marrom que lhe cabia muito bem, uma calça marrom claro que também lhe cabia bem e um par de sapatos de couro nem um pouco apertados
-A sim a encomenda do seu estúpido chefe, quase ia me esquecendo
Nigiri andou até seu balcão e pegou uma caixa negra cheia de adornos dourados e levou-a até Adam. O rapaz pegou a caixa e saiu o mais rápido possível da loja, ele não suportava o minimandro e se pudesse o mataria na primeira oportunidade e levaria Nima para um local onde ela não fosse tratado como um pedaço de lixo descartável.
Adam passou pela neruko e mandou mais um sorriso na esperança que a escrava demonstrasse algum sentimento, mas ele sabia que Nigiri a havia treinado para não demonstrar coisas desse tipo ou seria terrivelmente castigada e como já esperado ela nada demonstrou.
Quando retornou a loja de Drun havia apenas um cliente ali então o jovem pensou que tivesse chegado a tempo, mas a cara seria de Drun fazia com que Adam pensasse que talvez fosse realmente um escravo e agora fosse tomar uma surra de algum chicote:
-Você trouxe o pacote? – perguntou Drun em um tom de voz que Adam nunca escutara antes, ele realmente ia tomar uma surra
-Sim senhor, aqui está
O homem que estava próximo do balcão pegou a caixa das mãos de Adam e deu uma boa olhada no rapaz:
-Então é esse daí? – perguntou o homem que tinha o rosto e todo o torso coberto por uma túnica com capuz, sua voz era grossa e roca e parecia não sair muito bem, como se tivesse algo na garganta
-Sim é ele – o minimandro pegou um cigarro e tomou uma longa baforada, algo que só fazia em situações criticas se Adam bem se lembrava – Agora pegue essa coisa e leve-a para o nosso senhor, acredito que ele não goste de atrasos
-Ele não gosta, mas estou mais do que adiantado e agora estou com vontade de ficar mais algumas horas – Drun soltou um chiado que só emitia quando queria ofender alguém, mas não podia – Sabe usar uma espada rapaz? – perguntou o encapuzado encarando Adam
-Sim senhor – disse o jovem ainda não entendendo onde ele queria chegar, todos na cidade sabiam manejar alguma arma, nunca se sabia quando se iria entrar em um combate em uma cidade como aquela onde a lei do reino era tão relevante como um pequeno inseto que esmagávamos por pura diversão
-Bom saber, você poderia me mostrar os cordões que tem ai Drun?
Drun deu uma longa tragada no cigarro antes de pensar em responder, quanto mais rápido aquele ser fosse embora dali melhor então ele resolveu não agir de maneira violenta:
-Estão a sua direita
-Não estou falando desses cordões baratos que você vende para esses vagabundos de merda que vêem aqui, estou falando de cordões de verdade
Drun engoliu em seco, ele já esperava por uma resposta assim então deu uma última tragada e pegou um saco que ficava a escondido em um piso falso ao seu lado:
-Aqui estão – disse o minimandro ainda tentando entender as intenções daquele homem naquele dia, ele sabia que não poderia ser só pela caixa e que ele agora devia nutrir interesses por Adam sabendo sua origem
O encapuzado passou os dedos pelos cordões dourados e prateados, mas demonstrava nenhum interesse até que parou seus dedos sob um cordão dourado com um pingente simples, uma única e pequena pedra negra na forma de uma esfera perfeita.
O homem jogou o saco em cima do balcão e ficou com o colar em mãos girando a pedra e a observando como se esperasse por algo e então um pequeno feixe de luz entrou pela janela e acertou a pedra negra. Naquele momento Adam finalmente viu alguma expressão no rosto do encapuzado, um largo sorriso:
-Drun – disse o encapuzado encarando o minimandro que naquele instante finalmente entendeu o que estava para acontecer – Diga a Arthur que eu estarei a sua espera e que ele não se atrase dessa vez
Uma intensa luz vermelha dominou a loja e quando ela sumiu o encapuzado também havia sumido. Adam ainda tentava entender como o homem desapareceu quando a porta da loja foi arrombada com um forte ponta-pé e cinco homens de armadura entraram na loja encarando Adam e Drun a poucos metros e com as mãos nos cabos de suas espadas:
-Você é o mercador de jóias Drun? – perguntou o mais alto dos cinco homens, pelo seu rosto devia ter quarenta anos, possui uma cicatriz vertical que passava pelo seu olho esquerdo que estava fechado, Adam entendeu aquilo como um sinal que o homem havia perdido o olho
-Quem quer saber? – perguntou o minimandro tentando parecer o mais mal possível e estufando o pequeno peito
-Eu sou Arthur Devin, general das tropas do reino de Enlinar, estou aqui a mando de meu amado rei Aaron III para levá-lo sobe custodia por suspeita de interação com o império de Noctum
Drun soltou um riso de escárnio, o maldito encapuzado realmente o havia traído, Drun prometeu a si mesmo que caso saísse vivo mataria aquele ser em que nunca confiara. A única escapatória que o minimandro teria seria usando sua pedra de teleporte, uma pedra raríssima e ele havia perdido estupidamente a poucos segundos:
-E se eu não quiser ir com o senhor? – perguntou Drun fazendo um sinal para Adam ir para trás do balcão, se fosse para alguém escapar que fosse pelo menos o jovem pelo qual Drun se meteu naquela coisa toda antes de tudo
-Então temo que teremos que lhe levar a força e se necessário até mesmo em pedaços – disse rispidamente o general apertando com força o cabo de sua espada
-Entendo, então acho que assim será
Drun puxou de sua bolsa um de seus muitos colares e o acertou contra o chão, aquele era outro raro cristal chamado de pedra-tempestade, uma pedra que quando friccionada ou acertada com relativa força libera uma poderosa descarga elétrica. A pedra amarela em força de um raio tocou no chão e liberou seus raios destrutivos para todas as direções.
Dos sete ali presentes apenas dois escaparam, Adam foi um deles, pois antes de seu mestre sequer puxar o colar ele já estava pulando o balcão e correndo para o andar de cima. O outro que escapou foi Arthur que sacou sua espada e desferiu um ataque vertical que dispersou as descargas elétricas para longe, a espada do general era conhecida como Calibur, aquela que a tudo repele, dizem que enquanto ele empunha essa arma ele era intangível graças ao místico campo de força por ela gerado.
O general rapidamente correu em direção ao andar de cima da casa, mas quando ele chegou Adam já estava pulando nos telhados das edificações de Abraga tentando escapar de pessoas que ele desconhecia e por um motivo que ele nem mesmo compreendia.
Pessoas já lotavam as ruas e centenas de comércios já estavam lotados, mas nenhuma delas se importava com um jovem humano pulando telhados fugindo de alguém de armadura, isso era mais comum em Abraga do que se podia imaginar. As pessoas gostavam de simplesmente ignorar o que acontecia ao seu redor e isso normalmente as mantinham a salvo de problemas que não fossem seus, Nigiri era um desses, mas naquele momento sua atitude não o impediu de ser colocado naquela situação quando Adam apareceu caindo do teto dentro da sua loja e bem em cima de uma de suas melhores clientes:
-O que você pensa que está fazendo escravo maldito?! – gritou o minimandro encarando boquiaberto
Adam teria respondido que ele não era um escravo, mas ele estava dolorido demais para responder qualquer pergunta e também não podia ficar parado, aquela queda não havia sido proposital e não o favorecia em nada na fuga e graças aquela perda de tempo antes que Adam pudesse sair dali Arthur apareceu pela porta encarando o garoto com raiva:
-Fique parado rapaz e pode ser que o deixe vivo – disse o general puxando sua espada
-Prefiro fugir e ter a certeza que vou ficar vivo do que ir com o senhor e não ter certeza – disse Adam já se preparando para correr novamente
-Garoto, você não tem a mínima idéia do que se passa não é mesmo? – indagou o general corretamente e finalmente percebendo ele guardou sua espada na bainha – Não vou machucá-lo rapaz, só quero que me responda algumas perguntas e ninguém aqui vai se machucar
-O que você quer? – Adam olhava para os lados procurando alguma forma de sair dali o mais rápido possível e agora que todos saíram correndo da loja pela presença do general ficava mais fácil de observar, apenas Adam, o general, Nigiri, Nima e a velha humana desacordada continuavam dentro da loja
-Diga-me o que Drun entregou para o espião do reino de Noctum
-Eu não sei – Adam não tinha a mínima idéia do conteúdo da caixa que o ser de capuz levou com ele antes do general – Mas eu conheço alguém que sabe
-E quem seria?
-Esse minimandro que esta passando ao seu lado nesse exato momento
Arthur pegou Nigiri pela cauda e o ergueu até ficarem cara a cara mesmo o minimandro estando de cabeça para baixo:
-Tire-me daqui humano maldito! – falou Nigiri encarando com raiva o general
-Não tenha dúvidas disso senhor, principalmente se souber o conteúdo que o espião recebeu
-Eu não sei sobre espião algum, mas me lembro muito bem o que entreguei para esse escravo maldito mais cedo – Adam gostaria de tê-lo corrigido dizendo que não era um escravo, mas permaneceu calado
-E o que foi?
-Pedaços de uma certa planta, como produzo essenciais acabo recebendo também encomendas de certas ervas vez ou outra – respondeu calmamente o minimandro como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo
-Que planta?
-A rosa negra de Lichan, ela é uma rosa raríssima que só nasce no abismo de Lichan e é bem difícil de conseguir, mas com o pagamento que Drun me deu eu conseguiria até plantas muito mais raras para ele
-O que se é capaz de produzir com a rosa negra de Lichan?
-Soube que alguns magos negros acreditam que essa rosa aumente seus poderes quando ingerida ou pura ou em forma de chá, mas é apenas um boato até onde eu saiba
-Nada mais
-Não que eu saiba, agora pode me soltar? Não é nada agradável ficar de ponta a cabeça e tendo seu rabo preso
-Ainda não posso libertá-lo, você vira comigo para a capital
-Mas por que?
-Coisas da burocracia do reino, agora venha e você também – disse o general apontando para Adam – Você rapaz trabalhava para Drun então tem que ver e não me force a ter que ir ai pegá-lo
Arthur colocou Nigiri no chão e o minimandro andou até Nima e acertou-a com um pedaço de pau que o pequenino pegou no chão:
-Você vem comigo escrava, não irá reclamar irá general? – perguntou Nigiri e Arthur de nada reclamou, nem da pergunta e nem da agressão, algo que realmente perturbou Adam
O grupo lentamente começou a caminhar pela cidade e Adam se surpreendeu ao perceber que estavam rodeados por sete guardas reais que pareceram surgir do nada, só então o garoto se tocou que por mais que tentasse fugir das tropas reais ele nunca conseguiria. O quarteto só parou quando finalmente chegaram ao portão da cidade de Abraga onde uma enorme nave estava parada, o complexo voador tinha sete andares de altura e tinha mais de cem metros de comprimento:
-Esta é Uranus – disse o general Arthur com orgulho na voz – A maior, mais rápida, mais resistente e com maior poder de ataque de todas as naves do reino de Enlinar, sintam-se privilegiados por viajar neste belíssimo complexo
Os guardas guiavam de perto os três novos passageiros e não permitiam que desviassem um único centímetro de seu caminho até que depois de muito chegaram a seus aposentos, cubos de três metros de aresta com camas individuais e localizados todos no terceiro andar da nave. Adam se deitou na sua cama e observou as paredes transparentes do lugar, aquele era um local sem o mínimo de privacidade, mas o rapaz pensou que os soldados não se importassem muito com isso e também notou que não havia um local para tomar banho ou para fazer suas necessidades ali então eles teriam que ir para outro local se necessário.
Apenas Nigiri e Arthur não entraram nos cubos, o general fez questão de guiar o minimandro para os andares superiores onde eles poderiam continuar o “processo burocrático” e dessa vez em particular.
Adam andou até a parede de vidro de seu cubo e observou Nima que estava sentada na cama de seu cubo que era vizinho ao do rapaz. A neruko observou o humano por um momento e depois simplesmente virou a cara, ela não poderia conversar com ele por mais que assim desejasse fazer a anos, sabia que se isso fizesse seria punida mais tarde pelo seu senhor da maneira mais dolorosa que ela pudesse imaginar.
Vendo que qualquer forma de interação seria inútil Adam retornou para sua cama e se deitou na esperança do sono lhe dominar e quando ele acordasse nada daquilo tivesse acontecido, o garoto ainda não entendia perfeitamente o que estava acontecendo e no fundo não gostaria de entender, mas sabia que a partir daquele dia sua vida nunca mais seria tão calma como era no passado.
Uranus não era conhecida como a nave mais rápida do mundo a toa, Adam não devia ter dormido mais do que três horas quando um soldado veio bater no seu cubo o acordando:
-Acorde garoto – disse o soldado que não devia ter mais que dezoito anos – Chegamos ao espaço aéreo de Oasas e o chefe faz questão de vê-lo agora
Adam não conseguia acreditar nas palavras do soldado, Oasas ficava a três dias de viagem caso você usasse os Mastodes, que era o meio de transporte mais veloz do deserto atualmente, e de acordo com as palavras do soldado eles chegaram lá em poucas horas algo surpreendente para o rapaz que não era acostumado as tecnologias que inundavam o resto do continente.
Oasas era conhecida como a porta do deserto por ser simplesmente a primeira cidade que devia ser visitada se você desejasse entrar no deserto de Abraga pela rota comercial, que também era a única rota segura de todo o deserto, mas não é por ser a única rota segura que não havia mortes e roubos naquele caminho, ela só era a única que você poderia cruzar sem morrer ou ser assaltado numa chance de uma em cinco. Era comum existirem mais mercenários pagos para proteger as caravanas do que comerciantes em si graças ao alto nível de periculosidade do deserto.
A nave Uranus ainda pousado, ela flutuava a trinta metros do chão e um grupo de seis soldados estava localizado exatamente abaixo da nave com suas espadas em mãos apenas observando o fluxo de pessoas na entrada de Oasas. Adam observava tudo aquilo de uma janela, ao seu lado o general Arthur Devin o observava com sua Calibur guardada na bainha, o general ainda não entendia como um garoto que ele estimava ter dezesseis anos tivesse conseguido fugir dele por tanto tempo e com uma boa diferença de distância, mas o que realmente surpreendia Arthur era a sensação que o olhar daquele garoto passava, a mesma sensação que tinha quando seu mestre o encarava a muitos anos atrás:
-Qual o seu nome rapaz? – perguntou o general se aproximando do garoto
-Adam, senhor
-E o resto?
-Apenas Adam, de acordo com meu antigo chefe eu não precisava de mais do que isso
-Um típico costume minimandrico, para eles apenas um nome é necessário, e deixe que eu adivinhe, foi ele que escolheu seu nome? – Adam balançou a cabeça em um sinal de sim – Previsível, o minimandro pai sempre escolhe os nomes de seus filhos, o costume passou para os minimandro ricos e seus escravos
-Eu não era um escravo
-Chamasse como preferir, pegue – Arthur jogou para Adam um saco, o mesmo onde Drun antes guardava seus colares com pedras raras e perigosas – Era do seu chefe e agora é seu, além disso, meus soldados também pegaram algumas jóias que lhe serão entregues mais tarde, para sua informação aquela pedra-tempestade também está dentro do saco
-Senhor Devin – chamou Adam antes que o homem fosse embora, ele quase havia se esquecido de comentar sobre algo mais cedo e ele sabia que era algo importante – Antes do senhor surgir o espião foi embora com a caixa
-Disso eu já sei rapaz
-Mas antes dele ir ele disse “Diga a Arthur que eu estarei a sua espera e que ele não se atrase dessa vez”, acredito que seja uma mensagem para o senhor não é mesmo?
-Não tenho dúvidas, mas não tenho idéia do que esse espião quis dizer, mas mesmo assim obrigado por me informar rapaz
Arthur sabia muito bem o que aquela mensagem queria dizer e agora que ele sabia quem era o espião em questão sua missão havia ficado mais simples e infinitamente mais perigosa. Quando os mantimentos de Uranus fossem renovados em Oasas Arthur faria questão que eles retornassem para Abraga e deixassem Adam e a jovem escrava neruko na cidade, ele sabia que não seria daqui para frente para dois jovens sozinhos se virarem em uma cidade como aquela, mas ele não via outra escolha, ou eles retornavam ou ingressavam na academia militar de Enlinar, algo que Arthur achava difícil de acontecer.
Adam estava saindo da janela, a nave já estava distante de Oasas então ele resolveu voltar para seu cubo, mas então ele viu algo brilhante surgir no horizonte, o garoto não conseguiu distinguir o que era até se chocar contra a nave, um laser. Todo o complexo do primeiro e do segundo andar explodiram jogando pedaços e fogo para todos os andares superiores e na direção da cidade de Oasas.
Toda a nave começou a cair, no primeiro andar era onde se localizava todo o complexo que mantinha a nave no ar e agora que ele fora pelos ares a nave estava indo abaixo. Adam tentou se segurar na janela, mas suas mãos falharam antes que ele conseguisse e a última coisa que o garoto viu foi as chamas virem na sua direção.
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